Rapidinhas

O governo Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou no fim de 2014 o primeiro conjunto de medidas com o objetivo de prejudicar os trabalhadores brasileiros. Vai ver, foi por causa deste tipo de medida política neoliberal, comum desde o início do primeiro mandato, que algumas pessoas encheram minha caixa postal durante a campanha do segundo turno em outubro passado, dizendo que neoliberal era o governo do PSDB. (Obviamente, um governo do PSDB seria neoliberal até o talo. Impossível discordar desta afirmação.)

Pra surpresa de ninguém, as mensagens desapareceram após as primeiras medidas anunciadas pela candidata reeleita, inclusive esta beleza de gabinete ministerial que tomou posse dia 1. Aposto que tais figuras só aparecerão para defender o governo e discutir política daqui a três anos e meio, nas eleições de 2018.

Sobre o pacote, é mais do mesmo e, por isso, conta com a aprovação do jornalismo praticado nas corporações de mídia: retirar R$ 18 bilhões que eram destinados aos trabalhadores significa “economia“. Usar valores muito maiores de dinheiro público para remunerar os ricos (via pagamento de juros e serviços da dívida pública), para aumentar a taxa de lucro das multinacionais (via subsídios e redução de impostos) e para favorecer lucros de empresas privadas (vide obras da Copa e dos Jogos Olímpicos, dos aeroportos e demais itens de infraestrutura, ainda por cima privatizados após receberem muito dinheiro público) é “investimento”.

Os cortes provisórios no Orçamento da União atingiram em cheio o Ministério da Educação com uma facada de R$ 7 bilhões. Calculo o que aconteceria se a educação não fosse prioridade deste segundo mandato (ao menos, foi o que disse Dilma no discurso de posse)… A mesma proposta orçamentária prevê desperdiçar 47% – isso mesmo, absurdos 47% – dos recursos com o pagamento da dívida. Ou seja, separando metade do Orçamento para entregar aos ricos. Como, aliás, nos demais anos de governo do PT.

Para garantir e avançar direitos da população, os percentuais previstos são o miserê de sempre. Difícil prever o resultado: os serviços públicos continuarão a beleza que são.

*  *  *

E eis que uma matéria da Agência Pública afirma que o governo federal mexicano foi responsável pelo episódio em que dezenas de estudantes foram assassinados e tiverem seus corpos desaparecidos. Um trecho:

Apesar dos documentos que provam que o governo vigiou os estudantes desde quatro horas antes do ataque, que soube do ocorrido durante todo o tempo e que suas forças de segurança participaram do ataque, até hoje – um mês depois desta investigação ser publicada no México – o governo de Enrique Peña Nieto segue negando os fatos e se recusando a dar uma explicação. Os pais dos estudantes desaparecidos, agora, exigem que se investigue a participação da PF e do Exército.

Fico imaginando que informações poderiam ser levantadas e divulgadas caso as chacinas ocorridas no Brasil fossem objeto de investigação jornalística séria – como, por exemplo, as que resultaram nas excelentes obras O Massacre, de Eric Nepomuceno, e Rota 66, de Caco Barcellos.

 

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