De volta + leituras sobre o ataque à Faixa de Gaza

Acabo de chegar de viagem. Estava em uma cidade onde a Avenida Estado de Israel encontra-se com a Calle Palestina. Cruzam-se. Ambas estão lá, mas, de maneira simbólica e significativa, até na homenagem portenha a Palestina é uma rua e Israel, uma avenida.

Aos poucos, em meio ao trabalho, vou me interando das notícias e lendo os emeios que recebi nas últimas duas semanas, muitos deles com artigos e informações sobre a mais recente rodada de horror promovida pelo governo de Israel em Gaza. Três deles abaixo, dentro do especial “Massacre em Gaza“, excelente trabalho produzido e atualizado pela Agência Carta Maior.

*  *  *

1) “Boicote a Israel para acabar com violência em Gaza“, de Naomi Klein. A escritora e ativista canadense refuta os quatro principais argumentos apresentados pelos que criticam as propostas de boicote a Israel e apresenta uma história pessoal interessante. Um trecho:

Vou responder a esta objeção com uma história pessoal. Durante oito anos meus livros foram publicados em Israel por uma editora chamada Babel. Mas quando publiquei “A Doutrina do Choque” quis respeitar o boicote. Com a assessoria de ativistas do BDS, entre eles o maravilhoso escritor John Berger, entrei em contato com uma pequena editora chamada Andalus. Andalus é uma editora militante profundamente envolvida no movimento de luta contra a ocupação israelense e a única editoria israelense dedicada exclusivamente à tradução de livros árabes para o hebraico. Redigimos um contrato para garantir que todas as receitas procedentes da venda do livro fossem destinadas ao trabalho da Andalus, sem reservar nada para mim. Em outras palavras, estou boicotando a economia israelense, mas não os israelenses.

2) “A mídia em Israel toca as trombetas da guerra“, de Gideon Levy. O jornalista israelense fala a respeito da censura imposta dentro de Israel às vozes dissonantes. A mídia gorda de lá faz um eficaz trabalho de silenciamento em relação aos variados pontos de vista e opiniões que têm em comum a crítica à atuação do governo de Israel em relação aos palestinos (a daqui também oculta essas vozes). Além disso, oculta diversos acontecimentos e informações relevantes, impedindo que cheguem à opinião pública israelense, e distorce outros. Assim como periferia, mídia gorda é mídia gorda em qualquer lugar.

Ao longo do artigo, é possível conhecer uma série de informações às quais a maioria das pessoas – aqui e lá – não pode ter acesso, pois à mídia gorda não interessa divulgá-las.

Com terror ou sem terror, sei de muitos judeus, não de ‘alguns poucos’, que defenderiam “o outro” lado e que não vacilariam, nem por um segundo, para declará-lo na televisão. Por exemplo, as centenas que tomaram a Praça da Cinemateca, em Telavive, no sábado à noite, para protestar contra a operação de guerra do exército israelense. Mas a equipe da produção do programa “London & Kirschenbaum” não os procurou. Problemas de produção, claro.

Seja como for, ninguém quis saber da opinião deles, no mais ouvido programa de entrevistas da televisão – porque há expressa proibição de que sejam ouvidos.

[…] A mídia israelense também ocultou os efeitos do boicote. Durante dois anos e meio nenhum veículo da mídia de Israel pôde entrar em Gaza. A opinião pública em Israel não soube de nada. Tampouco se ouviu qualquer protesto dos jornalistas em Israel. O sofrimento pelo qual passa a população sitiada em Gaza não apareceu na agenda jornalística em Israel.

3) “Quantas divisões?“, do admirável Uri Avnery, que afirma, corajosamente: “No fim a guerra de Gaza é, sobretudo, guerra contra Israel, também. É crime contra o Estado de Israel.” E crime contra a humanidade, eu acrescentaria. Ironia do destino que, para que um dia justiça seja feita, os líderes daquele país tenham que sentar como réus frente a um tribunal internacional para responder por crimes contra a humanidade.

Em seu artigo, o jornalista desvela a apresentação sistemática de mentiras por parte do governo de Israel, que conta com intensa colaboração da mídia gorda daquele país. Trecho:

Exemplo desse processo viu-se no episódio mais chocante, até agora, da guerra de Gaza: o bombardeio da Escola Fakhura, da ONU, no campo de refugiados de Jabaliya.

Imediatamente depois de o mundo tomar conhecimento do crime que ali se cometeu, o exército de Israel “revelou” que combatentes do Hamas estariam disparando granadas de área próxima à entrada da escola. Como prova, exibiram uma foto aérea na qual, sim, se via uma escola e uma granada. Minutos depois, o mentiroso de plantão no exército teve de admitir que a foto era antiga, de mais de um ano. Em resumo: a foto foi falsificada.

Depois, outro mentiroso armado ‘declarou’ que “nossos soldados estavam sendo atacados a tiros, de dentro da escola”. Dia seguinte, o exército foi obrigado a reconhecer frente aos funcionários da ONU, que também a segunda ‘declaração’ era mentira. Ninguém foi atacado a tiros, de dentro da escola, nem havia combatentes do Hamás dentro da escola. Dentro da escola só havia refugiados desarmados e apavorados.

Anúncios

Tags: , , , , , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: