Um livro

Estou terminando de ler um petardo: Confissões de um Assassino Econômico, de John Perkins. Bota os pingos nos is sobre o papel que consultores de empresas – aqueles que a mídia corporativa adora entrevistar sobre os mais variados assuntos, tacando “consultor” ou “especialista” nos créditos – desempenham mundo afora: parasitar até a morte os povos e subjugar os Estados-nação para enriquecer as corporações sediadas nos EUA. Isso quem diz, nesses termos mesmo, não sou eu, mas o autor. O argumento é construído de forma convincente por Perkins, que operou dentro do sistema e que não nutre qualquer simpatia por socialismo e comunismo, sejam os utópicos, sejam os realmente existentes.

Enquanto isso, no Brasil, nada de cumprir a Constituição e fazer auditoria da dívida. Nada de processar e condenar os responsáveis por fraudes, fraudes e fraudes ao interesse público e nacional. Nada de anular os contratos assinados por governos ditatoriais ilegítimos.

Um trecho, sobre o bombardeio dos EUA à Cidade do Panamá, em 1989, um dos acontecimentos mais bizarros do século XX:

“Em seguida ao bombardeio, os Estados Unidos de repente se encontraram numa situação delicada. Por um momento, pareceu como se toda a coisa fosse sair como um tiro pela culatra. A administração Bush [pai] podia ter sufocado os rumores quanto à fraqueza, mas agora ela deparava com o problema da legitimidade, de parecer ser um poder arrogante e cruel surpreendido num ato de terrorismo. Foi revelado que as forças armadas americanas haviam proibido a presença da imprensa, da Cruz Vermelha e de outros observadores estrangeiros de entrar nas áreas mais fortemente bombardeadas por 3 dias, enquanto os soldados incineravam e queimavam as vítimas. A imprensa fez perguntas sobre quantas evidências de comportamento criminoso e outro tipo de comportamento inadequado tinham sido destruídas, e sobre quantos morreram por impedirem que recebessem os cuidados médicos necessários, mas essas perguntas nunca foram respondidas.”

Enquanto isso, por aqui, house organs da Casa Branca como O Globo e Veja tratam todo e qualquer bombardeio “humanitário” realizado pelas potências capitalistas como uma contribuição à paz e democracia: Iraque, Mali, Afeganistão, Paquistão, Sérvia, Síria, Líbia, Palestina, Líbano.

Em tempo: a tradução do livro é muito ruim e a revisão, se houve, idem. Refiro-me à edição brasileira de 2005, que tenho em mãos.

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