Entre o século XVI e o XXI

O governo do Partido dos Trabalhadores (PT) alega fazer muito pelos pobres. Que há avanços pontuais em relação ao governo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), não nego. (Assim como não nego que há continuidades estruturais, especialmente no ponto crucial e mais perverso, a política econômica. Isso dificilmente os defensores do governo admitem.) A demarcação de certas áreas indígenas e quilombolas é um deles.

Porém, alguns dados dão o que pensar. No Rio de Janeiro, em 2007, o governo do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de cuja base o PT faz parte, bateu o recorde de assassinatos cometidos pela polícia: 1.330 – e olha que nos anos anteriores se esteve longe de matar pouco por estas plagas.

Pois bem, agora uma matéria de Adriana Bendler, na Fórum, traz dados do relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) a respeito da situação dos povos indígenas nos dois últimos anos. Aumentaram os assassinatos de índios e há problemas relacionados a “invasão de terras, trabalho escravo e falta de assistência nas áreas da saúde e educação indígenas“. Veja bem, estamos no século XXI, não no XVI, e os povos indígenas continuam recebendo esse tipo de tratamento de nós, civilizados, e do Estado que construímos para cuidar de todos.

Impressionam os dados relativos ao Mato Grosso do Sul, onde muitos índios foram mortos tanto em 2006 quanto em 2007 (até 2006 o estado era governado pelo PT, em 2007 entrou um governador do PMDB).

* * *

Enquanto isso, o presidente da Câmara dos Deputados, um deputado do PT, mantém na gaveta o requerimento de instalação da CPI da Dívida Pública, para investigar aquele que é, hoje, de longe, o maior problema brasileiro: o pagamento de juros da dívida.

Até onde eu sei, a CPI da venda da TVA para a Telefônica também segue na gaveta, por pressão da Editora Abril, que publica a Veja.

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Por fim, uma leitura instrutiva (agradeço a Dênis de Moraes por compartilhá-la). Delfim Netto: “Lula salvou o capitalismo brasileiro”.

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Uma resposta to “Entre o século XVI e o XXI”

  1. Rapidinhas « A Lenda Says:

    [...] Grosso do Sul. Por outro, fiz uma busca rapidinha aqui e encontrei dois breves comentários (este e este) meus, de 2008, aqui n’A Lenda, a respeito da situação. O tema e o problema estão longe de [...]

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