No estupendo As veias abertas da América Latina:
“O inventor da medida, Roberto Campos, a explicou assim: ‘Obviamente, o mundo é desigual. Há quem nasce inteligente e há quem nasce burro. Há quem nasce atleta e há quem nasce aleijado. O mundo se compõe de pequenas e grandes empresas. Uns morrem cedo, no primor da vida; outros se arrastam, criminosamente, por uma longa existência inútil. Há uma desigualdade fundamental na natureza humana, na condição das coisas. A isto não escapa o mecanismo de crédito. Postular que as empresas nacionais devam ter o mesmo acesso que as empresas estrangeiras ao crédito externo é simplesmente desconhecer as realidades básicas da economia…’”.
A seguir vem o comentário de Galeano:
“De acordo com os termos deste breve porém vigoroso Manifesto capitalista, a lei da selva é o código que naturalmente rege a via humana e a injustiça não existe, já que o que conhecemos por injustiça nada mais é do que a expressão cruel da harmonia do universo: os países pobres são pobres porque… são pobres; o destino está escrito nos astros e só nascemos para cumpri-lo: uns, condenados a obedecer; outros, destinados a mandar. Uns oferecendo o pescoço e os outros colocando a corda. O autor foi artífice da política do Fundo Monetário Internacional no Brasil.”
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