“Notícias, segurança e criminalidade”, por João Luiz Duboc Pinaud

23/7/2008 by Rafael Fortes

O massacre de Eldorado de Carajás, segundo Eric Nepomuceno (ou “responsabilidade social” 15)

21/7/2008 by Rafael Fortes

Mês passado li um livro fora de série: O Massacre - Eldorado do Carajás: uma história de impunidade, de Eric Nepomuceno. Ótimo texto, fruto de trabalho pesado de pesquisa do jornalista e escritor.

Narra com riqueza de detalhes a barbaridade cometida contra trabalhadores sem-terra em 1996 e as conseqüências que até hoje as vítimas e seus parentes sofrem, incluindo o drama dos sobreviventes, muitos deles com seqüelas gravíssimas e ainda sem assistência do governo do estado do Pará.

Elucida a intrincada teia de relações que leva a uma matança como aquela, em que são responsáveis políticos, fazendeiros e - bingo - a Companhia Vale do Rio Doce (mais um bom exemplo de “responsabilidade social” das empresas). Uma mistura impressionante entre público e privado - e a PM, braço do poder público, acaba funcionando não como garantidora da lei e de direitos, mas como exército de jagunços agindo a mando dos sinhôs locais e à revelia da lei.

A Vale alugou dois ônibus que levaram parte dos PMs para a matança. Fazendeiros locais forneceram parte das armas. O governador Almir Gabriel (PSDB), a ordem.

Segundo Nepomuceno, “Não houve, ao contrário do que se tentou difundir logo após a violência e o horror, conflito algum.”

Como (quase) sempre, o confronto surge convenientemente como justificativa para o extermínio realizado pela polícia, por ordem superior.

Música da semana

20/7/2008 by Rafael Fortes

Falei dela outro dia. Taí:

“Uma tarde com o Alemão”, de Adriana Facina

19/7/2008 by Rafael Fortes

“Responsabilidade social” 16

18/7/2008 by Rafael Fortes

Outro dia, por acaso, conversei com um membro da diretoria do Sindicato dos Bancários de Petrópolis. Fiquei sabendo que, naquela cidade, há uma agência funcionando com apenas um funcionário e um guarda. Não se trata de acidente ou casualidade, mas de uma postura assumida pública e claramente pelo banco.

Isso significa que o bancário lotado na agência é, simultaneamente, caixa, funcionário, tesoureiro, gerente, telefonista e diversas outras funções/cargos/trabalhos que se realizam dentro de uma agência bancária. Quando dá o horário de almoço, precisa pedir gentilmente aos clientes que se retirem, para poder fechar a agência e sair para almoçar.

E estamos no governo do Partido dos Trabalhadores. A quem servem o Ministério do Trabalho e o Banco Central?

Uma ponte

17/7/2008 by Rafael Fortes

A prefeitura de São Paulo inaugurou recentemente uma ponte. Até aí, nada de extraordinário. Mas não se trata de uma ponte qualquer. Abaixo, três notícias mostram o quanto de água passou (e ainda vai passar) por baixo da obra faraônica - e o comportamento duvidoso da mídia gorda impressa paulistana.

1) Hamilton Octavio de Souza, em sua coluna Entrelinhas, na Caros Amigos de junho de 2008:

“Pontes do ego

Em 2005, a Folha de S. Paulo desceu o cacete no alto custo das obras da ponte estaiada sobre o rio Pinheiros, em São Paulo. Em maio de 2008, começou com amplas reportagens de louvação a inauturação da ponte, que recebeu o nome do falecido dono do jornal. Fora essas pequenas contradições de interesse privado, agora os jornalões de São Paulo estão em pé de igualdade nas pontes: a dos Mesquita na marginal do Tietê e a dos Frias na marginal do Pinheiros.”

2) Deu no sítio da Fórum: “Movimentos sociais criticam construção de ponte em São Paulo

3) O outro lado da moeda, informado pelo Brasil de Fato: “Moradores de favela lutam pelo direito de morar ao lado de cartão postal

Sobre a greve dos Correios

15/7/2008 by Rafael Fortes

Os trabalhadores dos Correios estão em greve há algum tempo. Não estou por dentro das reivindicações, mas suponho que alguma justiça exista nelas. Não estou aqui para discutir esse mérito, mas para falar de duas curiosidades.

Primeiro, a greve não atinge igualmente todos os bairros da cidade do Rio de Janeiro. Em Vila Isabel (Zona Norte), não há entrega de correspondências comuns desde o início da paralisação. Já em Ipanema e Copacabana (ao menos algumas partes deste último bairro), na Zona Sul, as cartas continuaram e continuam sendo entregues regularmente durante todo esse período. Isso é mais uma evidência de que ainda não chegamos a uma república em que todos os cidadãos tenham direitos iguais. Isso significa que, para o Estado Brasileiro, que detém o monopólio do envio de correspondências comuns, alguns podem ficar sem recebê-las; outros, não. (E, obviamente, há situações ainda piores: há diversos lugares em que sequer os Correios fazem entregas etc. Sei que estou discutindo o assunto do ponto de vista de quem reclama de barriga relativamente cheia, ou seja, classe média que de vez em quando é atingida por problemas que outros enfrentam diariamente e com muito mais gravidade).

Segundo, esta pérola da língua portuguesa disponível no sítio da empresa de telefonia Oi, tentando informar algo a quem quer imprimir uma segunda via da conta do telefone fixo:

O valor da conta do mês vigente só estará disponível, em um prazo, aproximado de 5 (cinco) dias úteis, antes da data do vencimento .

Conseguiu entender?

“A economia macabra da ocupação”

14/7/2008 by Rafael Fortes

O Brasil de Fato (sempre ele) publicou texto importante sobre os caminhos e descaminhos econômicos da ocupação ilegal promovida por Israel nos territórios da Palestina: “A economia macabra da ocupação“, por João Alexandre Peschanski.

Um pouco de Eduardo Galeano

13/7/2008 by Rafael Fortes
No excepcional As veias abertas da América Latina (de 1971), que um dia ainda será leitura obrigatória dos alunos adolescentes em todas as escolas do continente, nossa Pátria Grande:

“O trabalho escravo dos nordestinos está abrindo, agora, a grande estrada transamazônica, que cortará o Brasil em dois, penetrando a selva até a fronteira com a Bolívia. O plano implica também um projeto de colonização agrária para ampliar ‘as fronteiras da civilização’: cada camponês recebe dez hectares de superfície, se sobrevive às febres da floresta tropical. No Nordeste há seis milhões de camponeses sem terras, enquanto que quinze mil pessoas são donas da metade da superfície total. A reforma agrária não se realiza nas regiões já ocupadas, onde continua sendo sagrado o direito de propriedade dos latifundiários, mas em plena selva. Isto significa que os flagelados do Nordeste abrirão caminho para a expansão do latifúndio sobre novas áreas. Sem capital, sem meios de trabalho, que significam dez hectares a dois ou três mil quilômetros de distância dos centros de consumo? Muito diferentes são, deduz-se, os propósitos reais do governo: proporcionar mão-de-obra aos latifundiários norte-americanos, que compraram ou usurparam a metade das terras ao norte do rio Negro, e também à United States Steel Co., que recebeu do governo as enormes jazidas de ferro e manganês da Amazônia.”

Inveja

12/7/2008 by Rafael Fortes

Hoje tem Ben Harper & The Innocent Criminals abrindo para Neil Young em Lisboa. Anteontem, no mesmo festival, tocou Rage Against The Machine.