Rapidinhas

A conta de luz vai subir quase 20%. Imagina como seria se tivéssemos um governo neoliberal, que privilegiasse o interesse das empresas multinacionais, empreiteiras e fundos de pensão que, graças à privataria, viraram concessionárias monopolistas de serviços públicos de eletricidade. Imagina se o governo federal defendesse esses interesses em detrimento da garantia de direitos e serviços básicos à população…

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Coisa de 15 anos atrás, li Estação Carandiru, um dos melhores e mais importantes livros de minha vida. Hoje terminei Carcereiros, do mesmo Drauzio Varella. Outro livraço. Um trecho:

“Nossas cadeias são construídas com o objetivo de punir os marginais e de retirá-los das duas, não com o intuito de recuperá-los para o convívio social. Preocupações de caráter humanitário com o destino dos condenados só ganharão força no dia em que os criminosos das famílias mais influentes forem parar nas mesmas celas que os filhos das mais pobres.”

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Quem lê sobre as comemorações dos 25 anos da queda do Muro de Berlim, realizadas no fim de semana passado na capital alemã, nota o clima de celebração da liberdade. Se for ingênuo, este leitor acreditará que empresas de comunicação como, por exemplo, aquela que publica a ditabranda Folha de S. Paulo são campeãs da liberdade e do congraçamento dos povos.

Contudo, trata-se de esculhambar esse muro específico e, conveniente e hipocritamente, poupar outros. Afinal, após a derrubada do Muro de Berlim, outros, igualmente vergonhosos, foram construídos e continuam a crescer, como monumentos à estupidez, à violação ao direito de ir e vir, ao impedimento da felicidade e, principalmente, à segregação – racial, inclusive – dos povos. Refiro-me, por exemplo, ao Muro da Vergonha construído por Israel para segregar os palestinos, destruir-lhes a vida comunitária, impedir-lhes o direito de ir e vir e roubar-lhes terras férteis.

Muito tempo atrás, numa entrevista (ou um texto, não estou seguro) do saudoso jornalista Aloysio Biondi, aprendi que, ao ler uma matéria de economia publicada na mídia hegemônica, deveria começar pelos últimos parágrafos, onde geralmente está a informação que interessa. Essa matéria da ditabranda Folha é um exemplo de que a observação de Biondi pode valer também para outras editorias.

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