Uma música

25/9/2016

Eddie Vedder – Society

Viva a Colômbia!

24/9/2016

O difícil processo de negociação, a assinatura do acordo de paz e o plebiscito da Colômbia – colocando nas mãos do povo a decisão final sobre o processo, o que é sempre digno de elogio – renovam a esperança de que esse incrível país e sua sofrida gente possam ter um futuro melhor e viver numa democracia representativa que inclua diferentes vozes e pontos de vista.

Trata-se, também, de um exemplo (infelizmente raro) de que mesmo um governante (Juan Manuel Santos) e um governo de direita podem trabalhar duro para desarmar espíritos, pessoas e grupos/bandos (e enfrentando resistências, críticas e sabotagens de setores truculentos da própria direita). O que se conseguiu até agora não garante tranquilidade no futuro (ainda mais se consideradas as traumáticas experiências passadas do próprio país), mas abre imensas possibilidades nesta direção, improváveis e impensáveis até poucos anos atrás. Deve, portanto, ser celebrado. E representa um notável contraponto ao esquema “mata e esfola”, “prendo e arrebento” que domina boa parte da direita brasileira atual.

O Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) preparou um material bacana pelo “sim” no plebiscito.

O acordo se beneficiou também de parceiros internacionais que se engajaram para promover o diálogo, incluindo o Vaticano e o notável trabalho do governo cubano – as décadas passam, e aí está mais uma contribuição deste notável país para uma América Latina melhor. Tampouco é acaso que o acordo tenha sido celebrado antes que termine o mandato de Obama na Casa Branca: ambos os candidatos à sucessão dele têm um perfil bem mais bélico, o que significa menores oportunidades para este tipo de resolução de conflitos armados mundo afora.

Rapidinha

20/9/2016

Luis Nassif, certeiro, sobre um certo modo de investigar de setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal: “Xadrez do não temos provas, mas temos convicção“.

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No História(s) do Sport, escrevi recentemente sobre pesquisar história do surfe no Sul da Califórnia.

Rapidinhas

16/9/2016

As ferramentas do WordPress anunciam que, nos últimos dias, um dos textos mais lidos do blogue tem sido uma declaração de voto que escrevi em 2010: “Por que voto em Marcelo Freixo para deputado estadual“. Nunca me arrependi: nem do texto, nem do voto (naquela eleição e em posteriores). Em outubro, vou de 50 novamente, para prefeito e vereador.

Recomendo também esta entrevista com o candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) a prefeito do Rio de Janeiro.

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Nova matéria sobre a pindaíba nas universidades federais (via Jornal da Ciência).

Um dos dados interessantes da matéria é que vários reitores falam criticando a pindaíba – algo bem distinto da postura chapa-branca que é marca da Andifes. Outro ponto importante, e que a matéria registra: os cortes brutais vêm desde o governo Dilma Rousseff – o atual aumenta a dose de políticas nefastas já em andamento.

Um aspecto que passou batido na reportagem, assim como geralmente passa em conversas entre professores e em diagnósticos da crise: ao se realizar participação em bancas por Skype, geralmente o que se faz é transferir os custos da mesma para os próprios membros da banca. Em universidades onde os professores não contam com mesas, cadeiras, computadores ou conexão estável e de qualidade à internet, resta participar de casa, cobrindo do próprio bolso os custos com equipamentos e serviços.

Portanto, saímos de uma situação que não boa – participação sem remuneração em bancas – para outra ainda pior: uma participação em que os custos de infraestrutura (conexão e equipamentos) corre por conta do convidado. Obviamente isto não se aplica às universidades em que há infraestrutura adequada para o trabalho docente – o que não é o caso, infelizmente, das universidades públicas do Rio de Janeiro (salvo raras exceções em unidades/setores específicos).

Se não há mais dinheiro para bancas, me parece que o honesto e correto seria simplesmente acabar com a exigência delas. Ou, no mínimo, acabar com a exigência de participação de professores externos. Na primeira opção, a avaliação seria feita por parecer enviado por email; e o aluno teria a oportunidade de fazer uma exposição aberta ao público em dia e horário divulgado previamente, sem banca ou arguição. Na segunda, a banca seria composta integralmente por avaliadores da própria instituição.

Rapidinhas

7/9/2016

Leonardo Sakamoto, lúcido como sempre, em interessante entrevista à edição especial de Caros Amigos sobre mídia e política (julho de 2016):

“Primeiro, o desfecho seria diferente se Dilma não fosse uma péssima presidente. Se não tivesse ignorado tudo o que prometeu para a esquerda. O primeiro mandato já foi complicado, catastrófico, inclusive economicamente; no segundo, ela ganha a eleição defendendo exatamente uma política progressista. E ela assume com isso sabendo que na verdade ela teria que fazer outra coisa. Naquele momento ela teria duas possibilidades: ou governar com os movimentos sociais, com a população, ou governar com quem ela estava governando. Ela optou pelo outro caminho. O PT precisa parar de se vitimizar um pouco e fazer autocrítica. Agora a gente vai entrar num ciclo sombrio com relação à esquerda no Brasil muito por culpa de quem? Do PT. Não é da mídia, é do PT. Por quê? Porque o PT acreditou naquilo que não era para acreditar, o PT foi arrogante, soberbo e também se deixou corromper ou ele mesmo corrompeu. Então o que acontece? O próprio partido não fez a discussão a respeito da democratização da comunicação, o partido fugiu dessa discussão como o diabo foge da cruz. Eu não sei te dizer se aquela discussão tivesse sido feita lá atrás, você não teria, ou no segundo mandato do Lula – porque ele estava mais empoderado, pós-Mensalão, com dinheiro de commodities fluindo para dentro do Brasil -, se talvez não tivesse conseguido. Isso na verdade seria sintomático. Se tivesse ocorrido uma introdução a uma política de comunicação no Brasil, que fosse uma política para privilegiar a pluralidade, não calar vozes, deixar a Veja falar, a Globo, mas ter fomento à pluralidade, com regras claras, não regras para privilegiar amigos x, y ou z, se tivesse havido uma preocupação do governo para fazer isso, significa que o governo tem outra mentalidade. Isto é sintoma de um governo mais popular, mais progressista e mais democrático. E talvez o governo, sendo diferente, não teria feito os erros que levou ele chegar até lá, como Belo Monte. Belo Monte é um poço de corrupção, trabalho escravo a torto e à direito, exploração de trabalhadores, irrigou a Lava Jato, não ajuda em nada o desenvolvimento do País, reproduz o modelo de desenvolvimento da ditadura, contra qual ela lutou bravamente, que a torturou e a prendeu, e ela simplesmente reproduz aquele modelo, ou seja, ela mantém aquele processo. Como que mantendo aquele processo ela quer que no momento em que você tem uma alteração, uma mudança, aquilo vai beneficiar? Governos têm que estar abertos às críticas. Agora, se ela quer que críticas não partam só de um lado, partam do outro, ela teria que ter fomentado o crescimento.”

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Avaliação de certa forma parecida – apontando que boa parte dos problemas em vigor e em pauta quanto à economia e à retirada de direitos tiveram origem e início no governo da Coração Valente – aparece da metade para o final deste debate realizado semana passada no Programa Faixa Livre.

 

Rapidinhas

31/8/2016

O nível do ministério do Mordomo de Filme de Terror e a maneira do gabinete operar politicamente ficam explícitos nesta  notícia: o chanceler uruguaio denunciou que o Brasil tentou “comprar” o voto do Uruguai numa decisão do Mercosul relativa à Venezuela. Pelo visto, tentou usar no exterior o método PSDB de São Paulo de fazer política e deu com os burros n’água.

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Daqui a pouco, a se confirmarem as intenções de voto divulgadas das corporações de mídia, o Senado vai tacar nossa democracia pela janela. De novo, em nossa história, o exemplo de vale-tudo vem de cima.

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Pingou na caixa postal um excelente texto sobre os Jogos Olímpicos do Rio e os olhares lançados sobre eles: “A merda é o ouro dos espertos“, de Eliane Brum.

 

 

Uma música

13/8/2016

Florence and the Machine – Ship to Wreck

Uma música

13/8/2016

Silversun Pickups – Nightlight

Rapidinhas

11/8/2016

Universidades federais devem ter corte de até 45% nos investimentos“, diz uma matéria do Estadão. (via Jornal da Ciência)

Ao contrário da entrevista comportada que comentei ontem, desta vez a nova presidente da Andifes criticou as medidas. Interessante mudança de tom.

Embora publicada por um jornal neoliberal, a matéria dá um panorama razoavelmente correto da situação das universidades federais. Elas passam pelo mesmo processo de outras instituições e serviços públicos: à medida que aumenta a abrangência e quantidade do público atendido, a qualidade cai. No Brasil, não temos histórico de serviços públicos simultaneamente de qualidade e universais – ou seja, Estado de Bem-Estar Social. Ou têm qualidade e atendem poucos, ou atendem muitos sem qualidade – exceções são, nas últimas décadas, a vacinação infantil, o voto e o alistamento militar. O passo seguinte, que (ainda) não aconteceu com as universidades, é o abandono por parte da classe média (como foi o caso do transporte público, da saúde pública e da educação pública nos níveis fundamentais e médio), o que, por sua vez, é lido pelos governantes como sinal verde para rebaixar a qualidade.

Tais problemas ganharam grande visibilidade durante a greve de 2012, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) tinha amplas responsabilidades sobre a situação, com Dilma Rousseff na Presidência e Aloizio Mercadante no Ministério da Educação. A greve durou meses e o governo nada fez para resolver os problemas. Muito pelo contrário: nos anos seguintes, o MEC sempre foi o ministério com mais cortes no orçamento, e parcelas crescentes de dinheiro público foram destinadas a corporações multinacionais operando livremente no mercado brasileiro de ensino superior.

Para tragédia da população e do país, o governo interino e ilegítimo do Mordomo de Filme de Terror aprofunda as políticas levadas a cabo pela Coração Valente.

Rapidinhas

10/8/2016

Reproduzo abaixo nota divulgada hoje pela diretoria da Adunirio. As práticas antitrabalhador da Unirio são inacreditáveis – os colegas de outras instituições federais de ensino superior ficam pasmos ao ouvir as histórias. Direitos básicos, respeitados rotineiramente em outras instituições, são violados na Unirio.

Medida da reitoria contra progressão e promoção é ilegal

Como já havíamos adiantado, a decisão da reitoria da Unirio de retirar retroativos dos professores que progridem ou são promovidos na carreira é descabida e agora também ilegal. Foi sancionada no dia 29 de julho a lei que tramitava no Congresso e que ratifica o entendimento que está expresso na resolução nº 4430/14, concebida pela Comissão de Carreira e aprovada pelo Consepe.

Conforme o artigo 1º da Lei 13.325/2016, “o efeito financeiro da progressão e da promoção […] ocorrerá a partir da data em que o docente cumprir o interstício e os requisitos estabelecidos em lei para o desenvolvimento na carreira”. A lei versa sobre as alterações na remuneração, as regras de promoção, as regras de incorporação de gratificação de desempenho a aposentadorias e pensões de servidores públicos da área da educação. Não há dúvidas sobre  a aplicabilidade da norma na questão da carreira e a reitoria, sem maiores explicações, se movimentou equivocadamente em relação ao tema, gerando muito descontentamento.

A medida adotada pela reitoria, baseada em um parecer frágil da Procuradoria Geral da Unirio, buscava, através da modificação da resolução, ferir o direito de professores e ignorar decisão dos Conselhos Superiores.

Fica evidente que a reitoria da Unirio se mobilizou para contrariar o direito e os interesses dos docentes, duramente conquistados, a partir de muita luta e dedicação. O que não está ainda explicado é o porquê de a administração abdicar de representar os interesses da comunidade local em favor das medidas de ajuste fiscal do governo federal e quando pretende retroceder na decisão, evitando o acúmulo e o agravamento do problema.”

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Nesta entrevista com a nova presidência da Andifes, nenhuma palavra sobre os problemas relativos à carreira do magistério superior, ao padrão salarial em comparação com outros ministérios, ou à lamentável situação da infraestrutura física das universidades e demais instituições. A leitura sugere que vai tudo de vento em popa na educação superior brasileira e inclui uma declaração de apoio à Ebserh (ou seja, à privatização dos hospitais universitários). (via Jornal da Ciência)

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Título de coluna de Elio Gaspari: “A Lava-Jato chegou ao PSDB“. A notícia seria manchete se as corporações de mídia tivessem algum interesse em fazer jornalismo ou combater a corrupção.

 


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