Um livro

Noam Chomsky – O que o Tio Sam realmente quer (Editora UnB)

Trechos:

1) “Exposto tudo isso, é fácil entender a política dos EUA para o Terceiro Mundo. Somos radicalmente opostos à democracia se seus resultados não podem ser controlados. O problema com as democracias verdadeiras é que elas podem fazer seus governantes caírem na heresia de responderem às necessidades da sua própria população, em vez da dos investidores norte-americanos.”

Aposto que Veja, O Globo e outros house organs da Casa Branca publicados em território brasileiro concordariam. No caso desses órgãos, que têm ligações históricas com a direita brasileira, se puder haver democracia sem povo e voto popular, melhor. Por falar nisso…

2) “O governo Kennedy preparou o caminho para o golpe militar no Brasil em 1964, ajudando a derrubar a democracia brasileira, que se estava tornando independente demais. Enquanto os Estados Unidos davam entusiasmado apoio ao golpe, os chefes militares instituíam um estado de segurança nacional de estilo neonazista, com repressão, tortura etc. Isso provocou uma explosão de acontecimentos semelhantes na Argentina, no Chile e em todo o hemisfério, desde os meados de 1960 até 1980 – um período extremamente sangrento.

(Eu penso, falando do ponto de vista legal, que há um motivo bem sólido para acusar todos os presidentes norte-americanos desde a Segunda Guerra Mundial. Eles todos têm sido verdadeiros criminosos de guerra ou estiveram envolvidos em crimes de guerra.)”

É isso. Obama, Bush pai, Bush filho, Clinton, Nixon, Kennedy, Reagan e demais: geral no banco dos réus do Tribunal de Haia, julgados por crimes contra a humanidade. Certa vez, escrevi: “a cada ano, a cada mandato, renova-se esta máxima: o maior chefe terrorista do mundo é o inquilino da vez na Casa Branca.” Vejam, só: esse ano, ao ler o livro, fui saber que, em linhas gerais, Chomsky tá comigo. Bom sinal. Os inquilinos de décadas da Casa Branca poderiam receber a companhia do atual inquilino do Palácio Guanabara, Sérgio Cabral Filho (PMDB). Um dia, chegamos lá.

Antológica capa do jornal inglês The Independent informando sobre resultado de votação, na ONU, de proposta de cessar-fogo no conflito entre Israel e Líbano (ou melhor, Hisbolá) em 2006. Retirado daqui.

3) “Independentemente da invasão do Iraque [em 1991], os EUA têm bloqueado sempre todo e qualquer processo de paz no Oriente Médio, incluindo uma conferência internacional sobre reconhecimento do direito dos palestinos à sua autodeterminação. Por vinte anos, os EUA têm sido praticamente os únicos a manterem essa posição. Os votos na ONU mostram seu padrão regular anual. Mais uma vez, em dezembro de 1990, bem no meio da crise do Golfo, a chamada para uma conferência internacional recebeu 144 votos a favor e dois contra (EUA e Israel). Isso nada teve a ver com Iraque e Kuwait.”

De maneira geral, é isso mesmo, e os house organs citados antes apenas referendam as posições dos EUA/Israel como se fossem a “realidade”.

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