Rapidinhas

15/1/2017

Coisa de 5-8 anos atrás, convenientemente já fora da Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) andou se posicionando a respeito da legalização da maconha. Inclusive apareceu dando declarações em pelo menos um bom documentário que vi sobre o assunto.

Considerando que seu governo abraçou as políticas do governo dos EUA de “guerra às drogas” e que foi, também, antinacional em vários outros aspectos e setores (por exemplo, na iniciativa de instalar uma base militar dos EUA no Brasil em Alcântara, Maranhão; privataria; venda de ações da Petrobrás na bolsa de Nova York), sempre desconfiei da sinceridade da conversão à legalização. Pareceu-me mais que queria posar de moderno para parcelas mais jovens e/ou esclarecidas da sociedade.

Pois bem, boa parte da calamidade que nossa sociedade produziu nos presídios tem a ver com o comércio ilícito de drogas: o hiper-encarceramento; as penas; a seletividade da justiça; a formação, crescimento e atuação das facções. O careca do ABC que responde pela pasta da Justiça se supera a cada semana. Já foi até flagrado como mentiroso pelo house organ da Casa Branca, O Globo, no episódio da pedida de ajuda da governadora de Roraima ao Governo Federal. Continua no cargo – situação coerente com o que é o governo do Mordomo de Filme de Terror (ver Janio de Freitas, abaixo).

E onde está Fernando Henrique Cardoso, nesse momento? Vem a público defender a legalização das drogas – ou, ao menos, da maconha? Não… sumiu.

*  *  *

Janio de Freitas, em excelente artigo na ditabranda Folha de S. Paulo (via Luis Nassif):

“A combinação de pessoas e ineficácias a que chamamos de governo Temer tem uma particularidade. Nos tortuosos 117 anos de República e ditaduras no Brasil, jamais houve um governo forçado a tantas quedas de integrantes seus em tão pouco tempo, por motivos éticos e morais, quanto nos oito meses de Presidência entregue a Michel Temer e seu grupo.

Entre Romero Jucá, que em 12 dias estava inviabilizado como ministro, e o brutamontes Bruno Julio, que, instalado na Presidência, propôs mais degolas de presos, a dúzia de ministros e secretários forçados a sair é mais numerosa do que os meses de Temer no Planalto.

Foi para isso que o PSDB, o PMDB, a Fiesp, o jurista Miguel Reale e o ex-promotor Hélio Bicudo, a direita marchadora e tantos meios de comunicação quiseram o impeachment de uma presidente de reconhecida honestidade?

Sim. À vista da ausência, nem se diga de reação, mas de qualquer preocupação entre os autores do impeachment, a resposta só pode ser afirmativa. Até antecipada pelo descaso, também ético e moral, dos aécios, da Fiesp, de reales e bicudos. Estes também são partes do governo Temer, como o PSDB, ou seus associados. Logo, tão responsáveis pela indignidade dominante quanto o próprio Temer.”

 

Um vídeo

13/1/2017

Eric Nepomuceno, excelente (via Luis Nassif):

 

Um livro

7/1/2017

Nos primeiros anos deste século, tive o privilégio de cursar graduação em História na Universidade Federal exilio-deniseFluminense. Na época, empolgado pelos estudos, pelas aulas e pelo contato com temas e professores, rodava sebos de Niterói e do Rio e acabei montando um acervo bacana de títulos, assuntos e autores que me interessavam. Ao contrário do que eu pensava à época, não consegui ler a maioria até hoje. Entre os títulos que mais me interessavam, alguns eram de professores do próprio curso.

Em função de projetos e trabalhos que venho desenvolvendo, estou tendo a oportunidade de, finalmente, ler alguns. Um é Exílio: entre raízes e radares, de Denise Rollemberg, de quem fui aluno em duas ou três boas disciplinas naquela graduação. Vim a lê-lo neste dezembro de 2016/janeiro de 2017.

A obra é resultado de extensa pesquisa de doutorado a respeito dos exilados brasileiros durante o período 1964-1979. Trata da militância política, mas também de questões pessoais, burocráticas (obtenção de documentos de identificação, vistos, autorizações, status como estrangeiro etc.), das dificuldades e desafios de refazer a vida em outros países e culturas – e, frequentemente, em mais de um país e cultura. É um livraço sobre nosso país, sobre nossa história, sobre o sofrimento humano.

Acima de tudo, é uma bela obra sobre a vida.

“As mortes em Manaus configuram a tragédia anunciada do punitivismo” [nota da Associação Juízes para a Democracia]

6/1/2017

Reproduzo abaixo nota da Associação Juízes para a Democracia (via Programa Faixa Livre):

“A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, diante das dezenas de mortes ocorridas no privatizado Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) de Manaus, em 02 de janeiro de 2017, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:

O massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica política de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos países mais desiguais do mundo como caso de polícia. É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluídos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais.

A tragédia do Compaj corrobora a necessidade da sociedade e do Estado brasileiro refletirem sobre tal política punitivista. É necessário desnvencilhar-se da crença no Direito Penal como solução de problemas estruturais, como a violência decorrente da pobreza e das desigualdades. É necessário também cessar a irracional “guerra contra as drogas”, que vem causando a morte de milhares de pessoas socialmente excluídas em todo o mundo, o que, a propósito, tem levado a seu paulatino abandono até mesmo nos países que mais a incentivaram.

A tragédia do Compaj corrobora, ainda, a importância do respeito à independência de juízas e juízes, como imperativo democrático. É o caso da fundamental atuação do Juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luis Carlos Valois, que, coerentemente com o que defende em sua carreira acadêmica e conforme se espera de um magistrado no Estado de Direito, exerce controle rigoroso sobre o poder punitivo oficial, priorizando as liberdades públicas sobre o encarceramento: por tal motivo, desagrada os donos do poder, acomodados com o tratamento prevalentemente repressivo dos problemas sociais do país.

Por tudo isso, a AJD reitera sua histórica crítica ao crescimento do punitivismo estatal e clama para que a sociedade e o Estado brasileiro atentem que velhos problemas sociais do país não se resolvem com o encarceramento ou com a intimidação de juízas e juízes que exercem seu dever funcional de controlar o aparelho repressivo oficial.

Do contrário, a tragédia de Manaus continuará a não ser caso isolado.

 

São Paulo, 03 de janeiro de 2017.

 

A Associação Juízes para a Democracia”

Mostra Geração Beat

5/1/2017

Pcid_ii_1596b4a76b896db7ingou na caixa postal convite para a Mostra Geração Beat. Reproduzo abaixo:

“A Saraguina Filmes e a Jurubeba Produções convidam para a mostra Geração Beat, que estreia em São Paulo nessa sexta, dia 06 de janeiro. A mostra fica em cartaz no CCBB SP entre os dias 06 e 29 de janeiro, e no CCBB Rio de Janeiro entre 08 e 26 de fevereiro.  
 
A mostra é a maior retrospectiva de filmes sobre a geração de autores que ajudou a revolucionar a literatura, com inovações de linguagem, forma e conteúdo provocador, trazendo para o centro de suas obras personagens marginais. A programação inclui curtas, médias e longas, documentários e ficções, e conta com filmes adaptados de algumas das principais obras literárias dos expoentes do movimento, bem como cinebiografias sobre os autores, obras em que eles tomam parte como atores, roteiristas, personagens, e algumas experimentações fílmicas inusitadas. 
 
Durante a mostra, vamos promover aulas magnas sobre os elementos centrais da cultura beat, ministradas por Claudio Willer, poeta e escritor paulistano responsável pela tradução para o português de livros de, entre outros, os beats Ginsberg e Kerouac, e vamos organizar saraus com récitas de poesias.
 
Curtam nossa fan page e fiquem de olho nos eventos do Facebook para acompanhar detalhes da programação: https://www.facebook.com/mostraGeracaoBeat/
 
Aula Magna com Claudio Willer
 
CCBB São Paulo: 07/01 (sábado), 17h30
CCBB Rio de Janeiro: 11/02 (sábado), 17h
 
Entrada franca com retirada de senha uma hora antes dos eventos.
 
Saraus Beat e noites de autógrafos com Claudio Willer
 
07/01, 20h, São Paulo:
Comuna – Rua Cardeal Arcoverde, 520 – Pinheiros
 
11/02, 19h, Rio de Janeiro:
Livraria da Travessa – CCBB – R. Primeiro de Março, 66 – Centro
 
Programação completa de filmes e outros detalhes na nossa página do Facebook, ou nos sites do  CCBB Rio e São Paulo.”

O maravilhoso mundo das empresas: Livraria Cultura

1/1/2017

Definitivamente estamos vivendo um novo momento no Brasil: o capitalismo de palhaçada.

Situação: o sujeito compra livros, o envio de um dos itens atrasa. Até aí, tudo dentro da normalidade. Recebo um email pedindo desculpas e dando novo prazo. Esgota-se o novo prazo. Silêncio. Mando um email cobrando. E aí recebo esta beleza que vai abaixo. Excluí o nome do funcionário (mas deixei o Tony Stark entre aspas, porque apareceu mesmo junto com o nome do trabalhador) e o número da ocorrência. Na hora de responder, fiquei na dúvida se incorporava Jason (Sexta-Feira 13) ou Paul Kersey (personagem de Charles Bronson em Desejo de Matar).

Oi Rafael , bom dia!

Ultron não interceptou sua mensagem e eu já recebi a sua solicitação!
Agora os outros membros da equipe vão cuidar direitinho do seu caso e vão te dar um retorno.

Bom, como dei a minha palavra de Homem de Ferro anote aí o número de sua ocorrência XXXXXX.

Sempre que precisar falar com a Livraria Cultura, diga esse número, pois nessa ocorrência estão todos os dados referentes ao seu atendimento.

Temos uma super equipe disposta a cuidar do seu atendimento, mas confesso que ficarei muito feliz se puder te ajudar mais uma vez!

“Estava enganado sobre você Capitão, o mundo inteiro estava.”

“Tony Stark”
Central de Soluções

LIVRARIA CULTURA”

Uma música

31/12/2016

Jorge Ben Jor – Os Mentes Claras

Uma grande música do grande mestre.

Um vídeo

27/12/2016

Johnny Cash – Hurt

O patrão ficou maluco

26/12/2016

Em vez do mundo boicotar Israel devido à violação sistemática, contínua e crescente de leis e tratados internacionais, parece que agora é o governo israelense que anda querendo boicotar o mundo. Ai, ai…

Comparando com os atuais mandatários de Tel Aviv, o Mordomo de Filme de Terror fica até parecendo um sujeito sensato.

Minto. Fica, não. Mas, assim como tem acontecido no Brasil, é um castigo pesado para israelenses e palestinos – mais pesado para os últimos, claro – padecer o atual governo, tão ruim e devastador que parece praga do Antigo Testamento.

Um texto

25/12/2016

Antológica carta/análise de Eugênio Aragão ao rapaz do Powerpoint. Aragão foi o excelente ministro da Justiça do finzinho do horroroso governo Dilma. Foi colocado no cargo quando já era tarde demais, pois havíamos passado cinco anos sem ministro da Justiça. A Coração Valente levou cinco anos, mais do que um jogo/mandato inteiro, para descobrir que a vocação do centroavante era jogar no gol. Até o telefone de seu gabinete foi grampeado, mas o centroavante poste ficou firme e forte no comando do ataque.


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