Rapidinhas esportivas

20/7/2016

Saiu recentemente na revista Diálogos, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), uma resenha que fiz do livro A gymnastica no tempo do Império, de Victor Andrade de Melo e Fabio Peres.

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Até 25 de setembro, está rolando a exposição Esporte Movimento, no Centro Cultural da Caixa (Av. Almirante Barroso, 25, Centro, do lado da Estação Carioca do Metrô). De terça a domingo, 10 às 21h. Ainda não vi, mas promete ser bacana.

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Por falar em esporte, saiu em junho número novo da Recorde: Revista de História do Esporte, da qual sou um dos editores. Tem vários artigos bacanas:

 
Artigos
O TRATO DO ESPORTE NOS SIMPÓSIOS DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH)
Victor Andrade de Melo
 
MEMÓRIAS PELUDAS: MASCOTES UNIVERSITÁRIOS E A LUTA PARA ENCONTRAR LEGADOS APROPRIADOS DA GUERRA CIVIL AMERICANA
Megan L. Bever
 
ALÉM DA DIFUSÃO: O ESPORTE E SUA RECONSTRUÇÃO EM CONTEXTOS TRANSCULTURAIS
Maarten van Bottenburg
 
REPRESENTAÇÕES DO NACIONALISMO EM TEMPOS DE COPA DO MUNDO: UM ESTUDO SOBRE A “GRANDE IMPRENSA” MINEIRA (1949-1950)
Marcus Vinícius Costa Lage, Euclides de Freitas Couto
 
POR QUE NOS FLA X FLUS ERA UM “AI JESUS”? A CONSTRUÇÃO DA RIVALIDADE ENTRE FLAMENGO E FLUMINENSE E O IDEÁRIO DA IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA
Renato Soares Coutinho
 
OS DIFERENTES USOS DO ESPORTE EM SITUAÇÕES DE MOBILIZAÇÃO MILITAR: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE AS EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS E ESTADUNIDENSES NO CONTEXTO DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA
Karina Cancella
 
ESPAÑA CONTRA LA UNIÓN SOVIÉTICA. ANÁLISIS DE LA FINAL DE LA EUROCOPA DE FÚTBOL DE 1964
Sergio García Pujades
 
MEDINDO MAIÔS E CORRENDO ATRÁS DE HOMENS SEM CAMISA: A POLÍCIA E AS PRAIAS CARIOCAS, 1920-1950
B. J. Barickman
 
Resenhas
A LUTA NOSSA DE CADA DIA: RESENHA DO LIVRO ‘[RONDA] ROUSEY – MY FIGHT/YOUR FIGHT’
Bruno Pedroso

Um vídeo

17/7/2016

Pequeno perfil de Adriano de Souza, campeão mundial de surfe profissional.

 

Um vídeo

15/7/2016

Carmelo Anthony, Chris Paul, Dwyane Wade e Lebron James falando sobre racismo e violência policial.

Rapidinhas

27/6/2016

Publicações recentes minhas:

Artigo Política Científica no Brasil: dilemas em torno da internacionalização e do inglês. Publicado num dossiê sobre “Internacionalização” na revista  Interfaces Brasil/Canadá, publicada pela Associação Brasileira de Estudos Canadenses (Abecan) em parceria com universidades.

Resenha do livro As linguagens do futebol em Moçambique: colonialismo e cultura popular, de Nuno Domingos. Saiu na Materiales para la Historia del Deporte (Sevilha, Espanha).

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Notícia ruim sobre a Unirio, mas de forma nenhuma surpreendente. Direitos básicos de qualquer técnico-administrativo ou docente, que são respeitados rotineiramente em qualquer instituição federal, são descumpridos com facilidade e frequência por lá. Comigo já aconteceu várias vezes, nos seis anos e meio desde que tomei posse.

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Boas leituras:

Luis Nassif e a defesa da convocação de eleições diretas para a presidência. Confesso que a ideia nunca me agradou, mas, dado o andar da carruagem, me parece o caminho menos pior.

Janio de Freitas aponta condutas do Supremo Tribunal Federal como afrontas à lei e às normas jurídicas.

Excelente artigo de Adriano de Freixo, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF): José Serra e a velha “Nova Política Externa” . Um trecho: “Neste sentido, o que assistimos ao longo de um mês de governo interino foi uma guinada à direita da nossa política externa e a sua partidarização, no pior sentido do termo.

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A Associação de Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, lançou uma campanha para construir um campo de futebol e batizá-lo com o nome do ex-jogador Sócrates.
Por falar em esporte e política, o uso do esporte como metáfora em debates sobre o golpe brasileiro de 2016 é o assunto do texto da semana, de Fabio Peres, no blogue História(s) do Sport.

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Um bom texto sobre o que pode acontecer em casas onde há crianças e armas, e uma campanha que mães dos EUA estão fazendo a respeito. O texto recomenda este vídeo, uma reportagem muito interessante de 2014. Ambos estão em inglês.

Sobre a proposta de aumentar a idade mínima de aposentadoria

16/6/2016

A retirada de recursos da Previdência Social por sucessivos governos, permitida por mecanismos como a Desvinculação de Receitas da União (DRU), prejudica sensivelmente as contas da seguridade social. Sem DRU, sem se tirar dinheiro do orçamento da seguridade social para outros fins, a Previdência Social brasileira é superavitária. Já escrevi isso trocentas vezes aqui, reproduzindo um ponto de vista expresso por diversos órgãos, entidades e indivíduos – por exemplo, o senador Paulo Paim, do PT, um dos únicos a manter a lucidez até os dias atuais. (Em tempo: o PT era contra a DRU quando era oposição, e passou a defendê-la e usá-la quando assumiu o governo federal.)

As corporações de mídia promovem um massacre informativo mentindo diariamente ao afirmar que há um déficit na previdência. O Governo de Temer, O Ilegítimo, surfando nesta onda de mentiras, propõe aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Há, pelo menos, três sacanagens embutidas nesta ideia:

a) Rompe-se um contrato com os trabalhadores que estão na ativa e contribuem para a previdência. Em outras palavras, mudam-se as regras do jogo com o jogo em andamento. É como se você começasse a correr uma maratona e, no meio do percurso, estendessem a linha de chegada em mais 5 ou 10 quilômetros – você que se dane. Os colunistas vendidos de economia e de política das corporações de mídia, que sempre defendem o respeito aos contratos quando se trata dos direitos de empresas, estão todos favoráveis a este descumprimento unilateral de contrato que prejudicará os trabalhadores.

b) Perversamente, a medida prejudicará ainda mais aqueles que começaram a trabalhar mais cedo, tiveram menos anos de estudo, e fizeram trabalhos que degradaram mais o corpo. Quanto mais se investe no tempo absoluto (idade) e menos no tempo relativo (anos de contribuição), mais se pune quem começou a trabalhar cedo.

c) Trata-se, no fundo, de fazer os trabalhadores pagarem a conta da crise. Em outras palavras, a medida é uma entre muitas que compõem a disputa pelos gastos do Estado, em que o capital quer aumentar sua já imensa fatia à custa da redução da fatia dos trabalhadores. O governo de Temer, O Interino, aprofunda e avança medidas já em vigor durante os mandatos anteriores do PT e do PSDB.

O massacre informativo é fundamental para disseminar socialmente a crença de que a previdência estatal não garantirá um fim de vida digno e sossegado para os trabalhadores e que a saída é botar dinheiro nos planos de previdência privada dos bancos (que estão longe de ser garantia de renda). Ora, de fato, a previdência estatal paga a muitos trabalhadores aposentadorias abaixo do que eles deveriam receber, considerando o valor das contribuições. Contudo, a saída é parar de tungar recursos dela, fortalecê-la e ir corrigindo o sistema, em vez de esfacelá-lo e destruí-lo. Se a situação social no Brasil é calamitosa com as regras e o sistema de hoje, ficará muito pior se forem aprovadas as propostas do presidente exterminador de ministérios (no que também teve seu trabalho facilitado pelo trágico e indefensável segundo governo da Coração Valente), como o aumento da idade mínima para aposentadoria e o aumento da DRU para 30% (medida com terríveis impactos sobre a seguridade social e outros setores; mas que não é criticada pelos comentaristas de direita das corporações de mídia, uma das evidências de que querem é a destruição da previdência estatal).

Um dia, talvez, tenhamos uma Comissão Parlamentar de Inquérito ou uma investigação séria do Ministério Público Federal ou da Polícia Federal sobre caixinha de empresas para comentaristas defenderem determinados pontos de vista. Acredito que os bancos e planos de previdência privada aparecerão entre os corruptores.

“Ali e as estrelas do Dream Team: quando os ídolos viaram crianças”

5/6/2016

Publiquei um texto no blogue História(s) do Esporte: “Ali e as estrelas do Dream Team: quando os ídolos viraram crianças“.

Tuberculose olímpica

4/6/2016

A Agência Pública publicou uma excelente reportagem sobre a incidência de tuberculose no Rio de Janeiro. É mais um recorde para a Cidade Olímpica do prefeito Eduardo Paes (PMDB) e do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Rifar boa parte dos recursos estatais de saúde para organizações sociais (OS) foi uma iniciativa dos governos destes partidos. Disseram que privatizar ia melhorar…

Um trecho:

De acordo com urbanistas e arquitetos, as ações de urbanização e melhorias das favelas estão praticamente paradas há dois anos. E para o presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, é difícil não relacionar essa “pausa” com a reta final dos projetos olímpicos: “No meu entendimento, deixaram as favelas para lá. O prefeito nos chamou em 2011 para fazer um concurso público. Ele declarou que gostaria de ter para 2020 todas as favelas urbanizadas. Selecionamos 40 equipes de arquitetos, sociólogos etc., mas a prefeitura só contratou 11 equipes. Nós não queríamos uma atuação pontual porque senão você supervaloriza uma favela que está aqui e subvaloriza outra que está lá. Perde a confiança da população, faz remoções brancas. Por isso, O IAB saiu em 2013, e hoje estamos sem programa de urbanização, o que era uma constante desde o Favela Bairro, em 2007.

 

 

Ainda sobre a Pátria Educadora (4)

2/6/2016

Dando sequência às políticas que produziram um imenso laissez-faire para o ensino superior privado durante o governo FHC (PSDB) e foram aprofundadas durante os mandatos de Dilma e Lula (nestes, do PT, com ampliação do uso de recursos do Estado para financiar toda sorte de bandalheiras por parte de instituições e empresas privadas no mercado da educação superior), agora uma notícia diz que talvez a Estácio seja comprada pela Kroton. Além de uma péssima notícia para a educação no Brasil, surge a oportunidade de batizar o novo monstro com um nome apropriado: Eskroton.

[Adendo em 4/6: Também poderia se chamar Eskrotácio.]

Rapidinhas

27/5/2016

– Não é possível. Só podem estar de sacanagem!

Foi o que pensei, quando vi a notícia de que o ministro interino da Educação Mendonça Filho recebeu Alexandre Frota para conversar sobre os rumos do setor. O sensacional Sensacionalista fez uma boa cobertura do tema.

Fiquei curioso para saber se o encontro é uma indicação de que, para o ministro e o governo interinos, vai tudo às mil maravilhas na área. E também se é um sinal das prioridades da agenda do chefe.

Pois, como quase todo mundo sabe, as coisas vão mal, muito mal na educação. Por exemplo, a notícia de que os grupos de investimento privados que viraram donos de instituições de ensino superior estão crescendo e lucrando em meio à crise (via Jornal da Ciência). Para lucrar mais, as empresas são ajudadas com ampla ação e omissão do Estado. Ação, ao injetar bilhões via programas como Fies e Prouni. Segundo a matéria, em 2015, nada menos que 45% dos alunos das empresas listadas na mesma eram bolsistas do Fies.

Omissão (esta vai por minha conta, não é assunto da reportagem), ao não fiscalizá-las (por exemplo, as delegacias do MEC em cada estado fechadas no governo FHC não foram reabertas no de Lula, nem no de Dilma, nem no do interino); ao fazer vista grossa para as bandalheiras fiscais e tributárias, para o descumprimento sistemático da legislação trabalhista, para as precárias condições para os alunos (e as humilhações a que são submetidos nas tesourarias e secretarias), para as maquiagens por ocasião das raras “visitas do MEC”, para as demissões em massa de professores; ao realizar visitas e avaliações que nada mudam de estrutural (inclusive na precariedade das  instituições federais vinculadas ao próprio MEC, como a Unirio, em que trabalho); e muito mais eu poderia listar.

A perspectiva empresarial do Estadão, em que foi veiculada a matéria, fica clara no título: “Grupos de ensino superior crescem, mas investem menos em docentes“. Ora, inexiste oposição ou contradição entre as duas ações. Existe, sim, uma relação causal: a exploração de professores é justamente um dos mecanismos para crescer – um dos motivos do aumento do lucro. A reportagem é clara: enquanto o lucro aumenta, a proporção de receita destinada ao salário dos professores diminui. A crise é uma ótima desculpa para arrocho salarial, redução do número de turmas, ampliação da quantidade de estudantes dentro de sala (frequentemente contrariando acordos coletivos, como no caso do município do Rio de Janeiro) e outras sacanagens e ilegalidades que são impostas a alunos e docentes. Tais práticas não são inventadas em época de crise, mas se agravam: a crise vira justificativa para as barbaridades, e os professores, com medo do desemprego e/ou da redução salarial, acabam se sujeitando com mais facilidade (ou têm menos ânimo e condições de brigar pelo certo, decente, justo e legal).

Há de se elogiar a matéria de Isabela Palhares, cujo tema e ênfase são coisa rara de se ver no jornalismo das corporações de mídia.

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Na saúde, onde o governo interino também quer passar o rodo, pesquisadores afirmaram recentemente que os cortes na saúde pública, ainda mais em época de crise, aumentam a incidência de doenças e mortes.

Problemas como subfinanciamento, é bom lembrar, vêm desde os governos do PT. Como aponta um dos citados na matéria, o grande problema – e não só da saúde – é a proporção de recursos públicos desperdiçados anualmente com o pagamento de juros e serviço da dívida. Em vez de ser destinado ao SUS, onde poderia garantir o direito à saúde, é desperdiçado enriquecendo os ricos. Priorizar a remuneração dos ricos, manter os juros altos e dar isenções e subsídios a grandes empresas (nacionais e multinacionais) e ao capital especulativo foram decisões políticas tomadas/renovadas a cada ano dos governos Lula e Dilma. Serão, provavelmente, aprofundadas pelo governo interino.

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O estrupro em bando de uma menina é um daqueles acontecimentos que dão vontade de pedir para parar o mundo e descer.

A visibilidade fez com que a polícia agisse rapidamente (o que não quer dizer que esteja agindo corretamente). As polícias solucionam menos de 8% dos homicídios no Brasil. Não sei qual o percentual para os casos de estupro, mas imagino que seja baixo. Juntando com a subnotificação, as dificuldades de obter ajuda profissional (incluindo o aborto, legalizado para vítimas do crime, mas difícil de conseguir na prática; aliás, quem falou em reduzir os já insuficientes gastos com saúde pública e o SUS mesmo?) etc., o panorama é desolador. Como sociedade, não apenas somos/fomos criados numa cultura machista (com seus nuances de classe, geografia, raça etc.), mas nosso Estado, também produtor/produto dessa cultura, dispensa parca atenção e recursos para lidar com o problema, preveni-lo, combatê-lo, e para socorrer as vítimas.

Singelo exemplo: sabemos que os campi universitários são espaços em que acontecem muitos casos – amplamente subnotificados – de assédio sexual, estrupo, atentado ao pudor etc. Contudo, as universidades brasileiras dedicam pouca ou nenhuma atenção ao assunto. A Unirio, onde trabalho, conta com um (isso mesmo, um) psicólogo para atender 7.000 estudantes.

E o fundamental: a imensa e intensa dor daquela menina. Precisamos ouvir as vítimas que queiram/consigam falar publicamente, precisamos prestar atenção a seus relatos e dar visibilidade a eles. Precisamos ouvir quem cuida das vítimas e quem convive com elas. Permanentemente.

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Em mais uma tentativa de censurar Luis Nassif, dessa vez parece que a ação contra ele confessou que a Lava-Jato é anti-governo Dilma e anti-PT. Ah, os excessos de sinceridade…

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Enquanto isso, uma oportunidade de investigar a sério a corrupção foi desperdiçada pela falta de interesse político de investigar do nosso Parlamento (e a falta de interesse dos meios de comunicação de pautar o assunto e exigir/estimular as investigações): a CPI do HSBC foi encerrada meses antes do prazo. Não se ouviu uma singela panela ser batucada em protesto ou lamento. Mas, claro, seguimos todos muito atentos e preocupados com a corrupção. Seguimos?

Rapidinhas

24/5/2016

Janio de Freitas, sintetizando o ministério e o governo interinos de Temer na ditabranda Folha de S. Paulo. Por sua vez, Luis Nassif deu uma boa pancada no discurso de “eficiência” do governo interino de Temer e analisou com pessimismo/realismo o faroeste em que nos metemos.

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Por falar nos aliados do governo interino, um bom vídeo (via Luis Nassif Online):

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Em excelente discurso, o vereador Renato Cinco (PSOL) critica as práticas e decisões do prefeito da Cidade Olímpica, bem como a farra com dinheiro público que tem jorrado para as empreiteiras de sempre (e algumas novas). A justificativa da vez para o derrame: fazer a Olimpíada. A dinheirama cuidou até de reformar uma escola batizada com o nome do ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch.


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