O maravilhoso mundo das empresas – Laboratório Bronstein

15/6/2018

O distinto laboratório vai inaugurar uma “Megaunidade” na Tijuca. Antes, claro, obras. Entre as atividades da Megaunidade estão equipamentos que passam a madrugada apitando tão alto que acordam a família inteira – e olha que moro no oitavo andar e durmo com o quarto fechado.

Não é a primeira vez que este problema acontece. O mesmo apito, semelhante a um som de alarme, tocou durante toda a madrugada, manhã e tarde do dia 31/5/2018 (feriado de Corpus Christi).

Semanas antes, durante as obras da unidade, houve barulho de equipamento (creio que uma makita) rasgando piso ou algo equivalente a madrugada inteira.

É por isso que eu digo: viva a eficiência da iniciativa privada!

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O “sucesso” da intervenção militar no Rio de Janeiro

2/6/2018

A notícia é de hoje: “Tiroteio deixa três mortos e seis feridos na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio“.

Quase três meses atrás, segundo o G1 (numa entrevista exclusiva/chapa branca à TV Globo, que apoiou e apoia a intervenção), o interventor federal no Rio de Janeiro, General Walter Souza Braga Netto, declarou: “a experiência na Vila Kennedy será usada como modelo para a intervenção“.

Caso houvesse, por lá, jornalismo sem censura feita pela própria empresa, não seria o caso de outra entrevista exclusiva amanhã, no Fantástico?

Rapidinhas

1/6/2018

Um secretário que durante sete anos não participou das principais decisões da sua pasta e que sequer tinha poder para comprar um parafuso. Essa afirmação foi feita por Julio Lopes nesta segunda-feira (21/5) à CPI dos Transportes da Alerj, que foi a Brasília tomar o depoimento de Julio Lopes, ex-secretário de Transportes de Cabral, e que esteve à frente da pasta de 2007 a 2014.

O ex-secretário estadual de transportes é deputado federal pelo PP/RJ. Ou seja, é ou já foi colega de partido de Paulo Maluf, Jair Bolsonaro, Francisco Dornelles, Ana Amélia, Eurico Miranda e outros. Numerosas barbaridades aconteceram durante sua gestão à frente da Secretaria de Transportes do RJ, incluindo acidentes, mortes, aumento de tarifas e redução da oferta de serviços. Deve haver 20 ou 30 menções a isto neste blogue.

Pois agora, o sujeito, que também foi dirigente do Flamengo, vem com essa caozada de que não tinha nada a ver com a história. Pior do que ele, só o ex-secretário de Segurança Pública, que ficou 10 anos no cargo e nunca percebeu que estava cercado de bandidos.

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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), ex-ministro do governo da Coração Valente e ex-vice-líder do Governo Lula no Senado, quer autorizar um aumento das passagens de ônibus que é muito maior do que a inflação acumulada. Na verdade, é maior até do que o dízimo! A pilantragem corre solta em vários municípios do estado do Rio, bem como nas relações entre o governo estadual e a bandidagem das empresas privadas concessionárias de serviços públicos de transporte. Uma parte dos problemas atuais está neste texto do deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL/RJ).

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Muitas pessoas estão – corretamente – criticando o governo do Mordomo de Filme de Terror porque cortará dinheiro de áreas sociais para subsidiar o preço dos combustíveis. Não custa lembrar: no inicinho de 2015, a Coração Valente começava seu segundo mandato. Escolheu um gabinete e botou para frente o projeto neoliberal que havia sido derrotado nas urnas. Só na verba da Educação deu uma facada de R$ 7 bilhões – dinheiro que viria a ser usado para subsidiar o lucro dos ricos, via superávit primário e pagamento dos juros da dívida. Não sei o que disseram, à época, aqueles que estão estarrecidos com as medidas de hoje do Mordomo.

Uma música

13/5/2018

Ben Harper & The Innocent Criminals – Call It What It Is

Da turma da música, Ben Harper está há muitos anos entre os meus preferidos. Pelas músicas, pelas letras, pelas posições políticas e, claro, por vir com certa frequência ao Brasil (e sempre tocar no Rio!).

Essa maravilha expressa um aspecto importante da história dos EUA nos últimos anos: a reação de setores da sociedade que não aceitam mais as execuções sumárias de negros feitas por policiais em serviço. Nem é que a polícia esteja matando mais… Está matando o de sempre, mas tem menos gente considerando isso “normal” e mais gente disposta a denunciar, protestar etc. O movimento “Black Lives Matter” é uma das expressões políticas e organizadas disso.

O título é uma crítica aos eufemismos e classificações mentirosas com os quais a polícia, os governantes e os meios de comunicação costumam classificar tais episódios.

Rapidinhas

30/4/2018

Um importante documento: a “Carta à juventude, em defesa do Brasil” do historiador Roberto Bittencourt da Silva.

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Menos de dois meses para a Copa e os nomes que discutimos e citamos são os de juízes, desembargadoras e generais – geralmente, pelas cagadas que fazem, pelos absurdos que assinam, pelas palavras bizarras que proferem, pelos artigos da Constituição que violam.

Houve tempos em que o foco estava nos nomes que deveriam ou não aparecer na lista de convocados…

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Dada a imensa intolerância religiosa que vigora hoje no Rio de Janeiro, com ênfase na perseguição às religiões de matriz africana, essa notícia é um alento.

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Enquanto isso, na Faixa de Gaza, a bestialidade do estado-nação colonizador com um governo de extrema-direita segue firme. Sexta-feira foram quatro palestinos assassinados. E seguem os protestos pelo direito de retorno, neste ano em que se completam 70 anos da Nakba, por ocasião da fundação do Estado de Israel. A colonização imbeciliza e desumaniza os colonizadores.

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O campeonato estadual de futebol do Rio, vulgo Carioca, é essa beleza que muitos de nós acompanhamos. Melhor a cada ano, né? Em 2018 teve formigueiro e tudo! A cada clássico, dias antes temos uma novela em que não se sabe em que estádio, cidade ou estado será o jogo…

Ano que vem periga inventarem um regulamento em que a final será jogada entre o sétimo e o oitavo colocados na primeira fase, mas mantendo 4934030 semifinais e finais de turno, três voltas olímpicas com taça num certame que dura três meses etc. Nada disso é ridículo aos nossos olhos e aos do pessoal de outros estados do Brasil, né?

Deve ser por isso que o atual presidente da Federação foi reeleito hoje. Recebeu voto de três dos quatro principais clubes.

Observação: ao menos nessa a diretoria do Flamengo não me decepcionou.

Reeleição na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro

27/4/2018

O campeonato estadual de futebol do Rio, vulgo Carioca, é essa beleza que muitos de nós acompanhamos. Melhor a cada ano, né? Em 2018 teve formigueiro e tudo! A cada clássico, dias antes temos uma novela em que não se sabe em que estádio, cidade ou estado será o jogo…

Ano que vem periga inventarem um regulamento em que a final do estadual será jogada entre o sétimo e o oitavo colocados na primeira fase, mas mantendo 4934030 semifinais e finais de turno, três voltas olímpicas com taça num certame que dura três meses etc. Nada disso é ridículo aos nossos olhos e aos do pessoal de outros estados do Brasil, né?

Deve ser por isso que o atual presidente da Federação foi reeleito hoje. Recebeu voto de três dos quatro principais clubes.

Observação: ao menos nessa a diretoria do Flamengo não me decepcionou.

Um texto: “Ocupar as redes de rádio e TV”, por Marcelo Salles

18/4/2018

Vale a pena ler de novo: “Ocupar as redes de rádio e TV“. O texto é de 2008, do jornalista Marcelo Salles. O título correto do texto original é “Ocupar as redes de rádio e TV”. Infelizmente amplos setores da esquerda só atentam para a iniciativa agora, que há muito menos condições de democratizar a comunicação.

 

Um vídeo

18/4/2018

“A gente ensina o bom caminho, aí vem a polícia e ensina o mau caminho.” Diz a mãe de um dos presos.

Tudo feito sob o comando, as ordens, as bênçãos e os elogios de generais do Exército Brasileiro, atualmente responsáveis pela segurança pública no Rio de Janeiro. Já tivemos UPPs e UPAs. Mais uma vez, para o mal, o Rio é o balão de ensaio do que vem por aí no Brasil.

Veja o vídeo produzido pelo The Intercept:

https://theintercept.com/2018/04/16/operacao-policial-contra-milicianos/

 

Um livro

15/4/2018

Pedro Henrique Pedreira Campos, Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988.

Um trecho:

“Enquanto a Cbic, controlada por uma combinação de empresários do mercado imobiliário e empreiteiros, majoritariamente os pequenos e médios, defendia a “moralização das licitações”, o Sinicon se engajava na defesa dos recursos vinculados. Essa campanha pedia a volta das receitas de autarquias e estatais diretamente oriundas de impostos e taxas específicas. A vinculação caiu no governo Figueiredo, seguindo a orientação de entidades como o FMI de unificar a arrecadação, para canalisar os recursos públicos ao pagamento da dívida estatal. Esse dispositivo desagradava os construtores, já que havia redundado na diminuição das verbas à disposição de órgãos como o DNER e os DERs. Apesar da participação de outros aparelhos da sociedade civil, era o sindicado que liderava a campanha:

             O presidente do Sinicon, João Lagoeiro Barbará reivindicou que os recursos gerados pelas chamadas receitas vinculadas voltem a ser aplicados especificamente nos programas para os quais foram criados – o pedido faz parte do discurso com o qual a entidade saldou o presidente da Eletrobrás, Costa Cavalcanti. […] É notório que a excessiva concentração de poder nas mãos das autoridades econômicas, responsáveis pela liberação de recursos, tem acarretado, sobretudo ao setor hidrelétrico, que se caracteriza pela rigidez de seus cronogramas físicos, sensível descompasso com as necessidades de desembolso da Eletrobrás e a disponibilidade efetiva dos recursos para estes desembolsos.

Nesse caso, o Sinicon reclamada do fim do Fundo Federal de Eletrificação (FFE), dizendo-o responsável pela implementação da capacidade instalada elétrica nacional. Esse, o Fundo Rodoviário Nacional (FRN) e o Fundo das Telecomunicações haviam sido desmontados em favor do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND), que unificava seus antigos recursos, canalizando-os para outras finalidades, como a administração da dívida pública.” (p. 273)

Três comentários:

– E ainda há quem associe, de forma maniqueísta, militares a nacionalismo e defesa da soberania nacional.

– Houve um tempo em que vários empreiteiros criticavam o rentismo…

– Infelizmente o rentismo nunca deixou de vigorar, do governo Figueiredo até o presente. Pelo contrário: me parece que aprofundou-se, seja pela eternização de mecanismos como a Desvinculação de Receitas da União (DRU), atualmente em inacreditáveis 30%; seja pelo grau em que as autoridades políticas introjetaram os ditames do FMI e do Banco Mundial: mesmo não devendo mais dinheiro a eles, o país segue obedecendo às diretrizes neoliberais oriundas destas instituições, contrárias ao interesse nacional.

Rapidinhas

11/4/2018

Alguns mandatos parlamentares do PSOL na ALERJ e na Câmara Municipal do Rio têm feito um excelente trabalho em prol de melhorias no sistema de transporte público da região metropolitana. Exemplo disso é o relatório paralelo da CPI dos Ônibus elaborado pelo mandato de Tarcísio Motta. Vale conferir essa notícia no Brasil de Fato.

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Um dos objetivos do governo do Mordomo de Filme de Terror é destruir a estrutura estatal voltada para a prestação de serviços públicos e a garantia de direitos da população. O dinheiro público economizado com tal programa de destruição é transferido para os ricos do pagamento de juros da dívida pública. Outra face da política de enriquecer os ricos são os incentivos fiscais. Segundo uma matéria da Carta Capital, eles “superam gastos com Saúde e Educação“. Um trecho:

Em meio à onda de bloqueios de verbas, as universidades federais renegociam contratos com prestadores de serviços e reduzem até o cardápio dos restaurantes universitários. Pressionado pela demanda crescente, o Sistema Único de Saúde também se vê ameaçado pelo subfinanciamento.

Apesar do sacrifício imposto à população, o Brasil deverá abrir mão de mais de 283,4 bilhões de reais em renúncias fiscais em 2018. Estimado pela Receita Federal, o valor é superior à soma dos orçamentos da Educação e da Saúde: 107,5 bilhões e 131,4 bilhões, respectivamente. Nos últimos anos, os incentivos e benefícios fiscais tiveram forte expansão.

Contudo, como os dados do texto explicitam, as renúncias fiscais do atual governo apenas aprofundam política já muito ampliada no tempo em que o Partido dos Trabalhadores esteve na Presidência:

Em 2006, os gastos tributários, nomenclatura usada pelo Fisco ao se referir ao valor que a União deixa de recolher com as desonerações, somavam 77,6 bilhões de reais em valores absolutos, o equivalente a 15,3% das receitas, ou 3,33% do PIB. Em 2014, eles totalizavam 257,2 bilhões de reais, 22,38% da arrecadação e 4,45% de todas as riquezas produzidas naquele ano.

 

 


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