Rapidinhas

25/11/2009 por Rafael Fortes

Em relativamente poucas palavras, Paulo Passarinho põe os pingos nos is a respeito do beicinho que o governador fluminense, Sérgio Cabral Filho (PMDB), vem fazendo a respeito da discussão sobre a divisão federativa royalties do petróleo. Trata-se de um ponto de vista ridículo e tacanho. Ao negar-se a discutir as questões de fundo, presta um enorme serviço àqueles que querem abocanhar as receitas nacionais. Estamos desperdiçando a enésima oportunidade de realizar uma discussão ampla, pública e nacional sobre um projeto de país. Ao focarem suas atenções e discursos na partilha do miserê – em vez de tocar as questões políticas e estratégicas centrais a respeito da riqueza da natureza chamada petróleo -, autoridades como o governador do Rio assumem brigam entre si para facilitar a dominação alheia. Multinacionais, especuladores estrangeiros, acionistas e governos dos países centrais do capitalismo agradecem.

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Obama andou chiando em relação a Lula? Desta vez, ponto para Lula. Por abrigar o presidente legítimo, democraticamente eleito e vítima de golpe em Honduras, Manuel Zelaya. Por receber o presidente do Irã. Por criticar Israel e defender o cumprimento das leis internacionais na ocasião da visita de Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Nacional Palestina). Por às vezes não se alinhar à política externa dos Estados Unidos, danosa para os povos do mundo. A mídia gorda brasileira, defensora dos interesses imperialistas dos EUA, deu tanto espaço aos protestos contra visita de Ahmadinejad quanto silencia sobre as barbaridades cometidas pelo Estado de Israel.

A propósito, Paulo Ramos, deputado estadual fluminense pelo PDT, falou e disse: “As coisas são muito óbvias para que nós nos deixemos confundir. [...] O óbvio, aquilo que ninguém pode virar as costas para, é o expansionismo israelense; a ocupação dos territórios; o massacre dos árabes; o massacre dos palestinos“. Trata-se de um nome a lembrar na hora de votar nas eleições de 2010.

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Lendo o boletim do Observatório de Favelas, fico sabendo que na segunda semana de dezembro ocorrerá a “VIII Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente“. Sem desmerecer a luta e a urgência da questão da criança e do adolescente no Brasil, é inevitável a comparação: no caso da comunicação, caminha-se, a duras penas, para a primeira. E olha que estamos no penúltimo ano de um governo que muitos caracterizam como de “centro-esquerda” ou de “esquerda”.

Rapidinhas

24/11/2009 por Rafael Fortes

Como o tosco cabeçalho aí de cima indica, estou tentando modificar – e melhorar, acredite – o visual do blogue. O problema é a falta de tempo para mexer nisso de forma sistemática. Enquanto isso, por favor, leitor, aguente e perdoe a feiúra, e vamos que vamos com o conteúdo.

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Como esculhambar arbitragem é fácil, registro algo difícil: um elogio. Em duas semanas seguidas, vi pela tevê jogos (Náutico x Flamengo e Botafogo x São Paulo) em que o bandeira Alessandro Rocha de Matos, da Bahia, anulou gols em lances difíceis e capitais. Mostrou olho clínico e peito.

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Em artigo na Agência Carta Maior, o professor Venício Lima, da UnB, cita algumas conclusões de “uma pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), [que] analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

Na linha de frente do combate às cotas nas universidades através de editorias esteve o diário O Globo. Pior: “ainda que os principais argumentos contrários – as cotas e ações afirmativas iriam promover racismo (32%) ou os alunos cotistas iriam baixar o nível dos cursos (16%) – não tenham se confirmado nas instituições que implementaram as cotas, a posição editorial de O Globo não se alterou nos 8 anos pesquisados.

Um pequeno orgulho

22/11/2009 por Rafael Fortes

As imagens escaneadas abaixo ficaram toscas, eu sei. E estão cortando o nome do jornal, e tal, pois a metade da capa é maior do que o espaço disponível no scaner. (Eu e minhas ressalvas…) Enfim, é só para registrar meu orgulho de assinar e receber em casa um jornal que bota na capa manchetes como estas: “Aracruz demite trabalhadores lesionados” e “No Rio, combate ao tráfico justifica extermínio de pobres”. Oxalá um dia o Brasil de Fato consiga se tornar um diário com circulação em todo o país, assinantes, anunciantes, enfim, tudo que um veículo que fala a verdade merece. Quando isso ocorrer, o Brasil terá dado um passo decisivo na democratização da comunicação e da sociedade.

Rapidinhas

20/11/2009 por Rafael Fortes

Imagem retirada de http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2006/11/19/1745ATC0143.jpg/view?size=media

Hoje é Dia da Consciência Negra. No Rio de Janeiro e em outras cidades, é feriado – “de Zumbi”, como se fala por aqui. Sem muito a dizer e com muito a fazer, deixo o recado por conta de Ivan Valente (deputado federal – PSOL/SP) e do grupo musical Farofa Carioca. O primeiro, em pronunciamento essa semana, na Câmara dos Deputados, articula lutas passadas e históricas ao massacre seletivo cometido pelos agentes do Estado, no presente, contra a população jovem, negra e pobre das grandes cidades. O segundo, em “A Carne“, faixa do antológico Moro no Brasil (1998). Autoria de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti:

A carne mais barata do mercado é a carne negra


Que vai de graça pro presídio

E para debaixo do plástico

Que vai de graça pro sub-emprego

E pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que fez e faz história pra caralho

Segurando esse país no braço, meu irmão

O gado aqui não se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador é lento,

mas muito bem intencionado

Esse país vai deixando todo mundo preto

E o cabelo esticado

 

E mesmo assim, ainda guardo o direito

De algum antepassado da cor

Brigar por justiça e por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar bravamente por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar por justiça e por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar…

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Vale a pena ler o pronunciamento do parlamentar sobre a luta pela democratização da comunicação e o processo de construção da I Conferência Nacional de Comunicação. Um trecho:

São exatamente os chamados donos da mídia que têm atuado no processo desta Conferência para garantir que tudo siga como está. Basta olhar para a configuração prevista para a etapa nacional da Confecom – que tem se reproduzido em grande parte dos estados. Não há qualquer justificativa razoável para que os empresários do setor tenham garantidos, de antemão, 40% do universo dos delegados e delegadas da Conferência, cabendo à sociedade civil não empresarial a mesma cota e, aos entes do poder público, 20%. Nas mais de cinqüenta conferências realizadas de 2003 até hoje não existe qualquer precedente neste sentido. Tal proposta de composição torna-se ainda mais estranha ao espírito das conferências diante da constatação de que as posições das empresas de comunicação já são inegavelmente hegemônicas em toda a história da regulação do setor no Brasil.

Adiante, Valente critica o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PFL, atual DEM) por se recusarem a convocar as etapas estadual e municipal. Às vésperas de um ano eleitoral, estes governantes de direita, que contam com apoio da poderosa mídia gorda paulista, negam-se a defender o interesse público e contrariar o interesse privado de seus aliados históricos.

Rapidinhas futebolísticas

19/11/2009 por Rafael Fortes

Rascunhei as observações abaixo ontem à noite, vendo a rodada e o jornal depois dela.

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Dois jogadores do Palmeiras foram expulsos ontem (Grêmio 2×0 Palmeiras) porque saíram no braço. Quando isso ocorreu com tricolores paulistas, (São Paulo 2×0 Vitória, sábado), receberam amarelo. E olha que, neste último caso, foi com bola rolando, na frente de todo mundo, dentro da grande área.

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Será que a diretoria do Palmeiras vai expulsar mais um juiz?

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Tirando um ou outro caso – como o escandaloso gol de classificação da insossa e desagradável França sobre a Irlanda, querida Irlanda -, gostei bastante da lista de classificados para a Copa. Vários países bacanas, várias seleções bacanas. Especialmente na Europa, nos livramos de uma série de seleções meio sem graça que aparecem em todo mundial: abriu-se a chance para algumas “diferentes”. Por exemplo, a Suíça, que num Mundial desses (não lembro se 2002 ou 2006) protagonizou o pior jogo de futebol que já vi em Copas, contra a França. O 0×0 mais feio do mundo.

Como não acompanho futebol europeu, me surpreendi com o comentário de Carlos Eduardo (não estou certo sobre os dois primeiros nomes…) Lino, no Sportv News de ontem à noite, dizendo que a Suíça se classificou na base do “talento”. Tomara que ele esteja certo e, dessa vez, ela mostre algum futebol.

Particularmente a Eslovênia tirar a Rússia e a Argélia  ganhar a vaga sobre o Egito. Costa Rica é legal, Renê Simões faz escola levando seleções a Mundiais, mas lugar do Uruguai é na Copa – e com gol de “El Loco” Abreu! E a lista de seleções africanas ficou muito boa.

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Até quando ficaremos reféns das Organizações Globo? Ontem tinha um suculento Grêmio x Palmeiras pelo Brasileiro e os dois canais da emissora – Globo (aberta) e Sportv (paga) transmitiram o mesmo Fluminense x Cerro Porteño. Na Argentina, onde há um governo que enfrenta a mídia gorda, o monopólio das transmissões do campeonato nacional foi quebrado e todas as partidas passam ao vivo na TV pública. Interesse público em primeiro lugar. Alguém consegue imaginar o nosso governo de “centro-esquerda” (como dizem muitos) sequer esboçar uma atitude semelhante?

Rapidinhas

19/11/2009 por Rafael Fortes

Edição recente do Ibase Informa trouxe material sobre a Olimpíada de 2016. Cândido Grzybowski, embora crítico, mantém um certo otimismo em relação ao potencial de mobilização cidadã para cobrar as autoridades em relação às obras previstas. Luiz Mario Behnken, em entrevista, explica as perspectivas e as iniciativas pensadas para mobilização a população. Itamar Silva, também em entrevista, fala uma meia dúzia de verdades que merecem atenção e reflexão. Um trecho:

No conflito do Morro dos Macacos, vimos um número considerável de mortes, e a grande preocupação é: o que os outros estão pensando da nossa cidade? Ninguém para para pensar como fica a situação dos moradores da favela, que têm um helicóptero sobrevoando suas casas, tiro “comendo” e tantos mortos. Isso é pavoroso. Essa dimensão de solidariedade com o morador de favela foi sobrepujada pela imagem negativa que a cidade estaria mostrando para o mundo. Isso vai criando um clima que é quase um cheque em branco para a atuação mais violenta da polícia.

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Pense rápido: você teve acesso nos últimos meses, caro leitor, a alguma matéria da grande mídia sobre a situação na Palestina? Não? Sempre que esse for o caso, a ausência de notícias quer dizer o seguinte: a ocupação colonial israelense continua a se expandir, os assentamentos de colonos armados seguem roubando terra palestina, crianças continuam sendo presas e torturadas, os serviços básicos para a população palestina seguem em situação precária, famílias palestinas continuam sendo arrancadas e despejadas de suas casas para dar lugar a colonizações judaicas ilegais segundo a lei internacional. Tudo isso já passou a fazer parte da paisagem. Não é notícia. Ocorre com a população palestina o pior que pode acontecer com qualquer vítima: sua condição já está naturalizada. Neste contexto, Israel só aparece na mídia com a ocasional entrevista de seus líderes manifestando “preocupação” com o programa nuclear do Irã, um país que nunca invadiu vizinho nenhum. Se, no improvável caso de que algum palestino conseguisse furar o bloqueio do exército de ocupação e cometesse algum atentado suicida no interior de Israel, aí sim, claro, teríamos manchetes de primeira página na imprensa de todo o mundo. É o que os palestinos chamam de desumanização. Sua própria condição de seres humanos já não é parte da equação com a qual se discute o problema.

Idelber Avelar, em grande forma, na Fórum do mês passado.

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A Rede contra a Violência, as Mães de Maio de São Paulo, a Associação de Famiiares de Vítimas de Violência do Espírito Santo, e a Campanha Reaja e a Asfap na Bahia, irão realizar no dia 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos, atos simultâneos nos quatro estados, todos em frente aos Tribunais de Justiça (Em SP deverá ser em frente ao Fórum de Santos).

Informações aqui.

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“(…) direitos humanos e segurança efetiva não podem ficar restritos a alguns poucos projetos. Está na hora de todos os governos – federal, estadual e municipal – trabalharem no sentido de incluir todos os cidadãos do Rio de Janeiro sob a proteção plena do Estado, seja qual for seu endereço ou a cor de sua pele. Não se pode mais aceitar que trabalhadores, mães, estudantes e aposentados vivam sob o controle de criminosos armados ou com medo das próprias autoridades encarregadas de sua proteção. O Rio de Janeiro e o Brasil devem enfrentar esse desafio se quiserem fazer jus ao seu futuro.

A Anistia Internacional, em nota, cobra uma mudança de postura nas três esferas do Executivo.

Eventos

18/11/2009 por Rafael Fortes

Encontro Nacional de Comunicação do PSOL. De 27 a 29 de novembro de 2009, no Rio de Janeiro. Programação aqui.

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Debate e lançamento do livro Apesar de vocês: oposição à ditadura brasileira nos Estados Unidos (1964-1985), de James N. Green, na Fundação Casa de Rui Barbosa. Dia 23/11/2009 (segunda-feira), 17h.

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II Colóquio do projeto Juventudes, Subjetivações e Violências: Os Novos Anormais. Dia 27/11/2009, sexta-feira, no auditório do Instituto de Medicina Social (IMS) da UERJ.

Rapidinhas

16/11/2009 por Rafael Fortes

Dizer o que depois do incrível, fantástico, extraordinário show do Gogol Bordello no Rio? Estou abismado até agora. Energia parecida, só com Manu Chao no palco. Aliás, o bis teve direito a “Mala Vida”, uma dos tempos do Mano Negra que o Chao toca e eu adoro. É do Patchanka (1988). Como eu disse essa semana, reproduzindo notícia do Marco Canônico, Manu Chao toca no Rio dia 10/12. A venda de ingressos começa segunda agora (16/11).

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Por conta do show, estou completamente viciado em ouvir a banda.

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Antes, na Lapa, um ônibus da Guarda Municipal passava aterrorizando os vendedores de bebida, pipoqueiros e ambulantes em geral. Os camelôs legalizados na feirinha sob os Arcos também enfrentam uma série de problemas. E os que não foram contemplados no sorteio promovido pela Prefeitura estão impossibilitados de trabalhar.

Não muito longe dali, uma semana antes, um choque de violência.

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João Luiz Duboc Pinaud, referência em direitos humanos que me concedeu a honra de prefaciar meu primeiro livro, em entrevista ao Fazendo Media de outubro, a respeito da intervenção da ONU no Haiti, comandada por tropas brasileiras: “Eu vi, por exemplo, gente doente algemada em hospital por ser militante. A repressão é de ditadura militar.”

Repito a pergunta feita antes: o que as tropas brasileiras fazem no Haiti?

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Então fica combinado assim: os juízes podem errar à vontade – o que acontece sem querer, claro, mas geralmente contra o Botafogo e a favor do São Paulo. No entanto, se o fizerem nas últimas rodadas deste Brasileiro e contra o Palmeiras, são suspensos. Nem tem o que comentar, né?

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Esse semana acabei de ler O batedor de faltas, de Cláudio Lovato Filho. Gostei particularmente de dois contos. Um deles, “Sonhos” (ou algo assim), que fecha o livro, me deixou com os olhos úmidos.

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Dica de José Chrispiniano: uma interessantíssima entrevista de Jorge Ben na Trip deste mês.

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Sexta, dia 20, é Dia da Consciência Negra. E tem festa promovida pela Apafunk:

Programação 2010 do Cineclube Sport

15/11/2009 por Rafael Fortes

Reproduzo abaixo texto de divulgação do calendário 2010 do Cineclube Sport.

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Em 2010, pelo terceiro ano consecutivo, estará em funcionamento o Cineclube Sport. O intuito permanece o mesmo: de forma divertida, aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte.

As atividades são realizadas, na data marcada, sempre com início às 18 horas, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, contando com a presença de convidados para debater o filmes.

16 de marco – Santiago (dir. João Moreira Salles)

Santiago começa como um filme sobre o malogro de um filme que não foi montado. As imagens de Santiago foram rodadas em 1992, mas por incapacidade do diretor em editá-las, permaneceram intocadas por mais de 13 anos. Em 2005, o diretor voltou a elas. Queria compreender a razão de seu insucesso. Santiago havia sido o mordomo da casa em que crescera, um homem de vasta cultura e prodigiosa memória, cujas idiossincrasias deixaram uma marca profunda nas lembranças da família. Ao refletir sobre o tempo que separa a filmagem de 92 da edição de 2005/2006, o narrador, aos poucos, se aproxima do segredo do filme. Santiago é este lento processo de desvelamento, um filme sobre identidade, a memória e a própria natureza do documentário.

Convidado: José D’Assunção Barros (que vai discutir as relações entre cinema e história)

20 de abril – Fora de Jogo (Offside) (dir. Jafar Panahi)

Nesta produção, o premiado cineasta Jafar Panahi mostra o universo feminino dentro do futebol, ilustrado pela história de uma garota que tem o sonho de ver no estádio o jogo entre Irã e Barein, pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Alemanha. A entrada de mulheres no estádio, porém, é terminantemente proibida no território iraniano. Por essa razão, a garota tenta, por meio de vários disfarces, passar pela polícia e realizar o impossível em seu país.

Convidada: Leda Maria Costa

18 de maio – Fim de Jogo: Kasparov X Deep Blue (dir. Vikram Jayanti)Z

O melhor jogador de xadrez da historia jogou contra um computador, e o ganhador foi Deep Blue, o computador programado para uma unica finalidade: jogar xadrez. Veja os bastidores deste evento repleto de conspirações e suspeitas.

Convidado: Victor Melo

15 de junho – Torneio Amílcar Cabral, antecedido do curta Futebol em Zanzibar/BBC (dir. Flora Gomes e Jom Tob Azulay)

O filme registra os preparativos para o Torneio Amilcar Cabral, campeonato de futebol africano disputado pelas seleções de Senegal, Mauritânia, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Considerado uma celebração, o esporte funciona como válvula de escape para as mazelas sociais enfrentadas pela população.

Convidado: Marcelo Bittencourt

17 de agosto – Nas ondas do Surf (dir. Livio Bruni)

Produção brasileira sobre surf, com os grandes nomes do esporte em manobras alucinadas. Filmado em vários campeonatos: Smirnoff, Piper Master (Havaí), Internacional do Arpoador e Festival Nacional de Saquarema. Inclui skate e asa-delta.

Convidado: a definir

21 de setembro – O Leão da Estrela (dir. Arthur Duarte)

Anastácio da Silva, sportinguista ferrenho, vai ao Porto assistir à Final da Taça, levando consigo a mulher e as duas filhas. Ficam hospedados em casa da riquíssima família Barata, que acredita que os seus convidados também têm distintas origens. A situação complica-se quando Eduardo Barata, o filho do casal, se apaixona por Jujú, filha de Anastácio, e os dois decidem casar-se. A cemirónia é em Lisboa e o pai da noiva tem que manter as aparências a todo o custo.

Convidado: Maurício Drumond

19 de outubro – Homo Sapiens 1900 (dir. Peter Cohen)

Dirigido pelo sueco Peter Cohen, o mesmo diretor do brilhante Arquitetura da Destruição, Homo Sapiens 1900 aborda um tema polêmico: a eugenia e as teorias de limpeza racial que deram origem ao Nazismo.

Baseado em extensa pesquisa de fotos e cenas raros de arquivo, o filme discute como a eugenia e a limpeza racial foram defendidas como formas de aperfeiçoar a espécie humana e criar um novo homem. Esses conceitos foram pesquisados no decorrer do século XX, com várias tentativas de transformá-los em realidade.

Homo Sapiens 1900 é um documento precioso sobre a manipulação biológica como arma para eliminar todos os que não se adaptam ao padrão racial imposto por um modelo fascista de ideal humano.

Convidado: Carlos Leonardo Bahiense

16 de novembro – Touro Moreno (dir. Juliano Enrico)

Apesar de ter sido preso inúmeras vezes e de se envolver até mesmo em brigas com marinheiros em pleno Regime Militar, o lutador de Boxe foi considerado herói em sua cidade por, entre outras coisas, logo no início de sua carreira ter empatado com Valdemar Santana, um dos maiores nomes das lutas Vale-Tudo nos Anos 60.

“O motivo principal para se fazer um filme sobre a história de Touro Moreno é o fato dele ter sobrevivido para contá-la”, diz Juliano Enrico, diretor do documentário. “O pugilismo é apenas um dos temas que ajudam a contar sua trajetória, até porque ele sempre foi um lutador de Vale-Tudo e Luta-Livre. O Boxe foi uma alternativa que ele encontrou nos últimos anos para pagar dívidas e se manter em forma”, completa.

(O filme será antecedido do curta Sparring por um Dia)

Dirigido por René Clemént, este foi o primeiro filme escrito e a ser protagonizado por Jacques Tati. Aqui ele interpreta o jovem Rojan, um pacato e sonhador habitante de uma cidadezinha francesa, que serve de “sparring” de um boxeador.

Convidado: a definir

Uma voz lúcida sobre o apagão

14/11/2009 por Rafael Fortes

O professor Luiz Pinguelli Rosa, explica, no Programa Faixa Livre, a sequência de erros que levaram ao apagão de terça-feira. O problema, como a mídia gorda insiste em ignorar, é estrutural. A estrutura administrativa do sistema energético brasileiro é  “essa é uma herança neoliberal em que o Governo Lula resolveu não mexer… Mexeu, sim, mas não o suficiente.” O professor da UFRJ cita algumas das “besteiradas monumentais” que jornalistas e entrevistados da mídia gorda andaram falando sobre o assunto essa semana.

Enquanto isso, o Governo Lula segue despejando dinheiro público em obras injustificáveis e ilegais, como a Usina de Belo Monte:

Olhando para várias obras financiadas, o nome-fantasia PAC pode ter outros significados além do original: Programa de Apoio às Construtoras ou Programa de Aceleração do Crime. Os consumidores residenciais brasileiros seguem pagando uma tarifa que é um roubo. Enfim, o que dizer de um governo que muitos afirmam ser de esquerda – e outros, de centro-esquerda – e tem, como ministro das Minas e Energia, Edson Lobão?