“Sim, mas a polícia não pode atirar indiscriminadamente”, por Rodrigo Viellas

By Rafael Fortes

Uma reflexão interessante sobre segurança pública (não estou elogiando porque o sujeito é meu amigo e me citou no texto, mas porque o argumento é bom). Dá o que pensar. Um trecho:

Mas o vilão desse bang-bang fluminense é a própria sociedade, que bate palma e comemora a cada cabeça rolando morro abaixo. Faz lembrar a Idade Média, quando a massa se amontoava nas praças para ver a execução das bruxas. A diferença é que hoje a elite branca, católica e abastada se reúne em volta da TV e das bancas de jornal para se mostrar solidária com o aparato cruel e repressor do estado. Só reclama quando pisam no seu calo. Mas se a pimenta é nos olhos dos outros, Terminator é herói.

Além do problemático resultado (a opção mais votada pelos leitores), há um erro (estou sendo generoso) na perspectiva que orienta a própria elaboração da pesquisa realizada pelo Globo Online: a mídia gorda adotou como verdade, há muito tempo, a idéia de que existe uma “guerra” no Rio de Janeiro. Há, portanto,  “inimigos”. Nessa lógica do “bem” contra o “mal”, o governo de Sérgio Cabral Filho (o Terminator tupiniquim, na adequada analogia do Rodrigo) afirma praticar uma “política de confronto” ou “de enfrentamento”.  Essa linguagem e ideologia são incorporadas e apoiadas pela mídia gorda. Evidência disso é a própria pergunta: “Você concorda com a política de segurança de enfrentamento do governo no Rio de Janeiro?”.

O problema é que, além de ideológica, a expressão é mentirosa e inapropriada para sintetizar/descrever o que se passa. Mais correto e honesto seria denominá-la política de extermínio ou política de genocídio. Seus responsáveis (principalmente o governador) deveriam ser julgados tal como os que levaram a cabo outros genocídios, que são crimes contra a humanidade, em países como Ruanda, Iugoslávia e Alemanha. Seu destino deveria ser a cadeira de réu em algum tribunal penal internacional, em Haia ou outro lugar.

Cabralzinho e Sharon em Haia. Um dia a gente chega lá.

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