As fotos são de uma propaganda de motel exibida na janela traseira de um ônibus que liga o Rio a Niterói.
O tiozão engravatado, no trabalho, falando no telefone fixo, toma a iniciativa. A mocinha loira e de olhos claros, sorridente, ouve a pergunta no telefone celular. Ambos com a pele bastante clara e aparência dentro do padrão hegemônico de beleza. Sorriso-padrão estético de propaganda de pasta de dente.
Quantos estereótipos você consegue identificar nesta propaganda?
* * *
Aproveitando o ensejo, duas observações pontuais:
1) Não conheço desperdício de dinheiro maior do que o utilizado para produzir aquele adesivo de 60 km/h colado na janela do ônibus. Não significa nada. Em relação à realidade concreta do transporte rodoviário no Grande Rio, seria mais correto estampar 100 ou 120 km/h.
2) Quando as empresas de ônibus, concessionárias de um serviço público, pressionam as autoridades para que o Estado as reembolse o valor da passagem daqueles que têm direito a transporte gratuito (idosos, estudantes da rede pública e outros), elas incluem as planilhas de custos e receitas? Nestas planilhas constam as receitas com publicidade como a acima? As planilhas e seus valores são sujeitos a auditoria e investigação pelo poder público?
Tags: ética, ônibus, gênero, motel, propaganda, publicidade


13/7/2009 às 1247498948
Olá, Rafael.
Esse anúncio é mesmo de amargar, hein! Sei que o mais importante do post é o que sucede à propaganda em si, mas é impossível deixar o absurdo passar.
Tirando os estereótipos que você citou, a inversão do nome “letom” é da pior qualidade, o “Vamos almoçar AONDE?” sugere um motel sobre rodas, e “o seu melhor programa” não deixa de induzir um viés “profissional” da conversa… é triste ter que ler uma coisa dessas indo para ou voltando de Niterói.
Imagina a qualidade do estabelecimento!
Forte abraço.