Rapidinhas

Demorou, mas finalmente achei, no sítio do Brasil de Fato, este excelente texto discutindo a fome em certos países africanos e a quem ela serve. Parte da crítica é direcionada à cobertura supostamente humanitária realizada pelos meios de comunicação e à promiscuidade entre fontes e jornalistas.

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No Rio de Janeiro, acumulam-se as coincidências: empresas que contribuíram para a campanha eleitoral do prefeito Eduardo Paes (PMDB) ganham rios de dinheiro sendo contratadas sem licitação pelo governo da cidade. Por exemplo, Nielsen EngenhariaCarioca Engenharia e OAS. Adivinha quem financiará a campanha de reeleição em 2012?

Urge que o Congresso aprove o projeto de reforma política que institui o financiamento público exclusivo de campanha. Sobre o tema, uma edição recente (13 a 19 de outubro) do Brasil de Fato trouxe excelente e esclarecedora entrevista do deputado federal Henrique Fontana (PT/RS), relator do projeto de reforma política a Vinicius Mansur. Um trecho:

“E como estão divididas as forças políticas no debate da reforma?

PT, PSB, PCdoB, PDT, PV, PRB, PPS e PSOL, mesmo que sugiram alterações, são partidos que estão bastante identificados com a posição pró-reforma. Nós ainda não conseguimos conquistar os votos, na comissão especial, de PMDB, PP, DEM e PSDB. Estamos dialogando. O PSDB defende o sistema distrital. O PMDB tem solicitado que eu abra mão do financiamento público exclusivo, permitindo o financiamento privado para as candidaturas de deputados, mas eu não considero esse um caminho positivo. E há partidos que assumem posição francamente antirreforma, especialmente PTB e PR.” (grifo meu)

Em tempo: estou longe de achar que essa reforma política – que mal é digna do nome – resolverá todos os problemas de nosso sistema eleitoral. Mas, se aprovado o financiamento público exclusivo, será um tremendo avanço.

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Por falar em memória, o Estado argentino segue em frente fazendo justiça em relação aos crimes cometidos durante a ditadura mais recente. Desta vez, informa o Página 12, dos 18 réus num dos desdobramentos da megacausa da ESMA, 16 foram condenados, sendo 12 à prisão perpétua. Entre as vítimas cujos assassinatos foram julgados, o jornalista Rodolfo Walsh.

Enquanto isso, do lado de cá da fronteira, a montanha pariu um ratinho chamado Comissão da Verdade.

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A gente vive em um país cujo Estado é laico, correto? Como tudo nessa vida, a letra da lei não traz consigo seu cumprimento. Logo, separar religião e Estado é uma luta histórica e complicada. Pois bem, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) decidiu reduzir o espaço para proselitismo religioso na programação das emissoras estatais a ele subordinadas. Decisão óbvia, correta e, até, tímida frente ao que deveria ser feito: extinguir todo e qualquer espaço para proselitismo religioso nas emissoras de rádio e televisão – inclusive nas privadas (o que, evidentemente, precisaria ser feito pelo Governo Federal, pelo Congresso ou, como quase tudo, pelo Supremo). Aí vem alguns senadores, inclusive os fluminenses Marcelo Crivella (PRB) e Lindbergh Farias (PT), e descem a lenha na medida, bucando meios de derrubá-la. É o fim da picada.

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A conexão de internet que temos, oferecida pelas empresas oriundas da farra da privataria das teles promovida pelo PSDB na década de 1990, é cara e horrorosa. Além disso, é mentirosa, pois as teles entregam 10% do serviço que prometem e divulgam no maravilhoso mundo da publicidade. Segundo o Observatório do Direito à Comunicação, a Anatel parece que vai fazer algo a respeito – sem, contudo, acabar com a bandalheira, que agência reguladora não tá aqui pra isso. As empresas, claro, chiam.

Serviço:

a) para entender melhor o que estou falando sobre internet, recomendo uma chegada no sítio da campanha “Banda larga é um direito seu!” (por sinal, o primeiro texto que aparece lá neste momento informa sobre o andamento da discussão que citei no parágrafo acima). Comece pelo vídeo no canto direito.

b) sobre a privataria promovida pelo Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), recomendo enfaticamente a leitura dos dois volumes do livro O Brasil Privatizado, do saudoso jornalista Aloysio Biondi. Eles estão disponíveis, em PDF, no sítio da Fundação Perseu Abramo, do Partido dos Trabalhadores (PT), que os editou numa época em que o partido não era governo e podia se dizer impotente para fazer qualquer coisa a respeito: volume 1 e volume 2.

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É, dormi pouco e acordei atacado. Pelo menos, estão no ar alguns comentários que eu estava para fazer há tempos por aqui.

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2 Respostas to “Rapidinhas”

  1. renata moraes Says:

    agora, vc pode aproveitar seu momento “ataque” e escrever sobre a ocupação na cinelândia…tenho a minha opinião formada mas, sinceramente, queria ouvir as vozes de pessoas com posicionamento político que eu respeito…

  2. Rapidinhas « A Lenda Says:

    […] dia comentei que, no contexto das discussões (limitadas, é verdade) sobre reforma política, urge a […]

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