Rapidinhas

Idelber Avelar, afiado como sempre, na Fórum de setembro:

Em outras palavras, e em bom português: a esquerda paulista precisa visitar o Xingu. A esquerda uspiana precisa considerar, a sério, a possibilidade de que as críticas a Hegel, Marx e Adorno não vêm somente de pessoas que “não entenderam” suas obras. A esquerda hegeliano-marxista tem que questionar esse estranho esquema de pensamento segundo o qual a luta de classes industrial é “política” e a luta dos quilombolas é “cultural”. Que a esquerda paulistana lute para desalojar a direita da prefeitura, mas que não se esqueça do que os seus aliados sul-matogrossenses fazem contra os Guarani Kaiowá (a estas alturas, quase todo mundo já descobriu, mas continua agindo como se não soubesse). Que a esquerda hegeliano-marxista repense o seu uso dos verbos “voltar”, “regressar”, “recuperar” e “restaurar” sempre que se trata da defesa das formas de vida indígenas. Ao contrário, o preço a pagar pode ser a crescente indistinção entre a esquerda que não teme dizer seu nome e a esquerda que não ousa dizer seu nome, curiosíssimo e revelador ato falho cometido por alguns perfis de esquerda na divulgação do ótimo livro de Safatle na internet.

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Com as confirmações do Pearl Jam no Lolla e Ben Harper no Rock in Rio, haja dinheiro em 2013.

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Fiquei impressionado com a discrepância entre a fala do reitor da Unirio (universidade em que trabalho) citada nesta matéria e o que ouvi na última reunião do Conselho Universitário (Consuni), realizada há cerca de duas semanas. Naquela ocasião, ao apagar das luzes, um dirigente reproduziu vários estereótipos que o senso comum – e publicações como Veja e O Globo – utilizam, há anos, ao discutir as políticas de cotas para ingresso na universidade. Por exemplo, dizer que a universidade iria precisar “se preparar” para o ingresso de alunos “com dificuldades”, como se não existissem estudos que demonstram indiferença de desempenho entre cotistas e não-cotistas; como se as cotas colocassem para dentro da universidade alunos não qualificados de acordo com os padrões mínimos de aprovação; como se… (há muitos outros argumentos).

Na matéria do Estadão, a fala do reitor é inteiramente outra. Boa notícia. Que todos os alunos da Unirio sejam bem-vindos, sem olhares preconceituosos e sem cortes além dos que vida pregressa na sociedade brasileira já lhes proporcionou. E que a universidade, de uma vez por todas, se torne pública, gratuita, laica e de qualidade, exercendo, na prática, todos os mecanismos possíveis para facilitar e garantir a manutenção dos alunos pobres, o que implica laboratórios decentes, bibliotecas decentes, bandejões decentes, moradias estudantis decentes, transporte intercampi decente – tudo isso em termos quantitativos, qualitativos, com horário amplo de funcionamento etc. Por exemplo, a indecência dos acervos das bibliotecas é uma política pública que contribui para inviabilizar a permanência, na universidade, de quem não tem dinheiro disponível para comprar livros e pagar xerox.

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Apaguei meu perfil do Facebook no início dessa semana. O próprio Facebook tentou evitar, usando os sentimentalismos e apelações mais bizarros (se fosse um telefonema de telemarketing para concessionária de serviço público no Brasil, a situação seria duzentas vezes pior).

Coincidência ou não, menos de 24 horas após a exclusão, recebo um email de spam dizendo que Fulano (Autarquia do Governo Federal), Beltrano (banda de música) e Sicrano (ex-aluno) “ainda estão esperando que você participe do Twitter…”

Não sei há quanto tempo “estão esperando”, mas, pelo visto, saída do Facebook cria expectativa em seres inexistentes (Autarquia do Governo Federal e banda de música) de que eu entre no Twitter. E meus dados continuam rolando por aí.

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