Uma música

1/3/2015

Planet Hemp – Zerovinteum

Coisas da TV no esporte

25/2/2015

Ouvindo a ESPN referir-se ao telespectador como “fã de esporte”, me ocorrem duas coisas. Primeiro, achar ridícula a expressão. Segundo, ficar pensando: “Imagina se fosse a ESPN a elaborar uma lei para garantir os direitos dos torcedores: o nome seria Estatuto do Fã de Esporte.” Feio, pra dizer o mínimo, né?

Também achei curioso o tom de “Plantão do Jornal Nacional” e “parem as rotativas” do comunicado com que a emissora alardeia a chance de transmitir um jogo do Flamengo. Um insosso Brasil de Pelotas x Flamengo, pela primeira rodada da Copa do Brasil, ganha ares de acontecimento transformador da segunda década do século XXI. Muito interessante, ainda mais para uma emissora que, no Brasil, se pretende crítica e denunciadora das mistificações relacionadas ao esporte.

Este canal, aliás, é a cara do capitalismo e da mentalidade hegemônica em nosso tempo: ter importa mais que ser. Digo isso a partir da programação dela, que, tal como o Quico do Chaves, o tempo todo alardeia que tem isso e tem aquilo. Talvez o faça por saber a pouca relevância que tem o que ela é.

*  *  *

Por falar em coisa feia, o tal cara ou coroa eletrônico no início das partidas do Rio Open. Feio do ponto de vista estético e discutível do ponto de vista ético…

Apontamentos metodológicos: biografias de atletas como fontes

23/2/2015

Publicado originalmente em História(s) do Sport:

Por Rafael Fortes

As biografias de atletas de ponta são, creio, o principal filão editorial envolvendo o esporte. No segundo semestre do ano passado, li livros sobre Kelly Slater, Rafael Nadal e Roger Federer. Em comum, o fato de serem esportistas que admiro e estarem em atividade (e entre os melhores) em modalidades de que gosto e com as quais tenho razoável envolvimento: pesquiso e escrevo sobre surfe desde 2005 e, nos últimos três anos ou quatro, tenho visto e jogado tênis.

Neste texto, discuto alguns aspectos destas obras desde um olhar da história do esporte.

Quatro pontos para pensar

1) Trata-se de biografias publicadas há poucos anos sobre atletas relativamente jovens (independentemente da idade, jovens, capazes e motivados o suficiente para, ao final de 2014, estarem entre os três melhores na principal liga profissional de suas respectivas modalidades), em atividade e com títulos a conquistar. Ou seja, por um…

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Uma música

7/2/2015

Leonardo – Beber, Beber

Um livro

4/2/2015

Fernando Sabino, em A cidade vazia (originalmente publicado em 1950):

“O essencial é não perder tempo, e a leitura, durante a viagem, na falta de outra ocupação, satisfaz rigorosamente esse preceito. Além disso, tem a virtude de pôr o passageiro a par do pensamento comum da Nação, porque o que ele lê em Nova York, está sendo lido ao mesmo tempo em todas as grandes e pequenas cidades dos Estados Unidos. A sindicalização jornalística, além de reduzir ao mínimo o noticiário local e anular completamente as divergências regionais de gosto, interesse e necessidades, uniformizou a mentalidade dos leitores num nível que elimina a concorrência, tornando mais fácil a tarefa de influenciá-los. A tácita colaboração entre dois jornais originariamente concorrentes, na manutenção do gosto padronizado do leitor, faz com que estes fujam de suas posições opostas e eliminem o ‘furo’ para cair no clima neutro das manchetes, comentários e até editoriais em comum, onde se tornam gêmeos sem serem irmãos (New York Times x Herald Tribune; Daily News x Daily Mirror etc.). E assim fica assegurada à Nação a certeza de que a opinião pública poderá ser rapidamente preparada, como se diz do exército e da marinha, ‘para qualquer eventualidade’.”

Um livro

2/2/2015

Francisco de Oliveira, no excelente Crítica à razão dualista, de 1972:

“Longe de ser uma proposição reformista, o acesso das grandes massas da população aos ganhos da produção foi sempre uma condição sine qua non da expansão capitalista, mas a expansão capitalista da economia brasileira aprofundou no pós-ano 1964 a exclusão que já era uma característica que vinha se firmando sobre as outras e, mais que isso, tornou a exclusão um elemento vital de seu dinamismo.

A superação dessas contradições não é um processo que possa ocorrer espontaneamente, nem os deserdados do sistema podem sequer pensar que uma reconversão da economia brasileira aum padrão menos desigualitário é uma operação de pura política econômica. No estágio atual, nenhuma das duas partes pode abrir mão de suas próprias perspectivas: nem à burguesia se pode pedir que abra mão da perspectiva da acumulação, que é própria dela, nem às classes trabalhadoras se pode pedir que incorpore a perspectiva da acumulação que lhe é estranha. Essa situação conduz, inevitavelmente, as constradições da infraestrutura a uma posição de comando da vida política do país: a luta privilegiada transforma-se necessariamente em contestação ao regime, e a luta pela manutenção da perspectiva da acumulação transforma-se necessariamente em repressão. Essa dialética penetra hoje os mais recônditos lugares da vida nacional, em todas as suas dimensões, em todos os seus níveis: qualquer lugar, qualquer atividade, é hoje um campo de batalha, da música ao cinema, das atividades educacionais aos sindicatos, da oposição consentida ao partido situacionista, do pregão da Bolsa à pregação do padre; desapareceram as questões específicas de cada uma das atividades per se, para colocar-se como problemática indisputada a questão da manutenção do status quo ou o seu oposto. Melancolicamente, até mesmo a frágil oposição armada que tentou erguer-se contra o regime foi esmagada como o último apelo romântico ao sistema para que se reformasse em nome da justiça social. Nenhum determinismo ideológico pode aventurar-se a prever o futuro, mas parece muito evidente que este está marcado pelos signos opostos do apartheid ou da revolução social.”

Uma música

30/1/2015

The Black Keys – Little Black Submarines

Rapidinhas

23/1/2015

Quando foram apresentadas as candidaturas do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos e do Brasil à da Copa do Mundo, autoridades políticas e esportivas afirmaram – e, nos anos seguintes, continuaram repetindo – que os equipamentos esportivos seriam construídos com dinheiro privado. Houve cientistas e jornalistas que, eufóricos, saíram reproduzindo estas afirmações, como parte da argumentação para defender a organização e realização dos megaeventos esportivos tal qual ocorreu e está ocorrendo.

Pois bem, no que diz respeito ao uso de dinheiro dos governos estaduais para as obras dos estádios para a Copa, esta matéria da Agência Pública, de autoria de Bruno Fonseca, Ciro Barros, Giulia Afiune e Jessica Mota é definitiva (a começar pelo título!): “Tem dinheiro público, sim, senhor“.

*  *  *

Dando sequência à enxurrada de medidas econômicas neoliberais das últimas semanas, Dilma Rousseff vetou a correção de 6,5% na tabela do imposto de renda. O que isso quer dizer?

Com o veto, Dilma prejudica uma parcela de trabalhadores que, com baixa remuneração, continua obrigada a pagar o Imposto de Renda. Estudo do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) indica que, com o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2014 em 6,41%, a defasagem da tabela acumulada desde 1996 chega a 64,28%. 

Com o índice oficial de inflação e os reajustes salariais que ultrapassam os 8% muitos contribuintes passaram a descontar IR ou mudaram de faixa de alíquota, pagando mais impostos.“A não correção da tabela de Imposto de Renda é uma das maiores injustiças tributárias que temos hoje no país. Atualmente, o limite de isenção é de R$ 1.787,00. Se aplicássemos a defasagem de 64%, a isenção saltaria para R$ 2. 935,00”, explicou o presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno.

Esta defasagem na atualização da tabela – para não falar de uma discussão que não é feita sobre o que, de fato, seria um imposto que taxasse a renda no Brasil – é um dos muitos problemas da nossa bizarra estrutura tributária, em que os que menos ganham são os que, proporcionalmente, mais pagam impostos.

Rapidinhas

16/1/2015

O governo Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou no fim de 2014 o primeiro conjunto de medidas com o objetivo de prejudicar os trabalhadores brasileiros. Vai ver, foi por causa deste tipo de medida política neoliberal, comum desde o início do primeiro mandato, que algumas pessoas encheram minha caixa postal durante a campanha do segundo turno em outubro passado, dizendo que neoliberal era o governo do PSDB. (Obviamente, um governo do PSDB seria neoliberal até o talo. Impossível discordar desta afirmação.)

Pra surpresa de ninguém, as mensagens desapareceram após as primeiras medidas anunciadas pela candidata reeleita, inclusive esta beleza de gabinete ministerial que tomou posse dia 1. Aposto que tais figuras só aparecerão para defender o governo e discutir política daqui a três anos e meio, nas eleições de 2018.

Sobre o pacote, é mais do mesmo e, por isso, conta com a aprovação do jornalismo praticado nas corporações de mídia: retirar R$ 18 bilhões que eram destinados aos trabalhadores significa “economia“. Usar valores muito maiores de dinheiro público para remunerar os ricos (via pagamento de juros e serviços da dívida pública), para aumentar a taxa de lucro das multinacionais (via subsídios e redução de impostos) e para favorecer lucros de empresas privadas (vide obras da Copa e dos Jogos Olímpicos, dos aeroportos e demais itens de infraestrutura, ainda por cima privatizados após receberem muito dinheiro público) é “investimento”.

Os cortes provisórios no Orçamento da União atingiram em cheio o Ministério da Educação com uma facada de R$ 7 bilhões. Calculo o que aconteceria se a educação não fosse prioridade deste segundo mandato (ao menos, foi o que disse Dilma no discurso de posse)… A mesma proposta orçamentária prevê desperdiçar 47% – isso mesmo, absurdos 47% – dos recursos com o pagamento da dívida. Ou seja, separando metade do Orçamento para entregar aos ricos. Como, aliás, nos demais anos de governo do PT.

Para garantir e avançar direitos da população, os percentuais previstos são o miserê de sempre. Difícil prever o resultado: os serviços públicos continuarão a beleza que são.

*  *  *

E eis que uma matéria da Agência Pública afirma que o governo federal mexicano foi responsável pelo episódio em que dezenas de estudantes foram assassinados e tiverem seus corpos desaparecidos. Um trecho:

Apesar dos documentos que provam que o governo vigiou os estudantes desde quatro horas antes do ataque, que soube do ocorrido durante todo o tempo e que suas forças de segurança participaram do ataque, até hoje – um mês depois desta investigação ser publicada no México – o governo de Enrique Peña Nieto segue negando os fatos e se recusando a dar uma explicação. Os pais dos estudantes desaparecidos, agora, exigem que se investigue a participação da PF e do Exército.

Fico imaginando que informações poderiam ser levantadas e divulgadas caso as chacinas ocorridas no Brasil fossem objeto de investigação jornalística séria – como, por exemplo, as que resultaram nas excelentes obras O Massacre, de Eric Nepomuceno, e Rota 66, de Caco Barcellos.

 

Uma música

11/1/2015

Rage Against The Machine – Ashes in the fall


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