Rapidinhas

Posso soar repetitivo, mas não me incomodo. Há um punhado de colunistas que, sozinhos, já valem assinar a revista Fórum.

Um deles é Túlio Vianna. Em junho, em texto antológico, abordou a Marcha das Vadias.

Na sequência, uma boa entrevista de Henrique Carneiro, professor da Universidade de São Paulo (USP), a Mario Henrique de Oliveira. Tema? A criminalização do uso de drogas.

Tem também Idelber Avelar, demolidor, “sobre algumas vitórias recentes da luta afro-brasileira“, criticando e revelando as falácias da posição de certos acadêmicos, da mídia corporativa e outros setores da direita brasileira.

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Com algum atraso, li este bom artigo que pingara na caixa postal sobre o golpe no Paraguai.

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Nessa perseguição endoidecida, acabaram por matar “um inocente”, um empresário. O jornal de maior circulação de São Paulo titulou: “PM erra, mata empresário”. Em um primeiro momento fiquei indignada, pois crime não é “erro”. Mas afinal o jornal tinha razão: PM “erra” ao matar alguém que não é pobre, que não faz parte das populações do território da pobreza. Sem dúvida era isso que queriam dizer, pois no caso dos mortos anteriores, não se falou de “erro”.

Ângela Mendes de Almeida, professora e pesquisadora da PUC/SP, sabe das coisas. Admiro sua coragem de falar o que muitos não querem ouvir/enxergar. No RJ, desde 2007 o governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) executa política semelhante, ainda que com nuances e exceções que confirmam a regra (como as UPPs).
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Em A formação da classe operária inglesa, E.P. Thompson cita propostas de Tom Paine sobre como arrecadar e em que gastar/distribuir o arrecadado pelo Estado:

“[Paine] Propôs ainda pensões familiares: fundos públicos para a educação básica de todas as crianças, pensões para idosos – ‘não como uma questão de graça e favor, mas de direito’ (pois os pensionistas receberiam de volta apenas uma parte daquilo que tinham contribuído em impostos), um subsídio de maternidade, um subsídio para recém-casados, um subsídio para funerais dos necessitados, e a construção em Londres de um conjunto de combinado de alojamentos e oficinas para atender a imigrantes e desempregados:

[Cita a segunda parte dos Direitos do Homem, de Tom Paine] Com o funcionamento deste plano, a lei dos pobres, instrumentos de tortura civil, se tornarão ultrapassados… Os pobres moribundos não serão arrastados daqui para lá a soltar seu último suspiro, como se fossem o castigo de uma paróquia contra outra. As viúvas terão um fundo para a manutenção de seus filhos… E as crianças não serão mais consideradas como um acréscimo às desgraças de seus pais… O número de pequenos crimes, fruto da desgraça e da miséria, diminuirá. Os pobres, assim como os ricos, então se interessarão em apoiar o Governo, e cessará a causa e o temor de motins e tumultos. Vocês que têm conforto e se consolam na abundância… já pensaram nessas coisas?”

Pasme, caro(a) leitor(a): essa segunda parte da obra de Thomas Paine foi publicada em 1792. Em 2012, no Brasil, há quem considere boa parte disso um absurdo: o que já foi conquistado deve ser cassado e o que falta conquistar deve ser combatido. É só observar a pauta de veículos como O Globo.

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E, já que falei de Tom Paine, vamos de uma cover do Rage Against the Machine – a original é do Afrika Bambaataa – em que o sujeito é citado. Renegades of Funk inspira o nome do disco em que a banda californiana relê músicas e artistas que a influenciaram. Aqui, clipe e letra da versão do Rage.

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Uma resposta to “Rapidinhas”

  1. Parinni Says:

    As UPP’s trouxeram uma melhoria enorme pro Rio. Os bandidos não se sentem mais os donos dos morros que estão pacificados. Aos poucos, o Rio vai se ajeitando e a violência diminuindo cada vez mais. Claro que ainda existe criminalidade ao extremo, tráfico e bandidos a solta, mas pelo menos o governo está trabalhando pra que isso acabe. O primeiro passo teve que ser dado e foi dado, agora é continuar caminhando.

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