Nove e meia da noite. Prédio repleto de apartamentos de quarto-e-sala. Aguardo o elevador para subir ao de um amigo. Num banco próximo está sentado um senhor idoso, usando óculos de lentes grossas. À frente dele, dois frascos de remédio repousam sobre uma mesa feita da mesma madeira do banco. Quando o porteiro acaba de atender um entregador, o senhor pergunta:
- Fulano, você pode pingar esses remédios no meu olho?
O porteiro prontamente levanta-se e caminha em direção ao morador de idade. Virando-se para mim, diz, num tom de satisfação:
- Aqui a gente é porteiro, médico, enfermeiro e o que vier.
Poderia ter visto várias coisas na cena. Vi humanidade.