Rapidinhas

Hoje é Dia da Consciência Negra. No Rio de Janeiro e em outras cidades, é feriado – “de Zumbi”, como se fala por aqui. Sem muito a dizer e com muito a fazer, deixo o recado por conta de Ivan Valente (deputado federal – PSOL/SP) e do grupo musical Farofa Carioca. O primeiro, em pronunciamento essa semana, na Câmara dos Deputados, articula lutas passadas e históricas ao massacre seletivo cometido pelos agentes do Estado, no presente, contra a população jovem, negra e pobre das grandes cidades. O segundo, em “A Carne“, faixa do antológico Moro no Brasil (1998). Autoria de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti:

A carne mais barata do mercado é a carne negra


Que vai de graça pro presídio

E para debaixo do plástico

Que vai de graça pro sub-emprego

E pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que fez e faz história pra caralho

Segurando esse país no braço, meu irmão

O gado aqui não se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador é lento,

mas muito bem intencionado

Esse país vai deixando todo mundo preto

E o cabelo esticado

 

E mesmo assim, ainda guardo o direito

De algum antepassado da cor

Brigar por justiça e por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar bravamente por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar por justiça e por respeito

De algum antepassado da cor

Brigar…

*  *  *

Vale a pena ler o pronunciamento do parlamentar sobre a luta pela democratização da comunicação e o processo de construção da I Conferência Nacional de Comunicação. Um trecho:

São exatamente os chamados donos da mídia que têm atuado no processo desta Conferência para garantir que tudo siga como está. Basta olhar para a configuração prevista para a etapa nacional da Confecom – que tem se reproduzido em grande parte dos estados. Não há qualquer justificativa razoável para que os empresários do setor tenham garantidos, de antemão, 40% do universo dos delegados e delegadas da Conferência, cabendo à sociedade civil não empresarial a mesma cota e, aos entes do poder público, 20%. Nas mais de cinqüenta conferências realizadas de 2003 até hoje não existe qualquer precedente neste sentido. Tal proposta de composição torna-se ainda mais estranha ao espírito das conferências diante da constatação de que as posições das empresas de comunicação já são inegavelmente hegemônicas em toda a história da regulação do setor no Brasil.

Adiante, Valente critica o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PFL, atual DEM) por se recusarem a convocar as etapas estadual e municipal. Às vésperas de um ano eleitoral, estes governantes de direita, que contam com apoio da poderosa mídia gorda paulista, negam-se a defender o interesse público e contrariar o interesse privado de seus aliados históricos.

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