Uma boa crítica do show do Rage no SWU

Reproduzo abaixo o texto de Marco Aurélio Canônico publicado na Folha de S. Paulo sobre o show do Rage Against the Machine no Festival SWU (comentado brevemente por mim aqui). Trata-se de um exemplo – tão curto quanto significativo – de que, às vezes, há brechas para se fazer trabalho crítico, de qualidade e contra a corrente dentro da mídia gorda. Que os amigos, amigas, colegas e camaradas que trabalham nas redações e assessorias da mídia corporativa se sintam contemplados com este elogio: ele e a minha sincera admiração se estendem a vocês.

*  *  *

“Havia tanta expectativa dos fãs pelo primeiro show do Rage Against the Machine no Brasil que nem os lamentáveis problemas de som e de organização conseguiram estragar a festa. Com uma apresentação concisa e explosiva, o quarteto californiano empolgou a plateia (cheia de marmanjos que foram adolescentes no ápice da banda, nos anos 90) e assustou a parte do público que não fazia ideia do que vinha pela frente.

A introdução do show, com uma sirene de alerta soando enquanto surgia, como pano de fundo, a bandeira do Exército Zapatista de Libertação Nacional, já deixava claro o tom político (e de confronto) que é marca registrada da banda. Em termos musicais, isso se traduz em um som extremamente agressivo, marcado pela metralhadora vocal de Zack de La Rocha e pela guitarra distorcida de Tom Morello. O efeito dessa energia sobre o público é notável – já nos primeiros acordes de “Testify”, a música de abertura, os fãs começaram a pular e a abrir as tradicionais rodas de “pogo” (a dança punk).

A crônica inabilidade dos grandes festivais brasileiros para lidar com esse tipo de audiência quase levou a um acidente grave quando a pressão da plateia, imprensada entre várias estruturas de metal mal posicionadas, derrubou a barreira que demarcava a famigerada área VIP. Isso causou a primeira interrupção – a segunda viria depois de o som falhar durante “Township Rebellion”, a sexta música da noite. Foram momentos que irritaram os fãs e que quebraram a unidade da apresentação em sua parte mais memorável – uma seqüência com “Bombtrack”, “People of the Sun” (que Zack dedicou “aos nossos irmãos do MST”), “Know Your Enemy” e “Bulls on Parade”.

No geral, entretanto, a força da banda e a comunhão com a plateia foram maiores do que as adversidades. Ao fim, depois do bis com os hits “Freedom” e “Killing in the Name”, ficou a felicidade por finalmente poder ter visto uma das maiores bandas de rock do mundo. O Rage esteve no Brasil, e quem viu não esquecerá.”

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