Um texto: “Ocupar as redes de rádio e TV”, por Marcelo Salles

18/4/2018

Vale a pena ler de novo: “Ocupar as redes de rádio e TV“. O texto é de 2008, do jornalista Marcelo Salles. O título correto do texto original é “Ocupar as redes de rádio e TV”. Infelizmente amplos setores da esquerda só atentam para a iniciativa agora, que há muito menos condições de democratizar a comunicação.

 

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Um vídeo

18/4/2018

“A gente ensina o bom caminho, aí vem a polícia e ensina o mau caminho.” Diz a mãe de um dos presos.

Tudo feito sob o comando, as ordens, as bênçãos e os elogios de generais do Exército Brasileiro, atualmente responsáveis pela segurança pública no Rio de Janeiro. Já tivemos UPPs e UPAs. Mais uma vez, para o mal, o Rio é o balão de ensaio do que vem por aí no Brasil.

Veja o vídeo produzido pelo The Intercept:

https://theintercept.com/2018/04/16/operacao-policial-contra-milicianos/

 

Um livro

15/4/2018

Pedro Henrique Pedreira Campos, Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988.

Um trecho:

“Enquanto a Cbic, controlada por uma combinação de empresários do mercado imobiliário e empreiteiros, majoritariamente os pequenos e médios, defendia a “moralização das licitações”, o Sinicon se engajava na defesa dos recursos vinculados. Essa campanha pedia a volta das receitas de autarquias e estatais diretamente oriundas de impostos e taxas específicas. A vinculação caiu no governo Figueiredo, seguindo a orientação de entidades como o FMI de unificar a arrecadação, para canalisar os recursos públicos ao pagamento da dívida estatal. Esse dispositivo desagradava os construtores, já que havia redundado na diminuição das verbas à disposição de órgãos como o DNER e os DERs. Apesar da participação de outros aparelhos da sociedade civil, era o sindicado que liderava a campanha:

             O presidente do Sinicon, João Lagoeiro Barbará reivindicou que os recursos gerados pelas chamadas receitas vinculadas voltem a ser aplicados especificamente nos programas para os quais foram criados – o pedido faz parte do discurso com o qual a entidade saldou o presidente da Eletrobrás, Costa Cavalcanti. […] É notório que a excessiva concentração de poder nas mãos das autoridades econômicas, responsáveis pela liberação de recursos, tem acarretado, sobretudo ao setor hidrelétrico, que se caracteriza pela rigidez de seus cronogramas físicos, sensível descompasso com as necessidades de desembolso da Eletrobrás e a disponibilidade efetiva dos recursos para estes desembolsos.

Nesse caso, o Sinicon reclamada do fim do Fundo Federal de Eletrificação (FFE), dizendo-o responsável pela implementação da capacidade instalada elétrica nacional. Esse, o Fundo Rodoviário Nacional (FRN) e o Fundo das Telecomunicações haviam sido desmontados em favor do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND), que unificava seus antigos recursos, canalizando-os para outras finalidades, como a administração da dívida pública.” (p. 273)

Três comentários:

– E ainda há quem associe, de forma maniqueísta, militares a nacionalismo e defesa da soberania nacional.

– Houve um tempo em que vários empreiteiros criticavam o rentismo…

– Infelizmente o rentismo nunca deixou de vigorar, do governo Figueiredo até o presente. Pelo contrário: me parece que aprofundou-se, seja pela eternização de mecanismos como a Desvinculação de Receitas da União (DRU), atualmente em inacreditáveis 30%; seja pelo grau em que as autoridades políticas introjetaram os ditames do FMI e do Banco Mundial: mesmo não devendo mais dinheiro a eles, o país segue obedecendo às diretrizes neoliberais oriundas destas instituições, contrárias ao interesse nacional.

Rapidinhas

11/4/2018

Alguns mandatos parlamentares do PSOL na ALERJ e na Câmara Municipal do Rio têm feito um excelente trabalho em prol de melhorias no sistema de transporte público da região metropolitana. Exemplo disso é o relatório paralelo da CPI dos Ônibus elaborado pelo mandato de Tarcísio Motta. Vale conferir essa notícia no Brasil de Fato.

*  *  *

Um dos objetivos do governo do Mordomo de Filme de Terror é destruir a estrutura estatal voltada para a prestação de serviços públicos e a garantia de direitos da população. O dinheiro público economizado com tal programa de destruição é transferido para os ricos do pagamento de juros da dívida pública. Outra face da política de enriquecer os ricos são os incentivos fiscais. Segundo uma matéria da Carta Capital, eles “superam gastos com Saúde e Educação“. Um trecho:

Em meio à onda de bloqueios de verbas, as universidades federais renegociam contratos com prestadores de serviços e reduzem até o cardápio dos restaurantes universitários. Pressionado pela demanda crescente, o Sistema Único de Saúde também se vê ameaçado pelo subfinanciamento.

Apesar do sacrifício imposto à população, o Brasil deverá abrir mão de mais de 283,4 bilhões de reais em renúncias fiscais em 2018. Estimado pela Receita Federal, o valor é superior à soma dos orçamentos da Educação e da Saúde: 107,5 bilhões e 131,4 bilhões, respectivamente. Nos últimos anos, os incentivos e benefícios fiscais tiveram forte expansão.

Contudo, como os dados do texto explicitam, as renúncias fiscais do atual governo apenas aprofundam política já muito ampliada no tempo em que o Partido dos Trabalhadores esteve na Presidência:

Em 2006, os gastos tributários, nomenclatura usada pelo Fisco ao se referir ao valor que a União deixa de recolher com as desonerações, somavam 77,6 bilhões de reais em valores absolutos, o equivalente a 15,3% das receitas, ou 3,33% do PIB. Em 2014, eles totalizavam 257,2 bilhões de reais, 22,38% da arrecadação e 4,45% de todas as riquezas produzidas naquele ano.

 

 

Eu financio a Mídia NINJA

8/4/2018

Após mais uma vez acompanhar o excelente trabalho desse pessoal (desta vez, desde o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo), ontem fiz minha assinatura para apoiar a Mídia Ninja. Há anos contribuo para o Programa Faixa Livre e para a Associação de Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes. Já assinei e presenteei amigos com assinaturas de Caros Amigos, Fórum, Correio da Cidadania, Fazendo Media e Brasil de Fato.

Enquanto os governos nada fizeram e fazem para democratizar a comunicação (muito pelo contrário…), podemos fortalecer as iniciativas democráticas e de esquerda nós mesmos.

E você ainda pode escolher o valor – ao contrário dos pacotes absurdos que empresas bandidas nacionais e multinacionais cobram pelos péssimos serviços de telefonia celular, acesso à internet etc. (NET, Sky, Vivo, Tim e outras estão entres os bandidos de estimação aos quais pagamos taxas de máfia todo mês, certo?) Se contribuímos mensalmente com altos valores para enriquecer bilionários como o Carlos Slim, como não apoiar também a mídia alternativa?

Você também pode contribuir. É rápido e fácil: https://www.catarse.me/midianinja

 

Rapidinhas

2/4/2018

Boa entrevista com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ).

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Luis Nassif: “Xadrez do pós-Temer e as eleições“.

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Recentemente, lendo o excelente Reflexões Rebeldes, de Cid Benjamin, me deparei com esta ótima história envolvendo o próprio, Leandro Konder e Minotauro. Coisas desse fenômeno delicioso chamado esporte.

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O mestre Wanderley Guilherme dos Santos, sobre a turma da Lava-Jato:

Ignorância significa desconhecimento de assunto bem definido, sem ofensa pessoal. A ignorância socialmente criminosa é aquela que acarreta prejuízos a terceiros. Pelas entrevistas e documentos escritos, é mais do que razoável duvidar que os procuradores da Lava-Jato e o juiz Sergio Moro entendam com eficiência mínima a natureza da infraestrutura de um país complexo, os efeitos diretos e colaterais das grandes empreiteiras em matéria de emprego e comércio exterior, e certamente nunca ouviram menção a “efeito multiplicador” sem suspeitar de aumento no valor da propina. Todos são noviços em reflexões estratégicas sobre o traçado dos eixos rodoviários e ferroviários, a localização das grandes usinas e a distribuição geoeconômica dos aeroportos. Com um mínimo de leitura extraescolar teriam procedido à investigação e punição dos comprovados predadores da economia sem causar a monumental desarticulação de segmentos inteiros da infraestrutura material do país.

A quem convém crucificar Juninho Pernambucano?

31/3/2018

Ao longo de décadas, ouvi de perto, na arquibancada, dezenas – talvez centenas – de vezes “tinha que ser preto” ou “paraíba filho da puta” após um atleta do Flamengo cometer um erro. Quando criança e adolescente, é possível que eu mesmo tenha soltado alguma dessas frases – que hoje, felizmente, considero barbaridades.

Pesquisar esporte me ensinou a (tentar) separar aquilo que vivemos como essência (no meu caso, ser flamenguista e o que isso representa) do que é construção histórica, lenda e senso comum.

É uma ficção achar que não há preconceito contra nordestinos na torcida de um clube de massa – aliás, historicamente dirigido e dominado por uma parte da classe dominante do Rio. Da mesma forma que só com muita fé é possível acreditar que um clube de pequenos, médios e grandes capitalistas portugueses foi um bastião na luta contra o racismo.

Fomos (quase) todos educados para sermos racistas, machistas, preconceituosos e homofóbicos. A questão é abrirmos – ou não – os olhos para isso. E, à medida que nos damos conta, o que fazemos e faremos com o que enxergamos.

Agora, o padrão na nossa sociedade é apontar o dedo e dizer que o racista e preconceituoso é o outro. Todo mundo tem um – geralmente um único mesmo, será acaso? – amigo gay ou negro para tirar da cartola e se achar o campeão da luta contra o preconceito.

Juninho Pernambucano pode não ter sido feliz em parte do seu comentário, mas, além de ter sido excelente jogador, tanto quando era atleta profissional como hoje, comentando, volta e meia diz algo que desafia o senso comum e a mediocridade do futebol brasileiro e de sua insuportável cobertura midiática.

Seriam “de uso exclusivo da Polícia Federal”?

18/3/2018

A ser verdadeiro o conteúdo desta notícia – “Munição usada para matar Marielle é de lotes vendidos para a Polícia Federal” – e o que o título sugere (não vou sair acreditando no que diz a emissora só porque, nesta rara ocasião, parece fazer algum sentido), fico pensando no seguinte:

 

1) Só esta semana o telejornalismo da Rede Globo descobriu onde trabalham alguns dos criminosos que fornecem munições para criminosos? No mínimo, estavam mal informados.

 

2) A “descoberta” não irá modificar a cobertura cotidiana de crimes, assassinatos, violência etc.

 

3) Fica, no mínimo, ridículo o inacreditável ministro extraordinário da Segurança Pública (sic) do Mordomo de Filme de Terror oferecer ajuda da Polícia Federal nas investigações.

 

4) Um trecho da reportagem: “A munição desse mesmo lote foi usada na maior chacina de São Paulo, em 2015, quando 17 pessoas morreram, e nos assassinatos de cinco pessoas em guerras de facções de traficantes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Na época da chacina paulista, foram apreendidas cápsulas de outros quatro lotes, que pertenciam, além da PF, à PM paulista e ao Exército.”

 

E ainda há quem acredite nesta intervenção e quem ache que se combate o crime combatendo as favelas e os que nela moram, trabalham, vivem e transitam. Seria mais eficaz mirar batalhões, delegacias, quartéis, bases militares etc. – isto para não falar dos Palácios Guanabara e Tiradentes, já que o crime, aqui no RJ, é organizado a partir de cima.

 

5) Por falar nisso, tampouco adianda olhar apenas para as polícias, como argumenta Vinicius George: “É impensável você querer, setorialmente, querer resolver (…) Vou resolver, setorialmente, o problema da corrupção na polícia. E o governo [do estado do Rio] é um oceano de corrupções. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário, incluindo o Ministério Público e o Tribunal de Contas, estão passeando nesse oceano. Como se resolve um setor? É impossível. (…)”

Quem fala é um delegado de polícia e ex-presidente do sindicato dos delegados – e TAMBÉM um militante de esquerda. Afinal, é óbvio que uma coisa não exclui a outra.

A longa conversa entre ele e o entrevistador tem trechos tão bons e esclarecedores quanto o que transcrevi acima. Esclarecedores para quem se dispõe a ouvir e raciocinar, evidentemente.

Executaram Marielle Franco

15/3/2018

Voto numa mulher (Dilma Rousseff) para presidente, derrubam na mão grande. Voto noutra (Marielle Franco) para vereadora, executam a tiros a sangue-frio. A execução acontece durante – e, acredito, por causa de – uma intervenção MILITAR decretada por quem assumiu a presidência após derrubar a primeira.

E ainda vai ter um monte de gente que vai vir falar que as instituições democráticas estão funcionando, que não há machismo pois uma mulher preside o Supremo etc.

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Assassinatos e violações de direitos humanos em Acari.

Marielle Franco, minha vereadora, assassinada.

Marielle Franco, councillor and police critic, shot dead in targeted killing in Rio.

Rapidinhas

8/3/2018

“Para o general, o Brasil está prestes a virar um narcopaís, mas isso pode ser evitado resgatando as lições de um dos piores episódios da ditadura. “A Colômbia ficou 50 anos em guerra civil porque não fizeram o que fizemos no Araguaia”, disse, sendo vivamente aplaudido pelo auditório predominantemente militar.

O que o Exército fez no Araguaia foi executar mais de 40 guerrilheiros detidos. Crime, mesmo em tempos de guerra. Mas, para isso, também há solução: “Nosso ordenamento jurídico precisa de patriotismo para acelerar determinadas providências e permitir que a gente tenha resultados que nos animem a retomar o protagonismo do Estado no uso da violência.””

Rio, Haiti, Araguaia“, de Marco Aurélio Canônico. O fascismo está vivo e forte, ao menos entre certos setores da nossa população e de servidores públicos.

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Cid Benjamin, no Programa Faixa Livre, sobre a possível greve dos juízes: “E uma pergunta se impõe: com a greve, será que vai ter bala de borracha e gás de pimenta contra os meretíssimos, como acontece com outras categorias profissionais?

Ao longo dos anos, ouvi muitos relatos tenebrosos de colegas professores das redes municipal e estadual do Rio a respeito do tratamento recebido da polícia militar. Eu mesmo fui testemunha disto em algumas ocasiões – o comportamento da polícia é nitidamente diferente de quando estive em passeatas de servidores federais.

Alguém tem dúvida de qual padrão prevaleceria caso os juízes entrassem em greve e fechassem ruas?

 

 


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