E há quem diga que não existe racismo no Brasil

10/1/2012

Pinga na caixa postal e aparece no feicebuque o vídeo abaixo. Repare bem a aparência e cor da pele de todos os que estão dialogando com a polícia. Veja para cima de quem o policial parte.

Como não faz tanto tempo assim que fui estudante, e como nunca saí da universidade, foi fácil me imaginar no lugar do atingido. Ou imaginar amigos recebendo tal “abordagem”: se situação semelhante ocorresse no Diretório Acadêmico de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense no final da década de 1990, eu sei quem teria sido agredido (provavelmente eu seria uma testemunha – infelizmente, sem câmera para registrar). Ou imaginar que poderia ser um aluno meu, caso a Polícia Militar do Rio de Janeiro atuasse na universidade onde trabalho.

Após assistir o vídeo, cai bem ler a reflexão de Leonardo Sakamoto.

Quer dizer, na verdade, cai mal. Mas, como ficar bem vendo um troço desses ao começar o dia? Como ficar bem ao ver, na nossa cara, aquilo que acontece todo dia, o tempo quase todo, por todo o país, mas raramente com câmeras e possibilidade de registro e compartilhamento?

Se sobrar estômago, recomendo a leitura dos comentários na parte de baixo do vídeo.

Tenha um bom dia, caro(a) leitor(a). Se conseguir.

[Adendo importante em 11/1: confira a matéria "PM me escolheu porque eu era o único negro"]

Rapidinhas

6/1/2012

Da caixa de comentários da entrada anterior (sobre a reportagem pilantra do Jornal Hoje) para este apanhado de curtas: vale a pena ler “Por uma Clínica da Mídia Brasileira: a Propósito da Polêmica em torno do PNDH“, de Pablo Dias Fortes – que, até onde sei, não é parente, e a quem agradeço a dica. : )

A mídia corporativa, mais e mais, defende um estranho modelo de democracia em que uma instituição paira acima das demais, acima do bem e do mal, acima dos três poderes republicanos, do voto popular, da sociedade. Esta casta de iluminados se arvora o direito de fazer o que quiser, produzir as verdades que quiser, inclusive questionando as escolhas do povo. E não admite contestação alguma. Opera e reforça, o tempo quase todo, uma suposta divisão da sociedade entre bem e mal, entre bons e maus. E, claro, é ela própria quem atribui os papéis e aplica os adjetivos (que, claro, são cambiáveis de acordo com suas conveniências e a de seus patrões/patronos/sócios, como o ocupante de turno da Casa Branca).

Se isto não é uma forma de fascismo, alguém, por favor, me explique melhor o que é fascismo.

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Mauricio Drumond, camarada e pesquisador de mão cheia de história do esporte (e entendedor de fascismo!), começou um blogue sobre história política do esporte: História em Jogos. Promete!

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As chuvas anuais que produzem desgraças também anuais de dezembro a abril, no Rio de Janeiro, são uma boa oportunidade para o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) explicar como usa o dinheiro dos royalties do petróleo para garantir direitos da população. Seria legal dar um pouco de conteúdo à retórica raivosa e pseudo-defensora dos interesses dos fluminenses, exibida a cada primavera por Cabralzinho, como se de fato houvesse, de sua parte, alguma preocupação com o bem-estar do povo do estado do Rio. Ou será que não há conteúdo a apresentar?

Para mim, a discussão, da maneira como é apresentada pelo governo do estado, sempre esteve mais para retórica vazia, jogando para a plateia, do que para uma discussão séria sobre financiamento estatal, modelo de exploração de petróleo etc.

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Ganhei de presente de fim de ano o livro A Privataria Tucana. Ainda não li. (Acima, Ivan Valente discursando a respeito.)

Embora sua primeira edição tenha rapidamente se esgotado e bombado em blogues e redes sociais, a mídia corporativa e seus colunistas calaram a respeito. Mas não é só isso. Segundo me informou quem me deu o presente (obrigado, amor!), ele não estava visível em lugar algum da livraria (Saraiva). Foi preciso perguntar a um funcionário, que buscou a obra em uma estante do fundo. Estranho, no mínimo.

Uma reportagem canalha, uma reflexão brilhante

5/1/2012

Amigo divulga no Facebook texto sobre uma matéria da Globo. Leio o artigo, vejo a matéria. Trata-se – o texto – de “Flagrantes preparados do Jornal Hoje levantam sérias questões éticas“, publicado no blogue Roteiro de Cinema News, de Fernando Marés de Souza.

É daquelas ocasiões em que me sinto revoltado pelo ocorrido (a matéria “jornalística” cometida pelo Jornal Hoje, da Rede Globo), mas de alma lavada por ler uma reflexão não só excelente, mas daquelas que eu gostaria de ter escrito.

Já abordei os métodos de reportagem utilizados pela mídia corporativa brasileira em pelo menos duas ocasiões. Pela falta de tempo, infelizmente não posso escrever muito sobre o caso no momento. Quem quiser saber o que penso, além dos links na primeira frase deste parágrafo, pode ler esta sequência de textos (1, 2, 3) aqui n’A Lenda. Transposta para o universo acadêmico, ela deu origem a um artigo publicado  em 2010 na revista eletrônica E-Compós.

Fico com duas observações:

1) Ao menos, todos os suspeitos de conduta condenável do ponto de vista ético, legal e profissional estão identificados. Uns, com o rosto, agindo ao volante. Outros, com os nomes lidos pelo apresentador no início da matéria, ou identificados com créditos ao longo da mesma. Por fim, os responsáveis, cujo nome aparece ao final deste e de outros telejornais da emissora.

2) Ao final da “matéria” (confesso que fiquei na dúvida se o mais adequado era usar aspas ou itálico para problematizar o uso do termo…), o apresentador diz: “nós selecionamos 10 vídeos que melhor ilustram essa conduta dos manobristas.” Antes, o texto em off  já informara que, dos 65 manobristas, 19 vasculharam o carro ou pegaram algo. Em outras palavras, isto significa que 46 não o fizeram! Salvo engano meu, nenhum destes aparece na reportagem. Nem uma moralzinha para a patroa, os filhos ou a mãe verem que o fulano de tal, manobrista, é exemplo de conduta segundo os parâmetros do jornalismo da TV Globo. Afinal, ela não está aí para dar espaço para mano trabalhador algum – o imenso contingente das classes populares que formam a população brasileira. Já para condenar, execrar, esculachar…

Encerramento mezzo-preguiçoso, mezzo-didático: fica para o(a) leitor(a) a tarefa de fazer os cálculos percentuais (19/65 contra 46/65) e ver com quantos exemplos, ocorrências e ilustrações se faz o jornalismo canalha – como muito bem definiu José Arbex Jr. – da mídia corporativa brasileira.

Rapidinhas

4/1/2012

Não sei se é trágico ou irônico, mas a fila para tentar visto no Consulado dos EUA no Rio de Janeiro se alonga pela calçada da Rua México.

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De Mouzar Benedito, na Fórum de outubro:

‘O Brasil não fez o dever de casa’ ou ‘o Brasil tem que fazer o dever de casa’. Quantas vezes li ou ouvi com raiva gente falando uma besteira dessas, como se o país tivesse que obedecer o FMI, os EUA e a Europa, no estilo ‘farei tudo que meu mestre mandar’. É uma expressão de gente submissa, influenciada por economistas de direita que defendem interesses do capital internacional. Odeio quando alguém sai com uma frase dessas. Agora gostaria de perguntar a eles: vocês estão cobrando que os Estados Unidos e a Europa Ocidental façam o ‘dever de casa’?

Quem lê jornal diário, ouve rádio ou assiste aos telejornais provavelmente conhece alguns jornalistas – econômicos ou não – que se enquadram perfeitamente nessa classificação. Às vezes, são os mesmos jornalistas nas três frentes da mídia corporativa.

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Só para variar, o atual governo federal, da mesma forma que os anteriores, quer realizar nova (contra)reforma da Previdência com o objetivo de retirar direitos dos funcionários públicos e transferir renda para as entidades privadas do mercado financeiro. Tudo legitimado, do ponto de vista político, pelo suposto “rombo da Previdência”, entre outras falácias.

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Confira a lista de 18 deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) que não assinaram o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a bandalheira das privatizações realizadas pelo Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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Ouvi na Voz do Brasil de hoje (3/1) o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB/MG) – aquele do projeto tenebroso de regulação da internet – defendendo projeto que libera os recursos do FGTS para trabalhadores pagarem faculdades privadas para si ou para filhos até 24 anos. Por um lado, o governo do PT faz a alegria dos tubarões do ensino privado, seja via ProUni, seja via o libera-geral do MEC. Por outro, o representante do PSDB apresenta proposta no mesmo sentido – de enriquecer os donos de instituições de ensino superior privado. Entre os argumentos do parlamentar mineiro, o de que, se o governo pode usar recursos do FGTS para fazer Olimpíada, por que o trabalhador não pode usar esse dinheiro para investir em sua educação? O pior é que, neste ponto, não deixa de ter (alguma) razão.

Pra não dizer que ando criticando demais o Partido dos Trabalhadores (cujas semelhanças com o PSDB avançam mais e mais), ouvi também o senador Wellington Dias (PT/PI) defender a proibição de propaganda de bebida alcoólica. Medida correta, urgente e necessária. Por essas e outras, foi, é e será bombardeada pela mídia corporativa, que a coloca no plano da “liberdade de expressão”, e não da saúde pública.

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Pingou na caixa postal mensagem divulgando que 30 livros de comunicação (ao que parece, a maioria, de autores portugueses) foi disponibilizada online. Como estou com preguiça de procurar o atalho exato pro sítio da universidade, segue o que recebi.

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Da série “leituras atrasadas”, hoje esbarrei com essa boa matéria de Pedro Venceslau, em uma Fórum passada, sobre “O duro combate ao trabalho escravo“.

Enquanto isso, apesar da pressão popular, de abaixo-assinados e de declarações de boas intenções feitas por parlamentares (vale a pena ler a matéria…), a PEC 438/2001 continua lá, paradona no Congresso Nacional. Para alegria dos senhores de escravos do século XXI, protegidos pela bancada ruralista e pelo silêncio da mídia corporativa, que se arvora defensora dos interesses e direitos do povo brasileiro.

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Que outro partido, senão o PSOL, toparia – melhor, topou – ingressar no Supremo com a Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental elaborada pelo Intervozes contra concessão de rádio e televisão para políticos?

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Vale a pena ler este artigo sobre o projeto “Porto Maravilha”, do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

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Li, no Brasil de Fato, matéria intitulada “O sofrimento palestino sob o olhar de um sindicalista brasileiro”. Não achei no sítio do jornal. No da Central Única dos Trabalhadores (CUT), achei uma praticamente igual. O conteúdo é assustador, seja pelo que o representante brasileiro viu, seja pelo que os funcionários do governo israelense fizeram com ele.

Apesar das evidências abundantes dos absurdos cometidos por Israel, nem por um decreto se consegue colocar, no debate público brasileiro, uma iniciativa básica como a de Boicote, Desinvestimento e Sanções. Afinal, para nossa mídia corporativa – e, por que não, partidos políticos, à exceção de PSOL, entre os que têm representantes no Congresso -, o mal reside onde quer que a Casa Branca aponte, de acordo com conveniências, pesos e medidas próprios. No momento, Irã, Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Síria, Equador e Bolívia, principalmente.

Rapidinhas

7/12/2011

Pesquisando para um artigo, esbarrei com o achado da semana: a lendária banda australiana V Spy V Spy disponibilizou seus discos para serem baixados, de graça, a partir de seu sítio oficial na internet. Estão lá as clássicas “A.O. Mod”, “Clarity of Mind” e “All Over the World”.

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Exercício comparativo: como dois veículos de comunicação fizeram suíte sobre a saída de João Havelange do Comitê Olímpico Internacional: Carta Capital e O Globo. A discrepância é tão eloquente quanto auto-explicativa.

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Outro dia vi os dois primeiros episódios da série Lutas.doc. Gostei bastante e recomendo. Bem feitos, com boas discussões e duração adequada – pouco menos de meia hora – para debates em sala de aula.

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É bom quando alguém que faz falta tá de volta.

Rapidinhas

6/12/2011

 

Dentro da boa cobertura feita pelo Brasil de Fato (n. 455, 17-23/11/2011) a respeito da ocupação da USP e da trágica, violenta, injustificável e condenável intervenção da PM paulista, esbarrei com esse pequeno texto do jornalista Gilberto Maringoni intitulado “Os princípios da PM paulista”. Dá o que pensar. Como não achei alhures na internet, taquei no scanner e aí em cima.

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Pingou na caixa postal mensagem de amigo professor universitário recomendando a leitura desta reportagem sobre fraudes acadêmicas, publicada na Piauí. Professor de graduação há oito anos, já esbarrei com dezenas de casos de plágio – a todos, dei nota zero, para espanto e indignação de muitos alunos e alunas. E também já achei um plágio, uma vez, como parecerista de uma revista.

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Outro dia comentei que, no contexto das discussões (limitadas, é verdade) sobre reforma política, urge a aprovação do financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais. Já não será esse ano: o debate e a votação do relatório final na comissão especial ficaram para fevereiro de 2012.

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Uma boa notícia: Ivan Valente foi eleito presidente nacional do PSOL.

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É por causa de pérolas como esta – uma análise do filme Os trombadinhas feita por Luiz Sant’Ana – que vale chegar, toda terça-feira, no blogue História(s) do Sport.

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Gostei desse breve artigo de José Roberto Torero sobre o recém-falecido Sócrates.

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Pinga no celular mensagem naquele esquema tudo em maiúsculas: “web: parabéns cliente tim, voce foi presenteado com instalacao+adesao de tv por assinatura. ligue (…)”.

Ah, o maravilhoso mundo das empresas… E desde quando existe qualquer possibilidade de algo que a Tim faça ou ofereça ao cliente ser um “presente”? Só se for de grego…

Rapidinhas

4/12/2011

Terça, dia 6/12, será realizado o Seminário Violência Letal e Políticas Públicas: desafios, metodologias e proposições. Das 14h às 18h, no Hotel Windsor Guanabara. Av. Presidente Vargas, 392, Centro. Confira a programação, daquelas que me fez lamentar por não poder ir:

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O ritmo pesado do batente tem me obrigado a deixar de lado alguns temas que vão acontecendo e acabo não conseguindo acompanhar como gostaria – quanto mais refletir, elaborar e escrever algo.

Seja como for, uma notícia como a da aprovação da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) no Congresso é sempre muito ruim. É garantia de que dinheiro carimbado será desviado de rubricas como saúde, educação, cultura, seguridade social e reforma agrária para engordar os bolsos já fartos dos banqueiros. Segundo o boletim do mandato do deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP),

O PSOL foi o único partido a manter a coerência e votou contra a DRU em primeiro turno, há duas semanas, e em segundo, ontem. Até 2002 os parlamentares ligados ao PT eram contra a DRU, e os parlamentares da base do governo FHC eram a favor. Desde 2002, os papéis de inverteram: o PT passa a ser a favor, e o PSDB contra.

No atalho acima é possível ler a íntegra do discurso de Valente, que descortina boa parte das mentiras e/ou falácias usadas pelo governo e sua base para justificar a manutenção da DRU até 2015. Quem paga são os direitos do povo.

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No mesmo boletim, fiquei sabendo que o Itaú/Unibanco está demitindo a torto e a direito, como seria de esperar com a fusão – menos, claro, nas colunas dos jornalistas econômicos que, à época, reproduziram a visão empresarial e cor-de-rosa de que a medida seria benéfica. Foi benéfica, sim: para os donos. Público, clientes e trabalhadores que se danem.

Esta semana, por (infeliz) coincidência, estive no Itaú. Agência lotada e condições de trabalho claramente ruins para os funcionários – em número bastante insuficiente para a demanda. Clientes irados e bancários em situações constrangedoras e tensas, de maneira que o banco possa, no segundo semestre, bater novo recorde de lucros.

Rapidinhas

3/12/2011

De 13 a 15 de junho 2012, o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer da UFMG e o CELAR/UFMG sediarão o XIII Seminário O Lazer em Debate. Inscrição de trabalhos até 16/3/2012.

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Só para variar, Marcelo Freixo (PSOL/RJ) colocou os pingos nos is sobre o transporte público no Rio de Janeiro. Além do horror diário, acidentes acontecem regularmente. Para quem não conhece a situação, recomendo ler o  discurso do deputado no plenário da Assembleia Legislativa. Um trecho:

É vergonhosa a situação do transporte! Não é vergonhosa só porque vão chegar as Olimpíadas e a Copa. É também, mas não é só porque vão chegar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Uma cidade boa para uma Olimpíada e para uma Copa do Mundo tem que ser boa para quem mora nela, e não para quem vem de fora num determinado momento.

É uma porcaria o serviço público porque as relações políticas que sustentam isso são criminosas, são indefensáveis. Vai ver que é por isso que o Júlio Lopes está na Pasta certa. Para cumprir esse papel, ele tem muita competência; para fazer o que está fazendo, ninguém melhor do que ele. As negociatas cumprem muito bem, por isso que ele está lá, e não por causa do transporte público nem por causa do interesse da população.

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Enquanto o erário público funciona como um saco sem fundo para financiar obras injustificáveis como a hidrelétrica de Belo Monte, a reforma do Maracanã para a Copa de 2014 e a transposição das águas do Rio São Francisco, falta dinheiro e vontade política para garantir condições e estímulo para a fixação de médicos em muitas áreas do país. De um lado, o lucro de grandes empresários e empresas. Do outro, a garantia de um dos direitos básicos da população: saúde. Duas faces da mesma moeda.

Nem todo jogador de futebol é vaca de presépio: Loco Abreu

2/12/2011

[Texto escrito em em 11/10.]

Do uruguaio Loco Abreu, atacante do Botafogo, após perder um gol inacreditável no jogo contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro:

-Aquele gol perdido faz você entrar no Inacreditável Futebol Clube?

- Artilheiro tem isso. Mas o importante é você continuar treinando bem, trabalhando e… Realmente, Inacreditável Futebol clube es una bobagem que você tem para sacanear o jogador de futebol. Mas só quem tá dentro sabe bem que difícil que é jogar futebol.

- Obrigado.

Veja no vídeo do Globo Esporte paulista (em 2’11″; só aparece parte editada da resposta) ou no Globo Esporte carioca (em 12’20).

Vale a pena assistir à última, pois, além do diálogo completo, há a excelente reportagem de Kiko Menezes (de 6’33 até 13’09; a parte do garotinho no celular é particularmente boa e cômica – seria ele flamenguista?).

Parêntese metodológico importante: estou chamando de “excelente reportagem” o que acabei de ver no Globo.com. Não lembro se esse VT completo foi ao ar. Já ouvi amiga pesquisadora dizendo que os vídeos colocados no Globo.com não são necessariamente os mesmos que foram ao ar na televisão. Além disso, é raro um VT de mais de seis minutos e meio ir ao ar no Globo Esporte. Seja como for, o que está no ar na internet é material interessantíssimo.

Em dado momento, o próprio repórter admite: “Loco Abreu tem personalidade”. Antes do fim da matéria, confessa a ansiedade de ter que fazer a pergunta ao atacante alvinegro.

Uma pergunta idiota, imposta pela orientação da divisão de esporte da Rede Globo – que, aliás, afastou este setor do jornalismo e condenou o esporte ao espaço do entretenimento, onde está a salvo de vínculos com informação, política e realidade. Por exemplo, ter que noticiar as safadezas da CBF e do COI, cujos dirigentes são parceiros de longa data da emissora, favorecendo-a em contratos de transmissão, contratos de exploração de marcas e produtos, eventos, coletivas de imprensa e tudo mais.

Dentro das condições de trabalho impostas pela emissora, a equipe do Globo Esporte merece os parabéns pela matéria. Em meio ao humor que permeia o VT (vídeo-tape) – algo quase obrigatório num contexto em que um apresentadores engraçadinhos tornam-se queridinhos da direção da emissora -, é possível vislumbrar as dificuldades de fazer um jornalismo informativo. Este VT, particularmente, tem a rara qualidade de deixar ao espectador pistas das condições e rotinas em que é produzido. Isto aparece tanto na reportagem quanto no comentário posterior do apresentador, fechando o jornal.

Longe de mim achar que jornalismo sisudo é necessariamente melhor que um jornalismo que lide com o lúdico. Mas, nessa, fecho com o uruguaio: pseudo-jornalismo pautado por babaquice, tô fora.

Rapidinhas

30/11/2011

De volta ao Brasil, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) concedeu esta esclarecedora entrevista (em pdf) a Sonia Racy, do Estadão.

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Uma boa notícia: a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) aprovou e toca adiante importantíssima moção sobre as regras para ética em pesquisa em ciências humanas. A crítica é à Resolução 196, atualmente em vigor, e que está sendo rediscutida. Na prática, ela significa uma porção de exigências e procedimentos exagerados, descabidos e/ou inadequados para quem realiza pesquisas usando métodos como história oral e observação participante, entre outros.

Seria importante que as entidades da área de Comunicação subscrevessem o documento e o encaminhassem a quem de direito.

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Pingou mensagem na caixa postal: como roubalheira pouca é bobagem, depois da obra pronta, o Maracanã será privatizado, informa Juca Kfouri.

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Pra não dizer que não falei de flores: Ben Harper – Glory & Consequence


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