Rapidinhas pós-eleitorais (ou melhor, pós-primeiro turno)

Vamos lá com algumas rapidinhas sobre o resultado das eleições.

Minha maior alegria foi a esplêndida votação obtida por Marcelo Freixo (PSOL/RJ), reeleito deputado estadual com 177 mil votos (segundo lugar). Trata-se de um crescimento espantoso, considerando os 13 mil votos de 2006. O PSOL conseguiu outra cadeira na ALERJ, a ser ocupada por Janira Rocha.

O PMDB segue com a maior bancada na ALERJ, mas agora com 12 deputados e seguido de perto pelo PDT, com 11, entre os quais destaco Paulo Ramos.

Da mesma forma, a votação espetacular – 240 mil – de Chico Alencar para a Câmara dos Deputados não apenas lhe garantiu a reeleição e o segundo lugar, mas mas contribui decisivamente para dar ao PSOL uma segunda vaga, que será preenchida por Jean Wyllys.

Desconheço a maioria dos eleitos, mas posso dizer, a partir de certos nomes e partidos, que é significativo o número de candidatos ligados a igrejas cristãs.

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A bancada do PSOL em Brasília tem a baixa de Luciana Genro, que não se reelegeu no RS. Mas, com os dois eleitos do Rio e a reeleição de Ivan Valente, em SP, o partido mantém três cadeiras na Câmara. A renovação de mandato do parlamentar paulista é digna de nota e comemoração por duas razões. Primeiro, porque se trata do melhor parlamentar do Congresso. Segundo, porque é dificílimo alcançar o coeficiente eleitoral em SP, ainda mais para um partido com parcos recursos financeiros.

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Plinio de Arruda Sampaio. Emocionante ver um brasileiro, em sua idade, ter  energia para percorrer o país em campanha, dizendo o que precisa ser dito e desafiando o coro dos contentes. Domingo me emocionei, na frente da urna eletrônica, ao votar nele, em Marcelo Freixo e em Chico Alencar. O candidato do PSOL teve 0,87% dos votos. Rio de Janeiro e Distrito Federal lhe deram os maiores percentuais: 1,65%. Votação significativamente menor que a de 2006, quando Heloisa Helena, usando um discurso moralista e raivoso e pouco discutindo a plataforma do partido, obteve 6,85%.

Caso Chico Alencar seja coerente com o que prometeu e com o Projeto de Emenda Constitucional que apresentou no Congresso Nacional para limitar a três mandatos consecutivos (e cinco alternados) a possibilidade de reeleição para candidatos ao legislativo, esta será sua última legislatura seguida na Câmara. Creio que seria um tremendo avanço para o PSOL e para o debate durante a campanha eleitoral se ele fosse o candidato do partido à presidência em 2010.

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Confesso ter aberto um sorriso de canto de boca e sentido uma pequena alegria ao ouvir na (rádio pró-sionista) CBN que, segundo a BBC, Dilma venceu a eleição entre os votantes de Ramalá, ao passo que Serra ganhou em Tel Aviv.

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Ando com pouquíssima paciência para gente que votou na Marina Silva (PV) por “protesto” e/ou porque a considera uma “novidade”, mas fica falando mal da eleição de Tiririca. (Antes que alguém proteste: não, não estou dizendo que ambos se equivalem. Nem que todos os que votaram na candidata do PV o fizeram por estas duas razões.) O princípio me parece o seguinte: “voto de protesto” ou “voto em novidade” bom é o meu (principalmente se eu for de classe média e tiver “estudado”). Quando é o dos outros (principalmente se forem pobres e com pouca escolaridade), é estupidez, burrice, irresponsabilidade etc.

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O resultado dessas eleições é o resultado possível, é a expressão do que somos, social, cultural, política e historicamente. Olhando para nosso país, história, qualidade do ensino público etc., como esperar um resultado muito diferente deste? Em certos comentários raivosos sobre o resultado das eleições, a inutilidade dos políticos ou o absurdo de fulano ou beltrano serem eleitos, vejo profundo desprezo pelo Brasil, pelos brasileiros e pela democracia. Fica parecendo que, se fossem exterminados os brasileiros (ou, talvez, os pobres), aqui seria um lugar ótimo de se viver.

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De uma forma geral, me surpreendi positivamente com o resultado das eleições. Diversos caciques políticos da velha direita não se elegeram para o Senado (Arthur Virgílio, Marco Maciel e Cesar Maia), geralmente perdendo vagas para políticos de partidos mais à esquerda. O RJ, por exemplo, trocou um segundo suplente do PMDB que ficou quatro anos como senador por um mandato de oito do PT. O DF, que já elegeu figuras bastante nefastas para o Senado, desta vez  elegeu um senador do PT e outro do PDT. A Bahia, que em outros momentos elegia para o Senado uma dobradinha do PFL (atual DEM) em chapa escolhida pelo cacique Antonio Carlos Magalhães, desta vez escolheu o excelente Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB). O PSOL elegeu um senador no Amapá e talvez tenha eleito outro no Pará (este caso depende de avaliação de outras candidaturas pela Justiça).

No caso específico do Senado, instituição cuja extinção defendo, o quadro a partir de 2011 será consideravelmente melhor do que aquele que vigora até este ano.

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Vibrei particularmente com dois resultados no RS: a reeleição de Paulo Paim (PT) para o Senado e a eleição de Tarso Genro (PT), no primeiro turno, para governador. A governadora Yeda Crusius (PSDB) teve uma votação vergonhosa para uma candidata à reeleição (18,4%), mas generosa quando se olha o governo hediondamente tucano que fez, desmontando o Estado. A população gaúcha botou o pé na porta e mostrou-lhe o caminho da rua.

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Caso alguém tenha dúvida: no segundo turno, vou votar, convicto, no PT. 13. Dilma Rousseff presidente.

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2 Respostas to “Rapidinhas pós-eleitorais (ou melhor, pós-primeiro turno)”

  1. jorge peres costa Says:

    Concordo com dito acima, e fiquei super satisfeito em saber que algumas “viuvas” do Fernando Henrique não se reelegeram. Vou dormir tranquilo.

  2. F.Silva Says:

    O BRASIL PRECISA SABER – São Miguel,cidade paulista,com pouco mais de 30 mil habitantes,administrada por prefeito reeleito tucano,distante 180 quilômetros da Capital onde não existe Hospital e não existe Maternidade…

    Não critiquem o Tiririca quando eleitores de todos os níveis votam no ‘estilo tiririca’ – se não temos uma saúde municipal de qualidade.

    O povo é masoquista ou ‘tiririca’?A sessão da Câmara demonstra o empenho ao ‘estilo tiririca’ dos muitos discursos enfadonhos e dos requerimentos tapa-buracos.

    Existe também um tipo de administração que é ao ‘estilo tiririca’.A massa sabe ou não sabe das suas necessidades e a obrigação dos eleitos que nos representam?

    Mas o Serra está aí alardeando na propaganda eleitoral que irá “fazer chover” na Saúde Pública por todo o País.Você ainda acredita no Zéserra?

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