Rapidinhas

Em sua coluna no Brasil de Fato, Hamilton Octavio de Souza informa:

“Privatizadas nos anos de 1990 e controladas em grande parte pelo capital estrangeiro, as empresas distribuidoras de energia elétrica continuam esfolando os cidadãos brasileiros com as tarifas mais caras do mundo. De 2002 a 2010, as tarifas acumularam reajustes de 186%,, enquanto o IPCA, que mede a inflação e serve de referência para reajustes salariais, não passou de 86%. Agora essas empresas planejam reajuste de 11% em 2011. Até quando?”

Malgrado o discurso antiprivatização das campanhas eleitorais petistas, trata-se de um dos trocentos aspectos em que o governo Lula foi idêntico ao de FHC (PSDB) – para infelicidade da nação e do bolso dos brasileiros.

*  *  *

O meu veículo de comunicação favorito atualmente trouxe ainda esta excelente notícia: “TST considera ilegal jornada de trabalho do McDonald’s” (em PDF).

Vale lembrar que este regime de trabalho, agora considerado ilegal pelo órgão máximo da Justiça do Trabalho, é praticado pela maioria das instituições privadas de ensino do Rio de Janeiro.

Trata-se um problema estrutural para a vida dos professores – por diversos motivos, alguns deles citados na decisão judicial (outros estão aqui). Além disso, é uma poderosa ferramenta de assédio moral dos chefes (e de vale-tudo para as empresas) em relação aos professores da rede particular de ensino. Fui vítima disso durante a maior parte do tempo em que trabalhei na Estácio.

Tomara que a decisão de fato venha a ser cumprida, e abra precendentes para a mudança nas relações de trabalho entre professores e instituições de ensino no Brasil.

*  *  *

Digna de antologia a edição de fevereiro da Fórum. Capa e excelente conjunto de matérias sobre o crack; as dificuldades que os trabalhadores que coletam lixo reciclável enfrentam (sobretudo por parte da Prefeitura de São Paulo, a cargo do PFL, atual DEM); o Sul do Sudão e o Saara Ocidental (duas regiões da África que reivindicam independência, amplamente ignoradas na mídia gorda); os avanços do projeto de novo Código de Processo Penal.

E uma notável matéria: “Uma cruzada anti-islâmica na Europa?“. Um trecho:

Assim, apesar do discurso de que a proibição do véu é para emancipar essas mulheres, o governo não leva em conta dois fatores básicos: há aquelas que querem usar o véu – assim como mulheres cristãs que querem usar seus crucifixos no pescoço -, e ir contra essa vontade seria um retrocesso nos direitos das mulheres. O segundo, é que a proibição das mulheres – das que querem usar e das que são obrigadas a – de circular na rua ou em locais públicos apenas contribui para que elas não saiam de casa, não se integrem e não tenham meios de se sustentar nem de pedir ajuda caso estejam em situação de violência doméstica. Ou seja, o discurso e a prática são completamente antagônicos. “Por que não se criam punições para os homens que obrigam e violentam suas mulheres, em vez de se estigmatizá-las ainda mais?”, propôs Gulik.

A reportagem Eliza Capai discute diversos problemas que envolvem as mulheres, mas também outros nós e dificuldades que têm cercado a vida de populações e indivíduos de fé islâmica e/ou origem árabe (bem como os provenientes de regiões etnicamente não-árabes, mas enquadradas como se fossem) na Europa. Sob o alegado discurso da defesa de diversidade e laicidade, estigmatiza-se, descrimina-se, persegue-se.

*  *  *

Por falar nele, o bom e velho PFL (ex-ARENA), cujo nome-fantasia atual é Democratas, mostra a sua cara.

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Marcelo Freixo (deputado estadual – PSOL/RJ) discursa sobre um dos assuntos mais bizarros do estado do Rio de Janeiro: as carceragens da Polícia Civil. Dois trechos:

Não se constrói casa de custódia no Rio de Janeiro desde 2005. O último ano em que se inaugurou uma casa de custódia no Rio de Janeiro foi em 2005. De 2005 até agora, ou seja, em todo o governo Cabral nós não tivemos a construção de uma única casa de custódia. Assim as pessoas são presas e amontoadas nessas carceragens da Polícia Civil – ou na Polinter, como nós chamamos. Às vezes, como na Delegacia de Neves, nós encontramos 800 pessoas presas num lugar que mal cabem 150; um lugar onde não tem água potável, não tem luz natural, não tem ventilação natural. […]

Quem organiza o crime dentro do cárcere é o Estado. Quem organiza o crime no cárcere é o próprio governo. Isso é um absurdo. Isso continua sendo reproduzido ano a ano. Não muda! Fizemos duas audiências públicas no Rio de Janeiro. É claro que não estamos defendendo com isso que você misture as facções, que você permita que as pessoas se matem. Não, não é isso! Mas dizer para uma pessoa que só pode cumprir pena se tiver uma facção, e o Estado dar a ela uma facção, é inadmissível! É inadmissível! E isso continua acontecendo.

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5 Respostas to “Rapidinhas”

  1. renata moraes Says:

    Rafael,
    ideal esse trecho que você destacou da revista sobre o véu islâmico…essa semana estava dando aula sobre isso para meus alunos do ensino médio e falando sobre a posição da mulher em algumas religiões….óbvio que as alunas, por serem do ocidente e mulheres tem uma visão estereotipada dessa “condição” feminina na religião islâmica….vou usar esse trecho na prova para eles para fazer um fechamento da questão e cobrar uma reflexão mais atual sobre religião. a propósito, o texto que está no site da revista é o mesmo da revista impressa? sabe algo sobre isso?

    abraços
    renata moraes

  2. Rafael Fortes Says:

    Renata,

    A Fórum costuma publicar texto iguais online e em impresso. E, todo mês, coloca o conteúdo integral (textos, mas não fotos) da edição anterior na internet.

    Uma dos pontos bacanas desse texto é que quase todas as pessoas entrevistadas são mulheres.

  3. renata moraes Says:

    Rafael, muito bom não só esse mas outros textos da revista….

    triste essa vida de muita coisa boa e pouco tempo para ler…

    mas esse artigo eu vou discutir em sala de aula sim…vale muito a pena

    abraço e não deixe de atualizar sempre o blog….

  4. Rapidinhas « A Lenda Says:

    […] dos Trabalhadores, ao menos no caso do ensino superior privado. Um exemplo é a Estácio, que adota práticas idênticas ao […]

  5. Responsabilidade social (31) | A Lenda Says:

    […] práticas da multinacional de lanchonetes já foram discutidas por mim antes, inclusive devido à proximidade com as relações de trabalho que vigoram em certas empresas privadas de ensino superior do Rio de Janeiro. Um […]

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