Contribuições indiretas de amigas e amigos (4)

Reproduzo abaixo a “Agenda do Governador” Sérgio Cabral Filho (PMDB) para ontem, conforme divulgada no sítio da Subsecretaria de Comunicação Social do governo, item Agenda do Governador.

“Terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

10h – Cerimônia de Entrega de Ambulâncias para os Hospitais Tavares Macedo (Itaboraí) e Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Jacarepaguá), além da entrega de um Ecodoppler para o Hospital Central da Polícia Militar

Local: Jardim de Inverno do Palácio Guanabara

Endereço: Rua Pinheiro Machado, s/nº, Laranjeiras

Descrição: Serão entregues duas ambulâncias para unidades de saúde especializadas no tratamento da hanseníase. Uma para o Hospital Estadual Tavares Macedo (Itaboraí), onde 80 pessoas estão em tratamento. Outra para o Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Jacarepaguá), onde há 50 pacientes em tratamento.

A doação das unidades foi possível graças a uma parceria entre a Obra social RIOSOLIDÁRIO e a Loterj. Além disso, será feita a entrega de um equipamento de Ecodoppler para o Hospital Central da Polícia Militar, que vai atender cerca de 300 pessoas por mês.

As doações foram motivadas por uma visita da primeira-dama do Estado, Adriana Ancelmo Cabral, às unidades de saúde. Na ocasião, ela identificou a necessidade dos equipamentos.”

O item acima (com os grifos) eu recebi de um amigo jornalista. As perguntas abaixo são minhas mesmo:

1) Desde quando o Estado entregar duas ambulâncias e um equipamento para exames é razão para a realização de “cerimônia”?

2) Se contabilizarmos os gastos anuais com cerimônias do tipo e publicidade realizados pelo governo do estado, quantas ambulâncias poderiam ser compradas ou quantos médicos e professores poderiam ser contratados por concurso público?

3) Se a decisão sobre as “doações” é feita pela primeira-dama a partir da capacidade que tem de “identificar a necessidade dos equipamentos”, para que servem os estudos, pesquisas e relatórios sobre políticas públicas para a saúde realizados por diversas instituições do Rio de Janeiro e financiados com dinheiro público? O que o governo do estado faz com eles?

4) Podemos inferir que, se a capacidade de a primeira-dama “identificar necessidade de equipamentos” continuar apurada e ela percorrer todas as unidades de saúde administradas pelo governo do estado, todas terão suas necessidades supridas? Colocar a primeira-dama para visitar unidades e “identificar a necessidade de equipamentos” pode ser considerado uma política pública? Em que medida a atuação da primeira-dama se articula com a Secretaria Estadual de Saúde? O que os órgãos representativos dos médicos teriam a dizer sobre esta prática?

5) O uso de termos como “doação”, “cerimônia” e a bondade da primeira-dama sugerem que saúde, para o governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), não envolve deveres e direitos entre Estado e cidadãos. A política, portanto, é associada ao assistencialismo eleitoreiro.

6) Assim como as UPAs, a “cerimônia” é uma cortina de fumaça para esconder o sucateamento da saúde promovido pelo governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) e aliados (entre os quais partidos alegadamente de esquerda, como PSB e PT)?

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