Impressões de viagem: Sarajevo e Faro

Tenho pouca paciência para fazer relatos de viagem – incluindo fotos e anotações durante a própria viagem. Mas trago umas fotos e notas sobre dois lugares que visitei em janeiro: Sarajevo e Faro.

Sarajevo

Fui desde Viena, mas há outras opções. Problema, ao menos em janeiro: o avião voltou no meio do caminho devido à neblina no destino. Como eu dormia, só descobri na volta, quando percebi que o lanche – um delicioso biscoito wafer com recheio de chocolate – estava sendo distribuído pela segunda vez. Disseram-me que em dezembro é ainda mais comum – a neblina, não o lanche dobrado no mesmo voo.

Cemitério muçulmano.

Ao retornar a Viena, a companhia aérea (Austrian) já tinha tudo providenciado: ônibus para hotel, cartões de embarque para primeiro voo do dia seguinte, lanche (era só apresentar o cartão de embarque no balcão da lanchonete do aeroporto) e hospedagem num bom hotel. Igualzinho ao que fariam Gol, TAM, Ocean Air, Azul, Trip e outras organizações que operam o tráfego aéreo com concessão do Estado brasileiro.

Detalhe: o voo estava repleto de militares com uniforme de operação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Pelo visto, a transição de país/povo agredido à revelia da comunidade internacional a agressor (igualmente à revelia da comunidade internacional) foi rápida. Israel faz escola?

Se chegar pelo aeroporto, vale tentar ir logo ao Museu do Túnel, que fica por perto. O filme exibido na primeira sala dá uma noção da situação durante a guerra e do papel desempenhado pelo túnel (foto à esquerda) e de seus usos variados, da passagem de armas e alimentos à de… cabras. Chama a atenção a colocação de guardas e de uma espécie de “alfândega” informal para controle do que entrava e saía.

Esbalde-se comendo ćevapi (sanduíche que lembra pão árabe com bolos de carne fritos) ou pita (especialmente o burek, que é de carne). Pivo é cerveja, geralmente Sarajevsko, mas também encontra-se com facilidade Tuborg (que, acho, é alemã).

Fuma-se muito por lá. Mas muito, mesmo. Inclusive em ambientes fechados como bares, restaurantes e pubs.

Peguei um frio danado (normal) e muita neve todos os dias (não tão comum nesta época do ano).

Feirinha de livros. Repare a altura da neve na coluna do meio.

É bacana zanzar pelas ruas, observando as numerosas mesquitas e cemitérios abertos, bem como as montanhas que circundam a cidade – lugares de triste memória, pois, no período do cerco (1992-1995), estavam repletas de franco atiradores, que matavam aleatoriamente quem se atrevia a sair às ruas. Por exemplo, subir até um parque no alto do bairro Kovaci, de onde se pode diversas vistas, como esta:

No passeio, visite o banheiro público criado em 1530, ao lado de uma importante mesquita:

Entrada de banheiro público de alvenaria datado de 1530. Em 2012, pouco tempo depois, a Prefeitura do Rio ainda não conseguiu construir nada semelhante. Afinal, vale mais pagar aluguel de banheiro químico aos colegas empresários, né?

Placa na entrada do banheiro indicando que não funcionou ininterruptamente até o presente.

Isso mesmo: século XVI. A data, me si, é espantosa. Mais ainda para quem vive na cidade “olímpica” do Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes (PMDB) – candidato à reeleição numa coligação de inacreditáveis 20 partidos –  põe guardas municipais para prender os foliões que urinam na via pública durante o Carnaval e outras ocasiões festivas, mas nunca construiu banheiros públicos (adoraria que alguém apresentasse um dado concreto pra me contradizer nesse ponto). Metrópole “olímpica” em que um estádio “olímpico” de futebol (Engenhão), inaugurado em 2007 para receber dezenas de milhares de pessoas, não tem sequer um banheiro público nos arredores.

Marcas de tiros e bombas na fachada.

De volta à cidade que interessa. Uma boa opção em Sarajevo é fazer o tour gratuito com o Neno – sim, este é o nome do guia. É um passeio de cerca de duas horas e meia, a pé, pelas ruas e por boa parte dos pontos históricos da cidade. A narração ocorre em inglês. O guia é gente boa e sabe muito da história da cidade – inclusive, claro, a dele, que começa nos brabos anos 1990.  Lembrete ao(à) leitor(a) muquirana: se gostar, dê-lhe um bom pagamento ao final.

Na parte antiga da cidade, há vários pubs e noitadas. Vê-se bastante gente circulando nas ruas, mesmo que esteja nevando. Como não se paga para entrar na maioria dos lugares, é um entra-e-sai danado, num esquema madrileña: ir de bar em bar.

Por fim, como em qualquer lugar, é legal se aventurar e aprender algumas palavras básicas no idioma local. Confesso que achei difícil pra cacete. Como visitava amigos que conhecem razoavelmente o idioma, aprendi pouco: dobro veče (boa noite), hvala (obrigado), rakia (termo genérico para cachaça, que eu já conhecia do sérvio), pivo e šljivovica.

Faro

Faro é uma graça. Vale chegar à noite para fazer umas fotos da cidade iluminada. E passar um dia inteiro zanzando pelas ruas. Se for entrar em museus e igrejas, dois. Para comer, a simpática recepcionista do Hotel Faro recomendou o  excelente restaurante Adega Nova – de longe, a melhor relação custo x benefício de toda a viagem.

A Cidade Velha e o Carmo têm construções legais e, do que vi, valem conhecer.

Algumas fotos:

Vista do terraço do hotel.

Entrada da Cidade Velha vista do Largo de São Francisco.

Cegonhas em tudo que é torre de igreja, monumento, poste, torre de transmissão etc.

“Creme baba de caracol”. Fofo, né não? Promete pele sedosa, tal qual a da moça. E aí, vai encarar?

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