Rapidinhas

Os meios de comunicação hegemônicos se colocam como defensores da “liberdade de expressão”, mas, na prática, não perdem uma oportunidade de agir da forma mais autoritária e escrota possível. Padrão titio Stálin, eliminando da foto quem não serve mais. Padrão direita do Rio, removendo pobres de áreas em valorização/especulação. Padrão direita de Sampa, que taca fogo mesmo.

Pois bem, ao que parece, a emissora de rádio de maior audiência no futebol do RJ resolveu banir seu ex-principal locutor (que sempre achei muito, mas muito ruim), só porque ele foi ganhar a vida em outra empresa. Ao longo da programação, nas narrações recuperadas de gols de dias/meses/anos atrás, nada de botarem um golzinho sequer em que o narrador seja aquele que, antes, era chefe, ídolo, referência.

Antes do Flamengo x Atlético/MG, jogo atrasado disputado em setembro de 2012, a rádio colocou um gol do Flamengo narrado pelo atual primeiro locutor. E outro com um narrador já falecido (Fla x Galo, final do Brasileiro de 1980). Jogos recentes relevantes, que seria lógico relembrar, como as vitórias nos Brasileiros de 1987 e 2009, nada.

No mínimo, o arquivo vai ficar capenga, porque, por muitos anos, quem narrou os principais jogos foi o agora banido.

*  *  *

Hoje soube que militantes pró-Palestina programam manifestações para o jogo Barcelona x Real Madri, em função de uma decisão política do clube catalão: convidar como VIP o soldado Gilad Shalit, do Exército de Israel.
Tristemente, a atitude vem do principal clube de uma região que resiste contra um Estado obtuso, autoritário, opressor. Quem tiver dúvida sobre o papel simbólico e histórico do Barça, recomendo ler a coletânea Fútbol: una religión en busca de un dios, do excelente escritor e jornalista Manuel Vázquez Montalbán. Montalbán classifica o Barça, rodrigueanamente, como o “exército desarmado da Catalunha”. Coisa linda.
Mas, como eu dizia, a luta dos palestinos é difícil, inglória, complexa. Hoje, todo mundo acha linda a história de Nelson Mandela e de como o boicote no/do esporte ajudou a derrubar o regime do apartheid na África do Sul. Mas é bom lembrar que o sujeito passou décadas preso como “terrorista” – história reconhecida pelo cinemão hollywoodiano no belo filme Mandela – Luta pela Liberdade.
Um documento dos perrengues dos palestinos em relação a um direito simples de outros povos – o de ter uma seleção nacional de futebol (que, pra quem leva futebol a sério, é, de fato, um “direito”) – é o filme Sonhos de Gol, sobre o qual escrevi um pequeno texto: http://historiadoesporte.wordpress.com/2011/04/18/sonhos-de-gol-sonhos-de/

*  *  *

Do admirável e incansável Plinio de Arruda Sampaio, editor do Correio da Cidadania e, há muitos anos, uma de minhas principais referências políticas: “Não se esquecer: estamos em ano eleitoral. Quem ama o povo, não pode ficar em casa. Escolha seu candidato e vá para a rua conseguir votos para ele.”

*  *  *

É a segunda ou terceira vez que lembro desse vídeo. O magnífico escritor José Saramago vê, pela primeira vez, a adaptação para o cinema de uma de suas obras-primas, Ensaio sobre a Cegueira. O A cada vez que vejo, me emociono. Coisa mais linda do mundo:

*  *  *

Adriana Facina, professora de História da Universidade Federal Fluminense, cravou 11 motivos para não votar no atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição pela coligação Somos um Rodo, quer dizer, Somos um Rio:

“O desafio agora, mais que subir o Freixo, é fazer o Paes descer. Tenho muita certeza de que Freixo terá mais de 20% dos votos. Agora é fazer com que Paes tenha menos de 50%. Vou dizer em vários posts meus motivos para não votar no Paes.

Motivo 1 para não votar no Paes: Eduardo Paes é o candidato das milícias, como pode comprovar qq um que circular pelas áreas onde elas dominam. Nessas áreas, só há propaganda do atual prefeito.

Motivo 2 para não votar no Paes: embora muitos considerem eleição um saco e votem no Paes para acabar logo com isso, é importante ter 2o turno. Assim, teremos mais chances de conhecer a fundo as propostas dos candidatos, o processo fica mais politizado e democrático. Inclusive com tempos iguais para apresentar ideias na TV.Motivo 3 para não votar no Paes: a educação pública no Rio é uma vergonha. O simples contracheque dos professores já é motivo mais que suficiente pra não querer a reeleição do atual prefeito.Motivo 4 para não votar no Paes: eu jamais votaria em uma pessoa que remove favelas e que considera que a especulação imobiliária está acima do direito das pessoas. A Vila Autodromo existe há mais de 30 anos e seus moradores estão ameaçados, assim como os moradores do histórico Morro da Providência, do Pico do Santa Marta e tantos outros.

Motivo 5 para não votar no Paes: o preço e a ineficiência dos transportes públicos no Rio de Janeiro. Sem comentários.

Motivo 6 para não votar no Paes: as políticas de choque de ordem impedem trabalhadores desempregados de ganhar a vida com seu trabalho na rua. Informalidade não deve ser crime tratado na base da porrada e spray de pimenta.

Motivo 7 para não votar no Paes: as OS da saúde são uma caixa preta do dinheiro público, regidas por total intransparência e não melhoraram em nada a gestão pública.

Motivo 8 para não votar no Paes: as políticas para a cultura carecem de transparência e de democratização, inclusive no que diz respeito aos critérios para destinação das verbas.

Motivo 9 para não votar no Paes: quando um candidato é financiado por empreiteiras e empresas de transporte ele está preso aos compromissos com esses interesses. Fazer um monte de obras serve mais à empreiteiras do que aos interesses da população. Manter as passagens nos valores absurdos de hoje também.

Motivo 10 para não votar no Paes: o atual prefeito representa a continuidade de um projeto político que já tem mais de 20 anos, afinal ele vem de gestões anteriores. Esse modelo construiu uma cidade muito cara, excludente e orientada para interesses privados. É preciso democratizar a cidade, estimular a participação popular e criar mecanismos para que possamos decidir coletivamente os rumos dos investimentos públicos.

Motivo 11 para não votar no Paes: o atual prefeito tem de pagar pessoas para fazerem campanha para ele nas ruas e gasta milhões nessa campanha. Afinal, estamos falando de política ou da venda de um produto no mercado? O PROCON no caso é o voto e o meu ele não tem.”

*  *  *

Nos últimos anos, tem sido comum pessoas, partidos e entidades vinculadas à direita defenderem, de forma aparentemente desinteressada, conceitos como “alternância no poder”. Curiosamente, nunca vi tais setores defenderem tal conceito quando se tratava de saírem do poder ditaduras como as da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. Mas, quando estão em questão frações da classe dominante, aliadas e amigas, em municípios como os do interior do Rio Grande do Sul, onde o PP grassa, ninguém fala nada. Mesmo que, em décadas de democracia burguesa, curiosamente, o mesmo partido ganhe sempre:

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/eleicoes-2012/noticia/2012/09/o-municipio-que-e-governado-ha-120-anos-pelo-mesmo-grupo-partidario-3893565.html

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: