Um texto + uma entrevista

21/4/2017

Li e recomendo veementemente: Eliane Brum, num texto espetacular, merecedor de todos os elogios, daqueles que dignificam a profissão de jornalista (tão avacalhada pelas empresas de comunicação e, em alguma medida, também por muitos profissionais): “Escola Sem Pinto“. Um dos trechos, digno de antologia, a respeito do projeto “Escola Sem Partido”:

“Nesta manipulação, vendida à sociedade como um projeto restaurador da ordem (mas qual ordem?), o problema não seria a escola caindo aos pedaços, os professores mal pagos, a falta de estrutura material e pedagógica, mas uma suposta “doutrinação ideológica” praticada por professores “esquerdistas”, “comunistas” e moralmente desvirtuados a serviço do mal. (Com a esquerda mal parando em pé, isso deveria ser piada, mas não é, já que uma das consequências da ignorância é sua vítima não entender piada, muito menos humor ou ironia.)”

Confesso que também pensei nas variáveis misoginia e covardia ao ler sobre a reação à obra, considerando que ela é de três autoras (mulheres). As respostas da professora que escreveu o capítulo denunciado – Mônica Waldhelm, do CEFET/RJ – são excelentes. A entrevista compõe um texto que dignifica o trabalho docente e mostra o quanto de pesquisa e reflexão é realizado antes que muitos livros didáticos sejam escritos e publicados. Dá orgulho fazer parte de uma rede de ensino federal em que há profissionais de tal calibre refletindo e produzindo conhecimento sobre nossa sociedade. Apesar de todos os problemas enfrentados, da política salarial etc.

Rapidinhas

10/4/2017

Quando se trata do tema violência no Rio de Janeiro, inclusive quando a polícia está envolvida nos crimes, contribuindo para o aumento da criminalidade (em vez de combatê-la), é sempre bom ouvir quem entende do riscado. O advogado João Tancredo e o professor Ignacio Cano deram excelentes entrevistas recentemente ao Programa Faixa Livre. Chico Alencar, também.

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Um triste, mas também belo texto sobre a morte de uma estudante chamada Maria Eduarda numa escola da rede municipal do Rio de Janeiro, do qual só tomei conhecimento hoje: “Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou“, de Alcidesio Júnior (via Programa Faixa Livre).

Aliás, é essa categoria profissional (professores) a principal que tem sido combatida pela Prefeitura, pelo governo do estado e pelas reformas (da Previdência, do Ensino Médio, trabalhista etc.) do governo do Mordomo de Filme de Terror.

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Ainda sobre a palestra de Jair Bolsonaro na Hebraica Rio, Arnaldo Bloch acertou a mão nesta “Carta à Hebraica“.

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Disse o jornalista Elio Gaspari que:

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral passará o feriadão do suplício no Nazareno em Portugal, coordenando um seminário de notáveis promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, entidade privada da qual é bem sucedido sócio fundador.

Entre os patrocinadores do evento de Mendes estão a Federação do Comércio do Rio de Janeiro, a Associação de Empresas de Saneamento Básico Estaduais e a Itaipu Binacional. Os repórteres Beatriz Bulla e Fábio Fabrini mostraram que, além de terem vínculos direto ou indiretos com a bolsa da Viúva, esses três beneméritos têm processos tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, os professores universitários da rede federal seguem trabalhando no inacreditável e anacrônico regime de dedicação exclusiva. Pior: ambos os sindicatos que representam a categoria – Andes e Proifes – defendem a manutenção do grilhão, além de apregoarem aos quatro ventos suas supostas qualidades.

Não que a atuação do ministro e de seus colegas de Supremo (vários deles contratados a peso de ouro para dar aulas) no IBDP  sirva como referência, como o próprio texto de Gaspari indica… Mas, entre o libera-geral da maioria das carreiras do funcionalismo e o grilhão da D.E., há muitas possibilidades intermediárias, que permitam ao trabalhador gerir seu tempo livre (ou seja, de não-trabalho) e a manutenção de preceitos éticos e legais.

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Outro conjunto de absurdos – esses, em torno da Operação Lava Jato e das ordens do Califa da Cidade Modelo – é apresentado de forma muito clara e didática por Luis Nassif.

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Felizmente, persistem pessoas e setores que fazem o bom combate, pensam o país e apresentam soluções e projetos. Exemplos:

a) Esta entrevista de Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida

b) Esta entrevista dando conta das batalhas da associação de funcionários do IBGE contra a tentativa de destruição deste fundamental órgão de Estado.

c) Este debate.

 

Rapidinhas

8/4/2017

O governo de vende-pátrias e lesa-pátrias, coerentemente, nomeou para diversos órgãos pessoas sem qualquer vocação para administrá-los. Em alguns casos, sequer têm capacidade de compreender a razão da existência daquilo que dirigem. Como o projeto do governo do Mordomo de Filme de Terror é destruir o país, parte de seus esforços consistem em precarizar órgãos fundamentais de Estado como o BNDES, o IPEA e o IBGE. Sobre este último, recomendo ouvir esta nota.

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Eis mais um bárbaro exemplo do quanto a formação nas forças armadas e nas polícias pouco avançou desde a democratização e a Constituição de 1988. A vítima perdeu um testículo e periga perder o outro, além de ter levado mordidas nas nádegas dadas por um cabo conhecido por “Cachorro Louco”. Tais casos são muito comuns, embora raramente sejam denunciados. Mesmo quando o são, raramente vêm a público nas corporações de mídia – o que não deixa de ser uma atitude coerente, do ponto de vista político-editorial, afinal, a ampla maioria delas apoiou os golpes de 1964 e 2016 e apoia sistematicamente a violência policial, sobretudo quando esta atinge a população negra, jovem e da periferia.

O batalhão em questão, como é praxe nessas ocasiões, “afirmou que ‘rechaça veementemente a prática de maus-tratos ou de qualquer ato que viole direitos fundamentais dos militares em treinamento e cursos de formação’“. Tais práticas acontecem há décadas, são de conhecimento de centenas de pessoas, mas a instituição toma providências após os casos virem a público e caírem na imprensa. Ou seja, enquanto vigora a situação normal (os casos acontecerem à pampa, mas não serem noticiados), tudo bem.

Postura idêntica, aliás, teve a TV Globo no caso recente envolvendo assédio de um ator a uma figurinista, dentro do local de trabalho. Ah, se todas as mulheres (e, em menor quantidade, outras minorias) que trabalharam ou estagiaram por lá – não só no Projac, mas também nas unidades de jornalismo e administrativa, no Jardim Botânico – contassem as suas histórias… Ficaria ainda mais evidente o imenso, gigantesco, extraordinário tamanho da mentira da emissora ao dizer que não tolera tais comportamentos. Imagino se tolerasse…

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Por fim, uma belíssima análise de Shajar Goldwaser sobre os diferentes significados de ser judeu, e também sobre o que representa o convite, a palestra, os aplausos (e os protestos do lado de fora) ao deputado federal e presidenciável (sic) Jair Bolsonaro (PSC/RJ), esta semana, na Hebraica do Rio de Janeiro. Em tempo: o deputado é um oficial da reserva do Exército Brasileiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rapidinhas

5/4/2017

Luis Nassif, em grande forma, numa análise com toques rodriguianos na parte em que discute o uso da impopularidade pelo Mordomo de Filme de Terror. Contudo, o trecho a seguir me pareceu complicado:

Aliás, é inacreditável que a mediocridade de Temer não tenha sido percebida nem por Lula, Dilma e o PT – que o fizeram vice-presidente -, nem pelas forças que perpetraram o golpe parlamentar.

Tendo a pensar na direção inversa: é justamente tal perfil que pode ter pesado na escolha do vice (e, também, na realização do golpe…).

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Segue a todo vapor a “guerra” contra o crime no Rio de Janeiro… Só que não.

Rapidinhas

2/4/2017

No texto que publiquei ontem, faltou dizer que o tiroteio matou uma menina que fazia aula de educação física numa escola da rede municipal. Independentemente de onde e de quem tenham partido os tiros (e é óbvio que é preciso investigar, embora seja pouco provável que se chegue a uma condenação do(s) responsável(is) cumprindo os ritos legais, dadas as características sistêmicas, desde quando se chama a perícia até o martelo do juiz), o que se tem é a mesma lógica de operações policiais que supostamente vão combater o crime, mas que resultam num novo conjunto de crimes cometidos. Evidentemente, tais ações não acontecem nas avenidas Atlântica, Delfim Moreira, Visconde de Albuquerque, Sernambetiva ou Vieira Souto.

[O parágrafo acima foi acrescentado em 2/4, às 7h.]

Ainda sobre o tema, a Justiça Global faz um admirável trabalho de pesquisa, documentação, descrição, análise e denúncia dos crimes cometidos pelo Estado. Não tem sido diferente em 2017, como mostram essa nota pública e denúncia à Organização das Nações Unidas.

No estado do Rio de Janeiro, é preciso afirmar e argumentar que “casa é casa, não é base militar“, pois diariamente as forças policiais do Estado desrespeitam direitos básicos da população nas favelas.

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A que ponto chegamos: “Governo Federal dá calote em vencedores de concurso de redação“. Considerando o pronunciamento do Mordomo de Filme de Terros no último dia 8 de março, vai ver a decisão tem a ver com o tema do certame: Construindo a Igualdade de Gênero.

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O professor Marcos Pedlowski, da UENF, publicou em seu blogue excelente artigo analisando a pindaíba atual das universidades. Ao contrário do que muita gente acredita, pode não se tratar de algo conjuntural, mas também de uma estratégia para uma mudança estrutural: precarizar para privatizar. Um trecho:

O resultado é que estamos assistindo de camarote o desmanche do sistema universitário público brasileiro quase sem nenhuma resistência dentro das universidades.  Vejamos, por exemplo, o caso das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj, Uezo) que foram colocadas num completo estado de penúria por um (des) governo cuja legitimidade está jogada na sarjeta.  Entretanto, mesmo com salários atrasados e sem perspectiva de pagamento por causa da roubalheira que correu solta a partir de 2007 sob o comando do hoje presidiário Sérgio Cabral, não se vê uma reação sólida por parte de quem deveria dar o exemplo de que não se trabalha de graça.  Ao contrário, o que cada vez mais aparece é um ambiente que mistura desespero com resignação.

E, pior, como observador privilegiado do que acontece na Uenf, vejo ainda colegas que mesmo beirando a insolvência financeira insistem na pregação de que não se pode fazer greve porque isto causaria mais evasão estudantil.  Explico essa conjuntura que mistura letargia e marasmo a uma espécie de Síndrome de Estocolmo, onde os que estão sendo também vítimas da política de destruição do (des) governo do Rio de Janeiro se colocam como potenciais cúmplices caso decidam lutar pelos seus direitos.

A questão é explicar como se produziu essa variante da Síndrome de Estocolmo. Em minha opinião ela decorre de um forte analfabetismo político que caracteriza principalmente os docentes que, até recentemente, se colocavam acima dos dramas mundanos que assolam a maioria dos brasileiros pelo singelo fato de possuírem um título de doutor.  Agora que se veem assolados por uma crise que não ajudaram a criar, a maioria não sabe como reagir simplesmente principalmente por causa de seu analfabetismo político.”

Os cortes pesados no orçamento de 2017 relativo a Ciência, Tecnologia e Inovação (e, em percentuais menores, mas também graves e preocupantes, na Educação), agravarão a situação. As estaduais do RJ são a ponta de lança, mas se o processo não for barrado, logo logo chega a vez das federais.

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Vladimir Safatle falou e disse sobre a aprovação do vale-tudo no mercado de trabalho pelo Congresso Nacional:

Na verdade, a função desta lei é acabar com a sociedade do emprego. Um fim do emprego feito não por meio do fortalecimento de laços associativos de trabalhadores detentores de sua própria produção, objetivo maior dos que procuram uma sociedade emancipada. Um fim do emprego por meio da precarização absoluta dos trabalhos em um ambiente no qual não há mais garantias estatais de defesa mínima das condições de vida. O Brasil será um país no qual ninguém conseguirá se aposentar integralmente, ninguém será contratado, ninguém irá tirar férias. O engraçado é lembrar que a isto alguns chamam “modernização”.

(…)

De fato, há sempre aqueles dispostos à velha identificação com o agressor. Sempre há uma claque a aplaudir as decisões mais absurdas, ainda mais quando falamos de uma parcela da classe média que agora flerta abertamente com o fascismo. Eles dirão que a flexibilização irrestrita aumentará a competitividade, que as pessoas precisarão ser realmente boas no que fazem, que os inovadores e competentes terão seu lugar ao sol. Em suma, que tudo ficará lindo se deixarmos livre a divina mão invisível do mercado.

O detalhe é que, no mundo dessas sumidades, não existe monopólio, não existe cartel, não existem empresas que constroem monopólios para depois te fazer consumir carne adulterada e cerveja de milho, não existe concentração de renda, rentismo, pessoas que nunca precisarão de fato trabalhar por saberem que receberão herança e patrimônio, aumento da desigualdade. Ou seja, o mundo destas pessoas é uma peça de ficção sem nenhuma relação com a realidade.

Mas nada seria possível se setores da imprensa não tivesse, de vez, abandonado toda ideia elementar de jornalismo.

Por exemplo, na semana passada o Brasil foi sacudido por enormes manifestações contra a reforma da previdência. Em qualquer país do mundo, não haveria veículo de mídia, por mais conservador que fosse, a não dar destaque a centenas de milhares de pessoas nas ruas contra o governo. A não ser no Brasil, onde não foram poucos os jornais e televisões que simplesmente agiram como se nada, absolutamente nada, houvesse acontecido. No que eles repetem uma prática de que se serviram nos idos de 1984, quando escondiam as mobilizações populares por Diretas Já!. O que é uma forma muito clara de demonstrar claramente de que lado sempre estiveram. Certamente, não estão do lado do jornalismo.”

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Ainda sobre a terceirização ampla, geral e (praticamente) irrestrita, vale a pena ouvir esta entrevista de Carlos Dias, auditor fiscal do trabalho, ao Programa Faixa Livre.

 

Rota 66, 25 anos depois

1/4/2017
Escrevi o texto abaixo ontem (sexta-feira, 31 de março de 2017) para enviar a alguns amigos. Achei melhor publicá-lo por aqui.
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Caros(as),

Infelizmente, mais do mesmo.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/pms-flagrados-executando-dois-homens-sao-envolvidos-em-37-autos-de-resistencia-21141468.html

Todos mortos em favelas da Zona Norte, todos levados para o hospital (inviabilizando a perícia e fazendo pagar de humanitário quem “socorreu”), todos os mortos estavam com armas que foram apresentadas pelos executores na delegacia, usadas para “trocar tiros com a polícia”. Só não se informa se todos eram jovens e tinham a cor da pele parda ou negra – mas isso é fácil imaginar, não é mesmo? É realmente impressionante como funcionários públicos mal-remunerados, com ou sem salário atrasado, seguem à risca o roteiro-padrão conhecido por todos. Seguiriam até se aposentar, provavelmente. Afinal, matar não é problema, o problema é alguém filmar e cair na internet. Esses talvez sejam afastados e julgados (julgamento justo ou não é difícil saber se haverá, considerando as variáveis “justiça militar” e “condenação/linchamento midiático”, cada uma jogando numa direção), tratados como bode expiatório. Talvez, não.

Todos os outros que fazem isso desde não sei que década, e os que entraram há pouco na corporação e estão começando a aprender o roteiro, continuarão fazendo tranquilamente. Quem se importa?

A matéria trata apenas dos casos que foram registrados em DP e, portanto, entraram nas estatísticas estatais – que servem para pouco mais do que fins estatísticos, ou seja, são praticamente um fim em si mesmas. Raramente servem para investigação e solução pontual (caso a caso), quanto mais para subsidiar a tomada de decisões macro de políticas públicas de segurança. Estas são realizadas com base noutros critérios. Ontem à tarde, por exemplo, um PM reformado foi assassinado numa troca de tiros nas Lojas Americanas da 28 de Setembro, a uma quadra e meia aqui de casa. É impressionante como policiais atraem a proximidade de balas, tiros e criminosos quando estão de folga ou depois que se aposentam. Aparentemente, isto não tem nada a ver com o tipo de trabalho, com as políticas do governo do estado ou com as condições salariais e laborais destes funcionários públicos. Fica parecendo algo cósmico, magnético ou inexplicável: tem sempre um PM de folga nos locais de roubos, e ele sempre decide trocar tiros com os ladrões em vez de continuar seu caminho. O dever sempre chama.

Hoje a 28 de Setembro está cheia de policiais, do início ao fim. A UERJ e a área do Maracanã continuam abandonadas; o desemprego grassa graças à política econômica suicida que temos desde o fim de 2014; é fim de mês e mesmo quem tem trabalho tá duro; a demanda por drogas nas bocas da vizinhança deve estar igual ou maior do que nunca. Provavelmente os PMs de farda aqui na esquina de casa estão com os salários atrasados e vão trabalhar (mesmo que a lei proíba) também nas 72 horas de folga: na segurança, no bico, no táxi, ou _________ (complete como quiser). Quem se importa?

Abraços,

Rafael

P.S.: Quem assina a matéria do Extra é um homônimo, mas não o conheço.

P.S.2: Para quem não conhece, o livro do jornalista Caco Barcellos é uma obra-prima. Infelizmente, o modus operandi que narra continua em vigor nas quebradas do Rio, de Sampa e doutros lugares do nosso país.

Rapidinhas

29/3/2017

Eis que Falcão se despediu da seleção brasileira de futsal. Termina uma era. Falcão é daqueles atletas que admiro imensamente, embora não tenha o hábito de assistir ao esporte que praticam – gostava muito mais de jogar do que de ver salão. A representação nacional no esporte é uma construção. Mas quando a gente vê um sujeito como ele jogar, que dá um orgulho danado de ser brasileiro, isso, dá. Os perrengues que ele enfrentou, tanto no futsal quanto no campo, são inacreditáveis. Papo de filme de Hollywood, ou de crônica de Nelson Rodrigues.

O sujeito trocar uma modalidade em que é o melhor do mundo para se aventurar em outra, largar o certo pela busca do sonho, é algo digno de todos os aplausos – e raro, coisa de gênios como Michael Jordan e Robert Scheidt. Certa vez, estive no Morumbi num São Paulo x Atlético de Sorocaba (acho que era isso), e lembro que a torcida tricolor passou boa parte do jogo gritando o nome dele, que estava no banco. O coro se intensificou no segundo tempo. Eu e os amigos que estavam junto ficamos com a sensação de que o técnico (Leão) não o colocou para jogar só para contrariar a torcida.

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Por falar nisso, em algum momento desse ano preciso escrever sobre Kelly Slater competindo em mais um Circuito Mundial de Surfe.

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Voltando à vaca fria, duas boas leituras:

Luis Nassif: “Xadrez da democracia e do neo-brasilianista Barroso

Fernando Molica: “A decisão de Moro, o embaraço à Justiça e a liberdade de expressão

Uma música

28/3/2017

Silversun Pickups – The Royal We

Boa letra sobre drogas.

 

Rapidinhas

22/3/2017

Luis Nassif falou e disse: “A Carne Fraca e o reino dos imbecis“, “Xadrez para entender a operação Carne Fraca” e “Xadrez da Carne Fraca no Estado de Exceção

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Há quase um ano, lembrei do bom e velho Brecht ao escrever um texto sobre o golpe. Agora, a Justiça Federal anda perseguindo gente que apresenta informações e tem críticas à forma como servidores públicos e máquina do Estado vem operando. A perseguição, evidentemente, só reforça os argumentos dos perseguidos e prova que eles têm razão. Novamente Luis Nassif coloca de forma clara o cerne da questão: “Moro se comportou como um imperador, acima das leis, porque, no episódio do vazamento dos grampos, foi tratado acima das leis.

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Lembra o caô contado pelo governo do Mordomo de Filme de Terror de que o Orçamento de 2017 seria menor, mas pelo menos seria cumprido na íntegra? Pois é, era mentira mesmo.

Tal política de cortes, é bom lembrar, aprofunda aquela já praticada pelo governo da Coração Valente.

 

Rapidinhas

10/3/2017

Reproduzo abaixo excelente texto de Marina Amaral, divulgado no boletim da Agência Pública:

Escuta aqui, presidente

“Você, aqui no banco, já chegou o mais longe possível para uma mulher”. Foi essa frase que a economista Leda Paulani ouviu de seu chefe quando foi preterida – por um homem – para um cargo de coordenação em um banco nos anos 1980.

Titular do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da USP, Leda é hoje uma das mais respeitadas economistas do país. O que não significa, porém, que a mentalidade de seu antigo chefe está superada. No mesmo dia 8 de março em que publicávamos sua entrevista, o presidente Temer dizia: “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos”. E destacava a grande participação da mulher na economia do país porque é “capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados” e “identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Apesar das declarações inequívocas, Temer prega a igualdade das mulheres exatamente aonde ela não pode existir: na idade mínima para a aposentadoria. Se para um país tão desigual, falar de aposentadoria aos 65 anos soa piada de mau gosto, para as mulheres – que tem dupla, tripla, quádrupla jornada de trabalho – é uma afronta, como deixaram claro as manifestações do 8 de março. E nem adianta dizer que homens e mulheres se aposentarem na mesma idade “é uma tendência mundial”, como fez o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A realidade entre os países, como constatou o Truco, invalida a comparação do ministro.

Trocando palavras por dados: no Brasil os homens gastam apenas 9 horas semanais aos afazeres do lar, enquanto as mulheres dedicam entre 20 e 25 horas semanais ao mesmo tipo de trabalho segundo uma pesquisa da Unicamp de 2015, baseada em dados do IBGE. O número de mulheres desempregadas é maior do que o de homens e o valor dos salários menor: quando a comparação leva em conta os anos de estudo, elas chegam a ganhar 25,6% a menos do que seus colegas homens. Além disso, apenas 37% dos cargos de chefia nas empresas do país é de mulheres.

A Pública se orgulha de ser uma organização dirigida por mulheres. E de estar fazendo escola como mostra reportagem da Abraji sobre os empreendimentos de mulheres no jornalismo.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública


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