Breve registro sobre o holocausto palestino perpetrado por Israel

By Rafael Fortes

Talvez alguém tenha estranhado meu longo silêncio sobre a Palestina, sobretudo porque coincide com a trágica escalada do genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza. Gaza, hoje, é um grande campo de concentração a céu aberto. Pelo visto, os que dirigem o Estado de Israel aprenderam direitinho com os nazistas.

Não tenho conhecimento suficiente sobre a história do Tibete para emitir uma posição a respeito, mas me incomoda o imenso espaço dado à questão, inclusive as propostas de boicote olímpico, ao passo que se silencia sobre as condições indignas de vida impostas a outros povos do mundo que lutam por independência, os quais são ora esquecidos, ora tratados como terroristas. Para ficar em apenas dois exemplos entre os muitos que existem mundo afora, principalmente na África e na Ásia: palestinos e curdos. (Para não ficar falando só dos outros: é no mínimo estranho que, num país que se define e pretende democrático, não haja constante, ampla e irrestrita discussão sobre o papel desempenhado pelas tropas brasileiras no Haiti. Por que nosso governo as enviou e mantém lá? Que participação os EUA tiveram e têm nessa decisão de nosso país, em tese soberano?)

Traduzi e publiquei aqui n’A Lenda mais de um artigo defendendo estratégias de boicote a Israel. O boicote esportivo, embora não tenha grandes implicações práticas do ponto de vista político, é uma ferramenta crucial para dar visibilidade aos problemas e explicitar, mundialmente, o repúdio dos povos livres e “civilizados” a um estado que pratica políticas inaceitáveis. Funcionou de maneira exemplar, durante os anos 1980, em relação à África do Sul.

Meu “silêncio” com relação ao que vem acontecendo na Palestina não significa falta de acompanhamento, nem de indignação – muito menos, claro, conivência com o terrorismo de Estado praticado por Israel e pelos Estados Unidos. Infelizmente (ou não), a urgência e o compromisso com outras lutas e com o combate a um outro genocídio têm me impedido de traduzir e divulgar textos a respeito da situação palestina. Espero voltar a eles em breve.

Por hora, seguem algumas recomendações de leitura – todas em inglês.

1) Banco de dados do Badil sobre os 60 anos da Nakba (expulsão dos palestinos na fundação do Estado de Israel).

2) “The coverage – and non-coverage – of Israel-Palestine“, por Alison Weir. Com riqueza de dados e prolongada argumentação, o autor mostra como, apesar de a situação vigente gerar muito mais vítimas palestinas que israelenses, a cobertura realizada pela mídia gorda estadunidense sub-noticia as primeiras e superexpõe as últimas, produzindo uma cobertura não só distorcida, mas diametralmente oposta ao que acontece na realidade.

3) Estudo da organização If Americans Knew, mostrando o uso de dois pesos e duas medidas pelas emissoras de TV dos EUA na cobertura das mortes de crianças no conflito.

4) “UK, Israeli And US State Terrorism Vastly Worse Than Muslim-Origin Non-State Terrorism“, por Gideon Polya.

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2 Respostas para “Breve registro sobre o holocausto palestino perpetrado por Israel”

  1. Cristina Disse:

    Olá, Rafael, vc poderia me ajudar com fontes para um trabalho?
    obtigada, cristina

  2. Breve registro sobre o holocausto palestino perpetrado por Israel (2) « A Lenda Disse:

    [...] Continuo sem condições de traduzir novos artigos sobre a situação Palestina, como expliquei aqui. Se pudesse traduzir material sobre o recente bombardeio criminoso de Israel à Faixa de Gaza, [...]

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