Poderia ser notícia na mídia gorda e estar na capa de todos os jornais, mas não foi. Por que será? Magneti Marelli e Cofap. Lembra do simpático cachorrinho da propaganda do Turbogás Cofap? Era fofo, né? Depois dos vídeos abaixo, veja se continua achando…
Do jornalista Domiciano Gomes, que atua no Amapá, em entrevista ao Fazendo Media (dezembro de 2009). Segundo a matéria, o jornalista foi condenado em processos judiciais movidos pelo senador José Sarney (PMDB/AP). É o que dá falar a verdade em certas situações num país em que boa parte do Judiciário existe para interpretar a lei em benefício dos poderosos e dos espoliadores do povo. Um trecho:
“A grande maioria dos veículos de comunicação são diretamente controlados por Sarney e pelo grupo político que está ligado a ele e comanda o estado hoje. O único adversário que o Sarney tinha lá teve o mandato cassado e no lugar dele assumiu o senador Gilvan Borges, que é do PMDB e dono de várias concessões de rádio. As rádios comunitárias todas pertencem a esse senador, tem apenas uma em Macapá, na capital, que funciona como órgão de uma associação de moradores. Fora quatro emissoras comerciais FM que ele tem, duas AM, além de 3 ou 4 emissoras de televisão, todas que ele adquiriu através dessa relação política.”
Como eu disse antes, a”família Sarney quer mandar na Região Norte“. Sobre o descumprimento cotidiano da lei que vitima profissionais de comunicação e a população (ouvintes, leitores, telespectadores), a mídia gorda não publica uma linha. Ela só enxerga ameaça à “liberdade de expressão” na classificação indicativa, no governo Chávez, no PNDH3, na tentativa de cumprir os artigos 220 a 224 da Constituição Federal etc. Sobre a liberdade de expressão e o direito à comunicação serem vilipendiados dia-a-dia, num grau superior ao já terrível aqui do Sudeste, nenhuma palavra, nenhuma imagem, nenhuma linha. E assim vamos em frente, em nossa democracia.
“Convém acrescentar que em países não completamente desenvolvidos, como o Brasil, os problemas do ‘consumismo’ já se fazem sentir nas camadas economicamente privilegiadas, que compõem a chamada ‘classe média’. Por isso, fazem sentido propostas de impedir o crescimento do consumo destas camadas, de modo a se poder elevar o padrão de vida do restante da população. Nestes países, a crítica ao consumismo leva por isso à bandeira do desenvolvimento com redistribuição de renda.”
Infelizmente, desde então, nenhum governo tomou medida alguma (salvo uma ou outra exceção pontual) neste sentido.
Na Voz do Brasil de ontem (terça), além de um inacreditável (pela cara de pau e pelo elevado número de mentiras) discurso de José Sarney (PMDB/AP) abrindo os trabalhos do Senado no ano, a má notícia de que alguns senadores querem botar em votação o projeto que reduz a maioridade penal para crimes hediondos. O relator é o senador Demóstenes Torres (PFL, atual DEM/GO), que defendeu, mais uma vez, a necessidade de aprovar a medida. Já a critiquei em pelo menostrêsocasiões.
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Segundo o informativo da Câmara dos Deputados, muitos parlamentares são favoráveis à aprovação do projeto que eleva o piso salarial dos policiais de todo o país, tendo como parâmetro o salário do Distrito Federal (o maior de todos, segundo consta). A medida, sem dúvida, é boa. Como, aliás, merece apoio e elogio toda e qualquer lei que eleve os salários de trabalhadores que ganham mal. É difícil acreditar que o quadro tenebroso da segurança pública no Brasil possa melhorar sem elevar a remuneração dos policiais.
Pena que no caso dos professores, cujo piso salarial nacional já foi aprovado e vem sendo sistematicamente descumprido e desrespeitado por certos governadores, a pressão – ao menos aparentemente – seja muito menor. E olha que o piso vigente é bem inferior ao que se pretende pagar aos policiais.
Não estou defendendo de forma alguma uma luta intraclasse entre professores e policiais. Defendo como princípio básico que todo trabalhador receba o Salário Mínimo Necessário, calculado pelo DIEESE a partir do que estabelece a Constituição Federal (a metodologia de cálculo está ao final da tabela do DIEESE). E que os servidores públicos responsáveis por garantir direitos elementares da população – como educação e segurança – sejam bem escolhidos, treinados e, é claro, remunerados. Enquanto o mínimo não chegar lá e não houver Desemprego Zero, fica difícil falar qualquer coisa em termos de democracia, cidadania, defesa de educação e saúde, bem-estar social, direitos, projeto de país, discurso moralista a respeito do crime etc.
Carro com defeito. Passo com o mecânico, em seu carro, em uma auto-peças na R. Arnaldo Quintela, Botafogo. Compro a peça indicada por ele. Não me entregam nada como comprovante de pagamento. Peço ao atendente a nota fiscal. Ele preenche uma folha enquanto converso com o mecânico. Me entrega a folha. Distraído, coloco-a no bolso e vou embora. Ao chegar em casa, me deparo com o que está abaixo.
Na correria, falta de tempo e de paciência de ir lá reclamar, acabei não exigindo, até hoje, a nota fiscal. O proprietário e a sonegação agradecem.
Confiar na mídia gorda é fogo. Quem ouviu o Fla x Flu pela Rádio Tupi foi informado que o zagueiro Álvaro, do Flamengo, levou cartão vermelho direto, e não o segundo amarelo. Depois, na televisão, vi a imagem nítida: o juiz mostra o amarelo para, em seguida, puxar o vermelho…
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Vídeo com o programa bacana do PSOL exibido em janeiro:
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Ontem o Facebook apresentou, entre as sugestões, que eu me tornasse fã da Braskem. Pode?
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Em meio às férias e às consequências do terremoto no Haiti (que já está sumindo da pauta da mídia gorda – afinal, falar de pobreza, América Latina e imperialismo não interessa), um belo e instigante artigo de Muniz Sodré no Observatório da Imprensa: “Semiótica da caixa de isopor“.
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A praia em que o presidente Lula foi flagrado (a distância, por um fotógrafo enxerido) carregando um isopor na cabeça fica na Base Naval de Aratu. Chama-se Praia de Inema e fica na cidade homônima, localizada a 32 quilômetros de Salvador. FHC também passava férias por lá. Tive o privilégio de morar naquele lugar paradisíaco por dois anos, quando moleque, em 1986-7. Foi um dos melhores períodos da minha vida.
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Para terminar por hoje mantendo o clima descontraído, um vídeo curioso.
Possivelmente o eliminado mais feliz da história dos reality shows. Até o apresentador chamar os comerciais, só sorrisos. Por quê?
A explicação é de um amigo que me encaminhou o vídeo:
“Esse vídeo vale a pena apenas em uma pequena parte, que ocorre por volta dos 2min10seg. Mostra o MC Leozinho saindo do programa A Fazenda (tipo um BBB de outra emissora). A parada aconteceu na segunda feira agora, dia 25/01… Ele não sabia do nosso HEXA!!!”
“Nisso vi sair a polícia com os rapazes algemados. Em seguida saíram dois agentes, com Francisco Ferrari e dom Eliseo Amaro arrastados. Estavam crivados de balas. No boletim de ocorrência declarou-se que tinham resistido à ordem de prisão e que foram os primeiros a abrir fogo. Eu sabia que era mentira, porque nunca os vi com revólver.”
No Programa Faixa Livre de 21/1, Rodrigo Ávila recorda as razões históricas da pobreza dos haitianos – um povo bravo e forte, que teve e tem seus recursos espoliados por diferentes senhores, dirigentes, empresas e países. No restante da entrevista, o economista apresenta ótimos argumentos para compreendermos a ilegalidade e ilegitimidade da dívida que pagamos no passado, pagamos no presente e pagaremos no futuro. Até quando?
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Na mesma edição, o procurador Marlon Weichert, sempre coerente, fala a respeito do terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, em relação ao qual a mídia gorda e demais setores reacionários da sociedade brasileira andaram fazendo escândalo.
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Acabei de publicar um texto no blogue coletivo História(s) do Sport. Para quem se interessa por história do esporte, toda segunda tem um texto de um autor diferente (são onze se revezando).
“Numa primeira impressão, nota-se que o tamanho da cobertura da mídia gorda sobre o terremoto no Haiti equivale ao da morte do Michael Jackson. Será o caso de perguntar se um Michael Jackson vale dezenas de milhares de haitianos? E a contribuição francesa pré-terremoto para que o país se tornasse um dos mais pobres do mundo?”
Concordo e acrescento: e a contribuição dos EUA em várias invasões? E a contribuição do Brasil? Como explicar que um país – em tese – soberano não tenha, em pleno século XXI, uma infraestrutura de Estado para garantir direitos à população? Como explicar uma intervenção que não tem como objetivo assegurar direitos, mas sim o lucro das empresas? Já perguntei, em diversasocasiões, o que justificava a permanência de tropas brasileiras por lá. Este assunto importante pouco tem sido discutido na sociedade brasileira – e, tal como em outros temas, o silêncio da mídia gorda ajuda a manter o status quo.
Uma boa forma de ajudar é doar dinheiro para organizações que já atuavam e continuam atuando no Haiti após o terremoto. Uma delas é a Médicos Sem Fronteiras (MSF), entidade séria e progressista, cujos “profissionais são remunerados para atuar”, como frisou a Agência Notisa em notícia divulgada esta semana. Para doar, clique aqui. Pode ser por cartão de crédito, boleto bancário ou depósito em conta. Acompanheo difícil trabalho da MSF no Haiti.