O maravilhoso mundo das empresas – Estacionamento da Feira de São Cristóvão e TV Globo

Domingão com almoço na sempre divertida e bacana Feira de São Cristóvão. Programaço com ingresso a R$ 1. Na entrada, contudo, duas surpresas.

Comprovante estacionamento

"Comprovante" recebido em um dos estacionamentos oficiais da feira.

Primeiro, após um pequeno engarrafamento na entrada do estacionamento, mediante o pagamento de R$ 5 antecipados, recebi o “comprovante” ao lado –  rabisquei a parte em azul pra placa não aparecer, mas não estava lá muito legível antes de minha intervenção. Coisa de deixar o sujeito tranquilo por ter parado o carro em local seguro, né não?

Fiquei imaginando se o(s) dono(s) da empresa que explora o estacionamento (concedido pela prefeitura, suponho) não é daqueles que adoram dizer que os impostos “sufocam a atividade econômica” e “desestimulam os investimentos e a criação de empregos”. Aquela velha lenga-lenga que a mídia gorda adora (re)produzir e amplificar, segundo a qual o empresário brasileiro é o sujeito mais coitadinho do mundo. O “choque de ordem” do prefeito Eduardo Paes (PMDB) certamente não passará por ali.

Na saída, um cartaz informa que é obrigatória, na saída, a entrega do comprovante de estacionamento. Enquanto tento resolver a intrigante questão filosófica e quase shakesperiana – “aquilo que recebi é ou não um comprovante de estacionamento?” -, passo pela saída. Recebo um aceno do segurança e vou embora. Sem mostrar “comprovante” nem nada.

TV Globo e $: tudo a ver

TV Globo e $: tudo a ver

De quebra, na entrada “descobri” – na verdade está estampado no ingresso acima – que a TV Globo Rio participa da “antecipação de despesas” da Feira. Não sei o que isto quer dizer, mas certamente se trata de mais um tentáculo do polvo Organizações Globo. Aposto que, se perguntada, a emissora dirá que a participação no negócio em nada interfere no jornalismo neutro, isento, objetivo e imparcial que diz realizar.

Por falar em participação em negócios, me encaminharam um texto sobre a briga sem-vergonha entre Globo e Record. O texto tem pontos positivos e negativos, mas o trecho a seguir me deixou abismado:

a diferença, e talvez seja essa a causa da briga das duas, é que a Globo é uma empresa. Se ela precisa de dinheiro, tem que ir ali adiante, trabalhar, vender, faturar, pagar seus impostos, gerar lucro e então poder tocar no din din. A Record, não. Escasseou o caixa, aluga-se o Maracanã, faz-se uma celebração para Jesus Cristinho na versão do bispo, junta-se duzentos mil coitados, passa-se o saco, todo mundo contribui ou vai ver só, leva-se os sacos de dinheiro pros templos, pronto. Cash flow pra ninguém botar defeito, fora todo mundo com alguma decência no coração.

Como se a Globo tivesse sido criada e atuado, nas quatro últimas décadas, inteiramente à base da livre iniciativa e do capital de seus donos, sem qualquer benesse do Estado e do capital privado brasileiro e internacional – isso para não entrar no mérito da concessão em si, das renovações etc. Como se a TV Globo não fosse parte de um conglomerado em que as partes ajudam umas às outras, ao mesmo tempo em que sabotam ou condenam à invisibilidade a concorrência.

[Editado em 25/8, às 8h25]

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