Rapidinhas

Edição recente do Ibase Informa trouxe material sobre a Olimpíada de 2016. Cândido Grzybowski, embora crítico, mantém um certo otimismo em relação ao potencial de mobilização cidadã para cobrar as autoridades em relação às obras previstas. Luiz Mario Behnken, em entrevista, explica as perspectivas e as iniciativas pensadas para mobilização a população. Itamar Silva, também em entrevista, fala uma meia dúzia de verdades que merecem atenção e reflexão. Um trecho:

No conflito do Morro dos Macacos, vimos um número considerável de mortes, e a grande preocupação é: o que os outros estão pensando da nossa cidade? Ninguém para para pensar como fica a situação dos moradores da favela, que têm um helicóptero sobrevoando suas casas, tiro “comendo” e tantos mortos. Isso é pavoroso. Essa dimensão de solidariedade com o morador de favela foi sobrepujada pela imagem negativa que a cidade estaria mostrando para o mundo. Isso vai criando um clima que é quase um cheque em branco para a atuação mais violenta da polícia.

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Pense rápido: você teve acesso nos últimos meses, caro leitor, a alguma matéria da grande mídia sobre a situação na Palestina? Não? Sempre que esse for o caso, a ausência de notícias quer dizer o seguinte: a ocupação colonial israelense continua a se expandir, os assentamentos de colonos armados seguem roubando terra palestina, crianças continuam sendo presas e torturadas, os serviços básicos para a população palestina seguem em situação precária, famílias palestinas continuam sendo arrancadas e despejadas de suas casas para dar lugar a colonizações judaicas ilegais segundo a lei internacional. Tudo isso já passou a fazer parte da paisagem. Não é notícia. Ocorre com a população palestina o pior que pode acontecer com qualquer vítima: sua condição já está naturalizada. Neste contexto, Israel só aparece na mídia com a ocasional entrevista de seus líderes manifestando “preocupação” com o programa nuclear do Irã, um país que nunca invadiu vizinho nenhum. Se, no improvável caso de que algum palestino conseguisse furar o bloqueio do exército de ocupação e cometesse algum atentado suicida no interior de Israel, aí sim, claro, teríamos manchetes de primeira página na imprensa de todo o mundo. É o que os palestinos chamam de desumanização. Sua própria condição de seres humanos já não é parte da equação com a qual se discute o problema.

Idelber Avelar, em grande forma, na Fórum do mês passado.

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A Rede contra a Violência, as Mães de Maio de São Paulo, a Associação de Famiiares de Vítimas de Violência do Espírito Santo, e a Campanha Reaja e a Asfap na Bahia, irão realizar no dia 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos, atos simultâneos nos quatro estados, todos em frente aos Tribunais de Justiça (Em SP deverá ser em frente ao Fórum de Santos).

Informações aqui.

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“(…) direitos humanos e segurança efetiva não podem ficar restritos a alguns poucos projetos. Está na hora de todos os governos – federal, estadual e municipal – trabalharem no sentido de incluir todos os cidadãos do Rio de Janeiro sob a proteção plena do Estado, seja qual for seu endereço ou a cor de sua pele. Não se pode mais aceitar que trabalhadores, mães, estudantes e aposentados vivam sob o controle de criminosos armados ou com medo das próprias autoridades encarregadas de sua proteção. O Rio de Janeiro e o Brasil devem enfrentar esse desafio se quiserem fazer jus ao seu futuro.

A Anistia Internacional, em nota, cobra uma mudança de postura nas três esferas do Executivo.

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