Lançamento do livro “Aborto – Guia para profissionais de comunicação”, por Agência Notisa

Reproduzo abaixo notícia divulgada pela Agência Notisa em 14/02/2011. O aborto é um dos temas mais urgentes e importantes de saúde pública no Brasil hoje. Talvez por isso, a mídia gorda se recuse a fazer uma cobertura sistemática e promover um debate amplo, aberto e permanente sobre o tema.

[Atualização em 18/4/2011: baixe o guia em pdf.]

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“COBERTURA ESPECIAL DO LANÇAMENTO DO LIVRO ABORTO – GUIA PARA PROFISSIONAIS DE COMUNICAÇÃO

Debates sobre o aborto devem ir além de simplificações como ser “contra” ou “a favor”. Imprensa tem papel chave na promoção de uma discussão mais aprofundada.

AGÊNCIA NOTISA – O aborto voltou a ganhar as páginas dos jornais e revistas durante as últimas campanhas eleitorais para presidência. Percebendo que a abordagem do tema teria gerado acordos em que “a autodeterminação das mulheres sobre seu corpo foi posta como moeda de troca política” e buscando auxiliar setores da mídia a tratá-lo de maneira mais abrangente, foi lançado, nesta segunda-feira (14/02), o informativo “Aborto – Guia para profissionais de comunicação”, no Mar Palace Hotel, em Copacabana (RJ).

Escrito por representantes das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro (articulação de organizações feministas que iniciou suas atividades em 2004), juntamente com outras entidades de defesa dos direitos reprodutivos femininos como as ONGs Curumim e IPAS, o documento tem por objetivo “apoiar o trabalho de jornalistas que pretendem lançar luzes sobre este assunto”. Nas palavras de Paula Viana, coordenadora da Curumim – PE, a iniciativa busca “qualificar a informação e colocar um documento com referências para a mídia e imprensa brasileira e da América latina” acerca da questão. Para tanto, foram utilizados dados oficiais de centros de pesquisa nacionais e estrangeiros, além de ter sido feita uma revisão histórica da abordagem legal do aborto, qualificado como ilegal em todos os casos exceto quando há risco de vida para a gestante ou se a gravidez tiver sido fruto de estupro, em resolução do Código Penal instituída em 1940.

Também estiveram presentes no lançamento Beatriz Galli e Leila Adesse, representantes do IPAS – Brasil, e Angela Freitas, redatora do guia. Para Beatriz Galli, há uma dificuldade em admitir o tema do aborto como um problema de saúde pública, apesar dos números atestarem este fato. Dados do Instituto Guttmacher, reproduzidos no guia, mostram que quase metade das gravidezes terminadas em aborto resulta de métodos abortivos provocados e inseguros, ao mesmo tempo em que quatro de cada dez mulheres que se submetem a esse procedimento passam por complicações que demandam acompanhamento médico. Especificamente no Brasil, pesquisa Anis-UnB de 2010 estima que “55% das brasileiras que se submeteram a um aborto foram internadas porque tiveram complicações”.

Por envolver questões que mexem com princípios morais e éticos, é difícil afastar o tema de polarizações e posições ideológicas, o que, na visão das representantes do guia, ignoraria a realidade urgente do ainda alto índice de mortalidade materna relacionado à prática de aborto inseguro. Na visão de Beatriz Galli, ao reduzir o debate ao “contra” e “a favor”, este ficaria enfraquecido a partir do momento em que nasce uma dicotomia em que os contrários estão “a favor da vida” e aqueles que se colocam a favor do aborto imediatamente são colocados “a favor da morte”. Esta agregação de valores, acredita ela, impede um debate baseado em dados.

Leila Adesse reforçou que o objetivo do IPAS e outros grupos responsáveis pelo guia não é que, a partir da legalização, a prática do aborto seja algo corriqueiro ou banal. “Ninguém é a favor do aborto. Somos a favor do direito da mulher de escolher, de receber um atendimento (médico) digno (uma vez feita sua escolha)”, afirmou. Para chegar a tal escolha, a mídia teria destacado papel como fornecedora de informações precisas. Dessa maneira, acredita Leila, seria possível “esclarecer o debate”, ao afastá-lo de “chavões”. A mesma percepção é compartilhada por Ângela Freitas, que afirma ser dever de setores de imprensa olhar o “tabu do aborto” de frente, através do uso de dados e fontes que mostrem a realidade e consequências da prática insegura no país.”

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