Rapidinhas em greve

Na terça-feira (14/8), reitores e dirigentes das Instituições Federais de Ensino do Rio de janeiro divulgaram manifesto afirmando a “necessidade urgente de reabertura dos canais ativos de negociações“.

Na quarta-feira (15/8), representantes dos professores federais em greve estiveram no Senado e foram recebidos por três parlamentares, dois deles de partidos (PT e PDT) que compõem o governo federal. Eles apoiaram a reabertura das negociações. No dia seguinte, o Governo Dilma Rousseff (PT), via declarações do senador Eduardo Suplicy (PT/SP), confirmou que considera encerradas as negociações. (Ouça o Jornal do Senado de ontem e essa reportagem de hoje.)

Como um possível desdobramento disso (ainda não conversei com alguém que tenha estado lá), hoje a UFRJ teve uma assembleia com quase 600 professores, rachada em relação à continuidade da greve. A maioria votou a favor da continuação do movimento e da pressão sobre o governo para que este reabra as negociações.
Enquanto isso, o Ministério da Educação repete o discurso de que a negociação acabou. Por exemplo, em 9/8 (afirmando que negociação acabou), 11/8 (cobrando das universidades a reposição das aulas) e hoje, 17/8 (reiterando ambos e afirmando que algumas universidades retomaram as atividades).
Em um aspecto, greves são como guerras: difíceis de entrar, mas ainda piores de sair. Não tenho dúvida de que o governo conta com isso e com o inevitável desgaste e cansaço que a longa duração produz na base.
Quem vai cansar primeiro? Não sei. Mas prevejo chuvas e trovoadas nas assembleias da próxima semana. Infelizmente.
*  *  *

Hoje terminei a leitura de O inocente, de John Grisham. Nunca tinha ouvido falar dessa obra de não-ficção do famoso autor. Caiu na minha mão emprestado por um amigo. Apesar da tradução ruim, uma narrativa cativante sobre uma história impressionante e trágica. Ao final, surpreendeu-me a opinião e a sinceridade do escritor ao dizer que a história é mais incrível do que ficções que já elaborou. Grisham ainda dá a entender que escrevê-la deu muito mais trabalho do que criar romances.

Seja como for, fato é que me peguei feliz e aliviado por viver num país em que não há a pena de morte. (Refiro-me, é claro, à possibilidade de aplicação desta pena pela Justiça – mas não às execuções sumárias praticadas a torto e a direito por policiais de todo o país.) Cada vez fico mais seguro de que uma eventual aprovação deste tipo de condenação – como defendem figuras como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) – seria um tremendo retrocesso para nossa democracia. Ela já tem dificuldades suficientes para avançar e se aprofundar.

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