Rapidinhas

No artigo “Educação e Petróleo“, publicado em edição especial recente da Caros Amigos sobre educação, Otaviano Helene e Ilso Luís Sauer esclarecem o que significa colocar nos royalties do petróleo a esperança para a solução dos problemas de financiamento da educação. Um trecho:

“Outra questão quanto à vinculação do financiamento da educação à exploração de combustíveis fósseis, é o efeito que ela pode ter sobre a política energética nacional. Por exemplo, embora a questão ainda esteja em discussão no Congresso, pela atual legislação grande parte dos royalties é gerado pelas concessões, regime no qual a propriedade do petróleo e outros combustíveis é transferida para uma empresa privada, perdendo a União qualquer poder de decisão. Assim, nossos estudantes, pais e professores deverão fazer passeatas em favor de maior e mais rápida privatização da exploração do petróleo?”

*  *  *

Recomendo esta ótima entrevista de Laymert Garcia dos Santos, professor da Unicamp, concedida a Glauco Faria e Igor Carvalho e publicada na Fórum. Traz excelentes reflexões sobre os acontecimentos recentes no Brasil, e sobre as relações entre mídia, internet, política e democracia. Um trecho:

Fórum – Nas primeiras edições do Fórum Social Mundial, não era incomum ver a polícia protegendo o McDonald’s, ou seja, protegendo o patrimônio.

Laymert – A questão do patrimônio… Lembro que um dos grandes “escândalos” em uma das primeiras manifestações foi o ataque a uma agência de automóveis, no mesmo dia em que houve uma intervenção militar na Maré, em que morreram nove pessoas. E o escarcéu foi em torno da agência de automóveis. Se tem, por um lado, uma espécie de violência seletiva, por outro tem de ser sempre lembrado que a questão do patrimônio é mais sacrossanta na visão da mídia tradicional e dos conservadores, e a vida das pessoas, não. Na Maré, ninguém levantou o dedo para apontar que havia ocorrido um verdadeiro massacre.

São essas nuances que é preciso observar para não condenar a violência em bloco, porque existe um certo tipo de violência compreensível e talvez até defensável. Entendo perfeitamente porque ouvi relatos de pessoas que conheciam jovens de periferia que participaram de algumas das ações de violência e que estavam dando o troco por aquilo que recebem todo dia na periferia.

Quando existe um momento em que se pode revidar no centro da cidade, entendo, porque sabemos como a periferia é tratada por governos como o do Alckmin, em São Paulo, ou no Rio de Janeiro. A gente sabe como é.

A questão da segurança precisa ser rediscutida, e por isso gostei da capa da Fórum [125] que dizia: “Polícia não pode ser militar”, fazendo uma dissociação que é fundamental. Muito das outras impunidades são herança de uma impunidade na qual existe uma categoria de cidadãos que está acima da lei, e não é só o agente do grande capital, mas está representada no exercício da violência aberta contra a população. Enquanto não houver uma discussão de fundo sobre a violência que é exercida contra os índios, desde 1500, um genocídio… Tem de colocar esse pacote em cima da mesa, assim como o pacote da Lei de Anistia, é necessário responsabilizar aqueles que na ditadura torturaram, essas pessoas têm de ser punidas. É preciso colocar a questão da segurança mostrando que a polícia não pode tudo, porque também tem de obedecer à lei. Enquanto não acabar essa impunidade, acho difícil que as outras impunidades acabem, porque já se estabelece que há gente que está acima da lei e gente que tem de obedecê-la. Não é possível dizer que se está em uma democracia política, e não estou nem falando social e econômica.”

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