Notas de viagem – Buenos Aires, janeiro de 2011

Fez calor? Sim, fez calor. Mas dá para caminhar na sombra sem suar. Ou seja, muito menos do que o “calor anti-higiênico” (como diz Rodrigo Viellas, que bem entende do assunto, pois mora em Belém) do Rio de Janeiro.

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O mais impressionante, sem dúvida, foi a visita ao Espacio para la Memoria, tema de um texto específico ainda a publicar aqui n’A Lenda. Todo mundo que entenda um mínimo de espanhol deveria fazer essa visita guiada.

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Diálogo com um italiano:

– Mas o que tem sido feito no Brasil para haver tamanha diminuição da pobreza? Que fórmula o governo Lula encontrou?

Explico basicamente o que é o Bolsa Família, digo que está articulado com outros programas. E que, do meu ponto de vista, deveria ser transformado em direito (renda básica de cidadania, projeto do senador petista Eduardo Suplicy aprovado por acordo dos líderes no Congresso e sancionado por Lula em 2004 e nunca posto em prática pelos governos federais do PT), e tal.

– Ah, mas tem que ver isso de dar dinheiro para as pessoas. Por que, às vezes, o que parece ajudá-las na verdade não as está ajudando… Elas podem simplesmente sentar em cima desse dinheiro e não fazer nada.

É foda. O sujeito pergunta qual é a “fórmula”. Aí você explica qual a fórmula e ele diz que a fórmula não serve. Toda a curiosidade a respeito da “mágica” brasileira foi por água abaixo quando percebeu que se tratava de colocar uma parte (pequeníssima) do orçamento público diretamente a serviço das pessoas.

Ainda tentei explicar que o percentual do PIB que vai para o pagamento de bolsas é ínfimo, ao passo que o governo brasileiro gasta 1/3 pagando juros da dívida (ou seja, remunerando bancos e o grande capital brasileiro e internacional), mas percebi que a conversa já estava comprometida.

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Muitos, muitos, muitos brasileiros nas ruas. O Brasil na televisão por conta dos estragos da chuva na serra fluminense, e por conta do que acontece com os argentinos de férias na Região Sul.

Esbarrei com duas revistas com capas sobre o Brasil quase lado a lado, numa banca. Uma de viagens turísticas (Lonely Planet), a outra de viagens mentais  (THC, sobre maconha). Definitivamente, o Brasil está na moda: na América Latina e no mundo.

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A campanha eleitoral de outubro já está nas ruas – ao menos no que diz respeito a pichações, cartazes e afins. Fernando Pino Solanas será novamente candidato à presidência. Se votasse lá, seria nele.

 

As Mães da Praça de Maio já declararam apoio à reeleição de Cristina Kirchner.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Conversei com vários argentinos sobre futebol. Mal sabem quem é Darío Conca, que ele joga no Brasil e que faz sucesso por aqui… Mas muitos me perguntaram se estou animado com Ronaldinho Gaúcho no Flamengo.

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Uma alegria ver a edição espanhola – Mutaciones de lo Visible – do livro organizado por Dênis de Moraes à mostra em algumas bancas e estantes de livraria.

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Na televisão, Cronica e sua cobertura grotesca de praticamente todos os assuntos. Sejam crimes, seja o verão no litoral. Ainda na segunda semana de janeiro, o canal já afirmava que o número de mortos na Região Serrana do Rio de Janeiro poderia ultrapassar 1.000.

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Uma leitura feita durante a viagem rendeu um texto no blogue coletivo onde escrevo, o História(s) do Sport: “O piloto, o governador e o repressor“.

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2 Respostas to “Notas de viagem – Buenos Aires, janeiro de 2011”

  1. LUIZ ROGERIO Says:

    boa materia ainda mais sobre o futebol é o povo argentino não conhece e esta perdendo um excelente jogador o dario conca logo estará na seleção, deve ser bem bacana na argentina, sobre corrupçaõ o brasil é um país do gerson todo mundo gosta de levar vantagem ,não é um país serio como na europa e outos continente ,nao se apura com meticulosidade nada a fundo ,e fica por isso mesmo ,legal o senhor poderia escrever um livro contando suas experiencias de viagens no exterior ,e no brasil com certeza seria uma ótima leitura feit por um excelente jornalista e profesor ,obrigado por sua atençao , a pobreza será sempre um entrave na vida dos povos que sofrem muito pra poder ter uma vida digna, e decente ,o futuro é complicado pois nosss governantes se preocupam com outrAS COISAS MAIS IMPORTANTES E A MIDIA GORDA PREFERE ASSUNTOS MAIS LIGHTS DO QUE ESSE .UM abraço rafael fortes

  2. Crise « A Lenda Says:

    […] Dieese) e políticas como o Bolsa-Família (que, não custa lembrar, já poderia/deveria há muito ter se convertido em renda básica de […]

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