A nossa cota no problema do imperialismo

No texto em que me manifestei contrariamente às políticas genocidas impostas por Israel ao povo palestino, mencionei a falta de discussão pública - principalmente na mídia gorda, que se pretende campeã da liberdade e da democracia - sobre o papel desempenhado pelo governo brasileiro no Haiti. Procurando informações sobre o assunto, encontrei um texto recente e muito bom do uruguaio Raúl Zibechi, no Correio da Cidadania.

Por que Cuba pode enviar ajuda que salva vidas e Brasil e Uruguai, cujos presidentes se dizem de esquerda, enviam balas e morte? A resposta está à vista: Cuba é um país solidário que combate o capitalismo, enquanto os países do Cone Sul alimentam as mesmas políticas que deixam o povo haitiano faminto, entre elas a expansão do agro-combustível, às custas de sua própria soberania alimentícia. Como assinala um comunicado da Serpaj América Latina, “o Haiti produzia há 20 anos 95% do arroz que consumia; hoje importa dos Estados Unidos 80% desse produto”.

Além de criticar o imperialismo de Israel, EUA e outros países, precisamos incluir no debate a parte que nos cabe no imperialismo - na Bolívia, no Paraguai, no Haiti. Isso, caso realmente queiramos nos livrar dela e desempenhar um papel diferente no mundo.

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