Rapidinhas palestinas, bolivianas e iranianas

No fim de semana, Israel fez aniversário. Data para celebrar, para lamentar uma tragédia ou para ficar em alguma possibilidade contraditória de combinar ambos, dependendo do ponto de vista e de quem se é.

O blogue Somos Todos Palestinos divulgou farto material a respeito.

Ontem, no IFCS/UFRJ, vi algumas faixas e cartazes, além de uma enorme e belíssima bandeira palestina pendurada do primeiro andar até o pátio. Ponto para os estudantes responsáveis pelo protesto/registro.

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Por falar em Palestina, reproduzo trechos de entrevista com Mustafá Barghouthi, concedida à jornalista Adriana Mabilia e publicada na edição “Especial Oriente Médio” de Caros Amigos, que circulou em maio de 2009.

Em maio do ano passado [2008], o senhor deu uma entrevista ao periódico francês Le Monde Diplomatique, por ocasião das celebrações do 6oo aniversário de Israel. E disse que não estava otimista em relação ao fim da ocupação. O senhor mantém essa opinião?

Sim, porque Israel não quer a paz. E o genocídio em Gaza mostrou isso. Israel quer a ocupação. Nada do que foi acordado se efetivou. Cada vez mais, o governo israelense mostra força e indiferença em relação à comunidade internacional. E ninguém reage. Se ele pode ocupar terras e matar pessoas e o mundo não faz nada para detê-lo, por que ele vai parar, por que ele vai ceder? Eu não acredito em uma mudança espontânea no comportamento de Israel. Os fatos, os números, a história mostram isso. Se as organizações internacionais não tomarem uma atitude, os territórios palestinos continuarão ocupados e o povo palestino continuará escravizado.

Por que a comunidade internacional não intervém?

Ela tem medo do lobby judaico.

Como  funciona esse lobby?

Primeiro, é importante dizer que não são todos os judeus que fazem parte desse lobby. Mas os que fazem são muito organizados, no mundo todo. E esse lobby domina o setor econômico, financeiro, a mídia, as universidades. Nos Estados Unidos, o lobby é tão forte que determina as decisões do Congresso. É verdade que, em alguns países da América Latina, como a Venezuela e a Bolívia, essa força é combatida. Mas, na maioria dos lugares, ela atua com forte desembaraço, a despeito de Israel ser um Estado que viola os direitos humanos e desafia a comunidade internacional. Talvez, se os países rompessem relações comerciais com Israel, exigindo o fim da ocupação, a história fosse diferente.”

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Por causa da Copa do Mundo de futebol, os programas televisivos têm falado com certa frequência sobre a contribuição da pressão internacional e dos boicotes – inclusive o esportivo, bastante relevante – para o fim do apartheid na África do Sul. Contudo, não vi, na mídia gorda esportiva, uma linha sequer articulando a África do Sul dos anos 1970 e 1980 ao que ocorre, há muitos anos e no presente, em Israel – com decisiva contribuição do esporte, que não só não boicota aquele país como promove ações afirmativas em seu favor.

Por falar nisso, o Governo do Estado do Rio de Janeiro compra armas, treinamentos e outros produtos e serviços de Israel para levar a cabo sua política de exceção e de extermínio da população jovem, pobre, negra, masculina e residente nas favelas.

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No fim de semana vi “Cocalero“, de Alejandro Landes, sobre a primeira campanha de Evo Morales à presidência da Bolívia. Emocionante, engraçado, surpreendente, impressionante. Quando se vê um candidato a presidente falar, numa boa,  “morram os ianques” e “viva o socialismo” durante a campanha – e ser eleito -, percebe-se, imediatamente, o quanto o buraco deste governo (e de outros na América Latina) encontra-se muito, mas muito mais embaixo que o do Governo Lula, do Partido dos Trabalhadores. Infelizmente – para o Brasil e seu povo.

Por exemplo, Evo Morales expulsou da Bolívia o embaixador israelense e rompeu as relações diplomáticas com aquele país durante os inacreditáveis ataques à Faixa de Gaza na virada de 2008 para 2009.

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Pra não dizer que não falei de flores: não acompanhei de perto o desenrolar dos acontecimentos recentes relativos ao desenvolvimento de tecnologia nuclear pelo Irã. Pelo que vi exposto nas bancas, exceto pelo Jornal do Brasil, a mídia gorda brasileira segue seu papel usual: porta-voz dos interesses da Casa Branca. Ponto para o Governo Lula (do Partido dos Trabalhadores) e para sua política externa – de longe, o que há de melhor neste nele.

Não por acaso, a mídia gorda, a direita e certos setores da sociedade brasileira andaram tentando arrancar as calças pela cabeça, tamanha a raiva. Inclusive o lobby mencionado na entrevista acima, que atua firme e forte no Brasil, em especial no Rio de Janeiro.

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Tá difícil arrumar tempo pra acompanhar os acontecimentos via mídia democrática. Como da mídia gorda guardo distância…

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