Ben Harper vem aí

Eu já devo ter escrito alguma vez – talvez mais de uma – que existem dois cantores que, quando se apresentam no Rio, não meço esforços para ver: Manu Chao e Ben Harper. Uma das muitas razões para isso é justamente o fato de virem com certa frequência ao Brasil – não tanto quanto eu gostaria, mas muito mais do que a maioria do pessoal do rock internacional.

Pois bem, a julgar pelo sítio do primeiro, a passagem de agora foi apenas para um showzinho no interior de SP. Os argentinos tiveram mais sorte: toca em cinco cidades.

Mas comecei a escrever, na verdade, para falar de Ben Harper. Primeiro, porque ele fará, em breve, uma turnê pelo Brasil, passando pelo Rio. Segundo, porque apenas agora, lendo o texto de divulgação da turnê, fiquei sabendo que saiu um disco no meio do ano.

Foram três audições relativamente desatentas e outra prestando atenção às letras. São, na maioria, canções de amor – na verdade, canções e letras tristes e belas falando de amor fracassado. De acordo com o texto de digulgação, ele “está mais contemplativo por causa da sua já noticiada separação conjugal“.

Particularmente, prefiro os discos mais rock, como o “White Lies for Dark Times” (cuja turnê, salvo engano meu, infelizmente não passou por aqui). De qualquer forma, quase todos são uma mistura de músicas tranquilas com pedradas (e outros estilos/ritmos/levadas). Por exemplo, o “Diamons on the Inside“, que traz a baba homônima, tem tijoladas como Temporary Remedy e aquela maravilha de reggae (letra e música) que abre o disco, With My Own Two Hands.

*  *  *

Sobre o “Give Till It’s Gone”, os títulos das músicas já sugerem o clima meio deprê. Se é que o release está certo e as canções são mesmo sobre isso, temos letras que oscilam entre tristeza profunda e raiva/frustração, reação pendular típica dos desencontros sérios/definitivos. No primeiro caso, temos Spilling Faith (a 6), com referência a Tomorrow Never Knows, dos Beatles, na letra e na melodia. No segundo, Clearly Severely (a 5, possivelmente a melhor do disco) e Do It For You, Do It For Us, a 11 e última. Uma terceira sensação, a de estar sem chão, aparece em Waiting on a Sign (a 9), que me lembrou um pouco Rolling Stones.

Há faixas com alguma sugestão de recuperação (do amor balançado/perdido), como a bela Feel Love (a 4). Ou, talvez, seja apenas agarrar-se a lembranças de um tempo que não voltará. Pray That Our Love Sees the Dawn (a 8), que me lembrou um pouco Belle & Sebastian, também parece revelar um fio de esperança.

Nem sempre a recuperação é pelo caminho da recomposição. A já citada Clearly Severely aponta para recomeçar a vida, ou seja, ultrapassar a fase mais braba de andar cabisbaixo e descontente. Uma coisa meio Tocando em Frente (Almir Sater/Renato Teixeira), sabe? Talvez Rock N’ Roll Is Free, a 3, também seja sobre isso, talvez não.

E, tá bom, tem músicas cujas letras me parecem não ter nada a ver com o tema sugerido. É o caso de Dirty Little Lover (a 10) e, talvez, Rock N’ Roll Is Free.

*  *  *

A lista de roteiros dos últimos shows mostra a opção por músicas recentes e tranquilas – muito distante do que prefiro. Contudo, como ele não toca no Brasil há um tempo, imagino que o repertório será maior e mais variado. Tomara!

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