O pau canta na USP

Novamente O Biscoito Fino e a Massa traz uma cobertura em cima do laço, graças à iniciativa do blogueiro e às contribuições dos leitores. Vale a pena acompanhar, a partir dos textos e dos comentários (repletos de relatos e atalhos), a cobertura da brutalidade cometida pela PM paulista na USP.

Por falta de tempo e saco para escrever algo, reproduzo abaixo, de forma editada, parte do comentário que deixei no Biscoito:

“Toda solidariedade às vítimas da violência policial na USP.

Toda solidariedade aos que lutam – dentro e fora dela – por uma universidade pública, gratuita (financiada pelo Estado) e de qualidade.

Abominável o ocorrido.

Dito isto, tenho uma consideração, em alguma medida lateral, a partir do texto e dos comentários.

Corrijam-me se eu estiver errado, mas a polícia lançou mão do mesmo expediente que usa costumeiramente nas áreas pobres das grandes cidades. Para ficar com um exemplo recente de Sampa que alcançou alguma visibilidade midiática, ao contrário dos horrores que são silenciados no dia-a-dia: o caso Paraisópolis. O cotidiano é de violação sistemática de direitos, tapa na cara, achaque, ameaças, execuções, espancamentos, roubo de bens e mercadorias etc. Aqui no Rio, revistam mochilas de crianças de 3 anos de idade.

Ou seja, do ponto de vista do respeito diário e cotidiano a direitos básicos dos cidadãos por parte da polícia, a ditadura nunca acabou e nunca se entrou num Estado Democrático de Direito. A questão é que isso acontece de maneira rotineira e sistemática na periferia, atingindo preferencialmente os pobres. Neste sentido, o episódio da USP não tem nada de novo no que diz respeito ao comportamento da polícia (ou de boa parte dela). A “novidade” diz respeito ao local (universidade) e às vítimas (professores, estudantes e funcionários, ou seja, majoritariamente classe média). Se há alguma “volta aos tempos da ditadura”, esta me parece ocorrer não apenas pela entrada da polícia para reprimir manifestantes dentro de um campus, mas sim pela aplicação dos mesmos métodos de sempre a uma parcela da sociedade que não está acostumada a sofrê-los na pele.”

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