Sobre hoje (a PM do Rio que bate em professor)

Então, mais uma vez, no Rio, a polícia militar enfiou a porrada em professores. Bateu, jogou bombas, deu tiros.

Em professores do ensino público – onde, provavelmente, a maior parte destes policiais estudou.

Entre estes colegas professores estão amigos que trabalham ensinando crianças, no sistema de educação do município do Rio de Janeiro, a “Cidade Olímpica” (nome-fantasia empresarial adotado na gestão estatal do atual prefeito do PMDB). Trabalhadores que cumprem um papel fundamental para o país – papel muito mais difícil e importante do que o meu, embora recebam salários muito menores. (A última frase é uma opinião pessoal, óbvio. Mas, de fato, acredito nisso.)

Enquanto isso, no senso comum de muita gente, salafrários são (apenas) a polícia da ditadura (1964-89), os governantes da ditadura, a repressão da ditadura. Porque, afinal, estamos numa democracia.

Enquanto isso, pra muita gente, é bonito defender a educação e a saúde em manifestações do inverno. Mas, quando chega a primavera e os professores do estado e do município estão em greve por salários, plano de carreira e condições (menos in)decentes de trabalho, a turma não aparece nas ruas para se solidarizar. Não se manifesta, nem lá, nem na internet. E, em muitos casos, ainda condena os que aparecem para, à sua maneira, prestar solidariedade aos professores e enfrentar a polícia. De preto, ou não. De máscara, ou não.

Onde estão os cartazes de cartolina? Onde estão os textos indignados? Onde estão as manifestações?

E, tão importante quanto: onde estavam, na tarde de hoje, os vereadores em quem cada um votou?

Felizmente, sei onde estavam os vereadores do partido em que votei ano passado: do lado dos professores, e contra a postura arrogante, bizarra, autoritária, direitista e anti-educação pública do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

E você, em quem votou pra prefeito e vereador?

[Adendos em 2/10:

Sobre o ocorrido ontem no Centro, vale a pena ler este texto de Valdemar Figueiredo Filho.

E um alô para o pessoal de SP que em tudo vê culpa do governo do PSDB: no Rio vale a mesma lógica? Aqui, PT, PDT, PCdoB e PSB são base tanto do prefeito como do governador.]

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