Rapidinhas

Plínio de Arruda Sampaio Júnior aborda algumas das causas dos males do transporte público em São Paulo. Aspectos que passam batidos nas muitas horas de cobertura das manifestações (e de comentários de boa parte dos “especialistas” e “analistas políticos” com lugar cativo nas corporações de mídia). Um trecho:

Mesmo tendo plena consciência do fato, pois o assunto foi tema importante de sua campanha, o prefeito ocultou o mecanismo de transferência de recursos dos cidadãos paulistanos para o governo federal a fim de engordar os superávits primários exigidos pelo FMI. Assim, Haddad deixou na penumbra a armadilha financeira que solapa a capacidade de a cidade de São Paulo fazer políticas públicas. Como o prefeito gosta de combater o movimento social com terrorismo contábil, revelando os médicos, leitos hospitalares e casas populares que seriam comprometidas pela redução das tarifas, não custa contrapor o custo dos quase 13 anos de vigência do acordo firmado por FHC e mantido pelos governos de Lula e Dilma. Eis o que se perdeu com a sangria imposta pela dívida pública com o governo federal: 83,6 quilômetros de linhas de metrô (U$ 250 milhões o quilômetro); 418 mil casas populares (R$ 50 mil a unidade); 17.416 creches (R$ 1,2 milhão cada).

Tão zeloso em “abrir” as contas públicas, Fernando Haddad foi absolutamente omisso em relação à caixa preta que explica os custos e lucros que estão por trás do cálculo da tarifa de transporte público, mesmo o assunto tendo sido um reclamo da promotoria pública. Em nenhum momento aventou sequer a possibilidade de mexer na margem de lucro das empresas e, muito menos, em estatizar o transporte coletivo da cidade, eliminando um dos principais parasitas que sugam os cofres públicos. E, no entanto, o povo que saiu às ruas para se apropriar da cidade grita em alto e bom som que a livre circulação das pessoas não pode ser objeto de lucro e ganância.

*  *  *

A direção do IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou nota condenando a selvageria – o termo é meu – policial da noite de quinta-feira (20/6/2013) no Centro da cidade. (via Jornal da Ciência)

A Justiça Global também se manifestou sobre o ocorrido, tocando numa pauta importante, mas que pouco apareceu no debate público nos últimos anos: a desmilitarização da polícia.

*  *  *

Maurício Thuswohl aponta alguns problemas e críticas em relação à reforma e concessão do Maracanã.

*  *  *

Recomendo também:

O protesto, a baderna e o resto“, de Najar Tubino

A catarse da classe média“, de Guilherme Leite Cunha

Anúncios

Uma resposta to “Rapidinhas”

  1. Notas sobre o protesto de quinta-feira, 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro | A Lenda Says:

    […] Rapidinhas Rapidinhas […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: