Manu Chao na Fundição Progresso

Não vou fazer uma crônica ou comentário do show. Achei foda. Excelente. Ponto.

Fiquei a pensar, contudo, em algumas coisas:

a) A Fundição Progresso estava lotada. Houve venda de meia-entrada para todos, a R$ 35. Os ingressos se esgotaram antes do início do show e, nas ruas próximas, os cambistas faziam a festa, sem serem importunados por policiais militares ou guardas municipais. Os agentes do “choque de ordem” (ver texto abaixo) sabem a quem perseguir com agressões e apreensão (na verdade roubo, quando não se lavra o registro da apreensão).

b) O som estava bem mais ou menos. Impressionante como um lugar especializado em atrações musicais pode manter um som ruim por tantos anos a fio. Ali está um bom exemplo da dissociação existente no Brasil entre lucro e sobrevivência empresarial, de um lado, e competência, de outro.

c) Os ingressos se esgotaram e o lugar tem capacidade para alguns milhares de pessoas – um amigo que já trabalhou como produtor de banda falou em 7 mil. Se o número estiver correto, 7.000 x R$ 35 = R$ 245 mil. Certamente foi esta modesta arrecadação a razão pela qual a “organização” colocou apenas três roletas para a entrada do público, que, horas antes do show começar, já se espalhava e amontoava numa fila de centenas de metros.

d) O funcionário responsável pela roleta tomou meu ingresso na mão grande na entrada. Se, por muitas razões possíveis, o show não fosse realizado ou viesse a ser interrompido, como eu faria para exigir meus direitos? Se por um motivo qualquer eu precisasse comprovar que estive lá naquela noite? Se ocorresse um acidente, incêndio ou outra ocorrência qualquer e eu quisesse ou precisasse pleitear algum tipo de indenização ou direito? Ou se simplesmente eu quisesse guardar o comprovante da ida ao show de um ídolo?

e) Tomaram meu ingresso na mão grande na entrada. Como fica o argumento dos empresários do ramo que se fazem de coitadinhos e juram pagar muitos impostos e gerar muitos empregos, falácia que já critiquei? Cadê a minha nota fiscal? A não emissão de nota fiscal e tomar o ingresso do consumidor me parecem formas claras de evasão fiscal. Além disso, como se sustenta o argumento da geração de empregos quando se colocam apenas três funcionários/roletas para controlar (melhor seria dizer travar) a entrada de milhares de pessoas?

Infelizmente o jornalismo da mídia gorda ignora estas práticas quando faz seu ramerrão inócuo e tendencioso sobre meia-entrada e financiamento das artes (ou da “cultura”, como preferem).

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