“Relações de gênero, sexo e sexualidade humana são mais diversas do que dicotomias como masculino versus feminino”, por Agência Notisa

Reproduzo abaixo a notícia do dia de ontem da Agência Notisa.

*  *  *

21/12/2010

Relações de gênero, sexo e sexualidade humana são mais diversas do que dicotomias como masculino versus feminino

Pesquisadores defendem a utilização da analítica Queer

AGÊNCIA NOTISA – O conceito de “Queer” ainda é recente. Gíria utilizada nos Estados Unidos para se referir a homossexuais e bissexuais, o termo foi apropriado por uma corrente de estudiosos que busca analisar as relações de organização da sociedade e sua sexualidade de um ponto de vista que fuja de velhas dicotomias que costumam reger o pensamento ocidental, notadamente a oposição feminino x masculino, homossexual x heterossexual.

No artigo “A analítica Queer e seu rompimento com a concepção binária de gênero”, do doutor em psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo Eloisio Moulin de Souza e de Alexandre de Pádua Carrieri, doutor em administração pela Universidade Federal de Minas Gerais, é explicado como as concepções de sexo, gênero e sexualidade nasceram, depois de estabelecida a diferença entre feminino e masculino.

De acordo com os autores, uma divisão binária do sexo, com o homem opondo-se à mulher e vice-e-versa, nasceu nos séculos 18 e 19. Antes disso, havia um chamado one sex model (modelo de um sexo), maneira de pensar na qual “a mulher era vista como representante inferior de um único sexo que possuía hierarquia corporal”. Assim, o masculino seria um sexo base, estando o feminino em um nível de evolução inferior: “havia uma escala de perfeição que começava com a mulher e atingia seu apogeu com o homem”, afirmam no artigo.

Após avanços do pensamento ocidental, especialmente com o surgimento do Iluminismo, passou a haver discussões sobre os papéis feminino e masculino, de forma que uma diferenciação se fez necessária. De acordo com os autores, “ao contrário do que se pensa habitualmente, não foi o estabelecimento da diferença dos sexos que condicionou o lugar social, moral e psicológico da mulher; foi a discussão de seu novo estatuto social que deu origem à diferença de sexos como a conhecemos”. Assim, foram criados novos comportamentos sociais que se encaixassem na sociedade “burguesa, capitalista, nacionalista e individualista” que nascia no final do século 18, sendo a heterossexualidade escolhida como “padrão” dos relacionamentos.

Tendo em vista que a distinção “masculino versus feminino” nasceu mais para atender as necessidades de um período histórico específico do que por realmente representar toda a diversidade da sexualidade humana, era preciso uma nova forma de pensamento que conseguisse desconstruir a polaridade de gêneros e “problematizar tanto a oposição entre eles quanto a unidade interna de cada um”.

Para os autores, a dificuldade em se aceitar a analítica Queer como ferramenta válida para estudar as relações de sexo, gênero e sexualidade não é tanto por ser mais complicado trabalhar com uma imensa variedade que vá além da heterossexualidade. “O grande desafio é admitir que as fronteiras vêm sendo constantemente atravessadas e – o que é ainda mais complicado – que o lugar social no qual alguns sujeitos vivem é exatamente a fronteira”, consideram. Usando a visão Queer como instrumento de análise, os pesquisadores defendem, que seria possível não só avaliar também essas “fronteiras” geralmente negligenciadas, mas também denunciar e combater dispositivos de poder baseados nas relações sexuais binárias (homossexual/heterossexual, homem/mulher, masculino/feminino).”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: