Rapidinhas

2/9/2014

Outro dia, vi um pedaço do debate entre os presidenciáveis no SBT. Fazia tempo que eu não parava pra assistir a um debate em período eleitoral na televisão. Passará muito tempo até que eu volte a fazê-lo. Tem coisa mais despolitizada e despolitizadora do que esse modelo/formato de debate?

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Por falar nisso, assim como a cada dia o sol nasce no leste e se põe no oeste, a campanha eleitoral, pelo visto, terminará com um debate dos candidatos à presidência na TV Globo. Funciona como se fosse um dado da natureza, como a alternância de dias e noites ou a lei da gravidade. Mas é uma construção política e conta com a concordância e a conivência da maioria dos partidos – incluindo aqueles que foram ou são vítimas/inimigos preferenciais do jornalismo das Organizações Globo, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

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Outro dia ouvi um candidato a deputado estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) dizendo que iria defender a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em outros municípios do estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, com as UPPs, os bandidos migraram da capital para diferentes cidades. O curioso é que:

a) O PCdoB é governo no estado do RJ.

b) O governo nega a ideia de que houve uma “migração” de criminosos da capital para outros municípios.

c) As UPPs são uma política do governo do estado do Rio de Janeiro. Curiosamente, esta política pública (segundo seus defensores), até hoje, só atingiu um dos 92 municípios do estado. Ou seja, 91 municípios ainda não foram contemplados com tal inovação no combate ao crime. A distribuição territorial faz parecer uma política da Prefeitura do Rio, mas é do governo estadual.

Rapidinhas

29/8/2014

Há lugares em que parte da população reage e parte pra porrada quando a polícia mata um jovem negro.

Há lugares em que a polícia parte pra porrada agredindo jovens (negros, em sua maioria) todo santo dia. Em muitos casos, os mata.

O levante de Ferguson (Estados Unidos) me orgulhou. Ferguson é Acari, Ferguson é Borel, Ferguson é Candelária, Ferguson é Vigário Geral, Ferguson é Padre Severino, Ferguson é Paraisópolis, Ferguson é Coque, Ferguson é São Tomé de Paripe, Ferguson é nós.

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Eis que a candidata que foi a novidade da eleição presidencial de 2010 será, de novo, a novidade este ano. Não deve ser fácil repetir o papel. Mais ainda quando quem coordena a campanha do alternativo é o que há de mais establishmentclasse dominante.

Lançamento do livro “A construção do sentimento local: o futebol nos arrabaldes de Bangu e Andaraí (1914-1923)”

25/8/2014

Dia 6/9 será lançado o livro A construção do sentimento local: o futebol nos arrabaldes de Bangu e Andaraí(1914-1923), de Nei Jorge dos Santos Junior. Será na Livraria Leitura do ParkShopping Campo Grande, a partir das 19h. Endereço: Estrada do Monteiro, 1.200, Campo Grande, Rio de Janeiro.

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Uma música

18/8/2014

Bezerra da Silva e Rey Jordão – Greve dos Ladrões

Rapidinhas

16/8/2014

O rádio informa que o Flamengo está negociando a contratação de Elton.

“Puta que pariu! Não é possível!”, reagi, esbravejando sozinho.

Sim, trata-se daquele centroavante que foi artilheiro da Segundona pelo Vasco. Pelo visto, a diretoria do Flamengo está precavida e resolveu já ir adaptando o elenco ao que se avizinha para o próximo ano: a disputa do título que nenhum time grande quer ter.

De coerência, não podemos reclamar no que diz respeito às contratações das últimas diretorias (esta e a anterior): o Flamengo continua um combinado de reservas do Corinthians e do Grêmio. Segundo a emissora AM, Elton está “treinando em separado” no Corinthians.

Rapidinhas

15/8/2014

Eis que, na televisão aberta argentina, a correspondente do El Clarín no Brasil diz que Eduardo Campos era “um candidato socialista”, “defensor da reforma agrária no Brasil” e “à esquerda de Dilma”. Cada veículo de comunicação tem a bússola que merece. De acordo com a das Organizações Globo da Argentina, tais eram as ideias do político pernambucano falecido recentemente.

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Loucura total dos torcedores do San Lorenzo em Buenos Aires, na expectativa e, depois, na comemoração do primeiro título da Libertadores. Há pouco tempo no cargo, o papa faz seu primeiro milagre.

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Algo que eu não sabia: o Campeonato Brasileiro passa na Argentina. Na TV por assinatura, claro. Na propaganda, o jogo do próximo fim de semana Inter x Goiás e nenhum jogador do Goiás ou brasileiro: só deu D’Alessandro e Aránguiz.

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Terça à noite, dois integrantes de um canal de TV por assinatura brasileiro que vieram a Buenos Aires trabalhar na final da Libertadores furaram a fila da alfândega e, depois, a do câmbio no Banco La Nación do aeroporto de Ezeiza.

Para mim, não é surpresa ver, fora do alcance das lentes, como se comportam certos jornalistas. Na frente das lentes, a conversa é outra: todos são defensores da lei, probidade, moralidade etc. Adoram cagar regra sobre o legal e o ilegal, o feio e o bonito, o digno de aplauso e o deplorável, o justificável e o injustificável. Há inclusive os hidrófobos que babam pedindo forca para qualquer um que faça qualquer coisa errada.

Contudo, por corporativismo (e um tanto de mau-caratismo), os profissionais de comunicação são os únicos que não correm o risco de ter câmeras escondidas gravando suas atividades profissionais e extra-profissionais. Incluindo as bandalheiras.

Flamengo 1×0 Sport

12/8/2014

Coisa horrorosa o jogo de domingo contra o Sport Recife. Pelo menos, ganhou. Passamos de último a penúltimo, mas melhoramos consideravelmente a situação frente aos oito últimos (metade deles perdeu: Vitória, Palmeiras, Botafogo e Chapecoense).

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O time correu mais do que na época do estrategista pão-de-queijo, principalmente quando está defendendo. Ainda assim, continua perdendo a maioria dos rebotes e sobras – em futebol, isto geralmente é sinal de desatenção, de correr pouco ou de falta de vontade.

Com a bola, continua o seguinte:

a) a bola queima: ou os jogadores giram e a atrasam até chegar ao goleiro; ou a rifam pra frente. É isso durante boa parte do tempo – e é muito irritante ver jogo assim.

b) ninguém se mexe: a falta de velocidade e de “compactação” (para usar um termo da moda) é impressionante. O jogador recebe a bola e, se tiver categoria para olhar em volta (o que nem sempre acontece…), se vê sozinho. No jogo de hoje, Canteros foi uma exceção, tentando passes e lançamentos longos e difíceis. Errou a maioria, mas foi um alento, tanto na jogada do gol como em um ou outro contra-ataque. Quando não se trata de contra-ataque, a falta de movimentação atrapalha muito.

c) medonho em bola parada e cruzamentos: Mugni, mesmo entrando no segundo tempo, conseguiu errar quatro ou cinco cruzamentos em faltas e escanteios. Estava batendo tão mal as bolas paradas que, a partir de certo momento, passaram a revezar-se João Paulo e Canteros.

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Com todas as críticas que se pode fazer ao Vanderlei Luxemburgo – e tenho várias ressalvas com relação a ele -, é muito bom ouvir um técnico dizer, na entrevista coletiva pós-jogo, que, por hora, o que o Flamengo tem a oferecer é jogo feio mesmo. Tivemos muitos treinadores nos últimos tempos – inclusive o próprio Luxemburgo -, que, quando o time jogava mal por partidas seguidas, nunca assumiam a ruindade. Quase sempre ouvíamos o papinho de “estamos melhorando”, “a equipe está evoluindo” etc.

Por pior que tenha sido o time que ganhou esse domingo, ele é melhor do que o treinado pelo Rinus Michels que veio das Gerais. É melhor em termos de vontade, táticos e técnicos. Inclusive porque, entre os titulares, não tem mais Felipe, André Santos e Elano.

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O time é horroroso e estava em último na tabela, mas levou 35.000 pagantes e 42.000 presentes ao Maracanã. Se continuar assim nos jogos em casa, talvez escape. Como venho argumentando há meses, para tanto, é preciso que a diretoria profissional pare com idiotices como mandar jogos em São Paulo, Brasília e Macaé. Nesse aspecto, ao menos já há o apoio do técnico – em entrevistas que ouvi semana passada, falou que o Flamengo tem que jogar no Maracanã. Ponto para ele.

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A sorte andou nos faltando em muitas ocasiões desde o início do Campeonato Brasileiro. Ganhar seis pontos em dois “jogos de seis pontos” seguidos (Botafogo e Sport), com gol em cruzamento perfeito de João Paulo, talvez seja um sinal de que a coisa começou a virar.

Uma música

10/8/2014

New Order – Sugarcane

Um livro

5/8/2014

Andrew Jennings – Jogo sujo: o mundo secreto da Fifa: compra de votos e escândalo de ingressos

O livro é um impressionante relato das investigações do repórter britânico a respeito das práticas criminosas dos dirigentes que comandam há décadas a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). O relato aborda tanto o ocorrido na administração central, na Suíça, quanto em algumas das cerca de duzentas federações nacionais e confederações continentais. Do ponto de vista do conteúdo, é uma obra importantíssima.

Já quanto à forma, não posso dizer o mesmo. Considerando a dinâmica da língua e o vocabulário (incluindo as expressões idiomáticas), o livro está traduzido num idioma que lembra o português. A tradução e a revisão ruins tornam a leitura incômoda, chata, claudicante. (Suponho que o estilo do autor tampouco ajude…)

Há frases sem sentido; outras são contraditórias. Há descuidos de revisão, erros de datas, nomes trocados (tornando certas frases incompreensíveis), falta de padronização. Um exemplo:

“Eles podiam alegar a John Stuart que a Visa não tinha fornecido ‘uma proposta assinada em tempo hábil para as reuniões da diretoria’. (Tudo bem que eles não tinham solicitado isso e tudo bem que a Visa também não tinha fornecido tal documento.)” (p. 304)

Ao que me parece, no lugar do primeiro Visa, o correto seria MasterCard. Há diversos erros deste tipo. É possível que parte deles esteja presente no original? Sim. De qualquer forma, acho provável que o descuido da edição brasileira tenha piorado a situação.

Diversos parágrafos aparecem em dois lugares diferentes do livro – este é um problema do original em inglês (revisão malfeita).

Outrossim, quem tiver paciência de encarar a empreitada ficará surpreso com as revelações.

Rapidinhas

5/8/2014

Pingou na caixa postal excelente reportagem da Agência Pública: “As quatro irmãs” (ou em pdf) de Adriano Belisário, em parceria com o projeto Quem são os Proprietários do Brasil?.

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Um bom texto de Renato Rovai: “Por que a Globo tornou novela o processo kafkiano contra ativistas do Rio“.


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