Rapidinhas

A julgar pela nota emitida pela campanha “Banda larga é um direito seu”, vem aí pilantragem grossa por parte do Ministério das Comunicações, buscando favorecer as já bilionárias empresas de telecomunicações. Trata-se de “nova privatização” do setor – desta vez, num ministério do Partido dos Trabalhadores (PT), dentro de um governo idem.

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Pingou na caixa postal entrevista de Marcos Dantas, professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Falando ao UFRJ Plural, ele explica como as informações – inseridas livre e espontaneamente pelas pessoas via celular, computadores e outros equipamentos – podem virar instrumento de controle e lucro para as empresas e/ou Estados. Um trecho:

Quando alguém compra um smartphone, a primeira coisa que faz é se conectar à internet. Abrir um endereço no Google, se for android, ou então na Microsoft, se for o windows phone. A partir daí, toda transação que se fizer pelo smartphone, seja baixar um dado ou marcar uma agenda, vai passar pelos servidores de uma dessas duas corporações. Por exemplo, se eu marcasse no aparelho a agenda da entrevista que estamos realizando, ela ficaria reigistrada na Microsoft. Ou seja, o meu cotidiano é controlado. Quando as pessoas usam o smartphone para qualquer tipo de transação, não têm a menor consciência de que estão fazendo um trabalho de graça para essas empresas.É a mais-valia mais absoluta que existe no mundo, um trabalho gratuito para enriquecer o Bill Gates. E também um repasse de informações poderosas para que essas organizações possam controlar o mundo.

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A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro realizou CPI para investigar a bandalheira das universidades privadas no estado. Pelo que sugere esta notícia, os trabalhos foram interessantes, chegando a resultados idem. Exatamente por isso, o jornalismo das corporações de mídia manteve a CPI na sombra. Nada de notícia, nada de chamadas, nada de destaque, nada de pautar o assunto. Nada de debatê-lo nos programas de entrevistas, nos programas de auditório, nos jornais, nos programas de debates. As universidades privadas – diferentemente das estatais – são anunciantes de peso da mídia corporativa. Além disso, do ponto de vista político, essa mídia defende com unhas e dentes a privatização do ensino superior. Sendo assim, ainda que o modelo seja falido e a maioria das privadas funcione muito mal – sob qualquer aspecto, exceto o de enriquecer os donos -, o jornalismo corporativo finge que não há nada a noticiar ou discutir. Breves exceções ocorrem quando o Ministério da Educação, omisso, divulga com estardalhaço seus rankings – nada mais do que termômetros que, a cada ano, indicam febre alta, sem que seja tomada qualquer medida efetiva para atacar as causas.

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