Triste quadro do ensino superior nas privadas

Trecho da nota “Demissões na Estácio”, publicada no Jornal do Professor, editado pelo Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio):

“O ano letivo de 2008 foi encerrado com o saldo dramático de mais de 700 demissões realizadas pela Universidade Estácio de Sá (Unesa). Essa instituição vem caracterizando-se pelo sistemático desrespeito à legislação trabalhista e acadêmica, através do flagrante descumprimento da LDB.

Desde a abertura de capitais (IPO) iniciada em 2007, o corpo docente da Unesa tem sido submetido a tortuoso processo de precarização das suas condições de trabalho, através de graves irregularidades adotadas por fundos de investimentos que tomaram de assalto a instituição: fracionamento das férias, redução da carga horária e de salários dos professores mais antigos, esvaziamento de carga horária e modularização das disciplinas, inexistência de conselhos universitários e de pesquisa, etc.” (janeiro/fevereiro de 2009, p. 7)

O Jornal traz também uma notícia (republicada da Folha Online) informando que o “Ministério Público do Trabalho no Rio entrou na Justiça com ação civil pública contra a Universidade Estácio de Sá, em que questiona a redução dos salários dos professores após igualar a carga horária do período diurno ao do noturno.

Lembro da Estácio e dos 619 professores demitidos pela empresa (sic) em julho de 2008 toda vez que vejo, na mídia gorda, empresas multinacionais (montadoras de automóveis, fabricantes de eletrodomésticos e de equipamentos de informática, por exemplo) menos desavergonhadas anunciarem publicamente demissões (as quais, em diversos casos, vêm acompanhadas de pacotes para os funcionários). No caso da Estácio, nada. Nem a empresa vem a público falar sobre sua “responsabilidade social” ao demitir milhares de chefes de família (1.827 em menos de três anos) com o objetivo de lucrar mais e tornar o ensino ainda mais precário, nem a mídia gorda considera o acontecimento digno de virar notícia (voltamos à questão dos critérios de noticiabilidade tortos da mídia gorda – isso se acreditarmos que existem). De quebra, assume seu papel de dragão e dá sua cota de sopro para aumentar e esquentar o fogo da crise, jogando nela seus trabalhadores.

Enquanto isso, o Ministério da Educação (MEC), um dos poucos chefiados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no governo de seu presidente, finge que não vê. O Ministério do Trabalho, com o PDT (cujo candidato à presidência em 2006 apresentava a educação como panacéia para os problemas brasileiros) à frente, igualmente se cala.

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Uma resposta to “Triste quadro do ensino superior nas privadas”

  1. Rapidinhas « A Lenda Says:

    […] cenário de bandalheira generalizada nas relações trabalhistas aprofundou-se durante os governos do Partido dos Trabalhadores, ao menos no caso do ensino superior privado. Um […]

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