Rapidinhas

Faz tempo que não leio um texto que sintetize tão bem – e com argumentação, talento e paciência que provavelmente eu não teria – boa parte do que penso em relação ao Governo Dilma Rousseff (PT), à situação do Brasil nos últimos anos e à atual greve dos funcionários públicos federais, da qual venho participando, há mais de dois meses, como professor. Refiro-me a “O que os professores, em greve, podem ensinar“, de Antonio Martins.

*  *  *

Eis que, aparentemente do nada, o Senado Federal nomeia o Conselho de Comunicação Social – aquele órgão que aparece no artigo 224 da Constituição Federal, mas, desde 1988, quase existiu. E, quando existiu, nada fez.

Temos, portanto, um avanço? Não, como argumenta categoricamente Mariana Martins, do Intervozes.

Detalhe: entre os 13 conselheiros, dois – isso mesmo, nada menos que dois – são ligados à Igreja Católica. Isto porque estamos em 2012, pleno século XXI, e neste país, desde fins do XIX, Estado e Igreja Católica Apostólica Romana se separaram.

Se separaram?

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Completou-se um ano da ampliação, para todos, do direito ao casamento civil no estado de Nova Iork (EUA). Uso intencionalmente a palavra direito, porque, antes de tudo, é disso que se trata. Neste caso, um direito que antes era restrito a parte da população – podendo, portanto, ser classificado como privilégio – passou a poder ser exercido por qualquer um. Que nem voto, ensino formal, liberdade e outros direitos, que começaram restritos a uma parcela da população e a partir (principalmente) da luta dos que deles se encontravam excluídos, acabaram sendo garantidos por lei a todos. (A efetividade são outros quinhentos…)

Ao contrário do que muita gente pode pensar, não se trata de um direito qualquer – por, pelo menos, três razões. Primeiro, os muitos séculos, décadas, anos de proibição e/ou restrição – aos quais se somam perseguição, violência, preconceito (que, aliás, permanecem vivos, atuais e danosos). Segundo, como outro dia ouvi o deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) dizer na Voz do Brasil, esse direito é importantíssimo porque, sem ele, restringe-se o acesso a dezenas de outros direitos. E, terceiro, porque, como comentou um amigo, existe direito humano mais fundamental do que o de sorrir e ser feliz?

Duvida? Acha que exagerei neste terceiro ponto? Mais do que discutir o assunto, acho importante ver as fotos. Elas são muito, muito eloquentes. E bonitas e emocionantes, também.

Enquanto isso, por aqui, ainda se batalha para colocar em tramitação efetiva a Proposta de Emenda Constitucional para garantir o casamento civil igualitário, iniciativa do já citado Jean Wyllys.

Quem luta contra, no Parlamento e na sociedade? Principalmente setores conservadores e religiosos – sobretudo denominações cristãs -, que adotam posição irracional e fundamentalista.

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