Gênero e memória na Argentina e no Brasil

O vídeo abaixo é uma matéria de televisão com a cerimônia de conversão da Escola de Mecânica da Armada (ESMA), maior campo de concentração argentino durante a mais recente ditadura, em Museu da Memória.
Embora os governos argentinos de Néstor Kirchner e Cristina Kirchner não sejam nem se pretendam de esquerda, ambos tomaram medidas fundamentais para trazer à tona a verdade, acertar contas com o passado e levar aos tribunais os que seqüestraram, estupraram, assassinaram, torturaram e cometeram outros crimes durante a ditadura.
O próprio fato de vermos no vídeo uma mulher no cargo de ministra da Defesa – pessoa que comanda os militares – e sabermos que atualmente outra ocupa a presidência dá o que pensar em comparação com o Brasil. Também vemos, além de movimentos sociais, autoridades que falam a verdade e chamam pelos nomes corretos os que cometeram crimes e mancharam as instituições (inclusive as Forças Armadas), em vez de apertar suas mãos em salões nobres e acobertá-los publicamente.
E aqui? O que o presidente Lula pensa a respeito? Por que até hoje não se dignou a dar uma declaração pública e definitiva assumindo uma posição clara? Em nome de que se mantém Nelson Jobim (PMDB) – que, de acordo com os professores Adriano Benayon e Pedro Antonio Dourado de Rezende, fraudou a Constituição de 1988 para beneficiar os credores da dívida pública – justamente como ministro da Defesa? Como explicar que um governo que tem entre seus próceres ex-presos políticos mantenha, desde 2003, uma postura tão covarde (salvo exceções pontuais de um ou outro ministro, que não se convertem em ações sistemáticas do govern0), se comparado com diversos governos moderados da América Latina?

http://www.metacafe.com/watch/1274811

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3 Respostas to “Gênero e memória na Argentina e no Brasil”

  1. Tristeza, raiva e vergonha « A Lenda Says:

    […] e vergonha Por Rafael Fortes Um misto dos três sentimentos. Foi o que me bateu quando li esta notícia e penso na possibilidade de ser disperdiçada uma nova oportunidade de caminharmos para acertar as […]

  2. Uma visita ao inferno « A Lenda Says:

    […] num pólo de organizações de direitos humanos foi tomada pelo governo de Néstor Kirchner e consolidada no seguinte, de Cristina Kirchner. Existiu e existe, porém, uma luta ferrenha dentro do governo e […]

  3. Buenos Aires – Espacio Memoria y Derechos Humanos (ex ESMA) – a máquina do terror na ditadura Argentina! « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini Says:

    […] num pólo de organizações de direitos humanos foi tomada pelo governo de Néstor Kirchner e consolidada no seguinte, de Cristina Kirchner. Existiu e existe, porém, uma luta ferrenha dentro do governo e […]

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