O maior vazadouro de dinheiro da história da cidade do Rio de Janeiro?
Saques e pilhagens constituem a nossa história. E se repetem no presente. Recentemente, o Pan permitiu uma das maiores farras/tragédias (no primeiro caso, para quem ganhou; no segundo, para a população) com dinheiro público de que já se teve notícia. Quer dizer, no caso do Pan, de que quase não se teve notícia, dada a conivência da mídia gorda, especialmente das Organizações Globo, sócias do evento.
Agora é a vez da Cidade da Música Roberto Marinho (sim, porque não bastava construir uma obra faraônica para música clássica na Barra da Tijuca. A prefeitura do PFL tinha que batizá-la com o nome de um empresário que dedicou a vida à entrega do país para o capital estrangeiro e a impedir a pluralidade de vozes que constitui uma democracia).
O texto abaixo é do boletim do vereador Eliomar Coelho (PSOL/RJ).
Antes, algumas perguntinhas:
a) Cadê o povo da Zona Sul anti-IPTU se manifestando? A cidadania consciente anti-IPTU fará passeata em volta do Cebolão quando a Cidade da Música quando for inaugurada? Esse ano tem eleição. Em quem partido a cidadania consciente anti-IPTU votará?
b) Se esse escâncalo fosse de uma prefeitura do PT, PDT, PCdoB, PSB, PSOL, PCB ou PSTU, a mídia gorda permitiria que o prefeito eleito ainda estivesse no cargo? Por que o assunto não está em todos os telejornais, programas de rádio, manchetes de revista semanal?
c) Quais os nomes das empresas que estão lucrando com a obra? Elas deram dinheiro para a campanha do prefeito e dos vereadores do PFL?
“CPI da Cidade da Música é chapa branca
Lamentavelmente a Comissão Parlamentar de Inquérito criada pela Câmara Municipal para investigar os indícios de irregularidades na construção da Cidade da Música não deverá cumprir seu papel a contento. Uma manobra do prefeito conseguiu garantir os cargos estratégicos da presidência e da relatoria da CPI para seus aliados: os vereadores Carlos Caiado (DEM) e Jorge Felippe (PMDB). Esta distorção é inaceitável: o Legislativo tem abandonado sua prerrogativa de fiscalizar as ações do Executivo. O mesmo aconteceu na CPI do Pan, que acabou não sendo instalada no ano passado porque vereadores da base do prefeito votaram pelo seu adiamento. Infelizmente, já vimos esse filme, e sabemos que mais uma vez a cidade e o contribuinte serão lesados.
A Cidade da Música foi orçada inicialmente em 80 milhões, mas a obra já consumiu mais de 450 milhões, um valor maior do que o dos investimentos em Saúde e Educação somados. E tem mais: segundo as especificações do edital publicado pela Prefeitura, a empresa concessionária retornaria os valores investidos na obra somente em 25 anos, o que caracterizaria uma violação ao princípio de supremacia do interesse público. Mais que isso, não há nenhuma previsão de que o espaço deva ser destinado ao incentivo da cultura de nossa cidade. O mandato Eliomar entrou na semana passada com um mandado de segurança na 1ª Vara de Fazenda Pública, pedindo a suspensão do edital de exploração do espaço da Cidade da Música.”
Etiquetas: sociedade, democracia, ética jornalística, Cesar Maia, PFL, Eliomar Coelho, IPTU, Zona Sul, CPI do Pan, DEM, Cidade da Música Roberto Marinho, Prefeitura do Rio de Janeiro
18/6/2008 em 1213831726
Embora vc tenha toda razão, não podes deixar de ressaltar a atuação do vereador Roberto Monteiro, que tem tido uma luta incasável contra a pizza do governo municipal
4/7/2008 em 1215185957
Ao ler alguns trechos do seu blog, lembrei-me da política no tempo da Revolta da Armada, onde a situação política em termos de interesses era tão forte que Lima Barreto faz uma crítica a isso em “triste fim de policarpo quaresma” . Você, como cidadão avaliador da politica do Rio, vê semelhança entre a política da época da Revolta da Armada e a de hoje?