Dois eventos e algumas da Fórum

Dois eventos importantes essa semana aqui no Rio. Amanhã e quinta (18 e 19/4) tem o Seminário A Dívida Pública em Debate, na UERJ. A programação inclui várias figuras de ponta na discussão sobre política econômica e dívida pública. Como não me canso de dizer, a dívida pública é, de longe, o principal problema brasileiro. Não por acaso, é pouco discutido na mídia corporativa.

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Quinta, 19/4, às 18h30, no auditório do Clube de Engenharia, tem o debate Esporte, Paixão e Negócio: a violação dos direitos humanos na Copa e nas Olimpíadas. Na ocasião, será lançado o dossiê “Megaeventos e violação dos direitos humanos no Rio de Janeiro”. O auditório fica na Av. Rio Branco, 124, 25º andar.

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Uma pá de coisa boa na edição de março da Fórum. Túlio Vianna e Cynthia Semíramis, como sempre, arrebentam. Ela, sobre o padrão de belo feminino vigente na mídia corporativa, que detesta a diversidade. Ele, sobre a censura, que agora quer proibir jogos eletrônicos. Tem também uma entrevista excelente com a professora Erminia Maricato, da USP, sobre as grandes cidades brasileiras, segundo ela, “doentes”:

Depois, você tem as horas paradas. Como é que as pessoas aguentam? Uma hora e meia para chegar num lugar, uma hora e meia para voltar e as pessoas acham normal isso. Elas estão doentes. Não é possível aceitar isso. E o que é mais grave de tudo, ninguém mais defende o transporte coletivo. Ninguém mais, digo, coletivamente, em termos de classe, porque hoje os trabalhadores, de um modo geral, querem ou moto ou carro, podem ser velhos. Porque eles aprenderam que transporte público ou coletivo é maldição. Vai ver onde mais se gasta dinheiro? É em obra viária. O que é que você tem mandando na cidade? Bom, em primeiro lugar ninguém questiona, o automóvel. Ele está entupindo todas, todas as cidades. É suicídio. Não há o que fazer, alargar ruas, construir pontes, não adianta. É suicídio, o que está acontecendo. E o transporte coletivo foi derrubado nas décadas do neoliberalismo.

E, por fim, uma bela homenagem de Pedro Alexandre Sanches a Wando. Como muitos bons escritos, é também um acerto de contas entre o jornalista e seu passado. Quantos você, leitor(a), conhece que terminam (ou terminariam) um texto assim?

P.S.: Para mim, dito crítico de música, é lastimável e irremediável que este texto tenha sido escrito apenas após a morte de Wando. Ele e seus correlatos nunca tiveram entrada nas editorias culturais dos veículos elitistas em que trabalhei – e nem (ou principalmente) eu próprio estava minimamente interessado em nossos wandos até ir ler, espelhados em Eu não sou cachorro, não, os meus próprios preconceitos raciais, sexuais, sociais, intelectuais etc. etc. etc.

Eu, que não sou crítico de música (mas já quis ser, quando estudava jornalismo; qualquer dia desses, cato as crônicas e publico aqui), reforço: ler esse livraço de Paulo Cesar de Araújo mudou muita coisa na minha forma de pensar e de ver o mundo. E, sobretudo, a música e as artes no Brasil. Leitura recomendadíssima, portanto.

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