Rapidinhas

Em texto opinativo, Marco Aurélio Canônico critica o “surto museológico” que ocorre no Rio de Janeiro. Além de procedente – basta ver os numerosos problemas da Biblioteca Nacional nos últimos anos -, a análise vale igualmente para outros setores do Estado (nas esferas municipal, estadual e federal). Na saúde e na educação, por exemplo, boa parte do que existe funciona mal: infraestrutura elétrica e hidráulica, prédios, equipamentos, móveis, computadores e impressoras  etc. estão caindo aos pedaços, ou contam com manutenção mínima ou nula. Somam-se a isso os poucos e mal remunerados funcionários.

A prioridade é construir e inaugurar prédios novos e comprar equipamentos idem. Meses ou anos depois, apodrecem ou ficam inoperantes, por falta de manutenção, de insumos ou de servidores públicos que os coloquem para funcionar. Quem duvidar do que estou dizendo está convidado a visitar pelas unidades da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) na Avenida Pasteur, no Rio de Janeiro. Olhe os tetos, os elevadores, os banheiros, as salas de aula, as paredes. Se quiser fazer o passeio com emoção, faça-o no verão, no calor superior a 40 graus do Rio de Janeiro. Ou num dia de chuva forte no Rio.

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Empresas multinacionais que recebem isenção de impostos e incentivos do governo federal continuam demitindo trabalhadores, como no caso recente da Chevrolet/General Motors, informa o deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP). Além dos aspectos mencionados no discurso, cabem duas perguntas: o dinheiro público das insenções vem sendo utilizado para pagar os custos trabalhistas das demissões? O dinheiro público das isenções vem sendo utilizado para aumentar a remessa de lucros às matrizes, como nos últimos anos? Em caso positivo, o que justifica a transferência de dinheiro do Estado brasileiro para os acionistas das matrizes nos EUA e na Europa?

Um trecho:

O setor automobilístico já recebeu cerca de R$ 25 bilhões em isenções de impostos do governo federal desde 2009. Em meados de agosto de 2012, o ministro da Fazenda Guido Mantega declarou que “não iria tolerar o descumprimento nos acordos de não demissão dos setores beneficiados pelo estímulo de redução de IPI dado pelo Governo Federal”. Menos de uma ano depois o ministro é desautorizado pela GM e não há sinais de que o Governo venha interceder no caso.

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No esporte, também já se estão armando novas jogadas para transferir recursos públicos para uso privado. Desta vez, através do perdão das dívidas. Quem analisa e aponta problemas, em artigo que pingou na caixa postal, é o economista Gil Castello Branco. Às questões que elenca, acrescento duas: se o PT-governo sustenta que existe umrombo” nas contas da previdência, por que tomar uma medida que o aumenta ainda mais? Por que as pessoas jurídicas (no caso, os grandes clubes de futebol) continuam sonegando impostos e sendo beneficiados, ao passo que os trabalhadores assalariados levam a facada diretamente no contracheque, sem possibilidade de sonegar, renegociar, receber perdão?

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