O “compromisso” do PSDB com a educação (7)

22/12/2014

Reportagem do insuspeito – para este assunto – O Estado de São Paulo informa que São Paulo tem um número bastante alto de professores temporários na rede estadual, bem como altos índices de evasão de docentes. Trata-se de uma das consequências de uma política de longo prazo, tendo em vista a sequência de governos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no Executivo paulista. Justamente por isso, o problema está longe de ser novidade. (Via Jornal da Ciência)

Verissimo e “Os dois lados”

18/12/2014

Vale a pena ler o artigo “Os dois lados“, de Luis Fernando Verissimo. O escritor contesta as reivindicações de muita gente na semana passada de que o relatório da Comissão Nacional da Verdade deveria incluir também os crimes cometidos pela guerrilha. A própria existência desta discussão mostra o quanto estamos atrasados em relação a nossos vizinhos de Cone Sul. Para quem tiver interesse no assunto, recomendo o excelente Poder e desaparecimento, de Pilar Calveiro.

A imensa desigualdade entre os dois lados não existiu apenas nas disputas travadas naquele momento. Persiste no acesso aos meios de comunicação, em que um dos pontos de vista tem muito mais probabilidade de ser defendido do que os demais – até porque mesmo os veículos que viriam a ser censurados no futuro apoiaram o golpe e a ditadura.

E, talvez, esta preferência dos meios de comunicação se explique também porque essa lógica de “dois lados” se ajusta bem aos parâmetros de jornalismo hegemônicos nas corporações de mídia brasileiras, segundo os quais, para abordar corretamente um assunto, basta abrir aspas para dois lados, um contra e outro a favor. Já abordei este tema antes, a partir de uma esclarecedora e excelente análise de um pesquisador do tema drogas.

Tudo isso, claro, sem contar a omissão histórica dos ex-guerrilheiros, ex-perseguidos e ex-presos políticos que governam e governaram o Brasil desde 1995 em regular, regulamentar e democratizar os meios de comunicação.

Rapidinhas

16/12/2014

O ano vai se acabando, mas algumas coisas precisam ser ditas.

Em primeiro lugar, uma salva de aplausos para o vereador Renato Cinco, do PSOL do Rio de Janeiro, pelo antológico discurso na Câmara de Vereadores em 10/12/2014, Dia dos Direitos Humanos, e que contou com uma (quase) inacreditável participação do colega de casa legislativa Carlos Bolsonaro (PP):

*  *  *

Segundo, uma sugestão para melhorar o Nação Rubro-Negra, programa de sócio-torcedor do Flamengo: distribuir aos sócios-torcedores residentes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) uma mariola por jogo que o time mandar fora desta área. O prêmio poderia ser acrescido de um bônus: um nariz de palhaço enviado pelo correio a cada cinco jogos mandados fora da RMRJ.

Uma das mudanças que precisam acontecer para ontem para o futebol se profissionalizar é se estabelecer uma relação de direitos e deveres. O clube quer ter mais sócios-torcedores? Então deveria estabelecer uma meta mínima: do total de jogos oficiais em que o time for mandante em um ano, no mínimo X porcento serão realizados no Maracanã. E cumprir a meta. (Além disso, estabelecer no contrato que ressarcimento ou punição haverá caso ela não seja cumprida. Mas o correto é cumprir e ponto.)

A resposta de Idelber Avelar

14/12/2014

Reproduzo abaixo resposta do professor Idelber Avelar a acusações que lhe foram feitas e reproduzidas pela internet.

Idelber Avelar responde

1- Depois de deixar os inquisidores urrarem durante uma semana, coloquemos alguns pingos nos is sobre sexo, privacidade e crimes na internet, em 20 partes.

2- Ouvi calado durante sete dias uma das maiores tentativas de assassinato de reputação da história da internet brasileira, baseada em divulgação criminosa de mensagens privadas.

3- Se estou movendo ações cível e criminal contra os responsáveis, tanto pela violação de privacidade como pela difamação? É evidente que sim. Agora, já em posse da ata notarial que permite a responsabilização penal dos responsáveis, respondo.

4- Em primeiro lugar: os linchadores estão falando de alguém com 29 anos de magistério, centenas de ex-alunas, dezenas de ex-orientandas já professoras e ZERO reclamações formais por seu comportamento com mulheres dentro de sala de aula ou na universidade, além de média sempre, em todos os cursos, superior a 4,5 na escala de 5 pontos através da qual professores/as são avaliados por alunos e alunas.

5- Comecemos por aí, então. É dessa pessoa que estão falando.

6 – Deixei que os inquisidores recolhessem suas “provas” e o que conseguiram?

a) Um print de interação privada erótica com mulher adulta, não só criminosamente publicado, mas propositalmente recortado.

b) Um print de conversa com menor de idade que logo terminou por minha iniciativa e exatamente por isso, à luz da revelação da idade dela.

c) Dois relatos anônimos completamente mentirosos, vejam só, um deles já apagado!, não sem antes ser devidamente registrado em ata notarial.

7- Ou seja: tentaram durante uma semana e não conseguiram UMA, umazinha “denúncia” assinada por quem quer que seja.

8- Ficou alguma dúvida da combinação entre ressentimentos pessoais e ressentimentos políticos que motivou a abundante prática de crimes contra a honra na internet brasileira nos últimos sete dias?

9 – O moralismo reduzido aos métodos do macarthismo e do stalinismo.para assassinato de reputação não conseguiu nada melhor que isso.

10– Sim, gosto de sexo. Sim, falo muito de e faço muito sexo. Com quatro regrinhas claras: consensualmente, com adultas, jamais com chefes ou subordinadas e em privacidade.

11 – Anal, ménage, BDSM, cuckolding: é isso que escandaliza o “feminismo” no século XXI? Coisas que fariam Sade bocejar de tédio no século XVIII? Retrocedemos 250 anos, é isso?

12 – “Feminismo”, sim, entre aspas, pois essa mistura de fogueira inquisitorial, moralismo e misandria nada tem a ver com Beauvoir, Butler, Muraro, Irigaray, Michele Barrett, Chodorow, Mary Wollstonecraft e tantas outras que me ensinaram a pensar e ler o mundo.

13 – Por que são sempre anônimas aquelas que a fogueira inquisitorial chama de “vítimas”? Medo de quê, a não ser de assumir publicamente que também eram parte do jogo, que são donas de seu desejo?

14 – Termos como “abuso” ou “assédio”, aplicados a conversas virtuais nas quais duas partes estão em interação ativa, e para as quais o botão “bloquear” está sempre disponível, só significa uma coisa: a confinação da mulher ao lugar de vítima, como se ela não fosse dona de seu desejo.

15 – Alunas de Tulane foram assediadas por inquisidores em busca de alguma declaração de que eu as tivesse tratado com algo que não fosse profissionalismo e respeito. Conseguiram? NADA.

16- Ex-colegas e ex-orientandas minhas foram caçadas pelo tribunal em busca de alguma manifestação de que eu as tivesse tratado com algo que não fosse profissionalismo e respeito. O tribunal conseguiu? NADA.

17 — Às centenas de pessoas que me escreveram em solidariedade nos últimos dias: muito obrigado.

18- Às muitas pessoas que me escreveram perguntando como poderiam ajudar, a resposta é simples: divulguem este comunicado entre os amigos e entre aqueles que disseminaram difamação. O comunicado está disponível também em meu Facebook: https://www.facebook.com/idelber.avelar e no Twitter (http://twitter.com/iavelar). E cobrem de blogs, revistas e tuiteiros a veiculação do direito de resposta, tema do qual se reclama tanto quando a “grande mídia” publica algo de que não gostamos.

19- As arrobas que já estão com seus crimes lavrados em ata notarial terão o prazer de descobri-lo por si sós, quando receberem a notificação judicial já em curso.

20- Por motivos que suponho também óbvios, só voltarei a falar do tema depois que transitar em julgado a sentença que, tenho certeza, punirá os responsáveis.”

 

Rapidinhas

12/12/2014

O que dizer do bizarro episódio desta semana envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) e a também deputada federal Maria do Rosário (PT/RS)? Vale a pena ver a manifestação, em plenário, de Chico Alencar (PSOL/RJ).

Pelo que li, PSOL, PT, PCdoB e PSB entrarão com uma representação por quebra de decoro parlamentar. Provavelmente dará em nada e será arquivada, mas é algo que precisava ser feito.

*  *  *

Uma boa notícia: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criou uma Diretoria de Ciências Humanas e Sociais. Isto significa que as Humanas não estão mais junto com Engenharia e Exatas.

Uma música

10/12/2014

Pearl Jam – Even Flow

Aos sábados e domingos, às vezes, acordo com uma música na cabeça. Neste sábado, foi Even Flow, a primeira que ouvi do Pearl Jam, no início dos anos 1990. Na época, eu começava a ouvir e a gostar de rock, por uma mistura de influências: o pessoal com quem comecei a andar na escola; as revistas de surfe compradas na Banca do Beto; o irmão mais velho de um dos amigos do prédio, que ouvia a Fluminense FM enquanto jogávamos videogame na sala; e a existência de outra boa rádio, a Universidade FM, lá no finzinho do dial (107,9). Com o passar do tempo, desenvolvi  um vínculo afetivo com a Fluminense FM, mas, enquanto existiu, a Universidade FM era a que eu mais ouvia. Foi nela que escutei, pela primeira vez, Even Flow.

Um debate

9/12/2014

Excelente debate sobre polótica e reforma política no Programa Faixa Livre de ontem, com Chico Alencar, Ricardo Ismael e Nildo Ouriques:

Debate, posições e convidados impossível de encontrar nas emissoras da mídia hegemônica, ainda que estas tenham ultimamente muitas e muitas horas semanais com comentaristas, jornalistas e especialistas falando sobre o tema.

Rapidinhas acadêmicas

9/12/2014

Pingou na caixa postal artigo muito interessante sobre o uso – melhor seria dizer desperdício – de dinheiro público pelo governo francês para comprar acesso a revistas científicas. 172 milhões de euros é o valor de um contrato com uma empresa. O texto está em inglês (tem em francês também).

A situação é bizarra: governos como o francês e o brasileiro pagam somas imensas para manter um sistema editorial que concentra os lucros em meia dúzia de grandes editoras – melhor seria classificá-las como mastodontes parasitários do conhecimento humano e do trabalho alheio. Neste sistema, todos os demais envolvidos – inclusive os autores e os pareceristas – sequer são remunedos pelo trabalho realizado. Mais bizarra ainda, no caso brasileiro, é a tara pela publicação em inglês (já abordei brevemente o tema aqui e aqui). Um degrau acima, quando se reproduz a tara no âmbito das ciências humanas.

Seria muito mais racional investir esses recursos públicos em algo útil para a própria ciência, como profissionalizar a edição de revistas de acesso aberto – incluindo contratação de técnicos e remuneração do trabalho de editores e pareceristas.

Um livro

8/12/2014

Trecho de Abusado, de Caco Barcellos:

“Por causa da quadrilha de Calunga e Paulista, nenhuma categoria sofreu tanto quanto os empresários de ônibus. No ano de 1991 eles foram atacados dez vezes pelo grupo. A escolha da vítima era feita por Calunga, que guardava mágoas profundas do transporte coletivo da cidade. Ele cresceu vendo o pai sofrer com a condução que o levava de casa, no subúrbio, para o trabalho, no centro. O pai ascensorista era obrigado a acordar às cinco horas da manhã porque o ônibus da linha demorava quase duas horas para deixá-lo perto da firma, na Cinelândia.

Muitas vezes Calunga viu o pai viajar pendurado pelo lado de fora, pingente do ônibus superlotado. Ele nunca esqueceu do acidente que sofreu quando estava com a mãe, amontoados no corredor. O ônibus bateu na traseira de um caminhão e o jogou contra a janela de vidro. Calunga sofreu vários cortes no rosto e no peito, e a mãe, imprensada pela massa de passageiros contra um banco de ferro, fraturou uma das pernas. Naquele dia, Calunga jurou matar o dono da empresa de ônibus, que se negou a indenizá-los.

Ônibus velhos, malconservados, sujos, em número sempre insuficiente para atender ao volume de passageiros motivaram algumas revoltas violentas no bairros vizinhos. Calunga e o pai estavam entre as pessoas que apedrejaram e puseram fogo nos carros. Dez anos depois, quando virou sequestrador, Calunga resolveu se vingar. Tentou levar para o cativeiro os principais empresários de ônibus da região onde morava.”

Rapidinhas

5/12/2014

Semana passada o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) falou e disse sobre as mortes recentes de policiais no Rio de Janeiro:


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