Dois filmes bacanas sobre esporte

Finalmente vi Vida sobre rodas. Gostei muito. Bonito, bem produzido e repleto de imagens bacanas – sejam de arquivo ou gravadas para o filme. Os depoimentos que preenchem boa parte da narrativa são, talvez, o mais interessante. Numerosos skatistas, jornalistas e empresários contam histórias – algumas histórias e narradores são hilários.

Como outros filmes de esporte, se tratado como fonte, permite discutir vários temas. Por exemplo, as relações com a política, seja na decisão – tão inacreditável quanto imbecil – do então prefeito de São Paulo, Janio Quadros (PTB), de proibir o skate no município; ou na do governo Collor de confiscar a poupança dos brasileiros – que, segundo os depoimentos, praticamente destroçou o skate no Brasil (ao menos no plano competitivo).

Talvez seja piegas afirmar isso, mas o filme me pareceu uma tremenda declaração de amor ao skate. E digo mais: uma declaração convincente.

*  *  *

A dobradinha de filmes esportivos do fim de semana veio com o documentário Black Power Salute, produzido para a BBC inglesa. Trata-se de um esforço de construção do contexto histórico que levou ao (permitiu, forçou e vários outros verbos caberiam aqui) protesto dos atletas Tommie Smith e John Carlos.

Pódio dos 200m rasos na Olimpíada de 1968.
Fonte: http://www.dallassouthnews.org/wp-content/uploads/2011/10/TommieSmithAP276.jpg

Vendo o filme, compreende-se como foi possível chegar até ali, quais as posições e controvérsias dentro do movimento negro e da própria equipe de atletismo dos EUA, as expectativas etc. Tudo muito diferente da fragmentação que caracteriza a abordagem comum do jornalismo esportivo, especialmente o diário.

O gesto deles é citado por um punhado de historiadores do esporte como exemplo do quanto a imagem pública de atletas e de um gesto pode mudar ao longo do tempo. Hoje, os atletas são heróis dos movimentos negro e de direitos humanos, mas, à época, comeram o pão que o diabo amassou na sociedade americana – receberam muitas ameaças de morte, por exemplo.

Não sei os meandros da produção, ou talvez eu não tenha prestado atenção suficiente ao filme, mas acho que Carlos, um dos protagonistas do episódio, não aparece falando (ou seja, provavelmente recusou-se a dar depoimento). Não sei os motivos, mas dá para imaginar, considerando a trajetória repleta de perseguições que os três atletas enfrentaram nos anos que se seguiram.

Curioso, fui atrás de alguma informação sobre ele – se está vivo, por exemplo. Encontrei esta reportagem do bom diário inglês The Guardian, na qual o ex-atleta fala bastante. Aborda, por exemplo, a terrível reação do público presente no estádio, tema praticamente ignorado no filme.

Eis o documentário:

Em tempo: ainda não consegui achar/ver Salute, que trata de Peter Norman, o australiano que ficou em segundo lugar e foi solidário aos atletas estadunidenses – e, por isso, também foi perseguido.

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