De que escola se está falando?

“A primeira escola que visitamos era mantida por uma senhora, Ann Killin. Quando lhe pedi para soletrar o sobrenome, cometeu logo um erro começando-o com a letra C, mas corrigindo-se imediatamente disse que seu sobrenome começava com K. Olhando suas assinaturas nos livros de certificados escolares, reparei que o escrevia de maneiras diferentes, não deixando sua letra nenhuma dúvida quanto à sua incapacidade para ensinar… Ela mesma confessou que não sabia fazer os registros… Numa segunda escola, a sala de aula tinha 15 pés de comprimento por 10 pés de largura e continha 75 crianças que grunhiam algo ininteligível.”

“Mas, não é apenas nesses lugares miseráveis que as crianças recebem atestados de frequência escolar e nenhum ensino; existem muitas escolas com professores competentes, mas seus esforços se perdem diante do perturbador amontoado de meninos de todas as idades, a partir de 3 anos. Sua subsistência, miserável, depende totalmente do número dos pence recebidos do maior número possível de crianças que consegue empilhar num quarto. Além disso, o mobiliário escolar é pobre, há falta de livros e de material de ensino e uma atmosfera viciada e fétida exerce efeito deprimente sobre as infelizes crianças. Estive em muitas dessas escolas e nelas vi filas inteiras de crianças que não faziam absolutamente nada, e a isto se dá o atestado de frequência escolar; e esses meninos figuram na categoria de instruídos, de nossas estatísticas oficiais.”

Ontem pela manhã, esbarrei com os relatos acima em O Capital, de Karl Marx, livro 1, volume 1 (Ed. Civilização Brasileira). A primeira parte é de um relatório de “Sir John Kincaid, inspetor de fábrica na Escócia” e refere-se a fatos observados em 1858. A segunda, de Leonard Horner, também inspetor, tratando de um ano antes (1857).

Distantes no tempo e no espaço, soaram estranha e perturbadoramente familiares.

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3 Respostas to “De que escola se está falando?”

  1. LUIZ ROGERIO Says:

    em geral,nossos ALUNOS NAO SAO PREPARADOS PARA ENFRENTAR O MERCADO DE TRABALHO SEM BASE RELativamente boa,é um problema social,politico e economico ja vem de muito tempos ANTES NAO SE FAZEM NENHUMA POLITICA DE KINCENTIVO A EDUCaçao,e a socializaçao desses futuros cidadoes ,uma juventude que ja sai sem igualdaddee nenhuma de condiçoes financeiro ,asocio educativas desprepRADOS BPARA COMPETIR SEJA NO ENEM ,OU NO VESTIBULAR AOS ALUNOS QUE ESTUDAM EM ESCOLAS PARTICULARES POR EXEMPLO, O GOVERNO CRUZA OS BRAÇOS E A MIDIA GORDA Faz ouvidos de mercador fica impassivel ante essa tragedia anunciada que é a nossa educaçao falta investimentos em infra-estrutura,na prEPARAÇAO DE PROFESSORES,E NO APRENDIZADO DESSES ALUNOS ,FALTA MOTIVAÇAO, PPRINCIPALMENTE VONTADE DE MELHORar e formar cidadões,deveria ter mais verbas nao só na educaçao mas na area da saude tambem ,que está uma vergonha ,só.mas com não interessa ao governo e ne m da ibope aoas politicos e a midAI GORDEA NOSSO PAIS FICAM a merce de alguns alunoas, poucos que conseguem vencer todos os obstaculos e serem alguem nessa vida sacrificada de estudante no brasil,deveriam haver mobilizaçao da nossa sociedade com um clamor social pela melhoria dA EDUCCAÇAO NUM PAI QUE AINDA EXISTEM MUITOS ANALFABETOS COM MAIS EMPENHO DEVERIA SER MELHOR DE SE VIVER,É UMA UTOPIA ESPERANÇOSA NAO CUSTA acreditar numa saida honrosa desse governo que devia promover mais nosos principais setores da nossA SOCIEDADE CAPITALISTA.NAO ADIANTA NADA ESTUDar sem as minimas condiçoes de higiene e infra-estrutura decente para que possam ser coinsiderados bons cidadoes, num pais que se diz desEnvolvido é verdadeiro tiro no pé nao dar condiçoes ao povo de estudos,saude e habitaçao, EMPREGOS,ainda existe o analfabetismo funcional onde se tem muita fontes de tecnologias. e informAÇOES CHEGANDO QUASE A TODO INSTANTE ,APESAR DE NEM TODAS CHEGAREM ao seu destino corretamente ,o analfabetismo funcional se basseia na pesoa sABER QUE EXISTEM INFORMAÇOES ,MAS NAO SABEM COMO CODIFICÁ-LAS E INTERPRETAR O QUE ESTA ESCRITO NESSAS INFORMAÇOES.CARISSIMO RAFAEL FORTES, MUITO OBRIGADO PELA SUA ATENÇAO U M FORTE ABRAÇO,PRO SENHOR.

  2. Cristiane Bortoluzzo Says:

    Impressionante… Jurava que em algum momento você iria citar os nomes de alguma comissão do MEC para avaliação da qualidade das escolas…

  3. Izabel Says:

    Amigo no dia em que a escola pública preparar mesmo pra essa competição que vc tanto anseia, aí que vai está tudo perdido. A escola pública deve preparar o indivíduo integralmente, desvinculá-lo do mercado de trabalho excludente e competitivo, mas torná-lo feliz e pleno e capaz de um labor construtivo, desvinculado o aluno da gulodice do lucro do mercado.

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