Rapidinhas

Dia desses, não lembro por recomendação de quem, esbarrei com esse artigo: “Considerações sobre as transmissões de futebol no Brasil“. Dá o que pensar sobre o papel da Rede Globo na (de)formação de torcidas no Brasil.

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A FLACSO Brasil lançou uma campanha de apoio à Comissão da Verdade. O cartaz, bacana, pode ser visto aqui (minha ignorância tecnológica não me permite converter de pdf para jpg pra botar a imagem abaixo; nem o WordPress exibe imagem quando se carrega um arquivo pdf…). Traz uma lista de 13 países que já criaram organismos para produzir verdades sobre crimes cometidos pelo Estado e seus agentes. Alguns deles, mais de uma vez. Enquanto isso, por aqui, nada – ainda. Espero que a Comissão da Verdade criada pelo governo Dilma Rousseff (PT) não se mostre uma comissão de mentirinha, possibilidade que tem sido apontada por movimentos sociais.

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A Fórum deste mês é uma edição especial de 10 anos. Em primeiro lugar, parabéns à revista. É uma de minhas leituras preferidas e um dos veículos de comunicação progressistas que faço questão de assinar, ler e divulgar.

Achei ousada a decisão de republicar 10 entrevistas – mas não gostei tanto assim das escolhas, ao menos de algumas. No campo da política, ficou governista demais… Ainda assim, obviamente, tem muita coisa interessante. Por exemplo, esse trecho de entrevista de 2006 da filósofa Marilena Chauí, que me lembrou a estrutura de diversas universidades públicas brasileiras:

Na medida em que o Estado brasileiro foi montado pela classe dominante brasileira, ele é regulado juridicamente por um conjunto de leis, pareceres, resoluções, decretos e portarias que é a concepção que essa classe tem da política, do Estado e do que deve ser um governo. Há uma muralha jurídica que impede um partido de esquerda realizar metade de suas propostas.
Quando estávamos na prefeitura [Marilena Chauí foi secretária de Cultura no governo de Luiza Erundina em São Paulo], cada proposta que vinha de uma das secretarias ou da prefeita e que tinham relação com a questão social encontrava uma barreira no setor jurídico que explica por que, do ponto de vista da lei, não se podia realizar aquilo. Então, a primeira resposta que se tem do ponto de vista jurídico é sempre um “não pode”. E vai desde o “não pode” de uma gravidade imensa até o “não pode” folclórico. Não pode uma atividade cultural com os deficientes mentais, porque isso é uma coisa para a Secretaria de Saúde. E a Secretaria de Saúde não pode fazer oficinas com os deficientes mentais porque isso é uma coisa da Secretaria de Cultura. Além dessa coisa ridícula, deste “não pode” ridículo, há o “não pode” para valer. Não pode mexer na iluminação da cidade, na rede de esgoto, não pode intervir no plano diretor, não pode fazer a tarifa zero… E assim vai, ou seja, não há como realizar um projeto de esquerda. Um programa de governo de esquerda é minado, destruído cotidianamente pela estrutura do Estado.

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Na mesma edição, um estupendo texto de Pedro Alexandre Sanches: “A periferia e a sua primavera de Praga”. E Idelber Avelar, afiado, criticando a participação de certos intelectuais na discussão de questões nacionais. Lá pelas tantas, sobra uma crítica à atual gestão do Ministério da Cultura:

“Talvez o grande legado dos últimos anos, para a renovação do papel do intelectual no Brasil, tenha sido a experiência dos Pontos de Cultura do Ministério de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Mais de 4 mil centros produtores e difusores de cultura, em todo o território nacional, revolucionaram a concepção que regia a relação entre a esquerda e as culturas populares no Executivo. Em vez de ‘levar’ um produto cultural ao povo, os Pontos de Cultura potencializaram expressões já desenvolvidas pelas próprias comunidades, valorizando-as. Quando, por exemplo, os índios ashaninkas, da aldeia Apiwtxa, no Acre, produzem um filme como A gente luta mas come fruta (2006), mostrando o trabalho de manejo agroflorestal e a luta contra os madeireiros, e depois passam a ser uma das primeiras 30 aldeias contempladas como Pontos de Cultura indígenas (2009), é toda uma formação de intelectuais não tradicionais que vai se gerando por disseminação descentralizada. Infelizmente, como a Fórum tem debatido à exaustão nos últimos meses, a restauração conservadora no Ministério da Cultura de Dilma, retomado pelo Ecade, pelo lobby dos direitos autorais e da propriedade intelectual e pela ‘classe artística’ tradicional, tem causado um dano considerável a esse legado. Ele sobrevive no ativismo, mas foi completamente desalojado do aparato estatal, e não há perspectiva de que ele encontre grandes brechas ali num futuro próximo.”

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Semana que vem, de 17 a 23/10, ocorre a Semana de Educação da Unirio. Confira a programação (em pdf).

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E dia 26/10, às 19h, a UERJ realiza o debate “Da ditadura militar às políticas de segurança pública em tempos neoliberais: o simulacro da ‘passivização’ brasileira”. No auditório 11, primeiro andar, bloco F. Com: Silene de Moraes Freire (UERJ), José Cláudio Souza Alves (UFRRJ), Marcelo Freixo (dep. estadual – PSOL/RJ) e Marildo Menegat (UFRJ). Haverá também lançamento de livro. Veja o cartaz (em pdf).

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2 Respostas to “Rapidinhas”

  1. Allan Ramalho Says:

    Segue o link do Pdf transformado em JPG rsrs
    Otimo blog!
    Parabéns!
    http://www.4shared.com/photo/GK0NKWW8/Blog.html

  2. Rafael Fortes Says:

    Valeu, Allan!

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