Rapidinhas

12/11/2009 por Rafael Fortes

Esta semana passei pelo Estádio Célio de Barros à tarde. Algumas crianças treinavam em uma escolinha de atletismo. É esse espaço – um dos poucos existentes no Rio de Janeiro para a prática da modalidade – que as autoridades responsáveis pela Copa do Mundo querem demolir para construir estacionamento, alegando tratar-se de uma “exigência da Fifa”. A cara-de-pau dos dirigentes ligados ao esporte no Brasil é infinita. E tome dinheiro público na mão deles…

*  *  *

Terça (17/11) tem a última sessão do ano do Cineclube Sport. Será exibido o filme Cordão de Ouro, que aborda a capoeira.

No blogue coletivo História(s) do Sport, o recado dessa semana foi meu: Jorge Ben e o surfe.

*  *  *

Não deixe de ler o artigo “Veneno no seu pulmão“, de Sandra Quintela, do PACS. (via Blog do Eliomar.) Trata-se de dinheiro público (meu, seu e de todos os que pagam impostos no Brasil) sendo utilizado para financiar uma obra irregular, ilegal, ilegítima e criminosa. Não bastasse o Estado brasileiro fazer vista grossa para os crimes de vários tipos cometidos pelas empresas responsáveis, ainda por cima os financia. A mídia gorda e vendida, como sempre, enaltece a atuação de empresas que destroem o patrimônio coletivo, violam direitos humanos e trabalhistas, perseguem trabalhadores e lideranças comunitárias. Um trecho:

Essas denúncias já foram apresentadas na Câmara de Deputados, na Assembléia Legislativa, na Câmara de Vereadores – RJ, ao BNDES, entre outros órgãos do Estado brasileiro. No entanto, este empreendimento, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), com todas essas denúncias por trás de si, continua sendo incensado pela grande imprensa como um dos símbolos da suposta recuperação econômica do Rio de Janeiro. Ora, a siderúrgica terá quase toda sua produção exportada para, principalmente, os EUA e a Ásia, num aparente sinal de modernidade. Mas, na prática, as denúncias se avolumam e o silêncio das autoridades anuncia a cumplicidade de um poder que não representa os interesses do povo e do bem viver.

Rapidinhas

11/11/2009 por Rafael Fortes

De volta de uma viagem a Porto Alegre e São Paulo. Na primeira, entre outras boas, fui ao Olímpico torcer para o Grêmio em um animadíssimo jogo contra o São Paulo e comi um antológico chivito na lanchonete uruguaia na Cidade Baixa. Adoro ir ao Rio Grande do Sul. Na segunda, entre outras boas, fui ao Planeta Terra, festival mais organizado em que já estive. Pena que o som estava baixo e horroroso nas primeiras quatro ou cinco músicas do Primal Scream. A banda abriu com “Can’t Go Back”, minha preferida, que ficou comprometida pelo péssimo som. Estava tão ruim que os caras chegaram a interromper duas músicas.

*  *  *

Por conta das viagens, acabei não dando pitaco sobre acontecimentos recentes dignos de nota, crítica, resmungo etc. Mas não poderia deixar de mencionar o caso da Uniban (até porque andei sendo cobrado a respeito). Primeiro, a tristeza por um troço daqueles acontecer. Segundo, a inacreditável decisão da universidade de expulsar a aluna. Senão vejamos os “valores” a instituição diz que segue:

ÉTICA – Observar os mais elevados princípios e padrões éticos, dando exemplo de solidez moral, honestidade e integridade.

RESPONSABILIDADE SOCIAL – Exercer a cidadania contribuindo, por meio da educação e das atividades sociais e culturais, para o desenvolvimento da sociedade e a promoção do bem comum.

GESTÃO – Valorizar e seguir os princípios da Transparência e Responsabilidade Corporativa. Para isso, um sistema de gestão da qualidade administrativa e acadêmica está implementado como instrumento de monitoramento do desempenho das atividades acadêmicas desenvolvidas na UNIBAN.

QUALIDADE – Estimular a inovação e a criatividade, de forma planejada e integrada, propiciando a perenidade da organização e a busca da melhoria contínua.

SER HUMANO – Propiciar tratamento justo a todos, valorizando o trabalho em equipe, o alto grau de sinergia e integração, estimulando um excelente ambiente humano de trabalho.

Observando o ocorrido e a conduta da instituição em sua condução e desdobramentos, fica flagrante o descompasso entre discurso e prática.

Terceiro, é evidente que um episódio de misoginia como este precisa de providências e de algum tipo de punição e/ou responsabilização. O efeito manada não pode servir de justificativa para a impunidade.

Quarto, tal acontecimento deve ser inserido no quadro amplo de precarização do ensino universitário levado a cabo nos oito anos da gestão de Paulo Renato Souza à frente do Ministério da Educação. No que diz respeito ao libera-geral para as privadas, os sete anos anos de governo Lula -  em que estiveram à frente do MEC ministros do PT – nada mudaram.

*  *  *

O espetacular Manu Chao vem aí, informa Marco Aurélio Canônico. No Rio, será dia 10/12, na Fundição Progresso. Imperdível.

*  *  *

Caiu na caixa postal esta versão bem bacana do Hino do Flamengo em inglês, por Leandrade:

*  *  *

Por falar em futebol, da série “esporte violência”, este vídeo que também pingou na caixa postal:

“Seu Antônio S/A”, por Rodrigo Viellas

7/11/2009 por Rafael Fortes

São Paulo, início de tarde de sábado, ainda meio zonzo de sono. Resolvo ver se alguns amigos andaram atualizando os blogues deles e esbarro com essa pérola (tenho usado bastante a palavra ultimamente, inclusive no texto que vai ao ar segunda de manhã no História(s) do Sport, “Jorge Ben e o surfe”) do Rodrigo Viellas, direto de Belém: Seu Antônio S/A.

1o. Festival Cultural Fala Favela

5/11/2009 por Rafael Fortes

Dia 19/11, quinta-feira, no Bloco O do Campus do Gragoatá da UFF, em São Domingos, Niterói. Abaixo, o cartaz e uma reprodução do texto de divulgação.

cartaz internet

Clique sobre o cartaz para ampliá-lo.

*  *  *

“O I Festival Cultura Fala Favela é o resultado do projeto de extensão universitária Curso de Formação de Agentes Culturais Populares.

O curso visa capacitar/qualificar jovens e adultos moradores de espaços populares, sobretudo favelas em Niterói e na cidade do Rio de Janeiro, que desenvolvem atividades no campo da arte e da cultura (artistas e produtores culturais dos campos da música, dança, audiovisual, artes plásticas, artesanato, teatro e “animadores culturais”). A intenção é estimular essas iniciativas e permitir que elas possam se beneficiar de editais de fomento, sendo organizadas no sentido de captar recursos (públicos ou privados), bem como desenvolver atividades auto-sustentáveis, estimulando a formação de redes culturais nas favelas.

O festival pretende apresentar essa diversidade da produção cultural popular, na contracorrente das visões estigmatizantes e das políticas criminalizantes que hoje se voltam para as populações faveladas.

Data: 19/11/2009

Local: UFF, campus do Gragoatá, Bloco O, Niterói, RJ

Programação:

10h -  Debate: Favela é cultura. Cultura é favela.

Adair Rocha (MinC), Deley de Acari (poeta e animador cultural), Victor Hugo Adler Pereira (UERJ), Severino Honorato (agente cultural popular)

Local: Auditório do ICHF (segundo andar, bloco O)

14h às 18h – Oficinas

circo, bboying, literatura, fotografia, música, grafite

Locais: auditório do ICHF (segundo andar, bloco O), sala 510 bloco O, galeria do ICHF, hall dos blocos N e O.

19h – Apresentações de capoeira, coral sacro N’KORIN OLÓÔRUM, hip hop, circo, roda de samba e roda de funk.

Local: Pilotis do bloco O”

O “compromisso” do PSDB com a educação (6)

3/11/2009 por Rafael Fortes

Em discurso na Câmara dos Deputados, Ivan Valente (PSOL/SP) denuncia um novo e decisivo passo dado pelo estado de São Paulo para tornar o sistema estadual de educação pior do que já é. Conseguiu aprovar, na Assembleia Legislativa, um inacreditável projeto que detona a carreira docente – como se o panorama atual não fosse horroroso o suficiente, com situações como as dos professores eventuais.

O governador de São Paulo é José Serra (PSDB), que fez e faz opção preferencial política pela Editora Abril ao comprar material didático. O secretário de Educação é Paulo Renato Souza (PSDB), provavelmente a figura mais nefasta para a educação brasileira (pelo menos) nos últimos 20 anos. Além dos oito anos como ministro no governo FHC (PSDB), nesta legislatura como deputado federal, Paulo Renato Souza propôs retirar, de uma medida provisória encaminhada pelo governo,  a exigência de licitação para compra de merenda escolar.

“Responsabilidade social” (27)

2/11/2009 por Rafael Fortes

Outro dia critiquei decisões judiciais que criminalizam os movimentos sociais. Mas convém não generalizar. Na matéria ” ‘Meu pai leva alegria para os outros e tristeza para dentro de nossa casa’ “, vemos o exemplo de um juiz que não compactua com os crimes cometidos pelas empresas. O subtítulo esclarece mais: “Coca-Cola submete motorista a um trabalho sobre-humano e sentença judicial atesta prática de propaganda enganosa“. Segundo a reportagem,

Na declaração judicial, Jorge Luiz Souto Maior analisou a exploração da imagem da profissão de motorista em uma recente peça publicitária da Coca-Cola e a propaganda enganosa da auto-promoção da empresa como socialmente responsável, por causa da campanha “Otimismo que transforma”.

Mais um exemplo do que significa, na prática, a lenga-lenga da  “responsabilidade social” empresarial. Mais um exemplo do maravilhoso mundo da publicidade (a serviço das empresas).

Como eu já disse, “viva o lado Coca-Cola da morte“!

Rapidinhas

31/10/2009 por Rafael Fortes

Matéria d’O Globo noticia discurso do deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP) a favor da legalização da maconha. Tá aí um debate que o Brasil ainda não fez a sério – como, aliás, ocorre com quase todas as questões relevantes. Salvo por uma ou outra exceção (como a matéria citada), a mídia gorda se recusa a debater o assunto de forma aberta – como, aliás, ocorre com todas as questões relevantes da sociedade brasileira – e a dar voz àqueles que buscam discuti-lo.

*  *  *

Segundo ouvi ontem (sexta-feira) na Rádio Globo, quarta-feira próxima, dia 4/11, vai a votação, no plenário da Câmara dos Deputados, o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT/RS) que prevê que todas as faixas salariais dos aposentados do INSS sejam reajustadas anualmente pelo mesmo índice do salário-mínimo. O governo federal, chefiado pelo PT, vergonhosamente se posicionou contra o projeto.

Esta é uma das propostas do parlamentar gaúcho que têm o objetivo de interromper um roubo histórico e sistemático sobre os trabalhadores aposentados. É triste constatar que elas vêm sendo sabotadas por seu próprio partido – que muitos ainda consideram de esquerda.

Tenho certeza de que o deputado federal em quem votei estará presente no plenário e votará a favor do projeto. E o seu?

Curtinhas sobre violência e segurança pública no Rio

30/10/2009 por Rafael Fortes

O seminário sobre o “choque de ordem” organizado pela Abong Rio e que seria realizado quarta-feira (28/10) foi adiado. Só fiquei sabendo disso na própria quarta à noite, quando uma pessoa me ligou dizendo que estava no local e não havia nada por lá. Peço desculpas a algum(a) outro(a) eventual leitor(a) que tenha visto a divulgação aqui n’A Lenda, ido ao Sindicato dos Engenheiros e dado com a cara na porta.

*  *  *

O informativo do Observatório de Favelas entrevistou dois professores que moram em Vila Isabel a respeito dos impactos dos tiroteios da semana retrasada em suas rotinas. O tipo de voz que a mídia gorda não se interessa em ouvir.

*  *  *

É digno de antologia o diálogo entre Paulo Passarinho e Marcelo Freixo sobre alguns acontecimentos recentes e o cenário histórico da violência e da política de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

*  *  *

Se ainda não leu, leia o Manifesto contra o “revide” da Segurança Pública no Rio de Janeiro.

Rapidinhas

29/10/2009 por Rafael Fortes

Quem acompanha esse blogue sabe que uma das teclas em que volta e meia  bato é a discriminação que certos assessores de imprensa e outras figuras praticam contra jornalistas da mídia popular e nanica. Na matéria “Onde a liberdade de expressão”, publicada no Fazendo Media de setembro, Sheila Jacob traz diversos exemplos deste tipo de prática. Tivéssemos uma entidade de classe com poder normativo, tais jornalistas seriam julgados por pares em um conselho de ética por obstruírem, sem qualquer base legal, o trabalho de colegas.

*  *  *

Recomendo a leitura da bela, triste e contundente reportagem de Juliana Sayuri Ogassawara, “Uma trincheira diante do arbítrio de Uribe“, na Fórum de setembro. Essas informações não têm lugar na mídia gorda, quando esta se mete a falar sobre a Colômbia.

*  *  *

Quando, nas eleições de 2010, os candidatos do PFL (atual DEM) começarem a dizer que oferecerão habitação para a população necessitada, será hora de lembrar desta matéria de Camila Souza Ramos, sobre uma iniciativa da prefeitura de São Paulo (sob o comando de Gilberto Kassab, do partido citado) para despejar moradores da Vila Itororó, no Centro de São Paulo.

Peixinhos, tubarões e os desafios da vida

28/10/2009 por Rafael Fortes

“Curso superior mesmo é o que prepara você para os desafios do dia-a-dia”, diz a propaganda de uma faculdade particular de Niterói (RJ). Vi o anúncio em um outdoor de minha cidade natal e fiquei horrorizado com os peixinhos mostrando os dentes. Acho que a peça publicitária é auto-explicativa em relação ao modelo de ensino que vigora na maioria das instituições universitárias privadas: nada de estímulo a uma formação humana ou ao desenvolvimento de uma compreensão ampla e/ou crítica do mundo em que vivemos. Apenas (a promessa de) um manual de sobrevivência para ser um bom “competidor” e derrotar os “adversários”. Era mais fácil trocar as aulas por uma exibição de O Corte, do diretor Costa-Gravas…

Fui catar o cartaz com os peixinhos furiosos e achei algo melhor: um vídeo. Assistindo-o, penso que talvez nunca tenha sido tão apropriada a expressão “tubarões do ensino privado”.