Rapidinhas

Difícil encontrar algo para dizer após ler esta entrevista feita por Janaína Figueiredo, correspondente do Globo em Buenos Aires, com um dos filhos de desaparecidos políticos roubado pelos militares e entregue para adoção. Sempre fico mexido com esse assunto, por razões que expus em outro texto. Mesmo que a verdade seja dura e difícil – e, lendo a entrevista, vemos como a história pode ser cruel -, é importante que apareça.

Na Argentina, ela tem vindo à tona sistematicamente, por pressão da sociedade, mas também por iniciativa do Estado. O país vem avançando para que alguma justiça seja feita, o que inclui a apuração das denúncias de crimes e o julgamento dos acusados.

Por aqui, tal como lá, os horrores do passado que assombram e atormentam o presente se somam aos horrores novos e cotidianos, como os relatados em “‘Não vai falar, vagabunda’, dizia o torturador“, excelente reportagem da Pública que pingou aqui na caixa postal. O texto é de Ana Aranha, com colaboração (e um box excelente ao final) de Jessica Mota. Um trecho:

Todos os policiais dos casos citados foram absolvidos, prolongando o sofrimento das vítimas. Como observa a psicóloga Cristina Hauter, que atende vítimas de tortura da ditadura militar e atuais, a impunidade atrapalha o processo de recuperação, especialmente quando a fala da vítima não é considerada como prova e o processo é arquivado: “Vem um sentimento de desacreditar na justiça, no Estado. As relações de confiança são quebradas e eles se sentem profundamente injustiçados. Esse é o quadro mais complicado de trabalhar”, explica.

Abaixo, o vídeo disponível na matéria.

*  *  *

De acordo com reportagem do UOL, a desculpa da vez do Governo Dilma Rousseff (PT) para não negociar com os professores federais em greve é “falta de agenda”. A princípio, eu tenderia a duvidar da veracidade, mas o conteúdo não só é plausível como condizente com a postura que o governo vem adotando. Parece piada, mas, infelizmente, é sério.

O governo federal finge que a greve começou ontem e que a proposta do Andes (protocolada no governo há meses) inexiste. Na melhor das hipóteses, temos um Ministério do Planejamento incapaz de planejar. Serve pra quê, então?

E olha que pelo menos dois senadores da base governista já manifestaram apoio ao movimento e cobraram a apresentação de soluções para a greve Eduardo Suplicy (PT/SP) foi explícito e defendeu o atendimento da pauta de reivindicações da categoria.

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