Rapidinhas

24/5/2016

Janio de Freitas, sintetizando o ministério e o governo interinos de Temer na ditabranda Folha de S. Paulo. Por sua vez, Luis Nassif deu uma boa pancada no discurso de “eficiência” do governo interino de Temer e analisou com pessimismo/realismo o faroeste em que nos metemos.

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Por falar nos aliados do governo interino, um bom vídeo (via Luis Nassif Online):

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Em excelente discurso, o vereador Renato Cinco (PSOL) critica as práticas e decisões do prefeito da Cidade Olímpica, bem como a farra com dinheiro público que tem jorrado para as empreiteiras de sempre (e algumas novas). A justificativa da vez para o derrame: fazer a Olimpíada. A dinheirama cuidou até de reformar uma escola batizada com o nome do ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch.

Uma música

23/5/2016

Pearl Jam e Ben Harper – Indifference

Já tinha posto esta por aqui um tempo atrás, na versão original. Escolhendo numa mão minhas preferidas do Pearl Jam, ela entra fácil. Fecha brilhantemente o Vs., disco que o Pearl Jam lançou quando eu tinha 15 anos, e que, até hoje, aos 38, continuo considerando o melhor. Com a participação do sujeito, merece repeteco.

 

Ministério a temer

17/5/2016

Numa canetada, acabou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A medida é péssima para a ciência, óbvio, e tem sido muito criticada. E o novo ministro é Gilberto Kassab, criador do novo PMDB, que cumpre o papel que era previsível cumpriria: mais um partido de direita disposto a sempre ser governo, qualquer que seja o governo. Em menos de 10 anos, o PSD chega ao segundo governo distinto no plano federal, com seu líder sendo ministro. Cem por cento de aproveitamento.

Aliás, é bom lembrar duas coisas:

a) Kassab é um dos novos-velhos ministros, ou seja, dos que haviam sido ministros do governo Dilma Rousseff.

b) Ele só saiu do ministério da Coração Valente aos 46 do segundo tempo (dois dias antes da votação do impeachment no plenário da Câmara dos Deputados), e porque pediu demissão.

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No MEC (com a Cultura voltando a justificar a última letra), o novo chefe é uma figura do Partido da Frente Liberal. Se for competente e tiver interesse em buscar recursos para as duas áreas – duvido, mas… -, periga ser melhor do que Aloizio Mercadante, uma das figuras de proa do governo Dilma.

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O restante do ministério é uma combinação aterradora, seja pela quantidade de investigados em lavajatos e afins, seja naipe das figuras de direita, seja pelo lugar onde algumas delas foram colocadas (como José Serra no Itamaraty, para promover um saldão de balanço da pátria).

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Espetacular. Espetacular debate sexta-feira no Programa Faixa Livre. Gostei particularmente da intervenção de Ivo Lesbaupin a partir mais ou menos de 20 minutos.

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Wanderley Guilherme dos Santos é, para mim, um dos melhores cientistas sociais do Brasil. Ele sabe das coisas e prevê chuvas e trovoadas pela frente.

Ainda sobre a Pátria Educadora (3)

10/5/2016

Pingou na caixa postal esta excelente entrevista de Suzana Herculano-Houzel, professora e pesquisadora da UFRJ, que está pedindo o boné do país e vai para os EUA. Triste… Quatro comentários:

1) A meu ver, o regime de dedicação exclusiva, reivindicado pelos dois sindicatos que representam os professores das instituições federais de ensino superior (IFES), é um dos maiores problemas da carreira que temos. Num mercado de trabalho em que até os jogadores de futebol conseguiram se livrar do passe, os professores da rede federal devem ser a única categoria que reivindica grilhão para si. Enquanto isso, um ministro do STF é dono de uma empresa de ensino (e contrata colegas de tribunal para darem aulas), assim como procuradores do Ministério Público Federal podem dar aulas em regime de 20 horas em universidades. O regime de dedicação exclusiva significa a proibição de os professores federais, que têm um dos piores salários do Executivo, trabalharem no tempo livre/extra – algo que inexiste para a ampla maioria das carreiras do serviço público federal. Por preços módicos, no regime de dedicação exclusiva cada universidade torna-se dona de todo o tempo semanal do professor: as 40-44 limitadas pela CLT e as demais.

2) A meu ver, deveria haver a possibilidade de separação entre as carreiras (ou atividades) de professor e pesquisador. Isto permitiria uma política adequada de recursos humanos (muito diferente da que está em vigor), que aproveitasse as capacidades, potenciais e desejos de cada trabalhador. Contudo, estamos caminhando justamente na direção contrária: agora, alguns iluminados – na Unirio, por exemplo – decidiram que cabe a cada professor executar, a cada ano, ensino, pesquisa, extensão e gestão.

Ora, fazer ensino, pesquisa e extensão é dever da universidade, e não de cada docente. Comparando com um hospital (tenho dúvidas se é a melhor comparação, mas é a que me ocorre): alguém consideraria razoável que o mesmo médico atenda na emergência, opere no centro cirúrgico, realize exames e negocie contratos e preços com fornecedores? Pois é isso que se quer que todo professor universitário faça.

3) Por uma série de motivos, trabalhar no exterior é menos complicado para pesquisadores de Ciências da Natureza, Exatas, da Saúde etc. Para os professores de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas (refiro-me a áreas como Direito, História, Letras, Psicologia, Sociologia etc.) há muito mais dificuldades e menores possibilidades.

4) A infraestrutura das universidades federais, na média anda ruim. Mas é pavorosa no caso daquelas localizadas no Rio de Janeiro, principalmente Unirio e UFRJ.

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Enquanto isso, mesmo um jornalista que tem feito excelentes análises continua apostando no que chamo de “acorda, Dilma”, como se o problema do Brasil fosse uma Bela Adormecida no Palácio do Planalto. A espera e a esperança de que Dilma quebrará o feitiço que lhe jogaram, se juntará com as forças de esquerda que a reelegeram e defendem seu governo e dará uma “guinada à esquerda” segue firme e forte entre certos setores. Noutro texto, um exercício de wishful thinking de Nassif lista de ações de um “gabinete fantasma” da Coração Valente deposta, como esta: “O Ministério de Ciência e Tecnologia aprofundaria as políticas já em vigor, como a Embrapii e demais ideias em gestação e denunciaria o desmonte que viesse a ser perpetrado.

Ora, primeiro, tenho dúvida se “gabinete fantasma” ficaria melhor para definir a escalação de ministros que a Coração Valente colocou em campo após a vitória nas eleições de 2014 ou um gabinete que ela possa apontar após ser afastada. Segundo, no que diz respeito ao MCTI, cabe perguntar: a qual desmonte e a quais políticas em vigor se refere? À redução de verbas dos anos de Governo Dilma (trata-se de uma política em vigor)? (ver nota abaixo) Ou ao rodo que passará um possível Governo Temer?

O exercício de futurologia inclui belos projetos para as universidades federais, um universo bem distante do Governo Dilma real, sob a batuta do ministro Aloizio Mercadante (PT).

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Por falar no ministro, o colunista Elio Gaspari escreveu uma boa coluna espinafrando a proposta do prócer do governo Dilma para ampliar o teto de renda familiar para acesso ao Programas de Financiamento Estudantil (FIES). Segundo Gaspari, que apresenta argumentos para sustentar as adjetivações, “é uma proposta desonesta, baseada em argumentos falsos, destinada a beneficiar empresários afortunados“. Três comentários:

1) O texto foi escrito como se não houvesse universidades federais no Brasil. E como se os caminhões de dinheiro que os governos Lula e Dilma decidiram destinar às instituições privadas não fizessem falta nas estatais. Como comentei antes, segundo um dos líderes do insuspeito Proifes (o sindicato governista dos professores de instituições federais), a conta era de que, em 2015, o volume de dinheiro chegasse a “60% do montante destinado a todas as universidades e institutos federais“.

2) O adjetivo “afortunados” para classificar os empresários do ensino superior é irônico, mas também bondoso com os anunciantes dos jornais para os quais Gaspari escreve. Tempos atrás, durante uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as instituições de ensino superior privado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a deputada Jandira Feghali (PCdoB) afirmou, mais de uma vez, que a quantidade e variedade de crimes cometidos por diversas empresas constituíam “um amplo passeio pelo Código Penal”. Legislações trabalhista e tributária, entre outras, também são descumpridas de forma sistemática. Dica: entre no arquivo do relatório (em pdf) da CPI e jogue na busca (control + F) a palavra “crime”. A palavra pilantragem não aparece uma vez sequer, mas resume o espírito da atuação de muitas empresas.

3) A medida, como trocentas outras, evidencia uma das prioridades da Pátria Educadora: usar dinheiro público da educação para aumentar o faturamento de empresários milionários e de acionistas da Bolsa de Valores. O crescimento do setor privado em Saúde e Educação e o faroeste cada vez mais amplo em que as empresas fazem a farra é, a meu ver, um dos piores aspectos dos governos do PT no Planalto. A deterioração contou com importante contribuição da medíocre atuação da maioria das entidades sindicais (e estudantis), cujo apoio incondicional ao governo levou-as a não combater como deveriam o avanço de políticas neoliberais e lesivas ao interesse público (e aos cofres do Estado). Pelo andar da carruagem até o momento, o avanço das privatizações em ambos os setores será um dos legados nefastos dos governos Lula e Dilma.

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Enquanto abunda dinheiro para pagar mensalidades em universidades privadas de má qualidade (em sua maioria), as universidades públicas seguem à míngua – a falta de dinheiro, de investimento e de recursos humanos faz com que também tenham cursos de péssima qualidade. (Esse é, de longe,  o principal problema, mas existem outros: incompetência de parte dos administradores e trabalhadores, ou as poucas horas de trabalho semanal de parte dos quadros, salários e condições de trabalho pouco atrativas para servidores competentes e interessados em trabalhar etc.)

A ser verdade esta notícia, em 2015 o CNPq disponibilizou o menor montante de verbas para pesquisa desde 2001 (via Jornal da Ciência). Sim, em ao menos dois anos do Governo Fernando Henrique Cardoso o CNPq investiu mais que o do Governo Dilma Rousseff.

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Seria muito ruim um fundamentalista de qualquer religião em qualquer ministério. Nos ministérios mais diretamente ligados à ciência – MCTI e MEC -, pior ainda (isto se existir um MCTI, claro). Agora, se for um bispo competente, periga ser melhor do que Aloizio Mercadante. Pronto, falei.

Rapidinhas

9/5/2016

O processo de impeachment e o desmoronamento do segundo mandato da Coração Valente evidenciam uma série de graves problemas de várias instituições estatais brasileiras, usadas para fins privados. Mostram também – o que tampouco é novidade – o desapego da direita brasileira em relação à democracia, e o desespero de se livrar do Partido dos Trabalhadores e de tudo que esteja associado à esquerda (mesmo que equivocadamente – como, a meu ver, é associarem à esquerda as administrações do PT no governo federal). Alguma novidade, talvez, esteja no grau do ódio de classe de partidos, pessoas e instituições.

Este período tem evidenciado muitos dos erros continuados dos governos Lula e Dilma. Alguns destes erros são fruto de políticas e decisões reafirmadas a cada ano – já passam de 13. Na área de comunicação, por exemplo, há dezenas de problemas – e quase nenhum avanço ou boa notícia – a citar. Um deles, não ter investido em disponibilizar a programação da Telesur no Brasil. Trata-se de um bom canal financiado por um conjunto de países, para o qual o Brasil – corretamente – contribui. Contudo, os governos Lula e Dilma não deram à população brasileira, que paga a contribuição, a possibilidade de assistir ao canal. Talvez seja porque tal programação em muitos aspectos difere e/ou contraria aquela veiculada pelas corporações de mídia brasileiras, que têm papel decisivo na derrubada do governo e na agressão à democracia. Agora, a Telesur é justamente a emissora interessada em ouvir argumentos da Coração Valente. Pena que, por decisão política de seu governo, a população brasileira não verá a entrevista.

Outro conjunto de erros está nas nomeações que ambos os governos fizeram para o Judiciário. Quem diz é Wadih Damous, ex-presidente da OAB/RJ e até poucos dias atrás, deputado federal pelo PT. A maioria dos juízes do atual STF foi nomeada por Lula e Dilma. Trata-se, segundo Damous, de erro e de ingenuidade – uma combinação que deu no julgamento do “Mensalão” e na omissão com um conjunto de barbaridades que levaram à votação do impeachment e à situação atual.

Enquanto o STF participa da trama do golpe, juristas historicamente ligados à esquerda e à democracia atuaram em defesa do governo e de Lula face às numerosas arbitrariedades dos últimos meses. Alguns deles poderiam estar sentados nas cadeiras do Supremo.

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Dois textos recentes bacanas no Blog História(s) do Sport:

A moda da corrida de rua – Cleber Dias

Futebol e “sacanagem”: ocasionalidades nas trajetórias – Victor Andrade de Melo

Uma música

6/5/2016

Wim Mertens – Struggle for Pleasure

(Bênção, Marcelo Masagão!)

Rapidinhas

1/5/2016

Pra ler:

Fernando Molica – “Os admiradores do deputado da tortura

Elio Gaspari – “Eduardo Paes e sua realidade própria

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Pra ouvir:

– Dercio Garcia Munhoz – Entrevista ao Programa Faixa Livre

Trecho: “O Banco Central tem poderes absolutos e praticamente destruiu as finanças do governo. Por que você tem uma SELIC grande, falando em política monetária, numa economia parada? Tem que desmistificar isso e dizer: a SELIC nunca foi para controlar a liquidez da economia. A SELIC sempre foi um instrumento que [Henrique] Meirelles e companhia criaram, ou melhor, que o FHC criou e o Meirelles nadou de braçada nela, para você atrair capitais que não são seus e manter um nível de reservas que não são seus também. E, com isso, manter uma taxa de câmbio altamente valorizada, praticamente destruindo a indústria e os empregos, sem nenhum controle institucional.”

Em tempo: o PT, quando na oposição ao governo FHC, era contra a autonomia do Banco Central.

– Excelente – como sempre – entrevista de Rodrigo Ávila ao mesmo programa, seguida por um preciso comentário do apresentador Paulo Passarinho. Ambos nos ajudam a compreender a disputa em torno da dívida entre União e estados, e a quem esta dívida interessa. No meio do caminho, ficamos sabendo que a cobertura das corporações de mídia sobre o assunto está cheia de meias-verdades; de mentiras; e de acobertamentos de interesses e pilantragens da classe dominante.

Rapidinhas

25/4/2016

O Estadão publicou uma boa entrevista sobre esporte com Victor Melo, pesquisador do tema e professor da UFRJ. Infelizmente, trata-se de coisa rara, pois as corporações de mídia não se interessam por tais discussões em torno do esporte.

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Bom artigo de Luis Nassif sobre a posição do senador Cristovam Buarque (PPS/DF) de apoio à admissibilidade do processo de impeachment.

Lembro que perdi a admiração que tinha pelo senador durante sua campanha para a presidência da República, em 2006. A campanha só falava de educação, como se fosse possível governar sem ter posições quanto à taxa Selic, relações exteriores, superávit primário, reforma agrária, combate à pobreza, desemprego e outros temas. Sua recente mudança do PDT para o PPS consolida a notável guinada à direita. Contudo, continua lá, na biografia em seu site, que sua defesa da educação “é uma ideia que segue a linha de pensamento de importantes intelectuais brasileiros, como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Leonel Brizola“. Resta saber se algum colega do novo partido segue e defende o pensamento destas saudosas figuras. Acredito que não.

Rapidinhas

23/4/2016

A Pátria Educadora tá que tá. A concessionária de energia da cidade do Rio de Janeiro cortou a luz de três unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Evidenciando a qualidade, durabilidade e confiabilidade das obras da Cidade Olímpica, uma ciclovia inaugurada em janeiro desabou em abril. Ela apodreceu mais rápido que o teto do Engenhão, que durou seis anos.

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Excelente análise de Gilberto Maringoni na Carta Capital (via Luis Nassif):

“Embora o processo siga para o Senado, a sorte está lançada: o governo Dilma acabou. Melhor: chegam a termo 14 anos de lulismo. Temos em Palácio uma presidente que já não dirige o País.

O governo será – em poucas semanas – tomado de assalto pelo que há de mais apodrecido e corrupto na política brasileira. Setores sem voto e sem qualquer condição de alcançar o poder pela escolha popular se aboletarão no Planalto, na esplanada e nas estatais e darão prosseguimento a uma versão hard da cartilha que Dilma Rousseff já vinha adotando desde que jogou no lixo suas promessas e entrou de cabeça no programa do adversário de 2014.

É preciso denunciar o golpe para avançar. Tão real quanto essa assertiva, é forçoso dizer: sem apontar opções e erros cometidos, não se avançará. Não se trata de ir atrás de culpados, mas de saber que a responsabilidade pelos 7 a 1 não é dos alemães, mas de nosso próprio time.

O PT construiu, ao longo dos últimos 14 anos, um mito. O de que é possível mudar o Brasil sem conflitos ou rupturas.

Durante um tempo de crescimento econômico – por fatores externos – essa senda pareceu exequível. Em tempos de retração, não mais.”

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Duas outras boas análises:

1) “Afinal, o que quer a burguesia?“, de Paulo Passarinho.

2) “Jogo jogado?“, de Marcelo Badaró Mattos.

Um discurso

21/4/2016

Do vereador Renato Cinco (PSOL), esta semana, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, a respeito da fala do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ, ex-PP) no domingo:


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