“Choque de ordem” e certos jornalismos

Deu no blogue Olhares, da jornalista Mônica Oliveira: “Agentes sem Lei e sem Ordem“. Um trecho:

As sanções legais, regulamentadas pelo prefeito César Maia em 1994 para todo o comércio ambulante, incluem a apreensão das mercadorias e o pagamento de multa, mas também exige que seja lavrado um auto de apreensão, considerado indispensável, além do encaminhamento dos produtos aos locais determinados pela Secretaria Municipal de Fazenda. Legalmente, até pelo fato de serem funcionários celetistas de uma empresa de capital fechado e não servidores públicos, os agentes da Guarda Municipal não se qualificam para esta tarefa. Em operações oficiais, divulgadas para a grande mídia antecipadamente, pode-se perceber que a tarefa de abordar, autuar e mesmo confiscar, se assim for o caso, cabe aos fiscais da Fazenda. A Guarda Municipal acompanha os servidores municipais como força de apoio. Mas o que se vê no cotidiano das ruas da cidade, via de regra, é sua atuação independente, como se fossem qualificados a atuar como agentes de Segurança Pública, e pudessem decidir autonomamente sobre suas competências.

Uma pessoa atenta, crítica e que não se informe exclusivamente pela mídia gorda e por veículos conservadores percebe facilmente que o tal “Choque de Ordem” da Prefeitura do Rio na verdade é apenas:

a) (Mais) Uma prova da incapacidade de certos administradores – no caso, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro – para lidar com problemas e necessidades da população.

b) Um nome-fantasia para ações repressivas e de criminalização da pobreza, com apoio da mídia gorda e dos setores conservadores da sociedade. (Quem quiser exemplos é só acompanhar a cobertura da mídia gorda diária carioca e os comentários que os leitores deixam nas matérias na internet.)

c) Uma justificativa para criar uma secretaria e abrigar mais um reacionário do bonde do prefeito Eduardo Paes (PMDB). (Neste caso, não custa repetir a pergunta: o que partidos que ainda se dizem de esquerda, como PT e PCdoB, fazem nesta prefeitura?)

O texto citado aponta uma série de ilegalidades na atuação da Prefeitura do Rio e de sua Guarda Municipal. Ou seja, a pretexto de trazer ordem e cumprimento da lei, na verdade o que se faz é descumprir a lei. Mecanismo bastante parecido, aliás, com o da polícia em certas ações que, em vez de combater crimes, cometem-nos – aumentando, portanto, a criminalidade que deveriam lutar para reduzir. Os 1.330 “autos de resistência” dos registros oficiais de 2007 são o exemplo mais contundente. Nada de espantar, na medida em que a candidatura do prefeito eleito foi uma invenção do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). Ambos estão afinados na política de precarizar e vampirizar o Estado, evitando que este atue na garantia de direitos à população.

*  *  *

Em “Jornalistas e Jornalistas“, Marcelo Salles faz uma reflexão interessante a respeito de como funcionam certas cabeças dentro da mídia gorda. Um trecho:

Conto essa história porque sinto uma onda reacionária de jornalistas que atualmente vendem sua força de trabalho às corporações de mídia contra aqueles profissionais que escolheram um caminho diferente. Isto fica bastante visível no menosprezo da diretora da CBN em relação ao Oswaldo Maneschy. Para se posicionarem desta forma, esses jornalistas acreditam piamente no mito da imparcialidade. Acham que basta ouvir os dois lados, mas aparentemente não percebem que a vida não é feita em preto e branco. Ou, mais além, parecem não saber que as empresas onde trabalham estão a serviço de um determinado projeto político.

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2 Respostas to ““Choque de ordem” e certos jornalismos”

  1. Privatização dos serviços públicos no Rio, CUT/RJ e amnésia seletiva « A Lenda Says:

    […] forma, parece cada vez mais válida a pergunta que venho fazendo insistentemente (exemplos: 1 , 2): o que partidos como PT, PSB e PCdoB fazem na […]

  2. Rafael Says:

    Sou contra camelódromos. Acho um absurdo isso. Por que não há, ao invés, um plano de formalização desses comerciantes? Temos um grande problema sobre o assunto aqui em Pelotas. Dá uma olhada: http://pelotaspublica.wordpress.com/2009/08/04/camelos-fora-de-controle-da-prefeitura/

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