Nota pública da Compolítica a respeito da Revista Veja

29/10/2014

Reproduzo abaixo nota divulgada pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica). Além de concordar com o teor do texto, considero a iniciativa digna de aplauso, tendo em vista a escassez de tomadas de posição públicas por parte das entidades que reúnem os pesquisadores de Comunicação.

“A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) vem, por meio de sua diretoria, repudiar publicamente a Revista Veja pela conduta irresponsável, como veículo jornalístico, às vésperas das eleições presidenciais de 2014. Como é de conhecimento público, a revista estampou em sua capa manchete e fotos implicando de forma taxativa dois presidentes em um grave escândalo de corrupção, publicando a edição um dia antes do normal e tornando-se, assim, material de campanha para um dos lados da disputa. Fez isso baseando-se em vazamentos de acusações de um criminoso em processo de delação premiada que deveriam servir à justiça para novas investigações – inaceitáveis como prova a ser publicada como verdade. Consideramos que a revista agiu de forma irresponsável, incompatível com o grau de amadurecimento de nossas instituições e punida judicialmente pelo próprio TSE com direito de resposta e multa. Como associação científica que pesquisa justamente a relação entre comunicação e política, expressamos nossa preocupação com a recorrência de fatos como este, em que emissores privados se valem da legitimidade conferida pela opinião pública à imprensa para divulgar material que não segue os preceitos éticos mínimos e boas práticas do ofício, para além das preferências ideológicas. Para que a vontade popular possa se expressar, é necessário garantiir que o respeito ao processo democrático seja um limite ao arbítrio dos controladores dos meios de comunicação. É necessário, também, que o Brasil avance na direção de um sistema de mídia mais plural e mais democrático, com mais respeito à divergência e espaço para o debate. O direito democrático da livre expressão pública implica responsabilidade política – além de jurídica. É coisa muito séria e esperamos que nossa manifestação a respeito possa contribuir com o necessário debate que, quem sabe, a presidente reeleita ousará, finalmente, favorecer neste mandato.”
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2014.
Alessandra Aldé – presidente
Luis Felipe Miguel – vice-presidente
Francisco Paulo Jamil Marques – secretário

Uma música

18/10/2014

Lily Allen – Back to the Start

Um filme

15/10/2014

Domínio Público

Vale a pena ver de novo

14/10/2014

Em tempos de campanha eleitoral, recomendo dois vídeos que comentei anteriormente neste blogue (aqui e aqui).

Liberdade, essa palavra

Gagged in Brazil

Rapidinhas

13/10/2014

Recentemente foi publicado um artigo meu na Contracampo, revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF): Um balanço dos estudos de esporte no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação de 2012.

Por falar em produção científica e esporte, o texto da semana passada no blogue coletivo História(s) do Sport foi meu: Uma aventura juvenil na África do Sul.

*  *  *

Boa notícia: foi publicado o livro Quando o silêncio é rompido: homossexualidade e esportes na internet, de Luiza Aguiar dos Anjos. A edição resulta do prêmio de literatura científica do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), recebido pela dissertação homônima.

 

Rapidinhas

25/9/2014

Vi e recomendo O Mercado de Notícias, documentário de Jorge Furtado em cartaz.

*  *  *

Por falar em jornalismo, faz muita falta existirem, no Brasil, veículos com perfil semelhante ao The Guardian e The Independent. Basta ler uma matéria de Robert Fisk para esclarecer e desfazer boa parte da cortina de fumaça e dos discursos vazios sobre o combate ao Estado Islâmico divulgados pela Casa Branca e reproduzidos de maneira acrítica por seus house organs no Brasil, como o carioca O Globo.

No jornalismo hoje praticado pelas corporações de mídia no Brasil, simplesmente inexiste espaço para um jornalista como Fisk. Aqueles que têm talento, erudição, curiosidade e capacidade de exercer tal papel simplesmente não têm emprego. Ou, se têm, não têm espaço editorial ou condições para fazer este tipo de trabalho.

*  *  *

E a população de mais um país se junta à longa lista das que receberam sobre suas cabeças bombas lançadas pelos EUA. Agora o alvo dos bombardeios humanitários é a Síria. Afeganistão, Granada, Haiti, Iraque, Vietnã, Coreia, Japão, Sérvia e outros conhecem bem a situação. Isto sem falar nos golpes, massacres e ditaduras patrocinados, apoiados, financiados e treinados nos quatro cantos do globo.

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Pingou na caixa postal esta notícia: “Inter inaugura sistema para sócio “vender” sua cadeira se não for a jogo“. Com esta medida, o Internacional (RS) se coloca na vanguarda, de novo, no futebol brasileiro, em termos de modernidade e gestão profissional. Seu programa de sócio-torcedor, assim como o do Grêmio (RS), é modelo no país. Anos atrás, ambos já tinham programas muito – bota muito nisso – melhores do que este que o Flamengo tem em 2014. Pelo que li, o sistema adotado pelo Inter é limitado e tem problemas. Mas é um avanço imenso, sem dúvida. Vejamos quantas décadas o Flamengo levará para fazer algo parecido (de estádio nem falo mais…).

*  *  *

Enquanto nos anos 1980 o boicote esportivo internacional ajudou a isolar o regime do apartheid sul-africano (e é senso comum elogiar o esporte pelo engajamento e importância para a causa), em 2014 o Maccabi Tel Aviv, de Israel, jogará tranquilamente no Rio de Janeiro a final do Mundial de Clubes de basquete contra o Flamengo. Sinal de muitas coisas. Inclusive dos tempos.

Um livro

17/9/2014

A biografia de Kelly Slater (Pipe Dreams), do próprio com Jason Borte, é um livro para quem gosta de esporte e, particularmente, de surfe.

Tem trechos interessantes, que permitem repensar a imagem estereotipada e glamourosa que, frequentemente, o senso comum e o jornalismo esportivo associam aos grandes atletas – como é o caso de Slater, um dos maiores vencedores da história do esporte profissional, em todas as modalidades. (O livro foi escrito quando ele havia vencido “apenas” seis títulos mundiais. Desde então, ganhou outros cinco e, aos 42 anos, está em segundo na luta pelo título de 2014.) Selecionei e reproduzo abaixo dois trechos. Um:

“A pior parte de ser um surfista profissional é nunca ter raízes estabelecidas num único lugar. Quando você finalmente se sente à vontade num local, você parte para a competição seguinte. É preciso estar preparado para vôos que são cancelados e atrasos de todos os tipos. Às vezes, você não consegue tomar banho durante dias, e passa a viver em aviões e aeroportos. É difícil sentir que você pertence a algum lugar, vive uma vida em família normal ou que pode desenvolver um verdadeiro relacionamento. Não posso reclamar de minha vida, mas, em termos de viagens, há muitas coisas que desejaria que fossem melhores. Infelizmente, não ganho dinheiro o suficiente para comprar meu próprio avião.

Passo mais da metade do ano viajando, e a única coisa que torna esse estilo de vida possível é a rede de famílias adotivas que criei ao redor do mundo. O Circuito Mundial de 1994 foi a quarta vez que competi em muitos lugares do circuito, e nesse tempo, tive a felicidade de conhecer e de ser recebido por famílias carinhosas, que me ofereceram uma refeição quente, companheirismo e um teto. Muitos surfistas ficam esgotados nas viagens e sentem falta de seus lares, mas essas famílias me ajudam a me sentir mais à vontade onde quer que esteja.

Boas ondas não nos satisfazem completamente se não tivermos algum tipo de apoio familiar. Desde que comecei a viajar, aos doze anos de idade, fiquei mais interessado em conhecer os moradores locais de cada lugar que visitei do que ficar sentado no quarto de um hotel qualquer, assistindo a Beavis e Butthead entre as sessões. Posso aparecer em qualquer praia do mundo e encontrar alguém que conheço. Quando visito um lugar, em vez de partir logo após um evento, fico na companhia de amigos até ser forçado a ir a outro lugar. Há muito a aprender com outras culturas, e como surfista, tenho a oportunidade única de vivenciar muitos lugares. Para mim, isso é viver.”

Outro, sobre abandonar o circuito profissional, decisão raramente tomada por um atleta que esteja no auge:

“Passar algum tempo longe do circuito me permitiu conhecer melhor a minha família, meus amigos e a mim mesmo. A vida tinha de oferecer mais do que apenas a tentativa de aderir ao critério de como os outros achavam que eu devesse pegar uma onda.

Reconheço como fui extremamente afortunado. Se tivesse abandonado o surfe antes, não teria conseguido me aposentar sem ter de assumir outro emprego. No meu tempo de vida, o surfe evoluiu de um passatempo de hippies a uma indústria próspera e um legítimo plano de carreira.

Quando me afastei das competições em tempo integral, ao final de 1998, em vez de aumentar minha barriga de chope e reduzir meu handicap no golfe, fiquei com um desejo ainda maior de surfar do que tive em anos. Graças à Quicksilver, basicamente tinha passe livre para fazer o que queria. Se as ondas estivessem boas em algum lugar do mundo, e estivesse com vontade de surfar, a companhia me mandava lá. Eu ainda competia em alguns eventos da minha escolha e fazia aparições promocionais, mas estava praticamente liberado. Graças ao apoio da Quicksilver, mantive meu alto padrão de vida sem ter de me preocupar com títulos mundiais.”

Infelizmente a edição brasileira tem muitos dos problemas que apontei semanas atrás em outro livro sobre esporte.

 

Uma música

15/9/2014

The Cardigans – Carnival

Cineclube Direitos Humanos – sessão de estreia

12/9/2014

Reproduzo abaixo convite para atividade na terça, dia 16/9, às 9h.

“O Laboratório de Comunicação e História (LaCHi) e o Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) convidam para a sessão inaugural do Cineclube Direitos Humanos, com o filme NETOS – Identidade e memória (dir. Benjamín Ávila, Argentina, 2004).

Cartaz Netos

Será no Auditório Paulo Freire do prédio principal do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH), Avenida Pasteur, 458, fundos, Urca.

Sinopse do filme:

“Durante o período de 1976 a 1983, a Argentina foi governada por uma ditadura militar. Durante estes anos, milhares de pessoas foram sequestradas e assassinadas com total impunidade. Em muitos casos, os filhos destes “desaparecidos” e os filhos recém-nascidos de mulheres grávidas no momento do sequestro foram apropriados ilegalmente. Os 500 bebês desaparecidos são um dos legados mais sombrios deste período. O trabalho incansável das Avós da Praça de Maio ao longo de mais de 27 anos permitiu que 80 destas crianças fossem restituídas a suas famílias biológicas. Longe de tentar uma revisão política ou histórica sobre este período, NETOS resgata, a partir dos relatos de alguns destes garotos, a dimensão humana que este processo de recuperação de uma nova e verdadeira identidade tem para eles; explorando a forma com que a história de ontem se inscreve na do presente e nos assinala um caminho para o futuro. NETOS é um filme comovente que busca também transmitir, aos jovens que permanecem com a idade falseada, a importância de reconstruir o quebra-cabeças da identidade e da memória, transformando em vida toda a dor.””

Eventos

11/9/2014

Pingou na caixa postal uma boa notícia: saiu uma nova edição do livro O Brasil Privatizado, do jornalista Aloysio Biondi. O lançamento será segunda-feira, dia 15/9, às 19h, no Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Rua Genebra, 25, São Paulo/SP).

Recomendo enfaticamente a leitura desta excelente obra.

 

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