Uma música

26/5/2017

Fitz and the Tantrums – MoneyGrabber

Rapidinhas

22/5/2017

Pacote de leituras:

– Excelente entrevista de Tarso Genro ao El País: “Temer perdeu o apoio do oligopólio da mídia e não vai se sustentar“. Genro é uma das importantes lideranças do PT – e uma das poucas que mantém minha admiração – que foram jogadas para escanteio pelo governo da Coração Valente. Deu no que deu…

– Matéria do mesmo jornal sobre as relações entre futebol e política, mais precisamente, o caso do Cruzeiro nas últimas décadas.

– O professor João Sicsú (UFJR), em excelente análise: “Três correntes políticas, dois projetos” (via Conversa Afiada). Dois trechos:

O partido da Globo apostou no golpe e venceu. Quem dirige o golpe é o partido da Globo. O seu projeto é antinacional, antissocial e antidesenvolvimentista. Cunha, Temer, Aécio, Maia, ospatos da Fiespe tantos outros são marionetes acéfalas. Manda quem comanda o judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal e o maior veículo de comunicação do País. (…)

No momento, o partido da Globo quer alguém do seu agrupamento para sentar na cadeira da presidência da República – piloto e carro, ambos, da mesma equipe. Henrique Meirelles é o grande operador do projeto do partido da Globo dentro do governo. Atualmente, está na cadeira de ministro. Mas poderá ocupar um superministério ou, até mesmo, a presidência da República. A outra opção da Globo é Cármen Lúcia, que é do braço do judiciário do partido. Devidamente autorizado, Meirelles já anunciou ao mercado financeiro que continuará neste ou no próximo governo.

– O professor João Feres Júnior: “A crise política e o enigma da Globo

Rapidinhas

21/5/2017

Duas leituras:

Janio de Freitas: “As condições do caos” (via GGN). Um trecho:

E não falta quem, para receber os generosos prêmios dados aos delatores, mostre mais aos brasileiros como é de verdade o seu país. Nem faltam candidatos a ver-se, de repente, passando de louvados a execrados. Como a estrela do bom-mocismo, Aécio Neves.

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar “trabalhando nisso como um louco”.

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo “mercado”, pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.”

Luis Nassif: “Xadrez dos zumbis da política e as diretas

Rapidinhas

20/5/2017

O novo episódio do melhor jornalismo regado a óleo de peroba das Organizações Globo começou na quarta-feira, com um conjunto de fingimentos. Sobre a súbita mudança de direção da biruta das redações globais, recomendo este texto de Wilson Ferreira: “Delações da JBS deixam nu o jornalismo da Globo“. Um trecho:

O suposto “furo” na coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo nada mais foi do que o sinal verde da cúpula das Organizações Globo.

Mais do que supostamente dar um “furo” e brincar de jornalismo investigativo, mais do que noticiar uma grave crise política, a Globo desvelou-se a si mesma: o seu jornalismo ficou nu como demonstrou a impagável propagação exponencial de olhos perplexos, gafes, atos falhos e palavras atropeladas no transcorrer dos telejornais.

*  *  *

Não tem problema. Isso foi na quarta.

Tentando manter a fama de mau e mostrar quem é que manda no país, o Globo Online passou a tarde de ontem tendo como chamada principal “A renúncia do presidente“. No primeiro momento, confesso, achei que o Mordomo de Filme de Terror renunciara. Ou seja, cometi um erro primário (e particularmente grave para quem estuda Comunicação desde 1997 e não acredita nas corporações de mídia): acreditei no jornalismo das Organizações Globo. Mas, que nada: eram apenas os bilionários da família Marinho e seus empregados (ou melhor, contratados como pessoas jurídicas) colunistas subitamente convertidos em críticos do governo e tentando moldar a realidade a seus desejos. E ainda há quem chame isso de jornalismo…

Na Teoria da Comunicação (bença, Mario Wolf, Ilana Polistchuck e Aluizio Trinta), este tipo de prática foi conceituada como agendamento, ou agenda-setting. Neste caso global, elevado à enésima potência.

O inacreditável exercício de wishful thinking, ou de jornalismo de ficção, continuou hoje (sábado). Eis uma captura de tela do mesmo Globonline, ao meio-dia: “A renúncia do presidente e os principais destaques desta sexta“. Ou seja, o que a chamada anuncia é o mundo paralelo do próprio Globo Online. Foi o que aconteceu na sexta-feira (a publicação de um editorial chamado “A renúncia do presidente”). Ora, de novo, isto dá a entender a algum distraído, desavisado ou leitor de boa-fé que o presidente renunciou ontem.

“Se você ainda não viu… A renúncia do presidente”… que não aconteceu! Admito que é genial, dependendo do ponto de vista. Aguardo para os próximos dias:

– “Se você ainda não viu… Saci-Pererê”

– “Se você ainda não viu… O cumprimento da Constituição Federal de 1988”

– “Se você ainda não viu… Cabeça de Bacalhau”

– “Se você ainda não viu… Instituições privadas de ensino superior cumprindo a CLT e demais leis”

– “Se você ainda não viu… Ciência brasileira, com amplo apoio do Estado, ganha Prêmio Nobel”

*  *  *

No jornalismo realmente existente nas corporações de mídia, tem de tudo… Organizações Globo resolvendo rifar o Mordomo de Filme de Terror e, com um pouco menos de escândalo, o Mineirim.

A ditabranda Folha de S. Paulo, segundo este texto, vem apontando em direção diferente.

Sobre o jornalismo que as corporações de mídia cometem no Brasil, recomendo ainda:

– Carlos Motta: “A imprensa e a tragédia“. Um trecho: “Todos os jornalistas que cobrem política sabem, há muito tempo, que esse bando que tirou a presidenta Dilma do Palácio do Planalto é formado por escroques da pior espécie. Se ninguém nunca fez uma mísera reportagem, escreveu uma linha sequer sobre as negociatas desses parlamentares é porque, de certa forma, estiverem aliados a eles, e não porque desconhecessem os crimes;

*  *  *

Um dos principais problemas dos escândalos dessa semana, novamente, é o linchamento midiático. Sobre isso, poucas vozes têm se insurgido. Uma delas é o sempre correto e admirável Pedro Serrano: “Afastamento de Aécio foi ação ilegítima do STF“. Por falar em STF, num país em que as concessionárias de radiodifusão, há décadas, desrespeitam a Constituição; e em que o Supremo também o faz… é possível garantir que vivemos numa democracia?

Outro problema é que, como agora as vítimas do linchamento são figuras da direita, boa parte dos jornalistas, blogueiros e figuras da esquerda participa com ferocidade do linchamento. Dois pesos e duas medidas.

*  *  *

Só um inocente que não sabe de nada, como diria Cumpadre Washington, acredita que todas as cartas sendo jogadas na política brasileira estão sobre a mesa e foram divulgadas pelas corporações de mídia. Esse texto e os comentários feitos a ele pelos leitores dão alguns indícios do que pode estar em jogo e do que tem rolado em Brasília e em Curitiba.

*  *  *

Da série A política de isenções fiscais do PMDB no Rio de Janeiro, a miséria estadual e municipal que cabe aos cariocas e fluminenses, duas notícias:

– Uma, sobre as recentes delações da JBS.

– Outra, sobre os calotes dados pelo Comitê Organizador Rio 2016. A matéria, convenientemente, não fala que o Comitê Olímpico Internacional levou embora a bufunfa dos lucros do evento graças às isenções fiscais concedidas e assinadas por Eduardo Paes (e também pelos governos federal e estadual, configurando, como argumentei, que a pilhagem via megaeventos esportivos constitui uma política de Estado – e não de governo – no Brasil)

*  *  *

[Atualização em 20/5/2017, às 17h30: após mais de um dia de mentira, finalmente o Globo Online resolveu classificar “A renúncia do presidente” como “A opinião do Globo”…

Da série óleo de peroba, na mesma imagem, a atuação do PSB. Bem fizeram Luiza Erundina e Roberto Amaral, que abandonaram o barco quando este se mostrou navegando irremediavelmente para a direita.]

 

Uma música

19/5/2017

Soundgarden – Fell on Black Days

Rapidinhas

18/5/2017

Breves comentários sobre o barata-voa de ontem e de hoje:

– O jornalismo (sic) das Organizações Globo diz que quem o acompanha fica bem informados. Mas, vem cá: só ontem ele descobriu as histórias que divulgou? E, ao divulgar, fingiu surpresa e desconhecimento, quem nem os ministros que hoje saíram correndo para renunciar a seus cargos no governo do Mordomo de Filme de Terror. Ora, alguém acredita que estavam mal informados? Conta outra…

– Por falar em conivência das corporações de mídia com a atuação de certas figuras do mundo político, estou curioso para saber qual será a próxima coluna de Aécio Neves na ditabranda Folha de S. Paulo. Diz o site que ele escreve às segundas-feiras. Além de colunista do jornal, ele é senador pelo PSDB/MG e presidente nacional do partido. Sem dúvida, sua atuação política o cacifa para tais cargos e funções.

– Tal como um de seus colegas de partido atualmente preso em Curitiba, o Mordomo de Filme de Terror acha que, repetindo algo, todos acreditarão no que diz, a despeito de todas as evidências em contrário.

*  *  *

Definitivamente, Flamengo na Libertadores é a alegria do arco-íris.

*  *  *

Ainda sobre a greve geral do dia 28 de abril, um relato triste de uma vítima da estupidez sem limites da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (com a notável contribuição do Metrô Rio, ao fechar estações e impedir que as pessoas fossem embora). Um entre muitos relatos. Isso fora o que não foi relatado, tornado público etc.

*  *  *

Matéria muito interessante: “O martírio dos jogadores abandonados com problemas de saúde“. Seria interessante ouvir a respeito, também, atletas como o ex-jogador Alex e o pessoal do Bom Senso FC.

Infelizmente, esse tipo de assunto não cabe nas trocentas horas semanais dedicadas ao futebol em não sei quantos canais de televisão (aberta e paga) e emissoras de rádio.

Rapidinhas

3/5/2017

Ainda a respeito da brutal repressão à greve geral e aos protestos de sexta-feira, a coisa também foi feia em outras cidades além do Rio de Janeiro, como São Paulo e Goiânia. Na última, um policial militar deu com um cassetete na cara de uma pessoa – a arma foi partida em dois pedaços; o crânio da vítima, em vários.

*  *  *

Boas e longas leituras:

– María Florencia Alcaraz: “No la buscaron – El femicidio de Araceli Fulles” (essa pingou na caixa postal)

– Paulo Endo: “A Rede Globo flutua entre a permissividade e a crueldade para vender seus programas ou ela apenas encarna os princípios do posso tudo e ninguém pode comigo?” (via Jornal GGN)

– Glenn Greenwald: “Greve nacional impulsionada pela conhecida dinâmica global de corrupção e impunidade da elite“. Um trecho:

Em outras palavras, as elites brasileiras – tendo saqueado o país até o ponto de deixá-lo à beira do colapso – decidiram que a única solução viável era forçar a já sofrida população brasileira de trabalhadores e desempregados pobres a sofrer mais ainda, retirando deles as medidas de proteção e segurança das quais gozavam. Eles arquitetaram o impeachment cataclísmico da presidenta para alcançar tal feito.

O substituto de Dilma – a mediocridade clássica e maleável que ele é – foi incumbido de uma tarefa abrangente: impor austeridade dura, mesmo que isso significasse tornar-se alvo de ódio público e generalizado. O político de carreira, de 75 anos de idade – literalmente proibido de concorrer ao cargo por 8 anos devido à sua violação das leis eleitorais – não tinha nenhuma intenção ou perspectiva de concorrer mais uma vez, então concordou alegremente em cumprir suas tarefas atribuídas, em troca de receber o manto de poder que ele nunca poderia ter ganhado por conta própria.

– Luis Nassif: “Xadrez do dia seguinte da greve geral“. Um trecho:

A tentativa de fabricar um novo Collor, com João Dória, esbarra no amplo amadorismo do candidato. Na ânsia de explorar a radicalização contra Lula, vai gerando um personagem complicado, dono de uma retórica pobre, repetitiva e agressiva. É corredor de 50 metros.

Em tempo: torço para que ele esteja correto quanto à extensão da capacidade de correr. Temo que esteja equivocado.

Uma música

1/5/2017

Ito Melodia – Vida Boa é na Comunidade

Direto da selva

30/4/2017

O sujeito pega um táxi do Centro para a Zona Norte. No trajeto, que dura menos de meia hora, o motorista profissional:

a) Está o tempo todo prestando atenção em dois celulares: num, interage pelo “zap”. Chega inclusive a sacar do porta-luvas um cardápio de pizzaria, colocá-lo sobre o volante, tirar uma foto e enviar para alguém.

b) Noutro celular, acompanha os gols da rodada no Jornal da Globo. Aumenta o volume até o máximo quando o apresentador anuncia que vão começar a exibir os tentos.

c) Não usa cinto de segurança.

d) Chega a mais de 90km/h na Avenida Presidente Vargas.

O caso é extremo, admito. Mas não é a primeira, nem a segunda, nem a décima vez que tenho experiência com tais problemas ao usar o transporte seguro, legal, autorizado e fiscalizado pelo poder municipal. Aquele ao qual supostamente as pessoas devem dar preferência na hora de pagar a um motorista para lhes levar a algum lugar. É assim há muitos anos, no Rio de Janeiro. Aparentemente ninguém se importava, até aparecerem empresas multinacionais fazendo dumping, mas oferecendo um serviço às vezes melhor e às vezes mais barato.

No fundo, me parece, a situação permanece a mesma: ninguém tá nem aí.

Bush filho e a PM do Rio

29/4/2017

O ex-presidente dos EUA, George W. Bush, instaurou um troço chamado “guerra preventiva”, que consistia em atacar inimigos “preventivamente”, antes da guerra acontecer. Ou seja, trata-se de uma gambiarra discursiva para atacar os outros – um ato de guerra – fingindo que não se está propriamente em guerra (o que, de certa forma, pode ser verdade, quando um dos lados está atacando e o outro, apenas contando mortos e feridos).

Pois bem, ontem a PM do Rio agiu dessa forma. Um ato que reunia todas as centrais sindicais e milhares de pessoas foi inviabilizado antes de ocorrer pela violência-padrão costumeira da polícia militar – quando se trata de reprimir passeatas com público de esquerda (sem camisas da seleção brasileira de futebol), o povo que mora nas favelas e/ou torcidas de futebol. Guerra preventiva ao direito de expressão e manifestação, oferecendo ao público que foi ao Centro (ou que por lá já estava) uma pequena parte da experiência que quem vive nas favelas enfrenta todo dia. Podem faltar vacinas ou medicamentos nos postos de saúde, mas bombas para a polícia jogar em trabalhadores, nunca soube faltarem. Taí: em vez de professor, talvez eu devesse ser um empresário que fornece bombas para a polícia do Rio de Janeiro. Quanto maior a crise, maior a demanda! Mais uma vez, o estado do Rio de Janeiro é a vanguarda do atraso no país (o Metrô, privatizado, se preocupa apenas com o próprio patrimônio, fechando estações para  colaborar ativamente com as táticas de tocaia da polícia e para colocar a população em risco). Talvez seja o caso das centrais sindicais marcarem o próximo ato para um domingo, no Leblon, para ver se rola um determinismo geográfico e a polícia dá uma maneirada.

Reproduzo abaixo nota da OAB-RJ, que, em poucos parágrafos, sintetiza o que penso, e lista uma parte dos crimes cometidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro na tarde/noite de ontem.

Vamos ver quantos anos mais vamos levar para acabar com essa polícia militar. E com os governos Pezão (PMDB) e Temer (PMDB). Diretas já!

Nota oficial

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado do Rio de Janeiro, vem a público repudiar veementemente a violenta ação da Polícia Militar contra milhares de manifestantes que participavam de ato no fim da tarde desta sexta, dia 28, na Cinelândia.

Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a Polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei. Mas o ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito.

O Brasil passou mais de duas décadas sob o jugo do autoritarismo. Não podemos admitir qualquer ensaio de retorno a aqueles tempos sombrios. É o alerta que a OAB/RJ, em seu papel institucional, faz nesse preocupante momento de nossa história. Democracia, sempre.

 

Diretoria da OAB/RJ
Rio de Janeiro, 28 de abril de 2017″
[Adendo às 6h49 de 29/4: o Mordomo de Filme de Terror também soltou uma nota. Tem dois parágrafos e média de mentiras-por-frase acima de 1,0. Sério, eu contei.]

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