Rapidinhas

25/9/2014

Vi e recomendo O Mercado de Notícias, documentário de Jorge Furtado em cartaz.

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Por falar em jornalismo, faz muita falta existirem, no Brasil, veículos com perfil semelhante ao The Guardian e The Independent. Basta ler uma matéria de Robert Fisk para esclarecer e desfazer boa parte da cortina de fumaça e dos discursos vazios sobre o combate ao Estado Islâmico divulgados pela Casa Branca e reproduzidos de maneira acrítica por seus house organs no Brasil, como o carioca O Globo.

No jornalismo hoje praticado pelas corporações de mídia no Brasil, simplesmente inexiste espaço para um jornalista como Fisk. Aqueles que têm talento, erudição, curiosidade e capacidade de exercer tal papel simplesmente não têm emprego. Ou, se têm, não têm espaço editorial ou condições para fazer este tipo de trabalho.

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E a população de mais um país se junta à longa lista das que receberam sobre suas cabeças bombas lançadas pelos EUA. Agora o alvo dos bombardeios humanitários é a Síria. Afeganistão, Granada, Haiti, Iraque, Vietnã, Coreia, Japão, Sérvia e outros conhecem bem a situação. Isto sem falar nos golpes, massacres e ditaduras patrocinados, apoiados, financiados e treinados nos quatro cantos do globo.

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Pingou na caixa postal esta notícia: “Inter inaugura sistema para sócio “vender” sua cadeira se não for a jogo“. Com esta medida, o Internacional (RS) se coloca na vanguarda, de novo, no futebol brasileiro, em termos de modernidade e gestão profissional. Seu programa de sócio-torcedor, assim como o do Grêmio (RS), é modelo no país. Anos atrás, ambos já tinham programas muito – bota muito nisso – melhores do que este que o Flamengo tem em 2014. Pelo que li, o sistema adotado pelo Inter é limitado e tem problemas. Mas é um avanço imenso, sem dúvida. Vejamos quantas décadas o Flamengo levará para fazer algo parecido (de estádio nem falo mais…).

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Enquanto nos anos 1980 o boicote esportivo internacional ajudou a isolar o regime do apartheid sul-africano (e é senso comum elogiar o esporte pelo engajamento e importância para a causa), em 2014 o Maccabi Tel Aviv, de Israel, jogará tranquilamente no Rio de Janeiro a final do Mundial de Clubes de basquete contra o Flamengo. Sinal de muitas coisas. Inclusive dos tempos.

Um livro

17/9/2014

A biografia de Kelly Slater (Pipe Dreams), do próprio com Jason Borte, é um livro para quem gosta de esporte e, particularmente, de surfe.

Tem trechos interessantes, que permitem repensar a imagem estereotipada e glamourosa que, frequentemente, o senso comum e o jornalismo esportivo associam aos grandes atletas – como é o caso de Slater, um dos maiores vencedores da história do esporte profissional, em todas as modalidades. (O livro foi escrito quando ele havia vencido “apenas” seis títulos mundiais. Desde então, ganhou outros cinco e, aos 42 anos, está em segundo na luta pelo título de 2014.) Selecionei e reproduzo abaixo dois trechos. Um:

“A pior parte de ser um surfista profissional é nunca ter raízes estabelecidas num único lugar. Quando você finalmente se sente à vontade num local, você parte para a competição seguinte. É preciso estar preparado para vôos que são cancelados e atrasos de todos os tipos. Às vezes, você não consegue tomar banho durante dias, e passa a viver em aviões e aeroportos. É difícil sentir que você pertence a algum lugar, vive uma vida em família normal ou que pode desenvolver um verdadeiro relacionamento. Não posso reclamar de minha vida, mas, em termos de viagens, há muitas coisas que desejaria que fossem melhores. Infelizmente, não ganho dinheiro o suficiente para comprar meu próprio avião.

Passo mais da metade do ano viajando, e a única coisa que torna esse estilo de vida possível é a rede de famílias adotivas que criei ao redor do mundo. O Circuito Mundial de 1994 foi a quarta vez que competi em muitos lugares do circuito, e nesse tempo, tive a felicidade de conhecer e de ser recebido por famílias carinhosas, que me ofereceram uma refeição quente, companheirismo e um teto. Muitos surfistas ficam esgotados nas viagens e sentem falta de seus lares, mas essas famílias me ajudam a me sentir mais à vontade onde quer que esteja.

Boas ondas não nos satisfazem completamente se não tivermos algum tipo de apoio familiar. Desde que comecei a viajar, aos doze anos de idade, fiquei mais interessado em conhecer os moradores locais de cada lugar que visitei do que ficar sentado no quarto de um hotel qualquer, assistindo a Beavis e Butthead entre as sessões. Posso aparecer em qualquer praia do mundo e encontrar alguém que conheço. Quando visito um lugar, em vez de partir logo após um evento, fico na companhia de amigos até ser forçado a ir a outro lugar. Há muito a aprender com outras culturas, e como surfista, tenho a oportunidade única de vivenciar muitos lugares. Para mim, isso é viver.”

Outro, sobre abandonar o circuito profissional, decisão raramente tomada por um atleta que esteja no auge:

“Passar algum tempo longe do circuito me permitiu conhecer melhor a minha família, meus amigos e a mim mesmo. A vida tinha de oferecer mais do que apenas a tentativa de aderir ao critério de como os outros achavam que eu devesse pegar uma onda.

Reconheço como fui extremamente afortunado. Se tivesse abandonado o surfe antes, não teria conseguido me aposentar sem ter de assumir outro emprego. No meu tempo de vida, o surfe evoluiu de um passatempo de hippies a uma indústria próspera e um legítimo plano de carreira.

Quando me afastei das competições em tempo integral, ao final de 1998, em vez de aumentar minha barriga de chope e reduzir meu handicap no golfe, fiquei com um desejo ainda maior de surfar do que tive em anos. Graças à Quicksilver, basicamente tinha passe livre para fazer o que queria. Se as ondas estivessem boas em algum lugar do mundo, e estivesse com vontade de surfar, a companhia me mandava lá. Eu ainda competia em alguns eventos da minha escolha e fazia aparições promocionais, mas estava praticamente liberado. Graças ao apoio da Quicksilver, mantive meu alto padrão de vida sem ter de me preocupar com títulos mundiais.”

Infelizmente a edição brasileira tem muitos dos problemas que apontei semanas atrás em outro livro sobre esporte.

 

Uma música

15/9/2014

The Cardigans – Carnival

Cineclube Direitos Humanos – sessão de estreia

12/9/2014

Reproduzo abaixo convite para atividade na terça, dia 16/9, às 9h.

“O Laboratório de Comunicação e História (LaCHi) e o Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) convidam para a sessão inaugural do Cineclube Direitos Humanos, com o filme NETOS – Identidade e memória (dir. Benjamín Ávila, Argentina, 2004).

Cartaz Netos

Será no Auditório Paulo Freire do prédio principal do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH), Avenida Pasteur, 458, fundos, Urca.

Sinopse do filme:

“Durante o período de 1976 a 1983, a Argentina foi governada por uma ditadura militar. Durante estes anos, milhares de pessoas foram sequestradas e assassinadas com total impunidade. Em muitos casos, os filhos destes “desaparecidos” e os filhos recém-nascidos de mulheres grávidas no momento do sequestro foram apropriados ilegalmente. Os 500 bebês desaparecidos são um dos legados mais sombrios deste período. O trabalho incansável das Avós da Praça de Maio ao longo de mais de 27 anos permitiu que 80 destas crianças fossem restituídas a suas famílias biológicas. Longe de tentar uma revisão política ou histórica sobre este período, NETOS resgata, a partir dos relatos de alguns destes garotos, a dimensão humana que este processo de recuperação de uma nova e verdadeira identidade tem para eles; explorando a forma com que a história de ontem se inscreve na do presente e nos assinala um caminho para o futuro. NETOS é um filme comovente que busca também transmitir, aos jovens que permanecem com a idade falseada, a importância de reconstruir o quebra-cabeças da identidade e da memória, transformando em vida toda a dor.””

Eventos

11/9/2014

Pingou na caixa postal uma boa notícia: saiu uma nova edição do livro O Brasil Privatizado, do jornalista Aloysio Biondi. O lançamento será segunda-feira, dia 15/9, às 19h, no Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Rua Genebra, 25, São Paulo/SP).

Recomendo enfaticamente a leitura desta excelente obra.

 

banner-face_lancamento_livro_SP_ago14 - Cópia

 

Meus votos em 5 de outubro

9/9/2014

Como fiz em eleições anteriores, declaro meus votos no primeiro turno das eleições:

Deputado estadual: Marcelo Freixo (PSOL) – 50123 (Em agosto de 2010, expus os motivos pelos quais iria votar – e votei – nele.)

Deputado federal: Jean Wyllys (PSOL) – 5005

Senador: Romário (PSB) – 400

Governador: Tarcísio Motta (PSOL) – 50

Presidente: Luciana Genro (PSOL) – 50

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Se votasse em São Paulo, teria o maior orgulho em apertar 5050 para reeleger Ivan Valente (PSOL) o melhor deputado federal do Congresso Nacional.

 

Eventos

8/9/2014

De 12 a 18 de setembro, será realizada a Mostra de Filmes Arquivos da Ditadura. Será no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241, Centro). Na programação há um Programa Luiz Alberto Sanz, com filmes deste admirável professor de quem tive o privilégio de ser aluno logo no primeiro período de Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense.

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Domingo, dia 14, tem Biblioteca Sem Paredes na Feira do Desapego no Grajaú. Informações no cartaz:

Convite Setembro 2014-1

Vídeos Expocom Nacional 2014

7/9/2014

Uma das coisas bacanas de participar do júri do Expocom (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação) no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (mais conhecido como Congresso da Intercom) é conhecer um pouco da vasta produção e criatividade de alunos de Comunicação das cinco regiões do Brasil.

Coloquei abaixo os vídeos finalistas (não todos, mas aqueles para os quais encontrei link no Youtube ou Vimeo) de duas categorias de Cinema e Audiovisual.

Categoria Ficção

Submergir

Umbral: uma ficção amazônica

Categoria Não-Ficção

Ninguém num sabe

No olho da rua (versão um pouco reduzida)

Alzheimer: de volta ao começo

O ciclo do escalpelamento: uma realidade amazônica

Rapidinhas

2/9/2014

Outro dia, vi um pedaço do debate entre os presidenciáveis no SBT. Fazia tempo que eu não parava pra assistir a um debate em período eleitoral na televisão. Passará muito tempo até que eu volte a fazê-lo. Tem coisa mais despolitizada e despolitizadora do que esse modelo/formato de debate?

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Por falar nisso, assim como a cada dia o sol nasce no leste e se põe no oeste, a campanha eleitoral, pelo visto, terminará com um debate dos candidatos à presidência na TV Globo. Funciona como se fosse um dado da natureza, como a alternância de dias e noites ou a lei da gravidade. Mas é uma construção política e conta com a concordância e a conivência da maioria dos partidos – incluindo aqueles que foram ou são vítimas/inimigos preferenciais do jornalismo das Organizações Globo, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

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Outro dia ouvi um candidato a deputado estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) dizendo que iria defender a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em outros municípios do estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, com as UPPs, os bandidos migraram da capital para diferentes cidades. O curioso é que:

a) O PCdoB é governo no estado do RJ.

b) O governo nega a ideia de que houve uma “migração” de criminosos da capital para outros municípios.

c) As UPPs são uma política do governo do estado do Rio de Janeiro. Curiosamente, esta política pública (segundo seus defensores), até hoje, só atingiu um dos 92 municípios do estado. Ou seja, 91 municípios ainda não foram contemplados com tal inovação no combate ao crime. A distribuição territorial faz parecer uma política da Prefeitura do Rio, mas é do governo estadual.

Rapidinhas

29/8/2014

Há lugares em que parte da população reage e parte pra porrada quando a polícia mata um jovem negro.

Há lugares em que a polícia parte pra porrada agredindo jovens (negros, em sua maioria) todo santo dia. Em muitos casos, os mata.

O levante de Ferguson (Estados Unidos) me orgulhou. Ferguson é Acari, Ferguson é Borel, Ferguson é Candelária, Ferguson é Vigário Geral, Ferguson é Padre Severino, Ferguson é Paraisópolis, Ferguson é Coque, Ferguson é São Tomé de Paripe, Ferguson é nós.

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Eis que a candidata que foi a novidade da eleição presidencial de 2010 será, de novo, a novidade este ano. Não deve ser fácil repetir o papel. Mais ainda quando quem coordena a campanha do alternativo é o que há de mais establishmentclasse dominante.


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