Anatomia de uma fraude eleitoral

De São Paulo, além de uma camisa da Galinhada do Bahia (cujo almoço recomendo) que ganhei de um amigo figuraça, trouxe alguns livros de sebo. Um deles comecei a ler já na volta, apesar de Sandra Bullock e Hugh Grant. É Plim-Plim: A peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, de Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos.

A partir de ampla pesquisa, narra a participação das Organizações Globo na fraude para roubar o resultado das eleições de 1982 e impedir que Leonel Brizola (PDT) se elegesse governador do Rio de Janeiro. Dentro do jornalismo (sic) das Organizações Globo, houve tanto veiculação de matérias que legitimavam a fraude quanto censura àquelas que traziam denúncias de fraude apuradas por seus profissionais.

Segundo os autores, o livro tem dois objetivos:

1) “Demonstrar que a forma de votar em eleições no Brasil não é à prova de fraude.”

Estão corretos. O livro traz argumentos suficientes para desconfiarmos de eleição e apuração eletrônicas sem programas com código aberto e à disposição dos fiscais dos partidos. Não é à toa que o velho Brizola desconfiava desse sistema e seu partido, o PDT, era o único a contestá-lo na Justiça – sem qualquer sucesso, infelizmente. Considero assustador que a esquerda nunca tenha assumido esse debate e essa bandeira para si.

2) “O segundo motivo […] foi contribuir para a discussão do papel da mídia e, em especial, das Organizações Globo na política e nas eleições no Brasil”

E, de fato, contribui. Deveria ser leitura obrigatória dos estudantes de comunicação brasileiros. Eu mesmo me formei – em 2000, cinco anos antes de o livro ser lançado – sem ouvir falar dessa história, embora, felizmente, meus professores tenham contado muitas outras de teor semelhante.

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Uma resposta to “Anatomia de uma fraude eleitoral”

  1. Leo Lagden Says:

    Boa dica de leitura!
    Esse sistema de eleição por urna eletrônica nunca me pareceu confiável e sempre desconfio do modo como a mesma é processada.
    Mas afinal, como diria o Farofa Carioca:
    Moro no Brasil, não sei se moro muito bem ou muito mal…rs

    Ainda bem que tive professores como você que sempre vão nos mostrando os caminhos alternativos que podemos trilhar e estudar, para que não entremos pelos “caminhos demarcados” da grande mídia!

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